EUA
Ele impõe o barbarismo como regra global ao transformar a força bruta na única estratégia de segurança nacional
Donald Trump não apenas desafia, mas desmoraliza a democracia. Se ainda existiam dúvidas ou divergências sobre esse diagnóstico, o ataque ao Irã aniquila qualquer incerteza. Vivemos, sem disfarces, a era da lei do mais forte.
O ataque escancara o padrão de sua segurança nacional. Trump ignora protocolos e atropela instituições. Por isso, a pergunta central sobrevive: qual é a motivação real dessa agressividade?
Se o mundo aceita justificativas baseadas apenas no suposto direito do mais potente, assinamos um pacto com a própria destruição. É uma questão de coerência elementar. Afinal, se a força bruta vale no topo da pirâmide internacional, ela valerá em todos os lugares. Não existe meio-termo para o autoritarismo.
Validar esse comportamento abre a porta para a barbárie em todos os níveis. Onde o mais forte manda, ninguém mantém a segurança. Essa lógica invade as residências e corrói as relações familiares. Contamina as ruas e destrói o convívio diário. Por fim, ela apodrece as instituições e os governos.
Testemunhamos agora o mundo sem lei. Vence quem for o mais rápido no gatilho. O barbarismo vira um conceito universal e invade cada fresta da existência humana.
Trump faz mais do que desestabilizar países; ele esvazia o sentido da democracia. Surge, então, o questionamento amargo: que tipo é esse que o sistema produz?
A escolha é direta. Ou resgatamos o Direito agora, ou aceitamos o soco na mesa como única linguagem. Se a estratégia de uma superpotência se resume à agressão pura, a democracia deixa de ser um farol. Ela vira, tragicamente, apenas um espelho da nossa própria decadência.