“As paredes tremiam”: o bombardeio em Caracas Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Foto: Harrison Koeppel/Official White House Photo Venezuela

“As paredes tremiam”: o bombardeio em Caracas

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Os Estados Unidos bombardearam alvos estratégicos em Caracas e capturaram Nicolás Maduro. O impacto não foi apenas político, mas físico. Moradores da capital venezuelana descrevem uma madrugada de terror e estrondo.

Esta manhã de sábado, 3 de janeiro de 2026, a história da América Latina sofreu uma ruptura drástica. O que muitos temiam como uma retórica de guerra tornou-se realidade nas primeiras horas do dia: os Estados Unidos bombardearam alvos estratégicos em Caracas e capturaram Nicolás Maduro. O impacto não foi apenas político, mas físico. Moradores da capital venezuelana descrevem uma madrugada de terror e estrondo. O bombardeio americano mostra a nova estratégia nacional de segurança dos EUA em ação.

Por volta das 02h00 da manhã (hora local), o céu de Caracas foi iluminado por explosões coordenadas. Relatos diretos colhidos pela empresária venezuelana Marianela Alarcón que vive em nos EUA e acordou na madrugada com chamadas da família que vive em Caracas. Em contato com o canal MyNews, Marianela conta que as mensagens revelam a violência da ofensiva: “Foi brutal. As paredes tremiam nas casas como se fosse um terremoto”, relatou um amigo de Marianela que vive na capital. As mensagens enviadas em grupos de família às 08h00 descrevem o pânico: “Família! Estão bombardeando Caracas!!!” e “Tenho um nó na garganta, estou tremendo”.

A operação utilizou aeronaves de tecnologia avançada (especula-se o uso de helicópteros CH-47G Chinook de forças especiais) que sobrevoaram a cidade em baixa altitude, atingindo o Forte Tiuna e a base aérea de La Carlota.

Apesar do impacto avassalador, os relatos indicam que a infraestrutura civil foi preservada, com os ataques focados estritamente em centros de comando e defesa do regime.

O Brasil na encruzilhada: de aliado a pressionado

O governo brasileiro, liderado pelo presidente Lula, enfrenta agora seu maior desafio diplomático. Historicamente, o atual governo sempre buscou a via do diálogo e evitou condenar Maduro de forma incisiva, classificando uma intervenção como uma “catástrofe humanitária”.

Analistas aguardam com extrema cautela a nota do Itamaraty. A expectativa é de que o Brasil condene o uso da força unilateral pelos EUA, mas o país está sob pressão internacional para reconhecer a nova realidade política. A queda de Maduro é um golpe simbólico para o Palácio do Planalto, que mantinha laços de cooperação com o regime bolivariano.

Colômbia e o medo das guerrilhas (ELN)

Enquanto Caracas treme, a fronteira com a Colômbia tornou-se um barril de pólvora. O governo de Gustavo Petro enviou tropas para reforçar a divisa, temendo o exodo em massa: O pânico do bombardeio pode gerar a maior onda de refugiados da década. A inteligência colombiana teme que o Exército de Libertação Nacional (ELN) e dissidentes das FARC, que usam a Venezuela como santuário para o narcotráfico, lancem contra-ataques na região de Catatumbo ao perderem a proteção do regime de Maduro.

María Corina Machado: o Nobel como escudo geopolítico

Um detalhe que agora ganha contornos de estratégia mestre: a saída de María Corina Machado da Venezuela em dezembro de 2025. Corina saiu em segredo para receber o Prêmio Nobel da Paz em Oslo. Analistas apontam que isso foi planejado para retirá-la da linha de fogo. Estando fora e protegida pela legitimidade do Nobel, ela é hoje a única figura capaz de negociar uma transição com o apoio do Ocidente, garantindo que o vácuo deixado por Maduro não resulte em uma guerra civil prolongada.

O mundo em choque

Recentemente numa entrevista ao canal MyNews, veja vídeo abaixo, o coronel Paulo Filho, analista de geopolítica já mostrava que a nova estratégia nacional de segurança dos EUA colocaria a América Latina no alvo. Este 3 de janeiro muda a geopolítica global. O unilateralismo de Donald Trump chocou as instituições internacionais, mas em Caracas, entre o medo e o alívio, a mensagem que circula nos grupos de Marianela Alarcón é uma só: “Família, eles os pegaram!”.

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