Almoço Do MyNews
Em entrevista ao Almoço MyNews, o jornalista e doutorando em Política Comparada João Gabriel de Lima comenta seu livro e analisa como a ultradireita transforma o confronto em estratégia política e desafia as democracias.
No Almoço MyNews desta quarta-feira (21), o jornalista João Gabriel de Lima analisou o avanço da ultradireita e seus efeitos sobre a democracia. Colaborador da Folha de S.Paulo e doutorando em Política Comparada na Universidade de Lisboa, ele também comentou seu livro A direita à direita da direita.
A obra investiga os movimentos ultradireitistas e suas estratégias políticas. Além disso, mostra como essas correntes se adaptam à realidade de cada país. Embora tenham diferenças, elas compartilham algumas formas de atuação.
Durante a entrevista, João Gabriel de Lima abordou a falta de discussão de propostas em parte da direita. Segundo essa perspectiva, a chamada não política se tornou uma forma de atuação. Em vez de priorizar o debate e a negociação, esses movimentos apostam no confronto com seus adversários.
Nesse cenário, o oponente deixa de ser apenas alguém com ideias diferentes. Ele passa a ser tratado como um inimigo a ser combatido. Assim, a disputa política perde espaço para a deslegitimação do outro.
Além disso, essa estratégia pode alimentar a polarização. Ao manter o conflito no centro do debate, lideranças conseguem mobilizar apoiadores sem necessariamente apresentar soluções concretas para os problemas da população.
No livro, João Gabriel de Lima mostra que a ultradireita não forma um grupo único. Existem diferenças importantes entre seus representantes, especialmente nas pautas e nas estratégias adotadas em cada região.
Na Europa e nos Estados Unidos, por exemplo, o imigrante aparece frequentemente como uma ameaça à identidade nacional. Já na América do Sul, o discurso costuma destacar o combate ao crime e a defesa da segurança pública.
Essa diferença é resumida pela oposição entre “solo e sangue”, de um lado, e “lei e ordem”, de outro. Enquanto a primeira expressão remete à identidade nacional e à origem, a segunda enfatiza a segurança e o enfrentamento da criminalidade.
Apesar dessas particularidades, os discursos podem ter um ponto em comum. Ambos identificam um grupo considerado ameaçador e o colocam no centro da mobilização política.
A ascensão da ultradireita também levanta questões sobre o funcionamento das instituições democráticas. Afinal, a democracia depende do debate, da negociação e do reconhecimento da legitimidade dos adversários.
Quando o confronto substitui o diálogo, a construção de consensos se torna mais difícil. Além disso, a transformação de opositores em inimigos pode enfraquecer o espaço para a divergência política.
Por isso, compreender esses movimentos exige observar não apenas seus resultados eleitorais. Também é necessário analisar seus discursos, suas estratégias e a forma como influenciam o debate público.
No Almoço MyNews, a discussão sobre o livro de João Gabriel de Lima ajudou a contextualizar as diferentes faces da ultradireita. A análise mostra por que entender essas correntes é fundamental para acompanhar os desafios enfrentados pelas democracias atuais.