Até que as urnas os separem: o racha no altar do bolsonarismo Foto: reprodução redes sociais Eleições

Até que as urnas os separem: o racha no altar do bolsonarismo

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A ex-primeira-dama está ressentida por ter sido excluída das decisões estratégicas. Por causa disso, ela adotou uma postura de “gelo” político. Sem Michelle, o senador perde a conexão direta com o eleitorado evangélico e feminino.

O juramento de fidelidade do clã Bolsonaro enfrenta o seu “limite canônico” em janeiro de 2026. Historicamente, a família sempre seguiu um código de silêncio rigoroso. Por mais que os bastidores fervessem com rusgas, a fidelidade política aparente sempre venceu as brigas internas. A união era a muralha que protegia o sobrenome em nome do poder. Contudo, essa blindagem trincou.

Com Jair Bolsonaro preso na Papuda, o racha entre Flávio e Michelle Bolsonaro expõe o esfacelamento de uma mística. O patriarca tentou impor a sucessão de cima para baixo. Ele “ungiu” o filho 01 como herdeiro, mas ignorou o aval da madrasta e de suas bases. Na política atual, o pragmatismo das urnas fala mais alto que o pacto de sangue. Portanto, o que vemos agora é uma ferida aberta que a lealdade de outrora já não consegue esconder.

A pesquisa como maçã da discórdia

A nova pesquisa Quaest trouxe dados impactantes, mas também acirrou os ânimos. Flávio Bolsonaro aparece com 26% das intenções de voto. Ele é, hoje, o nome mais forte da direita para desafiar o presidente Lula. Por outro lado, esse capital eleitoral esbarra na resistência de Michelle Bolsonaro.

A ex-primeira-dama está ressentida por ter sido excluída das decisões estratégicas. Por causa disso, ela adotou uma postura de “gelo” político. Esse distanciamento é perigoso para a campanha de Flávio. Afinal, sem Michelle, o senador perde a conexão direta com o eleitorado evangélico e feminino.

Além disso, a crise transbordou para as redes sociais. Michelle passou a fazer acenos públicos ao governador Tarcísio de Freitas. Ela curtiu postagens que o descrevem como o “CEO que o Brasil precisa”. Naturalmente, o gesto foi lido como um descarte da candidatura de Flávio.

Essa movimentação gerou um curto-circuito no ecossistema bolsonarista. O influenciador Alan dos Santos criticou Michelle por não apoiar o enteado. Sem filtros, ela rebateu o antigo aliado e o apelidou de “Alan dos Demônios”.

Enquanto isso, Flávio Bolsonaro tenta demonstrar que a falta de apoio não o paralisa. Durante viagem aos Estados Unidos, o senador enviou um recado curto e grosso: “Não ficarei implorando apoio a ninguém”. Segundo ele, as adesões virão no tempo certo.

Entretanto, o clima preocupa os estrategistas do partido. O grupo sabe que as chapas se definem agora, na “boca da eleição”. Uma direita fragmentada favorece o Palácio do Planalto. Além do mais, o governo teme muito mais uma chapa composta por Tarcísio e Michelle do que a candidatura isolada de Flávio.

O clã agora corre contra o tempo para restaurar a aparência de união. Flávio tenta se vender como o herdeiro “mais tratável” e diplomático entre os irmãos. Ao mesmo tempo, a família busca garantir que o sobrenome Bolsonaro chegue forte às urnas eletrônicas. O impasse permanece: o bolsonarismo renovará seus votos de união ou as urnas de 2026 marcarão o fim deste casamento político?

 

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