América Latina vira “prioridade máxima” na nova estratégia de segurança dos EUA Foto: aquivo pessoal Venezuela

América Latina vira “prioridade máxima” na nova estratégia de segurança dos EUA

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“Corolário Trump” dá aos Estados Unidos o direito de intervir na América Latina para defender seus interesses

Washington mudou sua postura de forma drástica. Agora, o Brasil e seus vizinhos ocupam o centro das atenções globais. Segundo o Coronel Paulo Filho, estrategista e analista de geopolítica, a nova Estratégia Nacional de Segurança dos EUA representa uma “guinada de 180 graus”. O documento recém-editado é claro: o Hemisfério Ocidental é a prioridade máxima da segurança norte-americana. Ou seja, América Latina vira “prioridade máxima” na nova estratégia de segurança dos EUA.

O resgate da doutrina Monroe

Historicamente, a região nunca teve tanta relevância nas doutrinas de defesa dos EUA. Paulo Filho explica que, após a Guerra Fria, o foco americano oscilou entre o combate ao terrorismo e a ascensão da China na Ásia. No entanto, a nova estratégia resgata a Doutrina Monroe do século XIX. Sob o lema “América para os americanos”, o objetivo atual é afastar influências externas do continente.

O analista destaca uma inovação no documento: o “Corolário Trump”. Em suma, essa norma dá aos Estados Unidos o direito de intervir na América Latina para defender seus interesses. O texto afirma que os EUA impedirão competidores de posicionar forças ou ameaças na região. Dessa forma, a mensagem é direta: a China não deve entrar no hemisfério ocidental.

Essa postura já gera ações práticas. Por exemplo, a estratégia classifica o tráfico de drogas e a imigração ilegal como ameaças vitais. Consequentemente, o governo americano ganha uma narrativa para tratar o narcotráfico como terrorismo. Isso legitima operações militares, como as missões que destroem embarcações próximas à Venezuela em nome da segurança nacional.

Tecnologia, economia e defesa

Além disso, a estratégia busca garantir a hegemonia econômica por meio de tecnologias de ponta. Os EUA focam em inteligência artificial, computação quântica e biotecnologia. O plano visa reduzir a dependência da China. Para isso, pretendem trazer cadeias de suprimento e a exploração de minerais críticos para o Hemisfério Ocidental (o chamado nearshore).

No campo militar, a potência reafirma sua superioridade nuclear. Paralelamente, os EUA expandem o projeto “Golden Dome” (Domo Dourado). Trata-se de um sistema de defesa antiaérea com o Canadá que envolve a militarização do espaço.

O impacto para o Brasil: pressão e preparo

Para o Coronel Paulo Filho, o Brasil precisa de atenção dobrada. A região agora é o palco principal das tensões de segurança americanas. Portanto, o governo brasileiro sofrerá pressões diplomáticas caso firme acordos tecnológicos ou de defesa com a China ou a Índia.

Por fim, o analista questiona a capacidade de defesa nacional. Ele duvida que o Brasil possua o “excedente de poder” necessário para impor suas decisões. Atualmente, o país ocupa apenas o sétimo lugar em investimento militar na América do Sul em relação ao PIB. Para o Coronel, esse dado é incompatível com a maior economia da região.

Para ilustrar a velocidade dessa mudança, Paulo Filho faz uma analogia: há um ano, ninguém imaginava o porta-aviões USS Gerald Ford no Caribe. Hoje, ele está lá. Assim, não se pode descartar a presença de navios desse porte na foz do Rio da Prata ou do Amazonas em um futuro próximo.

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