Foto: National Geographic
A liberdade só existe quando tem propósito. De Pessach a Stanford, a mesma pergunta atravessa gerações – e molda destinos
Desde o dia 1º até hoje, 9 de abril, nós judeus estamos comemorando o Pessach, conhecido como a Páscoa judaica. Para nós, o Êxodo não é uma metáfora. É um evento histórico transmitido de pai para filho lendo o livreto da Hagadá no jantar conhecido como Seder – a ordem dos fatos – por milhares de anos. Mais de 600 mil homens, sem contar mulheres, crianças e idosos, saíram do Egito. O Cristianismo e o Islã constroem suas narrativas sobre esse mesmo capítulo.
Mas há um detalhe que a narrativa popular ignora. No Egito, dentro dos limites da escravidão, os judeus ainda tinham casas e terras. No deserto, essa relativa liberdade acabou. Saímos de uma servidão para outra. A diferença era o mestre. O Rabino Avigdor Miller provocava: quando aquele patriota americano disse “me dê liberdade ou me dê a morte”, será que foi sábio? Liberdade pela liberdade, sem propósito – essa liberdade é morte. O judaísmo ensina que não existe pessoa verdadeiramente livre a não ser aquela comprometida com algo maior do que ela mesma, Deus.
Já pensou sobre o que te faz escravo?
No Seder não dizemos “nossos ancestrais foram escravos.” Dizemos: nós fomos escravos. A mesma força que existiu naquele momento existe hoje – disponível para enfrentar o nosso Faraó particular. Pode ser o medo, o ego, o noticiário que você não consegue parar de consumir. Pode ser a sogra. Pode ser o reflexo no espelho nas manhãs difíceis.
E como disse o Rabino Dr. Abraham Twerski – renomado psiquiatra e rabino – animais não são livres, apenas seguem o que o corpo deseja. A singularidade do ser humano é a liberdade de escolher como agir. Na medida em que perdemos essa liberdade de escolha, uma parte da nossa humanidade morre.
Neste Pessach, a minha pergunta não é se você é livre. É: livre para quê?
Essa pergunta ressoa de formas muito diferentes dependendo de quem a escuta. Dois brasileiros de São Paulo já responderam a ela com ação – e o mundo inteiro usa o resultado dessa resposta todos os dias.
Empreendedores e visionários, eles foram à Stanford e deixaram suas marcas
Mike Krieger saiu do Brasil em 2004 para estudar em Stanford. Escolheu um programa chamado Symbolic Systems – uma combinação improvável de ciência da computação, linguística, filosofia e psicologia cognitiva. Foi o ambiente de Stanford, com professores que pensavam diferente e colegas que não separavam disciplinas, que moldou nele uma filosofia: tecnologia precisa ser humana antes de ser sofisticada. Lá ele conheceu Kevin Systrom. Em 2010 fundaram o Instagram. Em 2012 venderam para o Facebook por um bilhão de dólares. Hoje Mike é Chief Product Officer da Anthropic – a empresa considerada uma das mais importantes em inteligência artificial do mundo.
Henrique Dubugras seguiu caminho parecido. Foi para Stanford com uma empresa já vendida no bolso – a Pagar.me, que construiu aos 16 anos e vendeu para a Stone. Chegou lá e encontrou o que o Brasil ainda não tinha: professores excepcionais, uma rede de pessoas com a mesma ambição, e – nas suas próprias palavras – “um constante estímulo para criar coisas novas em vez de apenas otimizar o que já existe.” Os relacionamentos que construiu em Stanford viraram seus primeiros investidores, funcionários e clientes. A empresa que fundou depois, a Brex, foi vendida em janeiro de 2026 por 5,1 bilhões de dólares ao Capital One – o maior deal já realizado entre um banco e uma fintech.
Dois brasileiros. Duas passagens por Stanford. Duas empresas que mudaram o mundo. Nenhum dos dois foi para os EUA por acaso – foram porque reconheceram que o ambiente muda o que você acredita ser possível. “Você é o fruto do ambiente em que está”, disse Henrique.
Educação de qualidade: uma porta que se abre ad eternum
No meu trabalho, acompanho famílias brasileiras que fazem essa mesma pergunta do Pessach de uma forma muito concreta: livre para quê? Nos últimos meses, cresce de forma significativa o número de clientes que chegam até mim não para se mudar, mas para garantir que os filhos tenham a opção de estudar e construir suas histórias nos Estados Unidos. O EB-5 – o Green Card por investimento – tem sido o caminho que essas famílias encontraram para transformar essa resposta em realidade.
Não é sobre abandonar o Brasil. É sobre abrir uma porta que, uma vez aberta, nunca mais se fecha.