Conflito no Oriente Médio coloca o barril de petróleo na rota dos cem dólares Irã

Conflito no Oriente Médio coloca o barril de petróleo na rota dos cem dólares

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Analistas projetam salto imediato nos preços das commodities e alertam para o risco de recessão global caso a escalada militar persista.

As principais publicações econômicas mundiais já estão trazendo novos preços de ativos impactados pelo ataque americano ao Irã. Elas também destacam o impacto severo sobre o mercado segurador. O mundo está mais instável. Além disso, os mercados já funcionam sob a regência do medo desde a manhã deste sábado.

O reflexo mais imediato dessa instabilidade surge no setor de seguros marítimos. O Financial Times relata que seguradoras notificaram proprietários de navios sobre o cancelamento de apólices. Elas também elevaram subitamente os preços de cobertura para embarcações no Golfo e no Estreito de Ormuz. O prêmio de risco antes era de 0,25% sobre o valor do navio. No entanto, esse valor deve saltar 50% nos próximos dias. Na prática, o custo por viagem de um navio de US$ 100 milhões sobe de US$ 250 mil para US$ 375 mil.

A maior apreensão dos analistas foca no possível fechamento do Estreito de Ormuz. Cerca de um quinto do petróleo mundial passa por essa via. A consultoria EOS Risk indica que a Guarda Revolucionária Iraniana já enviou avisos por rádio aos navios. Essas mensagens informam que a passagem está fechada.

Embora o mercado financeiro abra apenas na noite de domingo, as projeções assustam. O banco Barclays projeta que o Brent atinja US$ 100 rapidamente. Isso ocorre devido à ameaça de interrupção no fornecimento. Enquanto isso, o jornal Barron’s afirma que um salto de 100% no preço do óleo jogaria a economia global em uma recessão.

Por causa disso, oito membros da OPEP se reúnem neste domingo. Eles devem discutir o aumento da produção para compensar perdas na infraestrutura regional. O cenário atual revela uma precificação do pânico. Em suma, o risco de ataques e apreensões já alterou o custo logístico global antes mesmo da primeira negociação da semana. O Irã reafirma assim sua capacidade de abalar os mercados através do controle de gargalos vitais.

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