Ricardo Stuckert/PR
A trajetória do novo ministro da Justiça, em linha do tempo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou o nome de Wellington César Lima e Silva para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública, em um momento de pressão política e desafios na área de segurança pública. Aos 60 anos, o jurista retorna ao centro do poder federal com uma trajetória marcada por passagens rápidas, cargos estratégicos e bastidores jurídicos.
A seguir, os principais marcos dessa caminhada.
Formado em Direito pela Universidade Federal da Bahia, Wellington Lima e Silva construiu sua base profissional no direito público. Em 1991, ingressou no Ministério Público da Bahia, onde deu início a uma carreira que o projetaria nacionalmente.
Curiosidade: colegas de época o descrevem como um perfil técnico, discreto e pouco afeito à exposição pública, traço que o acompanha até hoje.
Ao longo das décadas seguintes, Lima e Silva ganhou espaço interno no MP baiano até alcançar o topo da instituição. Foi procurador-geral de Justiça da Bahia por dois mandatos consecutivos, algo incomum e que reforçou sua influência política e jurídica no estado.
Nesse período, consolidou relações institucionais com o Judiciário e o meio político, habilidade que mais tarde pesaria em convites para cargos federais.
Em 2016, foi nomeado ministro da Justiça no governo Dilma Rousseff. A passagem, no entanto, durou apenas alguns dias.
Uma decisão judicial questionou a compatibilidade do cargo com sua posição no Ministério Público, levando à exoneração rápida. O episódio marcou sua biografia e virou referência sempre que seu nome retorna ao debate público.
Curiosidade: apesar da brevidade, a nomeação de 2016 foi suficiente para manter seu nome no radar de Brasília.
Já no atual governo, Wellington Lima e Silva assumiu a Secretaria de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, função estratégica, porém pouco visível. O cargo o colocou novamente próximo do núcleo duro do Planalto, participando de análises legais sensíveis para o Executivo.
Em 2024, foi indicado para a Petrobras, onde passou a atuar como advogado-geral da estatal. A função exigia interlocução constante com órgãos de controle, tribunais e o próprio governo federal.
Nos bastidores, a escolha foi interpretada como um “teste de confiança” antes de voos mais altos.
Agora, quase uma década depois da passagem frustrada, Lima e Silva retorna ao Ministério da Justiça, substituindo Ricardo Lewandowski. A escolha ocorre em meio a debates sobre segurança pública, crime organizado, sistema prisional e relação entre governo e Judiciário.
A avaliação no Planalto é de que o novo ministro reúne três atributos considerados decisivos neste momento:
A expectativa é que Wellington Lima e Silva atue com menos protagonismo midiático e mais foco institucional, reforçando a articulação entre Executivo, Judiciário e órgãos de controle. Seu histórico sugere uma gestão voltada aos bastidores, mas com impacto direto nas decisões centrais da pasta.
