Foto: Acadêmicos de Niterói
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A escola tornou-se alvo da ofensiva de Luiz Lima após levar para o ensaio referências críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro
O deputado federal Luiz Lima (Novo-RJ) ingressou com uma representação no Tribunal de Contas da União (TCU) questionando o uso de recursos e a finalidade do ensaio técnico da Acadêmicos de Niterói. Ele move ação contra repasse de R$ 1 milhão a escola de samba. A escola, que homenageia o presidente Lula em seu enredo, tornou-se alvo da ofensiva parlamentar após levar para a avenida referências críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O deputado diz que está configurarada a promoção pessoal com viés político-partidário em uma festividade cultural financiada com verba pública.
A polêmica dominou as redes sociais no fim de semana, impulsionada por vídeos que mostram a presença do presidente da Embratur, Marcelo Freixo, e da neta de Lula sambando no ensaio. Enquanto governistas defendem a legitimidade da manifestação cultural, a oposição reage ao que classifica como aparelhamento do Carnaval. A inclusão da figura de Bolsonaro no desfile transformou o ensaio em um campo de batalha narrativo, antecipando o clima de polarização eleitoral de 2026 dentro da Sapucaí.
Apesar do barulho em Brasília, a viabilidade jurídica da ação é vista com ceticismo. Especialistas em direito eleitoral ouvidos pelo MyNews avaliam que a representação dificilmente prosperará, dada a proteção constitucional à liberdade artística das agremiações. Há uma dificuldade de tipificar crime eleitoral ou abuso de poder fora do período oficial de campanha e no contexto de um enredo carnavalesco.
Politicamente, contudo, o episódio é avaliado nos bastidores como um risco desnecessário para o governo. Mesmo que Lula e Janja não compareçam ao desfile oficial, a exposição de ministros e aliados em um ambiente incontrolável gera desgaste. A análise é pragmática: haverá aplausos, mas também haverá vaias. Para o Planalto, que tenta reduzir a temperatura da polarização, o saldo final pode ser um vídeo viral de hostilidade circulando nos grupos de mensagem com muito mais força do que qualquer explicação sobre a liberdade do samba.
Para entender melhor o tom do enredo que gerou a disputa judicial, confira este vídeo curto com o samba da escola.