Deboche de Flávio com padrão Einstein: “não precisa de mármore nem piano de cauda no SUS”, diz especialista Foro: Vermelho Org

Deboche de Flávio com padrão Einstein: “não precisa de mármore nem piano de cauda no SUS”, diz especialista

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Especialista em saúde pública, a professora Ligia Bahia fala da promessa de Flávio Bolsonaro de criar “padrão Einstein” no Sus: “deboche”

Acompanhava no rádio, semana passada, o programa dos dois candidatos. No de Flávio Bolsonaro, numa troca de diálogo, o apresentador pergunta: “Flávio, e o SUS”. O senador responde: “O SUS será padrão Einstein”, numa referência do hospital paulista.

Bastante incrédulo, fui buscar e ouvir de novo. Concedi ao senador o benefício da dúvida. Não era possível ter dito isso. Foi o que disse, sim. A primeira e reação: é um deboche, um desconhecimento do SUS, além da mais estapafúrdia promessa de campanha dos últimos tempos.

Chamamos a professora Ligia Bahia para falar conosco no MyNews sobre esse disparate na campanha do bolsonarista. Ligia é professora da UFRJ e uma das maiores especialistas em saúde pública do país. O que ela nos disse:

“Isso está atrapalhando, essa história de ‘padrão Einstein’. Esse Einstein exclusivo para rico só tem branco. Ele é todo branco, mármore branco, uma branquitude só. É um deboche, o candidato é um debochado. Isso nunca vai existir. É algo alucinado. Nós não precisamos de um padrão Einstein. De fato, não. É preciso que se compreenda isso. É um hospital ultraluxuoso, ultra bem equipado, que faz parto normal. Em qualquer sistema de saúde do mundo isso não existe. Esse padrão é de ineficiência e de desperdício de recurso”, nos disse Ligia, que segue na sua reflexão:

“Precisamos de uma rede de serviço de saúde que seja ampla, adequada e que seja hierarquizada, o que não é o Einstein, que atende aos ricos e quaisquer problemas que tenham. Mas não é assim que se constrói um sistema de saúde. Não precisa de mármore, não precisa de piano de cauda. Isso não existe. Aliás, existe sim, em Dubai. Mas nos países desenvolvidos, não existe.  Os hospitais gerais dos Estados Unidos não são assim. O recurso roda para todo mundo”.

Continua Ligia Bahia:

“Um paciente com apendicite não precisa ser atendido num hospital que tem nove ressonâncias nucleares magnéticas. Pode ser atendido em um hospital regional, de sua cidade. Não queremos esse padrão Einstein. E não é por inveja, não, porque não conseguimos entrar, um negro, uma negra. Não é isso. É porque está errado mesmo. Tecnicamente é insustentável num sistema de saúde”.

 

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