Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Foto: Joyce N. Boghosian/Official White House Photo
EUA
Analistas apontam que o pragmatismo do presidentes americano ignora lealdades passadas e prioriza novos aliados poderosos
Donald Trump só tem um grande amor na vida e, para a tristeza de alguns brasileiros, ele se olha no espelho todas as manhãs. Segundo a análise precisa do jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva, o presidente americano possui uma alergia incurável a quem ele considera “perdedor”. No momento em que Jair Bolsonaro enfrentou a prisão e a esperada reação popular não incendiou o país, o magnata republicano simplesmente girou a chave. A fidelidade, nesse caso, durou apenas enquanto os holofotes brilhavam para ambos.
Atualmente, o cenário na Casa Branca mostra um Trump muito mais pragmático e perigoso do que aquele da primeira temporada.
Enquanto isso, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva joga um xadrez diplomático que surpreende até os estrategistas mais céticos. Em vez do confronto direto e agressivo, Brasília adotou uma postura “altaneira”, mantendo o diálogo sem baixar a cabeça para as ameaças tarifárias. De fato, a tática vem colhendo frutos, com a suspensão de punições econômicas e elogios mútuos entre os dois líderes. Entretanto, a calmaria é enganosa, pois a natureza de Trump exige obediência total, e o clima deve esquentar quando a campanha eleitoral brasileira entrar no radar.
A grande dúvida que paira no ar é como se dará a interferência externa nas nossas próximas eleições. Lins da Silva alerta que Trump pode usar métodos pouco usuais, como a pressão financeira ou o apoio ostensivo via magnatas como o próprio Musk. Embora Bolsonaro sonhe com o apoio do “amigo” a seu filho Flávio, a realidade mostra que o americano prefere investir em quem detém o poder real ou infraestrutura crítica, como as comunicações. No fim das contas, a relação especial de Trump é apenas com seus próprios interesses, deixando antigos aliados falando sozinhos no vácuo da história.