Foto: REUTERS/Phil Noble
ENRASCADA REAL
Irmão do rei Charles III deixa delegacia, mas polícia mantém apuração sobre suposta ligação com Jeffrey Epstein e realiza novas buscas.
O ex-príncipe Andrew voltou ao centro de uma das maiores crises recentes da monarquia britânica. Após passar cerca de 11 horas detido em uma delegacia no Reino Unido, o irmão do rei Charles III foi liberado nesta quinta-feira (19). No entanto, ele segue sob investigação por suspeita de má conduta no exercício de função pública.
A saída foi discreta. Andrew deixou o local no banco traseiro de um carro e não falou com a imprensa. Assim, o episódio marca mais um capítulo de um caso que envolve o nome de Jeffrey Epstein e que, há anos, desgasta a imagem da família real.
As autoridades britânicas investigam se Andrew, quando atuava como representante especial do Reino Unido para o Comércio Internacional, teria compartilhado informações confidenciais com Epstein.
O financista norte-americano foi acusado de comandar uma rede de exploração sexual de menores e morreu na prisão em 2019, enquanto aguardava julgamento.
Além disso, desde dezembro, novos documentos divulgados pelas autoridades dos Estados Unidos voltaram a mencionar Andrew em diferentes trechos. Isso ampliou a pressão pública e política sobre o caso.
Segundo a polícia, a investigação foi aberta após uma “avaliação minuciosa” das alegações. Dois endereços ligados ao ex-príncipe — um em Berkshire e outro em Norfolk — foram alvo de buscas.
Pela manhã, a polícia anunciou a prisão de “um homem na casa dos 60 anos”, alegando haver “motivos razoáveis para suspeitar que um crime ocorreu”, sem divulgar o nome.
Horas depois, veículos britânicos confirmaram que se tratava de Andrew. A informação também foi reconhecida oficialmente pela família real.
Em comunicado, o rei Charles III afirmou ter recebido a notícia “com preocupação”. Ele declarou apoio às autoridades e ressaltou que a lei deve seguir seu curso. De acordo com a imprensa britânica, o monarca não teria sido informado previamente sobre a prisão.
Andrew nega todas as acusações. Tanto as relacionadas à suposta troca de informações quanto as denúncias anteriores de agressão sexual feitas no contexto do caso Epstein.
Embora já afastado de funções oficiais e destituído de títulos desde revelações anteriores sobre sua ligação com Epstein, Andrew volta a colocar a monarquia britânica em situação delicada.
O episódio ocorre em um momento sensível para a instituição, que busca estabilidade e renovação de imagem sob o reinado de Charles III.
Especialistas apontam que, caso as suspeitas evoluam para acusação formal e eventual condenação, as consequências jurídicas podem ser severas. A legislação britânica prevê penas elevadas para casos de má conduta no exercício de cargo público.
Por enquanto, Andrew está em liberdade. Contudo, a investigação segue em andamento. E, mais uma vez, o nome Epstein retorna ao noticiário internacional, reacendendo uma crise que a família real ainda não conseguiu superar.