Solução rápida ou risco à saúde? Entenda a febre das canetas emagrecedoras Foto: © Caroline Morais/Ministério da Saúde MYNEWS EXPLICA

Solução rápida ou risco à saúde? Entenda a febre das canetas emagrecedoras

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Ao MyNews, especialistas alertam os riscos e problemas desse uso de medicamento nas pessoas

As canetas emagrecedoras viraram febre no Brasil e chegaram para ficar. Nas redes sociais, são notórias as postagens que mostram resultados rápidos de perda de peso, mas os riscos são grandes. Um deles envolve os casos de pancreatite, que cresceram conforme o aumento do uso dessa medicação. Ao todo, o número de usuários aumentou 41,6% no país.

Com isso, exclusivamente ao site do MyNews, a médica e educadora física Clarissa Rios, com atuação focada em medicina do exercício, promoção da saúde e gestão de negócios na área fitness, explicou quais são as canetas mais utilizadas no Brasil, como são vendidas e quais riscos apresentam.

Clarissa: Atualmente, as canetas mais utilizadas para emagrecimento pertencem à classe dos agonistas do GLP-1, como a semaglutida e a tirzepatida, originalmente desenvolvidas para o tratamento da diabete tipo 2 e, mais recentemente, indicadas também para obesidade em contextos específicos.

O problema não é a medicação em si, mas o uso indiscriminado, sem critério médico, sem avaliação metabólica e sem acompanhamento multiprofissional. Os riscos mais comuns incluem náuseas, vômitos, constipação, perda excessiva de massa muscular, deficiência nutricional, alterações gastrointestinais persistentes e, em alguns casos, impacto emocional importante quando o uso é interrompido. Além disso, há um risco silencioso: a falsa sensação de solução rápida, que não corrige comportamento, estilo de vida nem saúde metabólica. Quando a caneta é suspensa, muitos pacientes recuperam o peso, às vezes em quantidade maior do que a que perderam.

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No Brasil, a busca pelo corpo ideal sempre gerou debates, seja nas academias, na prática de esportes, entre outros espaços. Com a popularização das canetas, o embate aumentou, principalmente no período do Carnaval. Clarissa chama esse fenômeno de “cultura da estética urgente”.

Clarissa: O Carnaval escancara um problema estrutural: a cultura da estética urgente. Existe uma pressão social enorme para “resolver o corpo” em poucas semanas, como se ele fosse um objeto dissociado da saúde. Vejo essa busca como um reflexo de ansiedade coletiva, comparação constante e pouca educação em saúde. O corpo vira um projeto de curto prazo, quando, na verdade, reflete hábitos acumulados ao longo de muitos anos.
Estética sustentável vem de movimento, nutrição, sono, equilíbrio hormonal e constância.

Por fim, Clarissa detalha como o surgimento das canetas aumentou a procura pelo tema e afirma que o mercado da nutrição passa por um momento de transformação.

Clarissa: Sem dúvida, as canetas aumentaram muito o volume de perguntas nos atendimentos. Hoje, praticamente toda consulta envolve o tema. As pessoas querem saber se “funciona”, se “é seguro” e, principalmente, se “vale a pena”. Alguns clientes optaram por seguir esse caminho sem acompanhamento e acabaram se afastando do exercício físico e do cuidado integral. Curiosamente, muitos retornam depois, quando percebem perda de força, flacidez, queda de desempenho e dificuldade em manter os resultados.

O mercado da nutrição e do exercício passa por uma transformação. Quem trabalha apenas com estética imediata sofre, mas quem trabalha com saúde, ciência e individualização se fortalece. O futuro não é contra a medicação, é contra o uso irresponsável. Na DoctorFit, defendemos que a medicação, quando indicada, deve ser uma ferramenta auxiliar, nunca um substituto do movimento, da nutrição e da mudança de estilo de vida.

Canetas não podem substituir o exercício

Também profissional de educação física, Aline Turazzi falou sobre o uso das canetas e destacou que elas não podem alterar a prática de exercícios.

Aline Turazzi: “O uso das canetas emagrecedoras pode ser uma ferramenta importante no tratamento da obesidade, mas não substitui o exercício físico. Sem atividade regular, o paciente corre o risco de perder massa muscular, reduzir o metabolismo e comprometer a manutenção do peso a longo prazo. O exercício é o que garante segurança, funcionalidade e sustentabilidade aos resultados”, disse a profissional ao MyNews.

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