Andre Lessa/Agência DC News
O ex-presidente Michel Temer realizou, nesta segunda-feira (9), uma palestra na Associação Comercial de São Paulo (ACSP), onde abordou o cenário político e econômico do país, as eleições de 2026, a necessidade de projetos de governo mais estruturados e a importância de reformas para a estabilidade institucional.
O encontro, bastante concorrido, reuniu empresários, lideranças políticas e dirigentes de entidades.
Michel Temer afirmou que não tem intenção de disputar as eleições presidenciais de 2026, embora tenha se declarado honrado com a possibilidade de o MDB realizar um levantamento interno sobre seu nome.
“Já fiz o que tinha que fazer na vida pública. Fico extremamente honrado com a lembrança, mas confesso que isso não está no meu horizonte”, disse Temer, ao comentar informações divulgadas pelo MDB sobre uma eventual pesquisa envolvendo seu nome.
Durante a entrevista concedida após o evento, o ex-presidente defendeu que o processo eleitoral de 2026 seja pautado menos por nomes e mais por propostas concretas.
“A escuta eleitoral não deve ser em torno de nomes, mas de projetos. Isso é uma homenagem ao eleitorado, que precisa saber o que o candidato quer para o Brasil”, afirmou.
Questionado sobre articulações do PSD e sobre possíveis candidaturas organizadas pelo presidente da sigla, Gilberto Kassab, Temer elogiou a iniciativa de estruturar propostas antes da definição de nomes. Para ele, a organização programática é essencial para dar substância ao debate eleitoral.
Sobre alianças partidárias, incluindo a possibilidade de o MDB apoiar uma chapa com alguém do próprio partido como vice do presidente Lula, Temer disse que prefere aguardar as decisões futuras do partido, ressaltando a trajetória histórica do MDB na política brasileira.
Temer também destacou áreas que considera prioritárias em um eventual programa de governo, como economia e segurança pública. Defendeu que a redução da inflação e da taxa de juros depende de um conjunto de medidas estruturais, como reformas, e não de decisões isoladas.
Nesse contexto, citou ações adotadas durante sua gestão entre 2016 e 2018.
Na área da segurança, afirmou considerar inevitável a recriação do Ministério da Segurança Pública, estrutura que foi implementada durante seu governo.
O ex-presidente também comentou o projeto de lei sobre dosimetria das penas, declarando-se favorável à proposta. Segundo ele, o governo atual perdeu uma oportunidade de contribuir para a pacificação do país ao não apoiar de forma mais clara a iniciativa.
Por fim, Temer voltou a defender o debate sobre o semipresidencialismo. Segundo ele, a adoção do modelo não exigiria uma nova Constituição, podendo ser implementada por meio de emenda constitucional, desde que aprovada pelo Congresso Nacional e referendada pela população.
“Juridicamente é possível, mas, politicamente, para ganhar substância, precisa passar pelo crivo popular”, concluiu.