Custo do apoio do centrão é alto e implica enfraquecimento da democracia Plenário da Câmara, ao lado do local destinado à imprensa. Foto: Waldemir Barreto (Agência Senado). QUARTA CHAMADA

Custo do apoio do centrão é alto e implica enfraquecimento da democracia

Base do governo, Centrão depende de “toma lá, dá cá” para manter apoio. Fisiologismo enfraquece as instâncias democráticas do país

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  • A CPI da Pandemia pode indiciar o presidente Jair Bolsonaro por charlatanismo ao promover ivermectina e hidroxicloroquina como kit preventivo contra a Covid‑19.
  • Mais de cem pedidos de impeachment contra Bolsonaro foram protocolados na Câmara, mas nenhum avançou devido ao apoio do bloco parlamentar conhecido como centrão.
  • A deputada Tábata Amaral afirmou que o apoio do centrão à Câmara é temporário e tem custo político elevado, gerando percepção de “toma lá, dá cá”.
  • A CPI já apontou corrupção e crimes na condução da pandemia, envolvendo o presidente e o Ministério da Saúde, embora críticos aleguem foco exclusivo no executivo federal.

As últimas iniciativas da CPI da Pandemia de indiciar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) por charlatanismo e curandeirismo – por promover os medicamentos ivermectina e hidroxicloroquina como parte de um kit preventivo para o covid-19 – podem abalar a imagem do presidente, mas não necessariamente resultarão punições ao mandatário. Existem atualmente na Câmara dos Deputados mais de cem pedidos de impeachment protocolados e nenhum deles avançou até agora por conta do apoio do bloco de partidos chamado de centrão – que tem dado suporte ao governo com base em medidas fisiológicas de troca de favores.

Essa é a avaliação da deputada federal Tábata Amaral (sem partido), que participou do programa Quarta Chamada desta semana. “O apoio fisiológico da Câmara – que é quem pode abrir o processo de impeachment, é sempre um apoio temporário. Desde o super pedido de impeachment, essa pauta entrou no destaque, mas o preço [do centrão] subiu. Os cargos, os recursos e as emendas tiveram que ser maiores. Existe uma pesquisa que mostra a percepção das pessoas de que Bolsonaro é o presidente que mais financiou o “toma lá, dá cá” e que menos aprovou projetos. O preço desse apoio é praticamente impraticável. Os recursos estão saindo da saúde, da educação. Vamos continuar vendo os desdobramentos da CPI da Pandemia, que já mostrou a corrupção e os crimes que aconteceram e guiaram a condução na pandemia e também que não era só ideologia, não era só maluquice”, analisou a deputada federal.

A escritora Catarina Rochamonte pontuou que, apesar de o trabalho da CPI da Pandemia estar mostrando como foi grave a condução da pandemia e os crimes que foram cometidos, inclusive alguns fatos que implicam diretamente o presidente da República e o Ministério da Saúde, um argumento utilizado pelos apoiadores de Bolsonaro é o de que a Comissão Parlamentar de Inquérito está focando as investigações apenas no plano do executivo federal e deixando de lado indícios de irregularidades nos estados.

Veja a íntegra do Quarta Chamada, no Canal MyNews. Sempre com análises interessantes sobre a conjuntura política do país.

Para a jornalista Juliana Braga, esses indícios estão sendo investigados pela Procuradoria Geral da República (PGR) e pela Polícia Federal. “O Supremo entendeu que não era apropriado convocar o depoimento dos governadores na CPI, pois esse não seria o foro adequado, que no caso seriam as assembleias legislativas. A maior parte dos indícios de irregularidades na compra de vacinas pelos estados está sendo investigada pela Polícia Federal e pela PGR. Esses fatos estão sendo apurados e é preciso lembrar que a CPI é também uma instância política. Não é possível depositar todas as fichas na CPI, porque o trabalho de investigação deveria ser da PGR e da Polícia Federal. E o que se tem visto é uma omissão dos órgãos de investigação em relação ao presidente e ao governo federal”, avaliou Braga.

A deputada Tábata Amaral concordou com a análise e ressaltou que o que está acontecendo no Brasil é a corrosão da democracia, através do aparelhamento das instituições. “Tudo isso é reflexo do aparelhamento das instituições, A gente fala muito que essa corrosão da democracia não é com tanque na rua, como a gente viu na terça-feira, inclusive com vários memes. Brincadeiras à parte, quando a gente estuda um pouco o que acontece em outros países, a gente vê que algumas regras são seguidas e um desses passos é ocupar essas instâncias de poder. A Polícia Federal, para que não investigue seus filhos; o Ibama – para que não investigue o garimpo, a invasão de terras indígenas. É isso que a fragilização da democracia”, acrescentou.


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