Relator Alfredo Gaspar (PL-AL) chega à CPMI com seu relatório ainda embrulhado; são quase 5 mil páginas | Foto: Evandro Éboli/MyNews
CPMI DO INSS
Governistas vão tentar alterar texto e excluir filho de presidente da relação; CPMI pode encerrar seus trabalhos amanhã, um sábado
Em clima de fim de CPMI, mas com o ambiente em pé-de-guerra, o relator Alfredo Gaspar (PL-AL) apresentou seu relatório nesta sexta-feira, com uma lista extensa de 216 indiciamentos, entre os quais Lulinha, Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel e outros indicados pelo atual e antigo governo.
A abertura dos trabalhos de hoje foi marcada por um bate-boca entre o relator e o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). No início da leitura de seu relatório, Gaspar fez ataques ao ministro Gilmar Mendes. Incomodado o petista disse que a CPMI virou um circo e trocou palavrões com o alagoano, e chegou a chamá-lo de “estuprador”. Gaspar rebateu o chamando de “cafetão” e “corrupto”.
Gaspar sugeriu a prisão preventiva de Fábio Luís da Silva, o Lulinha, no texto. Ele entende que o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajou para a Espanha em abril do ano passado para fugir da investigação sobre o escândalo do INSS. Lulinha admitiu que é próximo do Careca do INSS e que viajaram juntos, com a passagem paga por esse personagem, que é central no esquema de desvio de aposentados.
Na lista de indiciamentos do relator estão ainda Daniel Vorcaro, do Banco Master, e de seu cunhado Fabiano Zettel, apontado como operado do esquema do banqueiro. Também estão nessa relação o atual ministro da Previdência, Wolney Queiroz, e seu predecessor, Carlos Lupi. O senador Weverton Rocha (PDT-MA) é outro citado e com pedido para ser indiciado.
Sobre Lulinha, o relator pede que a Advocacia do Senado acione a Justiça para que o filho do presidente tenha sua prisão preventiva decretada.
“Está provado que o dinheiro roubado de aposentados e pensionistas foi utilizado em benefício de Lulinha para a aquisição, por Careca do INSS, de passagens de primeira classe em voos internacionais, bem como hospedagens de luxo em países europeus”, concluiu o relator, se referindo a passagem de avião paga para Lulinha pelo Careca do INSS.