Raio X da crise
A arrecadação sobe, mas o teto de gastos trava o investimento operacional. Por isso, a conta não fecha e o estrangulamento financeiro avança a cada mês
O Brasil enfrenta uma ameaça real de paralisia total da máquina pública em 2027. Atualmente, o governo caminha para um cenário onde os recursos para despesas básicas simplesmente desaparecerão. Esse problema surge de um erro de cálculo no orçamento federal. Os gastos obrigatórios com saúde e educação crescem muito mais rápido que o limite permitido pelo arcabouço fiscal. Enquanto a arrecadação sobe, o teto de gastos trava o investimento operacional. Por isso, a conta não fecha e o estrangulamento financeiro avança a cada mês. No documentário O Raio X da Crise, economistas ouvidos pelo MyNews apontam o que vem por aí.
Se nada for feito haverá o temido “shutdown”que afetará diretamente o dia a dia da população. As agências do INSS podem fechar as portas por falta de pagamento de luz. Além disso, universidades federais correm o risco de suspender contratos de limpeza e manutenção. Até o sistema prisional pode ficar sem verba para fornecer alimentação básica. Infelizmente, o perigo social é imediato e profundo. Quando o Estado abandona os serviços essenciais, o crime organizado ocupa esse espaço vazio rapidamente.
Adicionalmente, a Previdência Social exerce uma pressão insuportável sobre as contas públicas. O envelhecimento da população e falhas de gestão triplicaram esses custos em duas décadas. Hoje, as aposentadorias consomem mais da metade de toda a despesa primária da União. Somado a isso, os juros altos da dívida pública drenam o que resta do caixa federal. Como resultado, o governo investe pouco em infraestrutura. Atualmente, o mercado de apostas online movimenta cinco vezes mais dinheiro do que o governo federal aplica em obras por mês.
Portanto, o país precisa de medidas urgentes para evitar o desastre total em 2027. O simples aumento de impostos não resolve o problema estrutural. Especialistas defendem uma reforma administrativa profunda e a desvinculação das receitas. Contudo, essas mudanças dependem da vontade política de um Congresso que costuma agir apenas no limite do prazo. Sem um ajuste sério e imediato, o Brasil transformará uma crise contábil em um trauma social sem precedentes na história moderna.