Urna eletrônica | Foto: Reprodução/TRE-RN
Jornal Do MyNews
Em entrevista ao MyNews, o advogado e escritor analisa a influência das redes sociais nas campanhas, a mobilização emocional dos eleitores e os desafios para as próximas eleições.
As redes sociais mudaram a maneira de fazer política e transformaram a relação entre candidatos e eleitores. Para o advogado e escritor Márcio Luiz Silva, essas plataformas atropelaram os modelos tradicionais de comunicação política. Em entrevista ao MyNews, nesta quinta-feira (15) ele analisou essas mudanças e defendeu uma reflexão sobre o futuro das campanhas e dos modelos de governo após as eleições de 2026.
Segundo Silva, muitas personalidades políticas passaram a direcionar seus discursos para públicos específicos. Dessa forma, a comunicação se concentra cada vez mais em determinados nichos, em vez de buscar um diálogo amplo com a sociedade.
Além disso, a velocidade de circulação das mensagens alterou a dinâmica do debate público. Nesse cenário, candidatos e partidos precisam lidar com novas formas de mobilização e com a influência das plataformas digitais sobre o comportamento dos eleitores.
A expansão das redes sociais modificou a dinâmica das campanhas eleitorais. Antes, os partidos dependiam mais dos meios tradicionais de comunicação para apresentar suas propostas. Agora, as plataformas digitais permitem que candidatos falem diretamente com seus públicos.
Por outro lado, essa proximidade também favorece a fragmentação do debate político. Como observa Silva, personalidades públicas passaram a concentrar seus discursos em grupos específicos. Assim, a comunicação política ganha novas possibilidades, mas também enfrenta dificuldades para construir consensos mais amplos.
Diante dessas mudanças, o advogado considera necessário repensar os caminhos da política depois da atual disputa eleitoral. Para ele, a discussão não deve se limitar aos candidatos vencedores ou derrotados. Pelo contrário, deve incluir os próprios modelos de governo e as formas de participação da sociedade.
Ao comentar o futuro das campanhas para as eleições municipais de 2028, Silva destacou a necessidade de avaliar as transformações provocadas pela disputa presidencial de 2026.
Na avaliação do advogado, determinados símbolos e referências tradicionais da política perderam força. Por isso, partidos e lideranças precisarão rever a maneira como constroem suas relações com o eleitorado.
Além da estratégia eleitoral, essa mudança levanta questões sobre a qualidade do debate público. Afinal, a comunicação política não envolve apenas a divulgação de propostas, mas também a forma como candidatos mobilizam sentimentos e influenciam a percepção dos eleitores.
Silva também chamou a atenção para uma regra da legislação eleitoral que trata do uso de recursos capazes de influenciar emocionalmente os eleitores durante a propaganda.
O advogado mencionou a vedação ao emprego de meios que induzam artificialmente estados mentais, passionais ou emocionais na população. Para ele, existe uma contradição entre esse princípio e determinadas práticas da comunicação política contemporânea.
Nesse contexto, as redes sociais ampliam o alcance das mensagens e aceleram sua circulação. Consequentemente, conteúdos que despertam medo, indignação ou entusiasmo podem ganhar visibilidade e influenciar a maneira como o público interpreta candidatos e acontecimentos.
Por isso, Silva defende uma reflexão sobre os limites da comunicação eleitoral. O desafio consiste em compreender como as novas ferramentas digitais afetam a formação da opinião pública e a relação entre representantes e cidadãos.
Márcio Luiz Silva é advogado e atua perante os Tribunais Superiores desde 1996. Entre 1996 e 2006, trabalhou como assessor jurídico da bancada federal do Partido dos Trabalhadores (PT).
Além da carreira jurídica, Silva também se dedica à literatura. Ele escreveu O que importa não tem nome, publicado pela Caravana, e Brevíssimo itinerário de uma existência absurda, publicado pela Mondru.
Em entrevista ao MyNews, o advogado relacionou as mudanças na comunicação política à necessidade de repensar as campanhas eleitorais e os modelos de governo. Assim, a discussão sobre o futuro da política passa também pela compreensão do papel das redes sociais e de seus efeitos sobre a participação democrática.