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Quais temas afinal (ou qual?) serão preponderantes para definir o voto do eleitor em outubro? Há algumas variáveis e saiba quais pesam mais
A ruptura das cadeias produtivas durante a pandemia trouxe a inflação a patamares elevados em muitos países.
Na política, o reflexo dos carrinhos de supermercado vazios resultou, aliado a outros fatores, na dificuldade de reeleição de presidentes, fenômeno batizado de “a crise dos incumbentes”.
A crise é um fenômeno novo, mas a relação entre o bolso do eleitor e eleição é antiga, explicada pela Teoria do Voto Econômico na Ciência Política. De forma muito simplificada, se a economia vai bem, o eleitor aprova o governo e o reelege. Se vai mal, desaprova a gestão e elege um candidato de oposição (É a economia, estúpido).
Dos indicadores econômicos, a inflação é o mais relevante na influência do voto e, segundo dados complicados pela Fatto Inteligência Política, há uma relação inversa entre aprovação dos governos e inflação.
A relação inversamente proporcional (inflação sobe, aprovação cai) é evidente em momentos como o segundo mandato de FHC, no início dos anos 2000, nos três governos petistas, e especialmente no final do governo Dilma, quando a inflação disparou e a aprovação derreteu.
Fatores como polarização e personalização da política afetam essa relação, mas a aprovação ainda varia de acordo com a inflação: os piores momentos de avaliação do governo Lula III coincidiram com aceleração da inflação.
Neste sentido, tanto a inflação quanto a aprovação do governo Lula devem ser observadas de perto em 2026.
Outra relação direta captada pela ciência política é entre nível de aprovação e reeleição. Governos com aprovação (bom e ótimo) abaixo de 40% entram em uma zona desfavorável na perspectiva tradicional de reeleição.
Mas e a segurança pública, pode definir uma eleição?
Embora a segurança tenha crescido entre as maiores preocupações do eleitor brasileiro segundo pesquisas, o tema não tende a definir uma eleição, pois trata-se de um tema conjuntural e não estrutural, como é o caso da economia.
A segurança pública tornou-se a principal preocupação dos brasileiros depois da megaoperação no Rio de Janeiro, mas já perdeu espaço dentre outras demandas, segundo diferentes institutos de pesquisa.
Por ser conjuntural, o fenômeno é efêmero e só terá impacto relevante na escolha dos candidatos se houver alteração conjuntural nos meses próximos da votação.
Eleição competitiva
Governos com aprovações medianas, enfrentam eleições competitivas, e esse é o cenário de 2026 segundo as pesquisas até agora (Lula ganha, mas por pouco e não tem uma vantagem confortável).
Mais do que as intenções de voto ou variação da inflação, a aprovação ditará os rumos da eleição. A tendência atual é de manutenção de um patamar razoável de aprovação, que gerará uma eleição competitiva sendo que a reeleição está historicamente mais difícil.

Cruzamento de dados feito pela Fatto Inteligência Política mostra a relação inversa entre inflação e avaliação dos governos. Quando a inflação cai a aprovação dos governos (bom e ótimo) cresce e quando a inflação sobe a aprovação cai rapidamente