Senadora concedeu entrevista exclusiva ao MyNews e falou sobre o julgamento da ação penal da tentativa de golpe
Em entrevista exclusiva ao MyNews nas vésperas do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe, a senadora Eliziane Gama (PSD/MA) contou um diálogo que ela presenciou entre a então presidente do Supremo Tribunal Federal, Rosa Weber, e o ministro da Corte Alexandre de Moraes logo após o 8 de janeiro (assista a íntegra abaixo).
A senadora relembra a caminhada simbólica em apoio à democracia feita entre o Palácio do Planalto e o Palácio do Supremo pelo presidente Lula, Rosa Weber, Rodrigo Pacheco, então presidente do Congresso, e outras autoridades na noite de 9 de janeiro de 2023. Ela recorda que Moraes encontrou o grupo já no tribunal, porque tinha acabado de retornar de uma viagem.
Leia mais: “Moraes ordena vistoria em carros que deixam casa de Bolsonaro”
“A Rosa Weber olha para ele, pega na não dele e diz: ‘Seja firme’, como se dissesse: ‘Não chore’. Ele engoliu seco e olhou para todos e disse: ‘Não, eu estou firme’. E olhou para todo espaço ali. Eu tenho certeza que o coração dele estava chorando muito por dentro, junto com esse choro, naturalmente uma grande indignação por tudo que estava acontecendo”, disse Eliziane.
Na entrevista, a senadora enalteceu o trabalho de Moraes em defesa da democracia: “Eu acho que as pessoas que têm posições firmes na vida, elas marcam o tempo da história e da humanidade. Aquelas pessoas que fraquejam, que não têm uma posição definida, acabam, na verdade, se perdendo ao longo da história. Eu acho que o Alexandre de Moraes tem assumido um papel fundamental no Brasil.”
Eliziane Gama comentou sobre o julgamento que vai se iniciar em 2 de setembro, em que Bolsonaro e outras sete pessoas sãos réus no chamado “núcleo crucial” da tentativa de golpe: “Eu acho que o Brasil, ao mesmo tempo, deu um recado para o mundo, mostrou para o mundo: ‘Olha, aqui não é assim. Aqui tento agredir a democracia, tem punição para isso’.”
“Se tem uma punição um pouco mais severa do que outra… eu pessoalmente até acho que elas têm que ser conforme o seu grau de impacto, isso tem que ser crime… tem que ser relativizado, mas eu acho ela jamais pode ser abolida, eu acho que toda punição tem que ocorrer. O grande combustível da perpetuação do crime é a não punição do crime, é a impunidade”, disse.
“Eu acho que a gente deu um recado para o mundo quando o ex-presidente ficou inelegível, a gente deu um recado para o mundo quando a gente teve a ação do Supremo Tribunal Federal em relação a essa punição, então eu acho que tudo isso foi muito importante, e eu acho que esse julgamento será vital para, quem sabe, a gente colocar uma pá de cal nesta tentativa de golpe no Brasil”
A senadora, que foi relatora da CPMI do 8 de janeiro no Congresso, disse que o julgamento em curso na Primeira Turma do Supremo aponta para a concretização da linha de investigação do colegiado.
“Lembra que lá no relatório eu dizia que todo esse processo tinha um nome e um sobrenome que era Jair Messias Bolsonaro. Toda essa organização que se teve, todo um planejamento que teve acabou sendo centrado ou numa omissão, ou num estímulo claro do ex-presidente”, declarou ao MyNews.
Eliziane disse que ao logo de todo seu mandato como presidente da República, Bolsonaro sempre incentivou muito estas práticas, participando de manifestações que claramente estavam fazendo apologia a atos antidemocráticos: “Ele ia de forma aberta, ele falava de forma aberta. Ele participava de manifestações com faixas enormes falando ‘fechamento do Supremo’, ‘fechamento do Congresso’.”
“Ele sendo o maior formador de opinião do Brasil, a medida em que ele está em um evento desta natureza, automaticamente, ele está confirmando essa tentativa. Essa massa que foi, mais ou menos 5 mil pessoas aqui que ficaram até o dia 8 de janeiro, ficou incentivada e com esse combustível que foi dado pelo ex-presidente”, afirmou.