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Mercado Financeiro
Hesitação da esquerda nasce de uma gestão direta do Palácio do Planalto. O governo federal empenha-se em blindar politicamente o ministro Alexandre de Moraes.
É, no mínimo, lamentável que partidos como o PT e o PSOL ainda não tenham se engajado em massa na CPMI do Banco Master. Essas siglas historicamente empunham bandeiras contra os excessos do sistema financeiro, mas agora recuam diante de um caso concreto. As deputadas Heloísa Helena (Rede-RJ) e Fernanda Melchionna (PSol-RS) protocolaram um requerimento com extrema robustez técnica. A peça se sustenta em argumentos tão fortes que as assinaturas deveriam ter avançado rápido, mesmo durante o recesso parlamentar. Em suma, o que vemos é uma inércia estratégica que contradiz décadas de retórica de palanque.
Essa hesitação da esquerda nasce de uma gestão direta do Palácio do Planalto. O governo federal empenha-se em blindar politicamente o ministro Alexandre de Moraes. O Planalto ungiu o ministro como o “fiador da democracia brasileira” nos últimos anos. De fato, Moraes defendeu a Constituição em momentos críticos, mas ele apenas cumpriu seu dever de ofício. Esse papel fundamental não o coloca acima da lei, nem o torna imune a questionamentos necessários sobre transparência e ética.
Atualmente, o ministro enfrenta uma situação particularmente difícil e delicada. A jornalista Malu Gaspar revelou que o escritório de advocacia da esposa de Moraes possui um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master. Essa revelação lança sombras sobre a isenção de processos nas cortes superiores. Por esse motivo, o Planalto demonstra nervosismo e tenta evitar que o Congresso investigue as entranhas da instituição financeira. O governo parece preferir sacrificar a coerência do PT e do PSOL para manter essa proteção jurídica no STF.
Além do fator político, a relevância desta CPMI reside em indícios graves de corrupção sofisticada. O requerimento das deputadas aponta para o uso de estruturas societárias opacas que ocultam os verdadeiros beneficiários do dinheiro. A investigação pretende iluminar o submundo de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Para partidos que sempre exigiram transparência contra as elites, silenciar agora é uma incoerência grave. Essa omissão custará caro à credibilidade dessas legendas perante sua base militante e eleitoral.
A investigação também desafia o “coronelismo financeiro” e a possível omissão de órgãos como o Banco Central e o COAF. As deputadas questionam se houve tráfico de influência ou favorecimentos indevidos envolvendo agentes públicos de alto escalão. Esse tipo de fiscalização deveria ser o cerne de qualquer partido progressista sério. Ao ignorar o pedido de Heloísa Helena e Fernanda Melchionna, a esquerda parlamentar permite que operações suspeitas continuem sob impunidade. A conveniência política do momento fala mais alto que o dever de fiscalizar o capital.
O impacto social do caso também é devastador e deveria sensibilizar as lideranças populares. O documento alerta que mais de uma dezena de fundos de previdência estaduais possuem ativos atrelados ao Banco Master. Isso significa que a má gestão financeira ameaça diretamente a poupança de milhares de servidores públicos. É melancólico ver o PT e o PSOL inertes enquanto o futuro de trabalhadores corre perigo em aventuras financeiras. A proteção das cúpulas de Brasília parece valer mais do que o patrimônio acumulado por uma vida inteira de aposentados.
Apesar da resistência dos grandes blocos governistas, um grupo de parlamentares comprometidos com a fiscalização já deu o primeiro passo. Assinaram o requerimento os senadores Eduardo Girão e Plínio Valério, além dos deputados e deputadas: Fernanda Melchionna, Amom Mandel, Fausto Jr., Diego Andrade, Paulo Litro, Duarte Jr., Pauderney Avelino, Delegada Ione, Raimundo Santos, Lêda Borges, Rodrigo Rollemberg, Weliton Prado, Laura Carneiro, Sergio Souza, Josivaldo JP, Arnaldo Jardim, David Soares, Pompeo de Mattos, Luciano Alves, Tabata Amaral, Douglas Viegas, Beto Pereira e Túlio Gadêlha.
Você pode assinar esta petição pública para pedir que os parlamentares assinem a CPMI.