Entrada da cela de Bolsonaro,com 65 metros quadrados, onde ele tem feito reuniões políticos e definindo nomes de candidatos Foto: Divulgação/STF
Ex-presidente se reuniu com duas dezenas e definiu mais de 40 candidaturas país afora, cargos que vão de senadores a presidente da República
Mesmo com problemas de saúde, argumento de sua defesa para levá-lo para casa, Jair Bolsonaro transformou o espaço onde está preso, no Complexo da Papuda, em um comitê central de campanha, onde se discute e define candidaturas, arranjos políticos e com quem se aliar ou não.
Mais de duas dezenas de deputados, senadores, ex-ministros e até governadores já passaram pela sua ampla cela de quase 70 metros quadrados, que tem até uma mesa redonda e cadeiras para reuniões. Dessas conversas, até agora, já foram definidas, pelo menos, 40 candidaturas dos mais importantes cargos do país, desde presidente da República – seu filho Flávio – e governadores e senadores.
A saída do complexo virou espaço para “brieffing” (comunicados) dos aliados de Bolsonaro que anunciam o tema tratado e os candidatos definidos pelo ex-presidente, segundo esses interlocutores, para a disputa de 2026. Assim se deu ontem. O deputado Ubiratan Sanderson (PL-RS) conversou com os jornalista após visitar Bolsonaro e elencou os candidatos definidos ao Senado – ele incluído – para alguns estados. Se apresentou como “porta-voz” do ex-presidente, “já que ele não pode falar”. A anunciou:
“Sobre Santa Catarina, os candidatos a senador são Carlos Bolsonaro (vereador no Rio) e Carol De Toni (deputada federal). Isso é ponto pacífico e não tem mais porque nos desgastarmos com isso, perder energia. No Rio Grande do Sul, meu estado: Sanderson, eu, e Marcel Van Hattem (também deputado federal, e ambos escolhidos para disputar o Senado pelo grupo). Saí dali com essa missão, essa atribuição. Sou o porta-voz, já que ele não pode falar”, disse Sanderson, não sem antes fazer mais um anúncio:
“Ah, e no Distrito Federal, os nomes são de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis (deputada federal), pré-candidatas ao Senado. Ele pediu que eu servisse de porta-voz”.
Ou seja, num só anúncio e numa só visita definidos seis nomes da direita para a disputa do Senado, com ordens que vieram de dentro da prisão.
Foi da cela, mas da Polícia Federal, que Bolsonaro definiu Flávio Bolsonaro como candidato a presidente da República, no final de 2025. E foi do cárcere, que o ex-presidente “rifou” Tarcísio de Freitas como candidato à disputa do Palácio do Planalto, no final de janeiro. Com Carlos Bolsonaro atento às suas declarações, o governador paulista anunciou um constrangido apoio a Flávio, mesmo sem citar seu nome numa entrevista de oito minutos.
Visitas a Bolsonaro viram aval a candidaturas. É o caso do senador Wilder Morais (PL-GO), que estevecom Bolsonaro durante o Carnaval. na prisão. O parlamentar saiu da visita anunciando que o ex-presidente o escolheu como candidato desse grupo político a governador de Goiás. Pouco foi divulgado sobre o estado de saúde do custodiado.
O senador Carlos Portinho (PL-RJ) também está entre os que foram em busca da benção e do apadrinhamento político do principal líder da direita. Candidato à reeleição, Portinho quis ouvir Bolsonaro sobre as chances de ter seu apoio. Ele é líder do PL no Senado.
“Saí com boas expectativas e bem posicionado, mas a palavra final será de Flávio”, disse Portinho ao portal R7.
O senador Magno Malta (PL-ES) já visitou Bolsonaro, como vários outros parlamentares. Nesta semana, é aguardada a ida do deputado Guilherme Derrite (PP-SP), candidato ao Senado. Vai visitar Bolsonaro dia 25.