Promotora de Justiça critica questionamentos ao voto feminino e alerta para retrocessos nos direitos das mulheres Jornal Do MyNews

Promotora de Justiça critica questionamentos ao voto feminino e alerta para retrocessos nos direitos das mulheres

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Em entrevista ao MyNews, promotora analisa discursos contra o voto feminino e destaca a importância de preservar os direitos e a autonomia das mulheres.

A promotora de Justiça Valéria Scarance, nesta quinta-feira (15) alertou para os riscos de questionar o direito das mulheres ao voto, principalmente quando candidatas defendem esse tipo de discurso. Em entrevista ao MyNews, ela destacou a importância de preservar as conquistas históricas das mulheres e fortalecer sua participação política.

Segundo Scarance, muitas jovens cresceram com o direito ao voto garantido. Por isso, nem sempre conhecem as dificuldades que as gerações anteriores enfrentaram para conquistar espaço na sociedade. A promotora considera perigoso esse distanciamento da história, pois ele pode enfraquecer a defesa de direitos fundamentais.

Voto feminino e desigualdade entre homens e mulheres

Durante a entrevista, Scarance também relembrou sua experiência como estudante da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), onde hoje leciona. Ao falar sobre a trajetória das mulheres, ela destacou que a conquista do voto não eliminou as desigualdades na vida cotidiana. Mesmo com direitos políticos, muitas mulheres ainda enfrentavam limitações dentro do casamento e na sociedade.

Nesse contexto, a promotora chamou a atenção para a importância de conhecer a história das conquistas femininas. Afinal, o reconhecimento de um direito não garante, por si só, igualdade nas relações sociais.

A Lei do Divórcio, aprovada em 1977, marcou uma mudança importante na legislação brasileira sobre o casamento. No entanto, a luta pela autonomia feminina começou muito antes e envolveu diferentes etapas, desde o direito à participação política até o reconhecimento de direitos civis.

Questionar o voto também ameaça a autonomia feminina

Para Scarance, questionar o direito das mulheres ao voto significa colocar em dúvida sua condição de cidadãs e sujeitos de direitos. Além disso, ela alertou que discursos desse tipo podem abrir espaço para retrocessos nas conquistas históricas.

A promotora também apontou diferentes motivações para esse posicionamento. Na avaliação dela, alguns homens defendem a retirada de direitos porque desejam que as mulheres voltem a ocupar posições de submissão na sociedade.

Por outro lado, Scarance observou que algumas mulheres também reproduzem ideias contrárias aos direitos femininos. Muitas delas cresceram com essas garantias e, portanto, podem não compreender as restrições que marcaram a vida das gerações anteriores.

Por isso, conhecer essa trajetória torna-se fundamental para reconhecer o valor das conquistas atuais. Além de garantir direitos, a memória histórica ajuda a sociedade a identificar discursos que podem ameaçá-los.

Quem é Valéria Scarance

Valéria Scarance atua como promotora de Justiça especializada em violência contra as mulheres. Mestre e doutora pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), ela também leciona na instituição.

Além da carreira acadêmica, Scarance escreve livros e participa de palestras no Brasil e no exterior. Ela também responde pela cartilha Namoro Legal e coordenou o grupo que criou o IAVP.

Na entrevista ao MyNews, a promotora relacionou a defesa do voto feminino à preservação da autonomia das mulheres. Sua análise reforça a importância de conhecer a história dos direitos políticos e civis para compreender os desafios que ainda cercam a igualdade de gênero.

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