Em entrevista, presidente falou sobre Zema, Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e as dificuldades de dialogar sobre tarifaço com governo norte-americano
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez críticas a opositores políticos e voltou a defender a importância das negociações com os Estados Unidos para reverter o tarifaço imposto sobre os produtos brasileiros, em entrevista à Rádio Itatiaia nesta sexta-feira (29).
O petista, que estava em Minas Gerais para cumprir agenda do Poder Executivo, também fez projeções para alianças políticas no estado para as eleições de 2026. Ele afirmou que espera, em breve, uma definição do ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), sobre possibilidade de candidatura ao governo mineiro.
“Tenho certeza que vamos ganhar Minas Gerais com o Pacheco”, afirmou.
Questionado sobre eventual candidatura do atual governador do estado, Romeu Zema (Novo), à Presidência, Lula disse que o opositor deveria deixar “de ser um falso humilde” e “começar a dizer a verdade” para não ser desmoralizado durante a campanha.
“Eu acho que o Zema é aquilo que a gente pode chamar de figura caricata. Ele tenta ser uma coisa que ele não é”, respondeu à jornalista Edilene Lopes. “Ou ele melhora, deixa de ser um falso humilde e começa a dizer verdade, ou vai ser desmoralizado na campanha. É importante que ele se prepare para isso.”
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que vem sendo cotado como candidato do ex-presidente Jair Bolsonaro para as eleições presidenciais de 2026, também foi tópico da entrevista.
De acordo com Lula, “Tarcísio não seria nada sem o Bolsonaro” e fará qualquer coisa que o ex-presidente quiser. Mas, em sua opinião, embora São Paulo sempre tenha um candidato competitivo, figuras mais tradicionais na política já foram derrotados nas urnas.
“São Paulo sempre pode ter candidato, nem sempre dá certo”, concluiu.
O presidente também afirmou que não vai assistir ao julgamento de Bolsonaro, marcado para começar na próxima terça-feira (2/9), pois tem “coisa melhor para fazer”.
Bolsonaro, que enfrentou o petista nas eleições nacionais de 2022, será julgado pela suposta tentativa de golpe de Estado que envolvia planos para impedir a posse de Lula e seu vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB).
Durante a entrevista, o presidente voltou a defender as negociações com o governo dos Estados Unidos para reverter a tarifas impostas às exportações brasileiras, em vigor desde do dia 6 de agosto. Segundo ele, não há pressa para aplicar a recém sancionada Lei da Reciprocidade contra os norte-americanos.
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Sobre a possibilidade de encontrar pessoalmente com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), no próximo mês, o petista disse que “vai depender” do republicano.
“Vai depender dele [Trump]. Eu vou estar no mesmo espaço que ele. Quando eu entrar na ONU, serei o primeiro a falar. Ele é o segundo. Ele pode chegar antes e falar comigo. Pode não querer falar comigo. Se o Trump quiser conversar, ou qualquer pessoa do governo americano, nós estaremos dispostos a negociar 24 horas por dia”, afirmou.
Lula reforçou, no entanto, que os EUA não tem demonstrado interesse em negociar com o governo brasileiro. Ele relembrou o telefonema que deveria ter ocorrido entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), e o secretário do Tesourou dos EUA, Scott Bessent, mas foi cancelado pelo estadunidense.