Foto: Facebook e arquivo pessoal
Venezuela
“O direito internacional acabou. Agora, o que vale é a força.”
Com esta frase seca e realista, o comandante Robinson Farinazzo define o novo cenário global. Em uma análise contundente sobre a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, o especialista do canal Arte da Guerra, disse no programa Café do MyNews, veja íntegra do vídeo abaixo, diz que vimos a morte das normas diplomáticas tradicionais. Para ele, o mundo não segue mais leis, mas sim o poder militar.
Farinazzo afirma que a ação militar de Donald Trump revela uma “elefantíase da Casa Branca”. Em outras palavras, os poderes presidenciais americanos cresceram perigosamente e atropelaram os freios institucionais. O comandante compara este momento à transição da República Romana para o Império. Assim como na era de Júlio César, a democracia está cedendo lugar à autocracia global.
Além disso, o analista desmascara as justificativas humanitárias para ocupações estrangeiras. Ele é enfático: a vida da população nunca melhorou nos países onde os EUA intervieram. Para provar seu ponto, ele cita os destinos trágicos do Iraque, da Líbia e do Afeganistão. Segundo Farinazzo, o motor dessa política não é a liberdade, mas a “rapinagem” de recursos naturais. Washington não removeu Maduro por ele ser um ditador, mas porque a Venezuela possui petróleo. Esse precedente acende um sinal vermelho para o Brasil: a Amazônia pode ser o próximo alvo dessa lógica exploratória.
Ao avaliar os vizinhos latinos, Farinazzo denuncia o processo de “gendarmerização”. As Forças Armadas da região perderam sua função estratégica e viraram apenas forças policiais de segurança interna. O comandante também questiona a formação ideológica dos oficiais no continente. Ele expressa dúvida sobre a lealdade de alguns militares, que parecem mais alinhados aos interesses de Washington do que à própria bandeira. Para o analista, o sucateamento militar removeu qualquer capacidade real de dissuasão contra potências externas.
No Brasil, Farinazzo critica duramente quem celebra a intervenção estrangeira. Ele classifica como “vassalagem” e “entreguismo” a atitude de setores da direita que aplaudem ações americanas na vizinhança. “Não subestime a estupidez”, alerta o comandante. Ele considera inaceitável que um oficial brasileiro defenda a entrada de potências estrangeiras na região, pois isso fragiliza a nossa própria defesa nacional.
Quanto à estabilidade interna, Farinazzo credita a preservação da democracia ao Supremo Tribunal Federal. Para ele, a corte impediu que o país “explodisse” sob pressões radicais. Ele compara o comportamento das massas que clamam por intervenções ao clima da Alemanha de 1930. Nesses períodos, a frustração coletiva é perigosamente canalizada para a busca de “salvadores da pátria” e bodes expiatórios.
Por fim, Farinazzo defende que a única saída é a reindustrialização e o investimento em tecnologia de defesa própria. O país não pode depender de armas compradas em prateleiras estrangeiras. Da mesma forma, o Brasil precisa de uma doutrina militar puramente nacional, pois o modelo americano não atende aos nossos interesses. O cenário atual exige prontidão: em um mundo onde a lei internacional morreu, a soberania só pertence a quem tem poder para defendê-la.
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