Madeleine Lacsko revela bastidores da política em campanha eleitoral Madeleine Lacsko. Foto Reprodução/Youtube

Madeleine Lacsko revela bastidores da política em campanha eleitoral

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Em entrevista, a ex-candidata analisa o choque de postura entre a imprensa e as urnas, a guerra de narrativas e o uso da fé na campanha

A transição entre noticiar os fatos e vivenciar as engrenagens do poder traz transformações profundas na percepção do processo eleitoral. Em entrevista ao Canal MyNews, a jornalista e escritora Madeleine Lacsko compartilhou sua experiência ao disputar uma vaga de deputada estadual em São Paulo. Dessa forma, após obter mais de 14 mil votos, a analista detalhou os aprendizados adquiridos no corpo a corpo com o eleitorado, a realpolitik e a guerra de narrativas nas campanhas.

Do microfone às urnas: o choque de perspectiva

Com histórico profissional que inclui passagens pelo STF e pelo TSE, Madeleine descreveu a candidatura como a experiência mais marcante de sua carreira. Segundo ela, disputar a preferência do eleitor oferece um olhar que a cobertura de imprensa tradicional não consegue alcançar. “Eu aprendi mais em um mês e meio de campanha sobre política do que em 30 anos cobrindo o setor”, declarou a jornalista.

Além disso, entre as principais mudanças sentidas durante o período eleitoral, Madeleine destacou a alteração na postura cobrada pelo público. O papel do jornalista é focado no equilíbrio, pois ele pondera prós e contras para entregar uma análise neutra. Por outro lado, a exigência do eleitorado caminha na direção oposta, já que o cidadão demanda posições diretas e cobranças firmes sobre de qual lado o candidato está.

A ex-candidata iniciou o processo de desfiliação partidária logo após o primeiro turno e ressaltou como o pleito reorganizou seus laços sociais. “Primeiro porque cai a máscara de muita gente. Depois, você enxerga quem realmente te apoia”, avaliou.

A compra de votos vista pelo lado de dentro

Um dos pontos centrais da entrevista foi o relato sobre abordagens diretas durante atos de rua. Nesse sentido, Madeleine revelou o espanto ao presenciar eleitores pedindo dinheiro em troca de apoio ou para a fixação de adesivos em veículos.

“Quando você tá no corpo a corpo com o eleitorado, as pessoas vêm te perguntar: ‘Tenho cinco eleitores em casa, quanto que a senhora tá pagando?’ […] Para o jornalista ninguém fala isso, mas para o candidato eles falam”, contou Lacsko, em depoimento sobre a rotina de campanha.

A ex-candidata detalhou a estrutura por trás da prática ilegal, em que intermediários pagam metade do valor antes e a outra metade apenas mediante a verificação da contagem de votos na zona eleitoral correspondente, o que evidencia a complexidade da fiscalização pelos órgãos de controle.

Guerra de narrativas e o uso da fé nas campanhas

Ao analisar o cenário eleitoral, Madeleine criticou as estratégias de comunicação e a utilização da religião para fins políticos. Para a entrevistada, tanto a esquerda quanto a direita cometeram excessos na instrumentalização de símbolos sagrados. Em função disso, a prática acabou gerando rejeição entre o eleitorado mais tradicional.

Nesse contexto, a jornalista condenou abordagens alarmistas e discursos de superioridade intelectual na militância. Afinal, estratégias baseadas na propagação do medo costumam criar forte resistência no eleitor. Do mesmo modo, o apelo a figuras religiosas e a aproximação forçada com o público de fé foram vistos como gestos pouco espontâneos. Além disso, Madeleine destacou a crescente apreensão do segmento evangélico em relação a ações judiciais que interferem em discursos dentro dos templos.

Por fim, a jornalista ressaltou que a vivência prática da política modifica permanentemente a leitura crítica sobre o ecossistema partidário e as redes sociais. Em suma, a experiência proporciona uma visão realista, livre dos mitos comumente reproduzidos na cobertura tradicional.

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