Defesa
A tentativa frustrada de Ciro Gomes de emplacar seu PND em 2022 ganha nova relevância para 2026. O tema da reindustrialização tende a ocupar o centro do tabuleiro político
O ataque dos Estados Unidos à Venezuela marca mais um capítulo de uma geopolítica resolvida pela força. Este evento funciona como um alerta incômodo para o Brasil. Atualmente, em um mundo conflagrado, a dependência externa não é apenas um problema econômico. Ela representa uma fragilidade estratégica real. Nesse cenário, a tentativa frustrada de Ciro Gomes de emplacar seu PND em 2022 ganha nova relevância para 2026. O tema da reindustrialização agora ocupa o centro do tabuleiro político.
Recentemente, o economista Elias Jabour reforçou essa urgência em entrevista ao MyNews. Ele afirmou que a reconstrução industrial será o pilar de sua candidatura a deputado federal. Além disso, Jabour destacou que existe uma convergência clara entre setores da direita e da esquerda sobre o assunto. Portanto, o debate sobre soberania deixou de ser um nicho ideológico.
Simultaneamente, o setor de defesa exige respostas concretas. Segundo o Coronel Paulo Filho, o Brasil possui um dos orçamentos de defesa mais baixos da região. Por esse motivo, nomes históricos como Tarso Genro enviaram um recado direto ao presidente Lula: o governo precisa reforçar o orçamento da área. Afinal, quem não domina cadeias produtivas críticas torna-se refém de sanções e bloqueios.
O caso da Avibras, que aguarda atenção do governo federal há anos, deve ganhar os holofotes. Nesse contexto, a Avibras Aeroespacial surge como o exemplo mais dramático da crise. Fundada em 1961 por engenheiros do ITA, a empresa é a maior indústria bélica do país e um símbolo de alta tecnologia. Ela desenvolve o sistema de foguetes Astros e o Míssil Tático de Cruzeiro, armas vitais para a dissuasão do Exército Brasileiro. No entanto, a companhia enfrenta uma recuperação judicial severa, com dívidas que superam os R$ 600 milhões e anos de salários atrasados. A possível venda da empresa para grupos estrangeiros (da Austrália ou Arábia Saudita) gerou alarmes: perder a Avibras significa entregar a terceiros o controle sobre a nossa própria capacidade de defesa.
Dessa forma, a indústria nacional volta ao debate por puro pragmatismo, e não por nostalgia. Áreas como energia, tecnologia, semicondutores e fertilizantes garantem a soberania mínima do país. Atualmente, Estados Unidos e Europa já subsidiam fábricas e protegem suas cadeias. A realidade internacional engoliu o discurso liberal puro.
No Brasil, a indústria é um raro espaço de consenso. Com foco no emprego e na renda, autonomia estratégica e segurança nacional, ela une setores da esquerda e da direita. Embora os diagnósticos mudem, a conclusão é idêntica: um país só é forte se tiver uma indústria forte. A globalização não serve como cobertor de segurança em tempos de guerra. Quando a tensão sobe, as cadeias globais se rompem.
Em suma, a reconstrução industrial é uma agenda de futuro. Ela exige planejamento e coordenação entre o Estado e o setor privado. Em um mundo onde mísseis substituem contratos, a indústria deixa de ser apenas um motor econômico. Ela passa a ser um escudo. Mais cedo ou mais tarde, o eleitor perceberá que a nossa segurança depende da nossa capacidade de produzir.
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