Foto: Poupex
Cada vez mais corridas trocam o asfalto por trilhas, vinhedos e áreas de resort. A estreia do Jurema Run, no Paraná, é o caso mais recente
O calendário de corridas no Brasil quase dobrou de tamanho em um ano. Um levantamento da ABRACEO, associação que reúne os organizadores de corridas de rua e esportes outdoor, apresentado em janeiro, aponta alta de 85% — de 2.827 provas oficiais em 2024 para 5.241 em 2025.
São Paulo segue líder no ranking, com 1.311 eventos, mas cresceu menos que a média: 79%. O Paraná, segundo colocado com 645 provas, avançou 93%.
O Jurema Run 2026 é o exemplo desse crescimento. A primeira edição aconteceu de 14 a 16 de agosto, com a prova no sábado, dentro do complexo Jurema Águas Quentes, em Iretama, interior do Paraná. Foram cinco quilômetros em trajeto exclusivo — e nenhum metro de via pública.
O percurso ficou inteiro dentro da propriedade, uma área de 3,4 milhões de metros quadrados de natureza que abriga dois resorts, o Lagos de Jurema e o Jardins de Jurema.
“A iniciativa surgiu a partir de uma tendência global: as destination runs. Identificamos que o viajante atual procura reunir atividade física, lazer e bem-estar em uma mesma experiência”, diz Ricardo Dias, diretor de vendas e marketing do complexo.
“Como o Jurema Águas Quentes é um complexo de resorts que já oferece natureza, águas termais e uma infraestrutura completa, o Jurema Run foi criado para conectar esses diferenciais ao esporte e transformar a corrida no início de um fim de semana de descanso e relaxamento.”
A programação foi montada para dois públicos ao mesmo tempo: quem foi competir e quem foi curtir. Os inscritos receberam kit com camiseta oficial e chip de cronometragem, e o evento teve pontos de hidratação, áreas de ativação e espaços de recuperação pós-prova.
Pacotes de hospedagem para os três dias foram vendidos à parte, com acesso à estrutura de lazer — e, para quem não quis dormir no complexo, havia a opção de day use no dia da corrida.
A premiação também ficou no resort: três diárias para o primeiro colocado, duas para o segundo, uma para o terceiro, kit spa com massagem para o quarto e massagem para o quinto.
A data ajuda a explicar o desenho do pacote: agosto é período de menor demanda no interior do Paraná.
“Eventos como este costumam impulsionar o movimento nos destinos. Com o Jurema Run, queremos transformar o fim de semana da prova em uma experiência de três dias que combine lazer e autocuidado”, afirma Dias. “Assim, a experiência não termina na linha de chegada: ela continua em toda a estrutura do resort.”
A ideia é repetir. Segundo o diretor, o lançamento marca a “entrada oficial no segmento das destination runs”, e a expectativa é que a prova “se torne uma atração permanente no calendário do resort e também entre no calendário nacional de corridas”.
Porém, o resort não está sozinho nessa tendência. Em fevereiro, a CVC entrou no segmento com pacotes que combinam hospedagem e inscrição, em distâncias de 5, 10, 21 e 42 km, e anunciou a Wine Run, em Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul, como próxima da lista — marcada para outubro.
Nada disso significa que as capitais perderam espaço: as grandes maratonas seguem puxando o calendário e o volume de vendas.
O que se desenha é outra coisa, mais sutil. Uma mudança de cenário. Cada vez mais provas acontecem em vinhedo, trilha, parque ou área de hotel — e a corrida de rua vai, aos poucos, deixando a rua.
Se o formato pega é outra conversa, e a primeira edição não respondeu a todas as perguntas. Questionado sobre o número de inscritos e sobre a ocupação do fim de semana, o resort não informou os dados. Fica a expectativa para a próxima temporada.
A colunista esteve no evento a convite do complexo Jurema Águas Quentes.