Escândalos geram acúmulo de delações e temor nos Poderes Imagens da PF, após prisão de Vorcaro, com cabelo raspado ! Foto: Divulgação/PF

Escândalos geram acúmulo de delações e temor nos Poderes

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Pelo menos cinco delações de acusados e alvos de recentes operações caminham no Judiciário e gera apreensão no mundo político

Aberta a temporada de delações premiadas no país envolto em escândalos que atingem autoridades de todos os Poderes da República. Pelo menos cinco investigados, quatro deles preso, decidiram contar o que sabem e encaminham acordos de colaboração com a Polícia Federal e o Ministério Público, sob o acompanhamento do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

Além de três casos já conhecidos – de Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel e João Carlos Mansur – dois novos nomes que negociam a delação surgiram nos últimos dias, os de Maurício Camisotti e Roberto Leme, o “Beto Louco”. Os cinco surgem envolvido nas operações Sem Desconto, de desvio de recursos de aposentados e pensionistas do INSS, da Carbono Oculto, que levantou um esquema de ação do crime organizado na economia formal e Compliance Zero, que envolve o Banco Master.

Camisotti está preso desde setembro do ano passado. Seu nome foi muito citado na CPMI do INSS. Ele foi preso numa das fases da Operação Sem Desconto, da PF. É um dos principais operadores do esquema de desvios do INSS, por intermédio de entidades de aposentados. Se entregar fatos novos, esquemas e nomes de envolvidos, pode ser beneficiado com a prisão domiciliar.

Beto Louco foi preso na Operação Carbono Oculto, que investiga fraude, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. Na sua negociação de delação, entregou mais de dez aparelhos celulares. Ele estaria disposto a revelar nomes de magistrados envolvidos no escândalo.

Daniel Vorcaro está avançando com seu processo de delação e no acordo está, além de envolvidos e circunstâncias, o pagamento de valor milionário de multa. Dono do Banco Master, Vorcaro está envolvido em casos de emissão de CDBs a preço superior ao mercado e também em abocanhar carteiras da Previdência de estados e municípios. Ele contratou uma rede enorme de autoridades às quais pagou valores altíssimos pela contratação.

Fabiano Zettel é considerado o operador Vorcaro, de quem é cunhado. É pastor da Igreja da Lagoinha, também envolvida e beneficiária de recursos desse esquema. Mansur é dirigente da Reag, instituição financeira que foi liquidada pelo Banco Central, assim como o Master, foi alvo da Operação Carbono Oculto, que apurou envolvimento do PCC na economia formal.

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