ensão no Estreito de Ormuz eleva o risco ao abastecimento global e pressiona o petróleo. Foto: Reuters
Guerra
Estudo do CIEM alerta: o “vazamento” de lucros para o exterior e a alta dos juros globais anulam os ganhos das exportações e exigem blindagem imediata das carteiras institucionais
A guerra do gestor institucional não acontece no Estreito de Ormuz, mas ele sente o impacto do bloqueio do “caminho mais caro do mundo” todos os dias. Enquanto o investidor pessoa física encontra na Selic um porto seguro rentável, o institucional joga outro campeonato. Gestores de grandes carteiras precisam de estratégias que pesem variáveis externas e seus impactos reais no Brasil. Eles carregam o peso de obrigações futuras e metas atuariais rigorosas. Não há espaço para o amadorismo nesta nova crise do petróleo.
Um estudo estratégico do Centro de Inteligência e Estudos Macroeconômicos, CIEM, da Planner Holding, disseca os impactos de conflitos geopolíticos e da alta do petróleo sobre a economia brasileira. Segundo o estudo, embora o óleo caro beneficie a balança comercial, esse ganho é anulado pelo aumento das remessas de lucros e dos custos de financiamento externo. A pesquisa prova que a real vulnerabilidade do Brasil reside na renda primária, e não apenas nas trocas comerciais. Por meio de simulações, o texto projeta cenários onde o déficit em conta corrente se expande devido à instabilidade global, exigindo que investidores adotem posturas cautelosas diante da pressão sobre o câmbio e do prêmio de risco.
Confira as diretrizes fundamentais do CIEM para proteger seu portfólio:
Busque ativos com baixa dependência das flutuações globais. O foco deve recair sobre papéis defensivos. Eles precisam suportar a volatilidade do câmbio e o estresse na curva de juros sem desintegrar o patrimônio do fundo.
Evite setores que dependem de financiamento externo. Crises encarecem o custo de captação internacional e aumentam a aversão ao risco. Essas empresas sofrem punições diretas e apresentam desempenho inferior. O capital estrangeiro foge primeiro quando o cenário piora.
Apostar em gigantes de commodities oferece apenas proteção parcial. Quando guerras estouram, o preço da energia sobe e o Brasil ganha um “aumento de salário” que pode injetar 20 bilhões de dólares nas exportações. Surge a falsa sensação de que a economia vai decolar. No entanto, o dinheiro entra pela porta da frente e sai pela janela. As grandes petroleiras lucram, mas possuem forte capital estrangeiro. A montanha de dinheiro vira dividendos para acionistas gringos e volta para o exterior. Esse “vazamento” (renda primária) engole o ganho comercial do país.
Crises globais disparam a aversão ao risco e fortalecem o dólar. Com a moeda americana alta e juros internacionais subindo, o financiamento externo brasileiro encarece drasticamente. É como se os juros do “cheque especial” do país subissem de uma hora para outra. Essa pressão desvaloriza o Real e força o ajuste da economia local, puxando a nossa taxa de juros para cima. O crédito para casas, carros e empresas encarece, freando o crescimento nacional.
Diante dessa montanha-russa, a lição é a cautela. Apostar tudo em exportadoras de petróleo é uma armadilha, pois o lucro “vaza” do Brasil. O estudo do CIEM reforça a necessidade de uma postura defensiva. Monte carteiras seguras que não fiquem reféns das idas e vindas das crises internacionais.