Arquivos Aquiles Reis - Canal MyNews – Jornalismo Independente https://canalmynews.com.br/post_autor/aquiles-reis/ Nosso papel como veículo de jornalismo é ampliar o debate, dar contexto e informação de qualidade para você tomar sempre a melhor decisão. MyNews, jornalismo independente. Thu, 13 Feb 2025 17:27:04 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 Brasilidade na Veia https://canalmynews.com.br/brasil/brasilidade-na-veia/ Thu, 13 Feb 2025 17:26:24 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=50864 Album recém-lançado por Carlos Malta e Pife Muderno para celebrar a obra de Edu Lobo.

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Hoje falaremos sobre Edu Pife (Biscoito Fino), álbum recém-lançado por Carlos Malta e Pife Muderno para celebrar a obra de Edu Lobo. Seguindo sua carreira de multi-instrumentista arrojado, Malta criou, há trinta anos, o Pife Muderno, grupo que tem a sua cara, sem barreiras estéticas. Tudo a partir de uma formação extraordinária: dois flautistas (ele próprio e Andrea Ernest Dias) e quatro percussionistas que têm em si a força do toque: Marcos Suzano, Bernardo Aguiar, Durval Pereira e Fofo Black, recém-chegado ao grupo.

Brasilidade na Veia

Desde os sete anos de idade, Malta se encanta com a obra de Lobo. Ele o viu no III Festival da TV Record, em 1967, cantando Ponteio ao lado do Quarteto Novo, Marília Medalha e do grupo vocal Momento 4. A essência da cultura popular nordestina resumida em uma canção emocionou o jovem Malta – e não era para menos.

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Foi a partir dessa concepção musical que Malta revisitou a discografia de Edu Lobo. Reouviu tudo, desde o primeiro compacto lançado em 1962, quando Edu tinha 19 anos, para, enfim, conceber a direção musical e os arranjos de uma obra refinada, plena da diversidade da música popular brasileira: sambas, frevos, canções e baiões.

A Grandeza de Edu Lobo

Mas e Edu? O que mais dizer sobre ele? Bem, modestamente, certa vez escrevi:

“Eduardo de Góes Lobo não crê em inspiração. Crê em dedicação. Entusiasmo cotidiano na elaboração de músicas para teatro, trilhas para cinema, temas para balé. Nisso tudo e apenas nisso, Edu Lobo, um artesão de harmonias, crê.”

O Repertório de Edu Pife

Para interpretar os arranjos escritos para treze músicas de Edu Lobo (em doze faixas), sempre com o som único do pife e uma autêntica versão “Brasil na veia”, Carlos Malta e Pife Muderno deram conta de recriar boa parte do repertório do compositor.

Assim, vieram:

  • Abertura do Circo (Edu Lobo);
  • Uma Vez Um Caso (Edu Lobo e Cacaso);
  • Viola Fora de Moda (Edu Lobo e Capinam);
  • Lero-Lero (Edu Lobo e Cacaso);
  • Bate-Boca (Edu Lobo);
  • A História de Lilly Braun, Na Carreira e Frevo Diabo (Edu Lobo e Chico Buarque).

Participações Especiais

As participações especiais adicionaram um toque insuperável ao álbum. Em alguns arranjos, Malta contou com a voz de Edu em duos e vocalises com o cantor Matu Miranda, como em Zanzibar (Edu Lobo Editora) e Água Verde (Edu Lobo e Ruy Guerra). Essas vozes ainda se somaram à de Hermeto Pascoal em Casa Forte (Edu Lobo).

Hermeto também contribuiu com percussão corporal, escaleta e voz no copo em Vento Bravo (Edu Lobo e Paulo César Pinheiro). Além disso, o violoncelo de Jaques Morelenbaum brilhou em Repente (Edu Lobo e Capinam).

Edu Pife: Uma Referência Musical

Edu Pife se tornou uma obra de referência do trabalho de Edu Lobo. Ao unir sua visão musical e orquestral à do compositor, Carlos Malta e Pife Muderno acrescentaram ainda mais brasilidade, enriquecendo uma obra já arrebatadora

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O Som da Roça Nova: Tradição e Música https://canalmynews.com.br/brasil/o-som-da-roca-nova/ Fri, 31 Jan 2025 14:37:24 +0000 https://localhost:8000/?p=50504 Confira a coluna do Aquiles nesta sexta-feira (31) sobre álbum independente da banda mineira

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Hoje falaremos de Corta Quebranto, álbum independente da banda mineira Roça Nova, formada por Bernardo Leitão (percussão), Hector Eiterer (baixo), João Manga (bateria), Marco Maia (guitarra), Pedro Tasca (voz e violão), Tiago Croce (viola caipira e rabeca) e Thalles Oliveira (percussão). O disco conta com 12 faixas que apresentam composições e arranjos desenvolvidos em conjunto pelos integrantes.

Roça Nova

Para executá-las, os músicos combinam instrumentos tradicionais, como viola caipira, rabeca e berrante de chifre, com bateria, guitarra e baixo. A mistura de gêneros engloba congado, folia de reis, baião, salsa, ijexá, coco e funk. O álbum ainda traz participações especiais da Banda de Pau e Corda e do cantor André Prando.

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Quebra-Coco: O Impacto Inicial

O primeiro impacto vem com Quebra-Coco (João Manga), um maracatu arretado conduzido pela caixa e reforçado por viola caipira e baixo. A bateria de João Manga logo pesa a mão, evocando referências como Nação Zumbi e Chico Science. A faixa, cantada pelo autor, traz uma letra enérgica e intensa.

Montaña: Reflexão Revolucionária

Outra faixa de destaque é Montaña (Pedro Tasca), que surpreende ao transitar por uma concepção inicial nordestina e evoluir para uma salsa que exalta a urgência da unidade latino-americana. Com uma letra revolucionária em espanhol e português, a canção apresenta harmonia e melodias cheias de groove, agitadas pelas guitarras.

Os versos cantados por João Manga provocam uma reflexão aguda:

“Palabra viva (montaña) / Te quiero como eres / Hermosa herída (montaña) / Un río que fluye (…) / Lo que olvidamos por el oro / Lo que te haría rico (…) Hasta que nuestras canciones / Y nuestras revoluciones / Se unan como sus aguas / Un río que fluye”.

Criatividade e Identidade Musical

Corta Quebranto evidencia o amadurecimento criativo da Roça Nova. Com uma formação instrumental diversificada, a banda demonstra um anseio por inovação, livre de preocupações mercadológicas ou concessões musicais. Essa postura permite que a música floresça de forma desabrida, mantendo a autenticidade.

Ficha Técnica

  • João Manga: bateria
  • Hector Eiterer: baixo
  • Bernardo Leitão: percussão
  • Thalles Oliveira: percussão
  • Marco Maia: guitarra
  • Tiago Croce: viola caipira e rabeca
  • Advar Medeiros: saxofone
  • Rafael Souza: trompete e flugelhorn
  • Rick Guilhem: percussão
  • Henrique Villela: produção musical, mixagem e masterização

Onde ouvir a canção

Ouça o álbum:

https://open.spotify.com/intl-pt/album/2UV6shp5GH24eKhjbZnPqo?si=s3WAl81FSU6yDb6pSIrSzQ

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Uma audição lisérgica (#sóquenão) https://canalmynews.com.br/coluna-do-aquiles/uma-audicao-lisergica-soquenao/ Fri, 10 Jan 2025 21:27:08 +0000 https://localhost:8000/?p=50011 Álbum Entre Nós (Peneira Musical), de Andréa Dutra, conta com doze pianistas convidados que tocaram seus próprios arranjos e me proporcionaram uma boa viagem

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Domingo, oito da noite. Preparo uma dose e vou ao notebook. Ao primeiro gole, um raio seguido de um trovão apaga a luz da casa. Iluminado apenas pela tela, os toques nas teclas se misturam aos dos teclados do pianista e eu anoto o que ele toca e o que a cantora canta. E entro num transe que faz parecer que sonho. Parece que os pianistas se revezam ao piano sob o meu olhar pasmado. E, sem que me vejam, dão às músicas a moldura que merecem. Hipnótico, sinto que instalados do meu lado eles tocam e a moça canta só pra mim. Não, cês não tão entendendo… sozinho em casa, presencio uma audição “exclusiva” do novo álbum autoral da Andréa Dutra e seus pianistas convidados (clique neste link para ouvir).

Leia mais: Samba, amor e competência

Primeiro, o piano do Adriano Souza dedilha as notas, enquanto Andréa, suave, mas decidida, canta a sua “Acerto”. Acordes e um ritmo leve levam o samba que toma conta da sala.

Na sequência, Paulo Malaguti Pauleira entra e assume o piano, nem me cumprimenta… Normal, acho; troca um olhar cúmplice com Andréa que lança garganta afora a poesia da sua “Entre Nós.

Entra o Itamar Assiere: delicado que só, seu piano soa bonito, enquanto Andréa se declara, afinada e afetuosa na “Valsa nº1”; arritmo como o arranjo, deliro em silêncio.

Leo de Freitas assume o piano para tocar “Deixa Quieto”; dengosa às pampas, Andréa canta bonito.

Leia mais: Eis um álbum fascinante

Bestamente, eu, hein!, aceno pro Leandro Braga que vem pra sala; Andréa parecer requebrar as cadeiras no samba bem levado por ele; e é assim que parece cantar os versos de “Dadivosa”.

Agora, quem passa por mim sem me ver é a pianista Sheila Zagury: ela vem pra tocar “Maio”, cujas notas soltas do piano antecedem a entrada de acordes que anunciam o canto de Andréa. Show!

Eis que três pianistas se aproximam do piano. Quase caio da cadeira. Mas a música pode tudo, penso! E Adriano Souza, Leo de Freitas e João Braga dão lá seu jeito e acompanham Andréa, que arrasa ao cantar “Pedra e Flor”; logo rola um intermezzo jazz total.

Leia mais: O festival dos festivais

João Braga entra; antes de cantar “Arrastão Carioca”, Andréa acho que sorri, e sapeca o seu espírito carioca que está à flor da pele – a letra assim pede e ela não nega, ora. E eu, feliz da vida, já na terceira dose, saco que o sarau tá acabando.

Acompanhada por Antônio Fischer-Band, Andréa manda ver em “Conselhos Para Um Adolescente na Ponte Aérea Rio-SP: “Vai dar um teco, tomar um toco,/ Beber até cair (…)”. E o piano acompanha o canto que tenta entusiasmar a rapaziada, aqui representada por Andréa Dutra.

Tudo rolou esperto. A luz volta.

Mas a vibe segue, tá ligado, bróder?

Aquiles Rique Reis
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Samba, amor e competência https://canalmynews.com.br/mais/samba-amor-e-competencia/ Fri, 03 Jan 2025 21:47:32 +0000 https://localhost:8000/?p=49792 Novo álbum do músico cearense Jorge Helder, um tributo à Chico Buarque, traz repertório de oito músicas selecionado e arranjado com muito cuidado

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Hoje trataremos de Samba e Amor – Jorge Helder Toca Chico Buarque (clique neste link para ouvir), álbum produzido pela gravadora Selo SESCSP, do contrabaixista e compositor cearense Jorge Helder, músico radicado no Rio e muito querido pelos colegas. Com oito faixas, o trabalho tem repertório selecionado e arranjado com muito cuidado por ele – afinal, é um tributo ao amigo Chico que recentemente completou 80 anos. Vamos às músicas.

As vitrines: a intro vem com o baixo de Helder e o teclado de Hélio Alves. Logo a música é solada por Helder. Hélio se achega com o piano. Vitor Cabral toca nos pratos da batera, para logo seguir discreto. Logo vem Chico Pinheiro na guitarra e improvisa com a categoria que a harmonia buarqueana requer. Helder retoma o solo da melodia e vai…

O cantor Filó Machado inicia O que será?. O piano vem com ele. A batera pulsa. Numa levada inesperada, por se distanciar da original de Buarque, surge a eletrizante Vanessa Moreno. Show de interpretações! O piano assume o improviso. O baixo faz a cama. A guitarra traz o proscênio para si. O canto volta trazendo os versos do tutano onde o duo abriga seu frêmito. O couro come.

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A seguir, a dupla tem o desafio de cantar Morro Dois Irmãos, uma das mais belas de Buarque. Assim,  pode se dar ao canto, amparada que está por dois baixos (Helder e Iury Batista), piano, guitarra (esta, eventualmente, em notas soltas) e batera. Todos juntos levam o arranjo.

Brejo da cruz: Moreno e Machado cantam em terças e, alternando cantos e contracantos, improvisam no arranjo de Helder. Ao final, fazem vocalises.

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Basta um dia: novamente Vanessa Moreno tem a incumbência, nada fácil, diga-se, de cantar outra obra-prima de Buarque. A intro abre o caminho para ela – e como canta! Ora, ela percebe a própria voz tendo o dom de dar ainda mais vigor e graça às melodias. O agudo vem preciso, tanto quanto estável é a afinação. Alguns vocalises e ela dá vez a um improviso do piano. Os vocalises voltam e logo também a melodia. A guitarra improvisa. Que arranjo, meu Deus!

Ela desatinou: batera e percussão (Rafael Mota) puxam o samba e entregam pra Filó Machado. Ele canta e arrasa! Suas divisões rítmicas atiçam.

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Deus lhe pague: a intro de Helder atrai um caminho rítmico, harmônico e melódico distinto do original da música. A pegada jazzística se impõe. Desde a puxada de seu baixo, com improvisos bem-postos, passando pelas interpretações de piano, guitarra e batera, todos dão ao tema a intenção primeira do arranjador, ainda que ela difira do padrão. E Helder não faz feio, não; é bom à beça, tá ligado?

Samba e amor: Vanessa Moreno e Filó Machado dão show. A harmonia não é a original e apoquenta as ideias do ouvinte – pior pro ouvinte (no caso, eu).

O ano 2024 finda com um CD que, além de admiravelmente sagrar Chico Buarque, traz à luz Jorge Helder e seus virtuosos colegas de ofício.

Aquiles Rique Reis

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Rompendo fronteiras https://canalmynews.com.br/coluna-do-aquiles/rompendo-fronteiras/ Tue, 31 Dec 2024 14:04:20 +0000 https://localhost:8000/?p=49659 Novo álbum de Duo Aduar, baseado em conto de Gabriel García Márquez, é inspirado na relação entre Erêndira e Ulisses, marcada por paixões avassaladoras

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Hoje trataremos de Algo Sobre Você, Erêndira (clique neste link para ouvir), álbum do Duo Aduar, integrado pelos mineiros Gabriel Guedes e Thobias Jacó. Seminal lançamento da Kuarup, o trabalho traz a trilha sonora criada pelo duo para o espetáculo de mesmo título sob direção de Cássio Borges, da Cia Cássio B. de Teatro, em Lorena (SP).

Baseados no conto A Incrível e Triste História de Cândida Erêndira e Sua Avó Desalmada, de Gabriel García Márquez, os seis temas musicais nascem inspirados na relação amorosa entre Erêndira e Ulisses. O romance é marcado por paixões avassaladoras, reveladas por García Márquez a partir de quando Erêndira, acidentalmente, derruba um candelabro e causa um incêndio que destrói a casa em que mora com a avó. Esta considera Erêndira culpada e a obriga a se prostituir para pagar pelo estrago.

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Cantando e tocando viola caipira e violão, o Duo Aduar se entrega à brasilidade através de uma extraordinária confecção musical que embala a trama do escritor colombiano em acordes e ponteados e em cantorias em duos e solos afinados. Coisa boa de se ouvir!

Diz Gabriel: “Os ritmos e os timbres da viola e do violão que utilizamos para gravar são muito importantes para dar essa cara regional”. E Thobias segue: “Nosso trabalho é tocar em temas mais universais (…) usando uma forte referência no regional, apesar de não sermos uma dupla caipira”.

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Um Outro Vento (Prólogo): abrindo a tampa, violões e violas ponteiam, para logo o duo vir com vozes abertas em terças. A seguir, um uníssono oitavado antecede a volta das terças. A harmonia das cordas faz irrestrita referência ao universo musical interiorano.

Coração Pueril: o violão harmoniza e a viola ponteia a moda. Intercalando intervenções, os instrumentos realçam com delicadeza o drama das personagens.

Retirada: o Duo Aduar vocaliza a dramaticidade da situação em que Erêndira se encontra, após ser seduzida por Ulisses. Ela foge; a prostituição fica para trás, mas não a abandona. Arritmo e belos vêm o canto e as cordas do duo. A moda volta ao ritmo e traz consigo a dor de uma cruel desesperança.

Carvão do amor tem uma breve intro de violão e viola a anteceder o canto que traz as incertezas de Erêndira. Solando com voz bonita, um dos violeiros tange suas cordas e, em sofrida analogia, canta o amor que abrasa feito carvão em fogo, mas que logo vira cinzas. Belo momento cantado e tocado pelo Aduar.

Para Gabo tem a viola caipira e o violão prestando tributo a Gabriel García Márquez. Um tema instrumental no qual o duo acrescenta à composição a sonoridade de um bem-vindo acordeom tocado por Gabriel Guedes.

Do princípio ao verbo: com razoamento, o Duo Aduar contesta o amor:O amor é como o vento/ Leva e traz de tudo o que há/ Invade o teu silêncio/ (…) E dança sobre os escombros/ Brinda teus desejos/ Confunde teus sentidos num olhar (…)”.

E foi assim que os rapazes nos deram um CD cosmopolita.

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Eis um álbum fascinante https://canalmynews.com.br/coluna-do-aquiles/eis-um-album-fascinante/ Thu, 19 Dec 2024 16:58:14 +0000 https://localhost:8000/?p=49517 Trabalho independente do violonista, compositor e cantor Marcelo Menezes traz canções de samba da mais alta estirpe harmônica e melódica

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Hoje trataremos de Lamentos (clique neste link para ouvir), álbum independente do violonista, compositor e cantor Marcelo Menezes. Neste trabalho, MM reuniu onze parcerias suas com Paulo César Pinheiro: canções de samba da mais alta estirpe harmônica e melódica, encorpados pela verve do poeta. Todos criados em tom menor, a retratar o que de melhor o gênero pode nos apresentar.

Lamentos tem o dom de ser um tributo à beleza que caracteriza esse tipo de samba. Ainda mais quando tocados pelo que há de mais característico em sua instrumentação tradicional, razão maior de sua magnificência. Neste caso, violão de seis cordas (Maurício Carrilho, ele que também é diretor musical e arranjador do disco), violão de sete cordas (Edmilson Capelupi), cavaquinho (Lucas Arantes), surdo, tamborim, ganzá, pandeiro e reco-reco (divididos entre Paulino Dias, Alfredo Castro e Rafael Toledo). Cito algumas.

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A tampa abre com Uma aflição (Marcelo Menezes e Paulo César Pinheiro), um samba que remete a outros igualmente memoráveis de antanho e da atualidade, quando tanto lá quanto cá se mostraram emocionantes. O arranjo aumenta sua beleza rara. MM canta afinado os versos do parceiro: Pr’um coração/ Aprender como se faz pra amar/ Uma ilusão/ É bastante pra se começar (…).

Logo na segunda faixa, Formiga e cigarra, ao dividir os versos com personalidade, MM se revela verdadeiro bamba do samba: (…) Formiga que segue cigarra, pode crer/ No início da quarta estação vai se perder/ Andorinha é quem lhe traz cada verão (…).

Tromba d’água revela o clarinete de Nailor Proveta ao lado do time citado no início. MM canta bonito os versos Pra acabar com toda a mágoa/ Que provém do mal de amor/ Meu samba vai ser a tromba d’água/ Que vai levar a dor (…).

Intriga vem quente pela força do trombone de Sergio Coelho. A prosódia do poeta se encaixa à perfeição na melodia, o que dá ainda mais valor aos seus versos, realçados pela voz macia de MM: (…) Sua presença não dá mais alegria/ Com esse seu proceder/ Alguém também vai poder/ Falar mal de você, um dia.

Maria Martha traz sua bela voz para ajudar MM a seduzir o ouvinte. Momento emocionante do CD que conta novamente com o clarinete de Nailor Proveta.

Trocando de mão anota a presença especial do sempre belo e competente piano de Cristovão Bastos. Com a mixagem eficiente de Mário Gil encaixando-o entre as cordas dos violões e do cavaquinho, o samba ganha sonoridade única.

Toninho Carrasqueira e sua flauta estão presentes novamente em Água na fervura. A beleza da melodia concebida por MM é show de bola! Os ritmistas arrasam!

“Areia, areia/ Amor que vadeia/ vai virar areia”, o refrão contagiante de “Castelo de Areia”, incrementa o canto de MM.

Não dá não é a hora em que o samba de Marcelo Menezes e Paulinho Pinheiro recebe o som de um duo de flauta (Carrasqueira) e clarinete (Proveta), e fecham a tampa de Lamentos – um álbum fascinante!

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O festival dos festivais https://canalmynews.com.br/coluna-do-aquiles/o-festival-dos-festivais/ Sat, 14 Dec 2024 15:24:20 +0000 https://localhost:8000/?p=49354 Na coluna desta semana, conto um pouco da minha experiência no Festival Choro Jazz, evento que tive o prazer de ir, a convite de Antonio Ivan Capucho

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Eis que na primeira segunda-feira de dezembro, Nilza e eu estávamos num avião no prumo de Jericoacoara (CE). Viajamos a convite de Antonio Ivan Capucho, idealizador e curador do Festival Choro Jazz. Já em sua 15ª edição, com patrocínio da Petrobras, o evento tornou-se itinerante, reunindo músicos de várias partes do Brasil e do mundo para participarem de shows e oficinas em Soure, na Ilha do Marajó–PA; no Crato, no Cariri; em Fortaleza, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura; e em Jeri.

Nossa segunda vez em Jeri: a primeira foi há exatos dez anos. À época, todos os músicos convidados descemos no aeroporto de Fortaleza, onde um ônibus nos aguardava para viajarmos até o município de Jijoca de Jericoacoara. Lá nos dividimos em caminhonetes 4×4, capazes de cruzar o Parque Nacional de Jeri. Anoitecia. Guiadas por conhecedores da região, as jardineiras subiam e desciam as dunas nos faziam sentir como aventureiros a sacolejar, sem entender direito como os motoristas se orientavam para cruzar o caminho, já que era tudo “apenas” areia no chão e estrelas no céu. Chegando em Jeri… vento, muito vento! Foi inevitável constatar: é aqui que o vento faz a curva.

Leia mais: Almas musicais

Em 2024, pousamos direto no aeroporto de Cruz, município próximo de Jijoca, quando um carro 4×4 conduziu a gente e o violonista Lula Galvão por 35km, até a Vila de Jericoacoara. Chegamos!

A cada dia, de terça a domingo (de 03 a 08/12), foram três shows na praça. Durante o dia rolavam as oficinas para os jovens da comunidade e os que vieram de outras cidades, inclusive do exterior. Tudo grátis!

Leia mais: Eterno independente

Todas as noites, sentávamos em frente ao palco na pracinha de Jeri. Logo na primeira, vieram ao palco o contrabaixista Jorge Helder e o violonista Lula Galvão, que tocaram de Villa-Lobos a Pixinguinha. Até que no domingo rolou a homenagem do festival a Lia de Itamaracá, que realizou um show que consagrou a ciranda, gênero tipicamente nordestino.

Na oficina de choro do violonista Maurício Carrilho, eu o ouvi dando dicas a Amélia, uma menininha clarinetista de Jijoca. Carrilho a instigava a tocar um choro do Jacob… sua lição de casa. Amélia deu o melhor de si. E dois dias depois, lá estava ela assistindo ao show de O Trio, grupo formado por seu professor Carrilho no violão de sete, Pedro Amorim no bandolim e Paulo Sérgio Santos no clarinete. Ao final, Amélia subiu num banco e aplaudiu de pé. Tive vontade de subir na cadeira e me juntar a ela… melhor não, pensei.

Leia mais: O clarone é o protagonista

Sob às bençãos de Jeri, músicos curtiram os colegas que tocavam. A plateia os ouvia e todos se entreouviam, em irreprimível sintonia libertária e democrática. O Festival Choro Jazz concluia sua missão de levar cultura e música a todos.

P.S.: Saúdo os realizadores Antonio Ivan Capucho (idealizador e curador do Festival), Aline de Moraes (produtora da Iracema Cultural), Pedrinho Figueiredo (som), Pedro Altman (luz) e Dalwton Moura (assessor de imprensa).

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Almas musicais https://canalmynews.com.br/mais/almas-musicais/ Fri, 06 Dec 2024 17:59:52 +0000 https://localhost:8000/?p=49159 Álbum de João Tostes e Vinícius Vivas, 'Ukulele harmonies live in Niterói', traz repertório plural e sonoridade que vibra em uma espécie de catarse mântrica

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Após comentar o álbum Clarone no choro, do Sérgio Albach, na coluna da semana retrasada, hoje trataremos de outro que também me chamou a atenção: Ukulele harmonies live in Niterói (clique neste link para ouvir), de produção independente, gravado por João Tostes e Vinícius Vivas.

Primeiro, fiz contato com o Tostes e perguntei: “O que o levou a fazer do ukulele um instrumento pra chamar de seu? A afinação? A beleza do som?”.

Ele respondeu: “O som da afinação reentrante do ukulele é encantador e, juntamente com os resultados positivos que obtive tanto nas questões educacionais quanto nas artísticas, o ukulele passou a ser meu instrumento principal (…)”.

Leia mais: Eterno independente

O CD tem João Tostes (ukulele tenor) e Vinícius Vivas (ukulele tenor, ukulele barítono e ubass), mais o convidado Leandro Donato (ukulele tenor e ubass). Produção musical, executiva e direção musical couberam a João Tostes, já os arranjos são todos dele e de Vivas.

E assim o show começa. O lindo Teatro Municipal de Niterói ferve, entusiasmado com os instrumentos que ouve. A sonoridade dos ukuleles vibra numa catarse meio mântrica que a todos incita pelo imprevisível.

Timbres e texturas saltam no ar – a gravação capta a atmosfera do palco. Uma integração absoluta é sentida a cada arpejo. A cada acorde, é como se o mundo se enchesse de opções harmônicas. E as salas (do Theatro e a minha) vibram na frequência das cordas que fluem pelas mãos dos uquelelistas. O repertório plural tem títulos originais, clássicos brasileiros, internacionais e temas marcantes do ukulele. Eis alguns.

Maria Madalena (João Tostes): o tema é delicado, a sonoridade é única, a empatia é imediata. Improvisos realçam a magia dos instrumentos nas mãos de Tostes e Vivas, eles que protagonizam esta e as próximas quatro músicas.

Piano forte (Jake Shimabukuro): os instrumentos dialogam. Francamente solidários, demonstram afinidade musical, virtuosa e sincera. O dedilhado das cordas enseja a vibração harmônica do tema.

Xote sem rumo (Felipe Moreira e João Tostes): os instrumentistas estimulam a plateia a cantar o refrão. Ukulele e coro clarificam o congraçamento que, àquela altura, voa no ar.

Téma pro Ben (Diogo Fernandes e João Tostes): o suingue molda o tema. Como experientes timoneiros, Tostes e Vivas levam a nau por mares seguros.

Marakatuke (Diogo Fernandes e João Tostes): o som rola ainda mais convincente. A sonoridade é única, a tessitura, esplêndida, bem como contagiante é a melodia. Os meninos sabem como fazer de seus instrumentos um porto seguro para quem os ouve tocar, o que fazem como poucos, pioneiros que são.

She’s leaving home (Lennon e MacCartney): a empatia com a plateia segue franca. Vinícius Vivas sola no seu ukulele.

Embalados pelo virtuosismo, a dupla carrega nas mãos a magia que povoa suas almas musicais. Com elas conquistam o publico e se impõem diante do mercado musical atual.

Aquiles Rique Reis

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Eterno independente https://canalmynews.com.br/coluna-do-aquiles/eterno-independente-ate-quando/ Fri, 29 Nov 2024 19:20:50 +0000 https://localhost:8000/?p=48997 Novo álbum de Sidney Mattos, 'Perfil' deveria ser levado às crianças em escolas, que o ouviriam como um recado de como reagir em tempos de dificuldade

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Hoje trataremos de Perfil (clique neste link para ouvir), o novo álbum independente de Sidney Mattos. Logo de cara, veio-me a certeza que tenho, desde sempre, sobre este compositor egresso do Movimento Artístico Universitário (MAU), integrado por grandes nomes da música brasileira: Ivan Lins, Gonzaguinha e Aldir Blanc, dentre outros.

Mattos é um craque da composição! E não só: é um batalhador dos bons combates, seja pela música e seus direitos, seja pela defesa da Democracia.

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Em 2016, comentei o seu álbum autoral Eu Sou Assim no texto “Independente! Mas dependente de quem o ouça”. Sobre ele escrevi: “Talvez você nunca tenha ouvido falar de Sidney Mattos, leitor. Pior: talvez você nunca venha a escutá-lo – assim é o mercado da música brasileira atual. Essa é a batalha de centenas de bons músicos que tentam chegar aos ouvidos de quem poderia lhes dar a devida consideração”.

Permitam-me um aparte. A minha indignação ao ouvir e escrever sobre cada álbum de Mattos que me chegou à mão nos últimos anos, todos da mais alta qualidade, tem a mesma medida da repulsa a outro fato inequívoco: há um contingente de grandes músicos que segue invisível aos olhos do grande público. Movido muitas vezes por motivos inconfessáveis, o mercado costuma “ignorar” o nome de veteranos e jovens valores, submetendo-os a um gueto perverso. Privando o público de perceber que há, sim, algo novo, e bom, acontecendo na música brasileira, hoje e sempre!

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Mattos é um músico atilado. Isso é ouvido com clareza em Perfil, álbum que gravou com o pianista João Carlos Coutinho. Os dois passam ao ouvinte a sensação de estarem convictos da qualidade musical do trabalho que criaram… emociona a dignidade com que se dão à música.

Mas vamos a Perfil: com diversos parceiros, Mattos compôs doze músicas, as quais gravou com rara sensibilidade ao lado de João Coutinho. Cada arranjo leva uma surpresa, seja pelas melodias envoltas em harmonias modernas, seja pelas letras musicadas em gêneros díspares – quer venham embaladas pelo piano ou pela sanfona e pelo teclado de Coutinho. Além da voz e dos efeitos de Mattos, somados aqui e ali à flauta de Fernando Trocado, à voz e ao assovio de Vitor Barros e ao baixo de Flávio Pereira, tudo soa com sabor de bem-vinda atualidade.

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Finda a audição, fica a sensação de que os três, mais João Coutinho, compartilharam com Mattos os seus ofícios e, a partir deles, o “eterno” independente Sidney Mattos multiplicou sua música com profundidade e síntese. Admiro Mattos por vê-lo altivo, amor-próprio à flor da pele, junto a músicos que, como ele, buscam denodadamente se fazer ouvir. E vale a pena, viu! Ah, se vale!

Perfil é um trabalho que deveria ser levado às crianças em escolas, que o ouviriam como um recado de como criar, na dificuldade, a oportunidade de reagir e, crendo em si, levantar a cabeça e dizer: eu posso!

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O clarone é o protagonista https://canalmynews.com.br/coluna-do-aquiles/o-clarone-e-o-protagonista/ Fri, 22 Nov 2024 15:00:42 +0000 https://localhost:8000/?p=48785 Álbum dirigido pelo compositor Sérgio Albach, que reúne a obra de diversos artistas, inclusive do próprio, é um trabalho pioneiro na música instrumental

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Eu que curto a profundidade encorpada do som de um clarone, que agasalha corpos e almas, deparei-me na internet com um álbum que me tocou. Lançado em 2024, Clarone no choro 2 – Novas mídias (clique neste link para ouvir), de produção independente, é um trabalho pioneiro na música instrumental. O número um é de 2018. Sabe-se de um concerto solo para clarone, do tcheco Josef Horák (1931-2005), em 1955. Contatei o claronista, maestro, diretor musical e compositor Sérgio Albach e pedi que me enviasse o material do seu disco. Assim, hoje falaremos de um álbum histórico. Ei-lo.

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No samba-choro Bailando ao luar (Edu Neves) o pandeiro arrepia. Logo o clarone brilha com ele. E o couro come. O sete vem com o ritmo. O clarone dá show. Surge o bandolim que com ele toca em duo. Segue-se um instigante improviso do clarone.

Cigana do Guatambu (Pedro Paes): o pandeiro marca o maxixe. O clarone soa. Os dois seguem arritmo. Vem o ritmo e o clarone oferece o seu grave. O sete cordas dedilha o tema. O bandolim o ampara. O clarone retoma o proscênio.

Sempre juntos (Gilson Peranzzetta): no choro lento, o sete se ajunta ao clarone para darem vida ao tema criado pelo talento de Peranzzetta. Logo o violão improvisa e o clarone sola bonito.

Valsa viva (Alessandro Penezzi): Penezzi criou um tema que deu ao clarone e ao violão a oportunidade de fazerem valer suas aptidões. Os dois, mais o bandolim, se dão à valsa com paixão.

Na polca Porfiosa (Lucas Melo), os caras sentem o que tocam, conhecem suas nuances e suas origens. Nada é de graça, a tudo dão o valor que merece o trabalho musicalmente necessário.

Desviando (Léa Freire): o violão inicia o choro. O clarone vem pungente. O sete o acompanha. O tema da Léa é belo! O clarone o trata como a um filho e, com o violão, leva ao final.

GS (Sérgio Albach): a intro vem com o clarone e o pandeiro. O tema do Albach é uma aula que faz do clarone o protagonista de um choro soberbo – tudo flui com eles.

No xote Chora, clarone! (Cláudio Menandro), a melodia é bonita como quê. O clarone chora suas notas, acompanhado por bandolim e violão que se ajuntam a elas.

Frevo furado (Sérgio Albach): o quinteto vem com tudo e o frevo ferve. O clarone se esbalda. Uma sequência de fraseados impulsiona a atmosfera do tema. Os violões e o bandolim não deixam barato, rolam no passo.

Vila Real (Daniel Migliavacca): clarone e bandolim iniciam a valsa. Logo Sérgio Albach reconduz seu clarone à ribalta e conduz ao céu o som profundo que renasceu para somar encantos. Bandolim e clarone dividem frases uníssonas e sinceras. A delicadeza impera. Meu Deus!

Ficha técnica: Sérgio Albach: clarone; Daniel Migliavacca: bandolim e cavaquinho; Gustavo Moro: violão; Lucas Melo: violão de sete; Ricardo Salmazo: pandeiro. Direção musical e arranjos: Daniel Migliavacca; direção e captação de imagens: Alan Raffo.

Aquiles Rique Reis

Nossos protetores nunca desistem de nós.

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Um grande compositor https://canalmynews.com.br/coluna-do-aquiles/um-grande-compositor-do-samba-paulista/ Sat, 16 Nov 2024 16:08:12 +0000 https://localhost:8000/?p=48569 Novo álbum de Roberto Riberti, produzido entre 2012 e 2023, conta com parcerias de Elton Medeiros, Nelson Cavaquinho e Paulo Vanzolini

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Hoje vamos de Estrela é o samba (clique neste link para ouvir), de produção independente, o quinto álbum do bamba Roberto Riberti, parceiro de Eduardo Gudin no icônico samba Velho ateu (1978). Com parcerias com Elton Medeiros, Nelson Cavaquinho e Paulo Vanzolini, compostas entre 2012 e 2023 (sim, o trabalho foi gestado ao longo dos últimos onze anos), o disco é uma ode ao ofício deste compositor paulistano.

O até aqui inédito Túmulo do samba (Roberto Riberti) abre a tampa, com a participação do saudoso cantor Germano Mathias (1934–2023). Com bom humor, Mathias e Riberti se entregam aos versos iniciais, encaixados na melodia sem muito cuidado com a prosódia. Para logo, ao se referir a frase atribuída a Vinícius de Moraes, “São Paulo é o túmulo do samba”, Riberti mandar na lata: “(…) Entrei no cemitério da Consolação/ Eu fui procurar o ‘túmulo do samba’/ Queria rezar no túmulo do samba/ Como não encontrei, saí, peguei o primeiro busão/ (…) Só sei que acordei sambando no Bar do Alemão (…)”.

Com arranjo que privilegia a instrumentação característica do samba, o couro come com violões de seis cordas (Serginho Arruda e Paulinho Grassmann) e sete cordas (Wesley Vasconcelos), mais o clarinete de Alexandre Ribeiro, os cavaquinhos de lado Silva e Getúlio Ribeiro, a flauta e o bandolim de Pratinha Saraiva, incrementados pelo ritmo aceso do pandeiro (Barão do Pandeiro), da frigideira e da cuíca (Osvaldinho da Cuíca), do tamborim, do agogô e do caxixi (Jorginho Cebion), e pela clássica timbatera* de João Parahyba. Show de bola! Creiam, Vinícius adoraria ouvir!

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Todo mundo me diz (Roberto Riberti e Paulo Vanzolini): aqui eu me vi voltando no tempo. Mais precisamente para 2012, quando o nosso saudoso Magro fez o arranjo vocal para este samba inédito até hoje. Ouvir esta gravação teve sabor especial, já que o Magro está presente em nosso pensamento neste momento em que comemoramos 60 anos do MPB4. Riberti criou a melodia para a letra que Vanzolini escreveu nos anos 1940: “Dinheiro e posição pra mim não valem nada/ Quero mulher, bebida e madrugada/ Pois se a carne é fraca o vício é mais forte/ Deixar a boemia antes a morte!”. Para cantá-los, fomos a eles como se não houvesse amanhã. E o Magro trouxe para o arranjo uma marca registrada dos Demônios da Garoa. Basicamente, o instrumental está a cargo dos mesmos músicos citados acima. Luxo só!

Há tempos sem gravar, Roberto Riberti nos trouxe sambas memoráveis gravados com o rigor musical necessário para que viessem a público, cantados com carinho por seus amigos e bem tocados por instrumentistas que com ele estiveram e com ele criaram os arranjos. Dá gosto saber que este compositor paulistano está aí para quem quiser admirá-lo e aplaudi-lo – o que faço agora no momento em que finalizo este comentário.

*Timba (tambora) deitada no chão, usada como batera.

Aquiles Rique Reis

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A força e a fé de Vicente Barreto https://canalmynews.com.br/coluna-do-aquiles/a-forca-e-a-fe-de-vicente-barreto/ Fri, 08 Nov 2024 21:55:18 +0000 https://localhost:8000/?p=48398 Percussões e arranjos são as marcas registradas do 13º álbum autoral do cantor e compositor baiano, feito em parceria com artistas como Alceu Valença

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Hoje falaremos de Na força e na fé (clique neste link para ouvir), produzido pela gravadora Saravá Discos, o 13º álbum autoral de Vicente Barreto. Ali, o baiano de Serrinha teve sua história de vida delineada em prosa e verso pelos parceiros Sonekka, Renato Teixeira, Alceu Valença, Zeh Rocha, Chico César e Zeca Baleiro, que com ele dividiram o novo trabalho. Eis algumas.

Na força e na fé (Vicente Barreto e Sonekka): o baião vem na voz inequívoca de Vicente, que entoa os versos de um grande compositor com lugar guardado entre os grandes. Embora ainda não seja devidamente reconhecido, Sonekka sabe expor sua verve firme, liberta e sem parti pris: “(…) Foi no tumulto e confusão/ Que o tabaréu se assossegou/ Soprei canção no violão/ E aqui eu encontrei o amor”. Rafa Barreto, produtor do disco e o cérebro das inovações harmônicas e instrumentais, impõe seu talento e refresca xotes e baiões com arranjos em que palpitam seus instrumentos, tais como guitarras, synth, contrabaixo, samples e efeitos, tudo em meio à zabumba e ao ganzá de Guegué Medeiros, mais o triângulo e o agogô de Rafael Beibi. E assim a tampa do álbum abre com o suingue que Barretinho tem em si.

Êh flor (Vicente Barreto e Zeca Baleiro): VB e Baleiro aprontam esta beleza que Vicente canta como se os versos, tão autobiográficos e emocionantes, fossem dele, não de ZB: “(…) Ouvi um dia a mãe dizer meu filho/ O mundo é um caroço de feijão/ A dor de todo mundo é a mesma dor/ Da solidão (…)”. O violão de VB traz o xote. Lá estão o contrabaixo de Zé Nigro, as percussões de Alice Vaz (zabumba e agogô), de Beatriz Da Matta (shaker, reco e triângulo) e a batera de Thiago “Big” Rabello. Tudo flui, tudo é encantamento, tudo história de vida de Vicente Barreto, ele que, como poucos, segue firme no propósito de mostrar ao mundo a sua força de compor, cantar e viver de seu ofício.

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Ilusão retada (VB e Chico César): a sanfona de Mestrinho e a percussão trazem o canto de Barretinho: “(…) Serrinha ficou parada/ É o moço, ê emoção/ Casou-se minha namorada/ Cadê minha mãe, meu pai/ Meus irmãos, meus camaradas/ É tudo recordação (…)”. Em duo, Chico César e Vicente cantam em terças. Logo, Chico assume o canto e leva o xote à frente – dá pinta de ser mais um sucesso! Percussões e baixo se somam ao violão de seis de Barreto e ao de 12 de Chico, e arrasam.

Só eu e o sol (VB e Sonekka): fechando a tampa, a parceria recente volta à luz: “(…) Simbora pro mar, melhor/ Deixar desses cafundó/ Quem sabe por lá, o amor/ Pra não ser mais só eu, eu só/ Pra não ser mais só eu e o sol”. E para tanto, lá está de volta o talento de Rafa Barreto, que é filho de Vicente – pronto, falei!

As percussões, e os arranjos, são as marcas registradas deste novo trabalho de Vicente Barreto: juntos, enfatizaram sua voz e seu violão, bem como dão asas às palavras dos parceiros ali presentes.

Aquiles Rique Reis

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Um trabalho arrebatador https://canalmynews.com.br/coluna-do-aquiles/um-trabalho-arrebatador/ Fri, 01 Nov 2024 13:55:13 +0000 https://localhost:8000/?p=48147 Na coluna desta semana, discorro sobre o novo álbum de Vitor Ramil, que contempla seleção primorosa dos poemas de Paulo Leminski (1944-1989)

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Hoje falaremos do álbum Vitor Ramil (músicas) Mantra Concreto Paulo Leminski (poemas) (clique neste link para ouvir), produzido pela gravadora Satolep Music. Ao selecionar primorosamente alguns poemas de Paulo Leminski (1944-1989), cobrindo-os de música, a sina desbravadora de Vitor novamente aflorou. Eis algumas delas.

De repente (Vitor Ramil e Paulo Leminski): o synth bass (Edu Martins) pulsa intenso. O violão de aço de Vitor marca o tempo com poucos acordes que se repetem. E vem a percussão (Alexandre Fonseca). Com ela, a voz de Leminski: “(…) Tenho a impressão/ Que já disse tudo./ E tudo foi tão de repente/ (…) A música é o destino natural do ser humano (…)”. A surpresa do inusitado devolve as palavras do poeta à realidade com pujança plena.

Amar você (Ramil e Leminski): a tabla (Alexandre Fonseca) vem com o violão de Vitor, que canta: “Amar você é coisa de minutos/ A morte é menos que teu beijo (…)”. A percussão (Alexandre Fonseca) é delicada, consistente. A tabla protagoniza o arranjo. Com ela, a poesia ganha ainda mais significações.

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Profissão de febre (Ramil e Leminski): o violão de Vitor dedilha notas, enquanto aguarda que ele cante: “Quando chove,/ Eu chovo/ Eu faço,/ De noite,/ Anoiteço (…)”. A melodia que emoldura o propósito dos versos na canção é linda! Ainda mais por estar acompanhada de um baixo acústico com arco (Edu Martins).

Será quase (Ramil e Leminski): a kalimba (Santiago Vazquez) e o violão de Vitor iniciam. Ele canta suave: “Um dia sobre nós também/ Vai cair o esquecimento/ Como a chuva no telhado/ E sermos esquecidos/ Será quase a felicidade”. Num belo intermezzo, a kalimba sola com um toque mágico.

Uma carta uma brasa através (Ramil e Leminski): violão (Vitor Ramil), synth bass (Edu Martins) e percussão (Alexandre Fonseca) iniciam. Vitor canta bonito: “(…) Uma sílaba/ Um soluço/ Um sim/ Um não/ Um ai/ Sinais dizendo nós/ Quando não estamos mais”.

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Minifesto (VR e PL): Vitor entoa: “(…) Viva e morra este dia/ Metal, vil,/ Surdo, cego e mudo. (…)”. A batera e a percussão (Alexandre Fonseca), somadas à guitarra de Toninho Horta, o acompanham com firme precisão. A guitarra improvisa. Vitor volta; Toninho vem. Ouve-se a voz de Leminski repetindo uma palavra em loop… meu Deus!

Caricatura (VR e PL): o violão de Vitor e a percussão (Alexandre Fonseca) antecedem a entrada do cantor – a cada música ele canta sempre melhor; agudos e falsetes afinados que só: “(…) Tudo, tudo, tudo,/ Não passa de caricatura/ De você, minha amargura/ De ver que viver não tem cura”. Sampleados da BBC, tímpanos, bumbo e pratos sinfônicos ajuntam-se ao synth bass (Edu Martins) e criam a sintonia perfeita com a poesia musicada.

Vitor Ramil buscou em Paulo Leminski o conteúdo para a criação consagradora de Mantra concreto. Ser ouvida é o ofício desta obra existencial que aqui cumpre o sagrado papel de assim ser.

Aquiles Rique Reis

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Filipe Catto traz Gal em si https://canalmynews.com.br/coluna-do-aquiles/filipe-catto-traz-gal-em-si/ Fri, 25 Oct 2024 20:50:24 +0000 https://localhost:8000/?p=47954 Pus-me a conhecer nesta semana 'Belezas são coisas acesas por dentro', álbum que reúne as duas grandes cantoras sob uma única emoção

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Eu já ouvira Filipe Catto cantar. Impressionou-me sua voz. Mas foram audições ocasionais. Eis que o amigo Ciro Barcelos me mandou o áudio da Catto cantando algumas músicas de Gal Costa. O choque foi instantâneo: pus-me a conhecer Belezas são coisas acesas por dentro (clique neste link para ouvir), álbum produzido pela gravadora Editsy, que reúne as duas grandes cantoras sob uma única emoção.

No release, lê-se que Catto ainda titubeou um pouco antes de mergulhar no projeto. Mas logo sacou ser uma missão que não se recusa, cumpre-se! Foi com tudo. Primeiro, apresentações em unidades do Sesc Paulista, quando ela e Gal se grudaram espiritualmente, tornando-se um só corpo, uma só voz. Coisas que bolem por dentro, faiscando em busca de luz, devem ser libertas.

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E Filipe Catto deu-se ao roquenrrol (nada tão Gal Costa) com o fervor que só sua voz hipnótica pode dar, o que, até aqui, só Assucena atingiu de forma tão igualmente sedutora e bela.

Com o repertório gravado vibrando à sua frente, Catto intuiu o dia em que ele viria à luz: 26 de setembro de 2024, data em que ela e Gal aniversariam.

Belezas São Coisas Acesas Por Dentro é um álbum coletivo. Para germinar a sua estética musical, Catto trouxe com ela gente que comunga a intenção de fazer da música algo que mexa com o corpo tanto quanto com o sentimento: tentações e amores paridos da alma.

Lágrimas negras (Jorge Mautner e Nelson Jacobina), arritmo, envolta em reverber, Catto vem toda.

Tigresa (Caetano) arrepia com guitarra e voz.

Joia (Caetano) / Oração da Mãe Menininha (Dorival Caymmi): guitarra dedilhada e a voz arritmo, afetuosa e dobrada, clamam à Mãe.

Esotérico (Gilberto Gil): amparada pela harmonia, a voz de Catto vem afinada.

Negro amor (Bob Dylan, versão Caetano e Péricles Cavalcanti) soa emprenhada de pegada roqueira e arrasa.

Nada mais (Steve Wonder, versão Ronaldo Bastos) rola solta, com Catto se entregando à letra envolta novamente em reverber – o recurso, talvez, soa excessivo.

Sem medo, nem esperança (Arthur Nogueira e Antonio Cícero): o couro come na voz pródiga da moça.

Vaca profana é o rock invadindo a canção de Caetano.

Jabitacá (Bactéria, Lirinha e Junio Barreto) dá a Catto o poder de realçar sua persona musical, bela!

E, por fim, Vapor barato (Jards Macalé e Waly Salomão) é pura luz.

Ah, baby, apaixonado, íntegro, teu cantar despreza soslaios, vai direto à essência do ouvinte. Ele se põe a teus pés, cativado pela sinceridade de um ser humano inequivocamente abençoado por deusas todas e por deuses todos… já nem sei mais onde encontrar palavras, tamanha a admiração por tua fortaleza.

Aquiles Rique Reis

Nossos protetores nunca desistem de nós.

Ficha técnica:

Produção musical: Filipe Catto e Fabio Pinczowski; arranjos: Catto, Gabriel Mayall, Fabio Pinczowski e Michelle Abu; voz, guitarra e Sruti Box: Catto; baixo: Gabriel Mayall; bateria e percussão: Michelle Abu; guitarras e voz: Fabio Pinczowski.

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Salve Luiz Carlos da Vila https://canalmynews.com.br/coluna-do-aquiles/salve-luiz-carlos-da-vila/ Thu, 17 Oct 2024 18:26:53 +0000 https://localhost:8000/?p=47673 Em álbum de produção independente, Cláudio Jorge e Augusto Martins trazem 12 músicas inéditas do compositor carioca que se tornou um lírico poeta do samba

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Emocionadamente, hoje vamos de Coisas guardadas pra te dar – Luiz Carlos da Vila Inédito – Cláudio Jorge e Augusto Martins (clique neste link para ouvir), de produção independente. Eis algumas das 12 músicas do álbum.

Outras bandas (Luiz Carlos da Vila), samba com letra malandrinha, cantado e levado pelo violão de Claudio Jorge com um improviso esperto, abre a tampa. Tocando violão e dando um recado bem-humorado, Da Vila enviou a música numa fita para Augusto. Dela foram sacados o seu violão e a sua voz, manipulados com ajuda da inteligência artificial.

Em meio a samba-enredo e partido alto, passando por samba de quadra, pelos chamados sambas de “meio de ano” e MPB, bem como por alguns sambas clássicos, encontramos No meio da ponte (Celso Viáfora e LCV), uma linda canção. A guitarra de Cláudio, ele que fez todos os arranjos do CD, conduz a harmonia de Viáfora. A letra de Da Vila traz belas imagens, cantadas em duo por Augusto e Cláudio. O tamborim de Cláudio e o ganzá de Augusto somam-se à guitarra e, na segunda parte, se dão a um samba lento. Belo momento!

Leia mais: Um álbum instrumental da mais alta qualidade

Pipa voada (Moacyr Luz e Luiz Carlos da Vila) traz o subúrbio à luz. As pipas que no céu de cruzam e se afastam, numa alegoria sobre um amor acabado, estão neste samba com o jeitão carioca de Moacyr Luz. O violão e o tamborim de Cláudio vêm somados ao pandeiro de Augusto e sob os auspícios das vozes da dupla.

O samba jazz A regra do jogo (Miltinho–MPB4, Sergio Farias e Luiz Carlos da Vila) soa pela voz e, desta vez, pela guitarra de Cláudio Jorge. A boa letra de LCV se encaixa sob medida na composição. Complementam a levada o pandeiro e o caxixi de Augusto Martins e o tamborim de Cláudio – além da gaita de Israel Meirelles, cuja escolha como solista fez dela a cereja do bolo do arranjo de Cláudio.

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Eu vim pra te amar (Cláudio Jorge e Luiz Carlos da Vila) é uma valsa (a criatividade dupla não tem limitações) na qual Cláudio Jorge produziu a cama para Da Vila “viajar” em referências poéticas. O violão abre. Em sua beleza, a valsa ecoa luminosa, num álbum já pleno de riquezas guardadas há tempos pelo gigante Luiz Carlos das Vilas – saudades! Mas porquê “Das Vilas”? Explico: morador de Vila Isabel, LCV passou a visitar a Vila Mariana, em São Paulo, onde eu morava; lá nos reencontramos e “bebemoramos”, daí…

Pagode de mesa (Luiz Carlos da Vila): depois de palmas de mão, vêm os improvisos citando fatos históricos. Ora, já que logo a tampa do álbum fechará, faço questão de frisar que o texto do jornalista Hugo Sukman (ele que, além de gravar a locução deste pagode, descreveu todas as faixas de Coisas guardadas pra te dar – Luiz Carlos da Vila Inédito – Cláudio Jorge e Augusto Martins) serviu-me de base para anotar este texto-exaltação ao samba e aos sambistas brasileiros, na pessoa do saudoso Luiz Carlos da(s) Vila(s).

Aquiles Rique Reis

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PS.: Quando crescer, quero escrever ao menos parecido com Hugo Sukman.

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Um instrumental de qualidade https://canalmynews.com.br/coluna-do-aquiles/um-album-instrumental-da-mais-alta-qualidade/ Fri, 11 Oct 2024 18:24:43 +0000 https://localhost:8000/?p=47539 De produção independente, 'Sonhando o Brasil' traz um compilado de músicas produzidas por Ricardo Herz, Fábio Leandro (piano) e Pedro Ito (batera e percussão)

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Hoje daremos atenção a Sonhando o Brasil (clique neste link para ouvir), álbum de produção independente de Ricardo Herz com o trio que ele formou com Pedro Ito (batera e percussão) e Fábio Leandro (piano). Todas as músicas foram escritas por Ricardo Herz, bem como a concepção e os arranjos, estes com contribuições de Leandro e Ito.

A tampa abre com Coco embolado, que vem levantando poeira. Segue-se um intermezzo arritmo de violino e piano. Logo o coco volta a embalar. O piano se destaca num improviso, bem como a batera. Tacet, o violino os aguarda para voltar arritmo, mas logo ensandecendo e fazendo o couro voltar a comer! O piano toca notas soltas. A pisada arrefece. A batera vai leve, até o coco reacender o ritmo.

Leia mais: Um trabalho devotado à música

Em Afrosudamérica, o violino e a batera na caixa iniciam. Logo o piano e o violino se dão à melodia. A levada é lenta. A batera agora se vale de suas peças para apoiar o violino. Volta o piano em destaque, num improviso adequado à música. Aos poucos, o violino se achega a ele e à batera. O tema rola suingado. A batera se vale dos pratos para fechar o assunto. A dinâmica prevalece e, nos compassos restantes, encaminha o final.

Já em Melodiemonos, o piano abre, o violino vem a seguir. Arritma, a melodia é delicada. O violino sola, e a flauta em dó de Léa Freire lhe faz duo, mas logo dele se desgarra e protagoniza. O violino vem em seu apoio. A música que a todos ampara fez com que todos “melodiassem”.

Leia mais: O extraordinário Ordinarius

Na Siribobéia, o violino é destaque, no ritmo arisco. O piano o acompanha com um desenho que se repete. A batera segura a onda, o piano traz o improviso para si e os dois se entregam ao encanto rítmico e harmonioso da composição. O clima é megacriativo. Segue-se um vocalise da cantora Tatiana Parra, que a todos seduz. O piano retoma o desenho inicial. O violinista instiga e faz miséria com as cordas! O arranjo leva tudo, vozes (Parra e Herz) e instrumentos, a um tempo inspirado.

Com Sonhando o Brasil no frevo temos um violino formidável, tocando em pizzicato, em arranjo esperto. O violino segue. E, com o arrefecimento da pegada, a flauta baixo de Léa Freire pede passagem. Seu sopro aveludado impõe respeito e leva felicidade ao ouvinte. Agora com a flauta em dó, o esmero da instrumentista induz ao frevo, incrementado pelo pianista. A batera arrasa. O violino reassume o fervor do frevo e leva ao final.

Em Pé desliza, violino e piano soam em blocos sonoros aleatórios. O balanço contagia. Sabendo que, com esse arranjo, a tampa de Sonhando o Brasil logo fechará, o ouvinte põe-se em alerta máximo, pois nada poderia ter-lhe fugido aos ouvidos. Mas como, possivelmente, inúmeros detalhes poderão ter escapado dos ouvidos do ouvinte nas audições, há solução: o trabalho do trio de Ricardo Herz está nas plataformas de música para quem quiser dar-lhe tento e confirmar suas qualidades.

Aquiles Rique Reis

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Um trabalho devotado à música https://canalmynews.com.br/coluna-do-aquiles/um-trabalho-devotado-a-musica/ Fri, 04 Oct 2024 18:37:37 +0000 https://localhost:8000/?p=47349 Novo álbum de Anna Paes e Guinga traz 13 composições do músico brasileiro com muito violão e arranjos e a participação de oito parceiros

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Produzido pela gravadora Kuarup, Julieta no convés (clique neste link para ouvir), álbum de Anna Paes e Guinga com produção artística de Paulo Aragão, participações de Zé Miguel Wisnik, Nailor Proveta e Cristovão Bastos, traz 13 composições de Guinga com oito parceiros e conta com seu violão e seus arranjos.

Eis algumas músicas:

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Lundu da saudade (Guinga e Afonso Machado) tem a graça de um passarinho que busca amenizar a saudade de um amor distante. A voz delicada de Anna Paes se ajunta à voz sofrida de Guinga e, sob a benção do violão dele, homenageiam Nelson Cavaquinho num verso de Afonso: “(…) vem me contar nesta canção se mato ou morro, se é de flor ou é de espinho”.

Noite sobre noite (Guinga e Zé Miguel Wisnik) é um tema já gravado, por Guinga e as cordas do Quarteto Carlos Gomes, no álbum Avenida Atlântica (comentado aqui na coluna sob o título “Gênio detalhista”, em 2017). Hoje, Zé Miguel toca piano e canta com Anna Paes os versos que revelam uma conversa ao telefone.  A composição de Guinga, novamente nos remete a Villa-Lobos e Tom Jobim.

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A toada Suçuarana (Guinga e Paulo César Pinheiro), gravada pela cantora Cristina Santos nos anos 1980, quando foi composta, traz de volta o canto de Guinga e seu violão absoluto em belo arranjo. A letra do poeta, valendo-se de rimas com nome de seres que povoam as matas brasileiras (onça suçuarana, abelha africana e taturana, a larva de um inseto), compara-os à figura sedutora de uma mulher.

Egrégora (Guinga e Anna Paes), outra toada, esta composta pela dupla durante a pandemia, vem novamente sob a responsabilidade da voz (por vezes dobrada), do violão e de um arranjo de Guinga. A letra de Paes, que ela mesma já gravou anteriormente com Guinga ao violão, evoca a espiritualidade e a religiosidade como caminhos de cura.

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Com arranjo e piano de Cristovão Bastos, Borboleta de louça, valsa de Paulinho da Viola e Mário Séve com letra de Guinga, é cantada por Anna Paes. Para homenagear Dona Nalda, sua mãe, Guinga buscou na memória afetiva as “borboletas de louça”, comumente vistas nas paredes das varandas das casas do subúrbio por onde costumava caminhar.

Guinga canta ​Mar de rosa (Guinga e Aldir Blanc). Seu violão e seu arranjo reeditam esta inédita toada de sua parceria com Aldir, composta nos anos 1990. Aqui ela rola como uma simples vinheta, já que o restante da letra se perdeu no tempo… Vixe, maria!

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O lindo choro-canção Julieta no convés (Guinga e Anna Paes) é a mais recente parceria da dupla. Com voz de Guinga e Anna Paes, e violão e arranjo de Guinga, é também a faixa-título do álbum.

A letra de Cambono (Guinga e Thiago Amud), segundo Amud,  fala de uma ialorixá apaixonada, e nesta gravação traz voz de Anna Paes e violão e arranjo de Guinga.

Foi assim, depois de ouvir e reouvir Anna Paes e Guinga, que abri meu peito e me entreguei, de mãos postas, à beleza do álbum Julieta no convés, uma louvação à música.

Aquiles Rique Reis

Nossos protetores nunca desistem de nós.

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O extraordinário Ordinarius https://canalmynews.com.br/coluna-do-aquiles/o-extraordinario-ordinarius/ Fri, 27 Sep 2024 16:02:25 +0000 https://localhost:8000/?p=47097 Sexteto proporciona o que considero a mais perfeita forma de experimentar música: gente cantando junto, com as vozes abertas em acordes!    

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Estou escrevendo no saguão de um hotel em Campo Grande (MS). Coisas boas estão rolando por aqui. Não só pelo show à noite, como também pelo temporal que desabou agora. Os olhos dos funcionários do hotel brilham de alívio.

Ajuntei o meu olhar solidário ao deles e segui ouvindo o novo álbum autoral do grupo vocal Ordinarius: Nós (clique neste link para ouvir), de produção independente, o trabalho de Augusto Ordine, Maíra Martins, Fabiano Salek, Matias Correa, Beatriz Coimbra e Antonia Medeiros, com o qual comemoram os seus 15 anos de carreira.

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Com ótimas músicas compostas pelo sexteto, seja individualmente, em duplas, em trios ou com outros parceiros, os arranjos e a produção musical são de Augusto Ordine, criador do conjunto. Ótimas cantoras e ótimos cantores individuais, têm vozes irrefutáveis; todavia, o que prepondera no Ordinarius é mesmo o vocal em grupo!

Mas vocês lembram o primeiro parágrafo, o temporal? Pois é, a ele somem o fato de eu estar ouvindo o que considero a mais perfeita forma de experimentar música: gente cantando junto, com as vozes abertas em acordes!

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Outra digressão: certa vez, andando com Chico Buarque numa calçada do Leblon, lá pelos anos 1970, eis que, de repente, quem vem de lá? Hein? “Apenas” João Gilberto! E eu não o conhecia pessoalmente. Meu Deus!

No meio do papo, João vira-se para mim e manda: “Nós somos de vocal, Aquiles! Nós sentimos a música de um jeito peculiar, só quem é de vocal sabe!” Sim, moçada, João Gilberto já integrou um grupo vocal!

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Na música popular, quando a gente fala em vocal, quer dizer exatamente isso, cantar junto: daí vem a expressão “ser de vocal”, ser alguém que canta em coro.

Ora, o coral é a forma mais democrática de cantar, pois permite que a massa sonora invada a alma do vocalista e do ouvinte, lá se instalando para sempre. E eu, um “de vocal raiz”, reparto com o Ordinarius o amor pelo cantar junto que nos une e encanta.

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O álbum Nós tem de tudo muito: gêneros musicais pop e fecundos; letras inspiradas; vocal esmerado, dando cama para que solistas deitem e rolem; alternância de solos com o canto em duplas e trios; arranjos com vocalises elegantes, permitindo ao ouvinte usufruir do som que só vozes cantando juntas permitem.

Revezando momentos de fervor vocal, afinados e plenos de dinâmica, com outros suaves, eles cativam os ouvidos de quem, por (des)ventura, ainda esteja acostumado a só identificar a melodia original de uma canção quando cantada por uma única voz.

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Vale a pena ouvir o Ordinarius! O que eles fazem em Nós é popularizar o vocal, tornando-o totalmente apto a ser consumido por todas e todos que amam a nossa música popular.

Ouvir esses craques é sacar que vocal é como aquela chuva prazenteira (lembram?) que encobre a fumaça vinda do fogo criminoso e permite que o sol surja, celebrando a natureza que renasce e teima em resistir à ação de imbecis.

Aquiles Rique Reis

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Gilson Peranzzetta tem um piano elegante https://canalmynews.com.br/coluna-do-aquiles/gilson-peranzzetta-tem-um-piano-elegante/ Thu, 19 Sep 2024 19:03:23 +0000 https://localhost:8000/?p=46853 Em novo álbum, pianista, compositor, arranjador e maestro homenageia o saudoso João Donato, com quem já dividiu palcos e gravações

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O pianista, compositor, arranjador e maestro Gilson Peranzzetta está lançando Aprendi com Donato (clique neste link para ouvir), produzido pela gravadora Mills Records, uma homenagem ao saudoso João Donato, com quem já dividiu palcos e gravações.

Para tanto, Peranzzetta convidou instrumentistas virtuosos e, ao seu piano, ajuntou a batera de João Cortez e os baixos acústicos e elétricos de três contrabaixistas que se revezaram para tocar com ele: Alexandre Cavallo, Zeca Assumpção e Didier Fernan, além da participação especial de Mauro Senise (sax alto e flauta). Criou também arranjos para canções que distinguiram a carreira de Donato. O repertório é uma extraordinária amostra da genialidade de João Donato. Eis algumas músicas.

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Aprendi Com Donato (Gilson Peranzzetta): o piano inicia. Logo vem o sax alto. A batera de Cortez pulsa. A delicadeza da melodia prevalece. O suingue ajusta a pegada com o baixo acústico (Alexandre Cavallo). O piano improvisa num intermezzo com o DNA de Gilson. Pinta o sax alto, encorpado, puxando o improviso para si, e é como se “chorasse” – o som de Senise é raro.

Emoriô (João Donato e Gilberto Gil): batera, piano e baixo acústico (Didier Fernan) dão conta do recado. Simplicidade é mais, é tudo de belo, inclusive pela consciência musical de Gilson, pois seus arranjos revelam empatia com a obra de Donato. O suingue impera.

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A paz (João Donato e Gilberto Gil): o piano toca a intro e vai à melodia. Cortez toca a batera levemente. O baixo acústico (Zeca Assumpção) segura as pontas. O arranjo é lindo. O intermezzo do piano antecede a volta da melodia, que nos induz a cantar a letra de Gil.

Simples carinho (João Donato e Abel Silva): bela música com letra inspirada do Abel. O trio a tudo engrandece, revelando a capacidade que tem Donato de criar belezas como se fosse fácil. Gilson fez um arranjo sem prosopopeias desnecessárias, que nada acrescentariam.

A rã (João Donato e Caetano Veloso): o balanço da música pulsa no piano, acende na batera e pontifica no baixo acústico (Zeca Assumpção). O arranjo de Peranzzetta tem levada sagaz. Novamente o piano sola a melodia, permitindo que se cantarole os versos.

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Até quem sabe (João Donato e Lysias Enio): Donato e seu irmão Lysias Enio compuseram a canção, um clássico da música brasileira. Desde a intro, o piano se mostra irrepreensível, com destaque para a harmonia de Peranzzetta. A reverência paira no ar, mas sem descuidar de criar detalhes que embelezem ainda mais a obra de Donato.

Valsa (João Donato): obra inédita de João Donato, dos anos 1970, quando ele vivia nos Estados Unidos. A flauta toca a intro. Logo a tampa vai fechando devagar, como se não quisesse acabar, querendo prolongar a sensação causada durante toda a audição de um trabalho feito por instrumentistas que sabem o valor de seu ofício para a vida de quem os ouve.

Aquiles Rique Reis

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A estreia de uma cantante atriz https://canalmynews.com.br/coluna-do-aquiles/a-estreia-de-uma-cantante-atriz/ Thu, 12 Sep 2024 20:46:06 +0000 https://localhost:8000/?p=46627 Em sem primeiro álbum, 'Pode ser a gota d’água', Laura Proença escolhe repertório exemplar para homenagear Chico Buarque

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Desde que eu recebi Pode ser a gota d’água (clique neste link para ouvir), produzido pela gravadora Nova Estação, o álbum de estreia da cantora e atriz Laura Proença, saltou-me aos ouvidos o repertório exemplar escolhido por ela para homenagear Chico Buarque. A seleção das músicas deve ser considerada como referência para quem quiser ter uma bela parte da obra buarqueana reunida num só trabalho.

Bons instrumentistas dão conta do recado e permitem que Laura sinta-se à vontade para cantar do jeito que sua alma pede. Ei-los: Alexandre Vianna e Tibor Fittel (piano e acordeom); João Benjamin (contrabaixo acústico); Rafael Lourenço (bateria); Norberto Vinhas e Patrick Angello (violões); Franklin Santos (percussão); Eduardo Motta e Fábio Oliva (trombones); Reinaldo Izeppi (trompete); Rafael Clarin (sax tenor); Juan Carlos Rossi e Letícia Carvalho Andrade (violinos); Igor Vinicios Borges (viola); Thiago Faria Soares da Silva (violoncelo).

Hesitante em algumas notas iniciais, logo a voz de Laura se faz íntegra, com afinação e postura teatral a valorizá-la.

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O meu amor (Chico e Vinicius) tem arranjo com destaque para o trombone e a percussão. Laura se apresenta para conquistar o ouvinte.

Tatuagem (Chico e Ruy Guerra), como convém, tem piano e batera em ritmo lento. O violão desenha, a percussão embala e Laura desponta inteira.

Sob medida (Chico) tem trombone, trompete e sax tenor no bom arranjo. Laura solta a voz. O piano pontua num intermezzo que traz os sopros com ele. Com o tom modulado para cima, Laura canta, e o faz com talento.

Eu te amo (Chico e Tom) se inicia com o piano dedilhando notas, para que, de modo arritmo, nasça o canto. Num bonito intermezzo, surge o cello. Logo Laura retoma a melodia e comove o ouvinte.

O piano toca a intro de Pedaço de mim (Chico). Laura dá à letra a intenção primeira do autor. A essa altura, ela já conquistou o ouvinte! Um quarteto de cordas cria a atmosfera adequada ao arranjo.

Folhetim (Chico) vem balançando com batera e percussão. Laura vai bem às notas mais agudas. Após o intermezzo do violão, ela declama alguns versos e logo volta à melodia.

Num estalar de dedos, rola A história de Lily Braun (Chico e Edu Lobo). Os sopros refazem o clima de cabaré da música. Atriz que é, Laura canta bem como tal.

Gota d’água (Chico) tem Laura cantando arritmo, apenas com o piano. A força dos versos arrepia! Um acordeom transforma o samba num tango desesperado, cujo verso final vem contundente.

Laura canta Gente humilde (Garoto, Vinicius de Moraes e Chico) de forma definitiva. Apenas um violão a acolhe e a atriz e cantante a ele se entrega.

Com produção de Márcio Gomes, os arranjos de Alex Vianna (à exceção de Gota d’água e Gente humilde, que têm arranjos de Tibor Fittel e Patrick Angello, respectivamente) expõem por inteiro as obras de Chico. E, ao interpretá-las, Laura Proença brilha!

Aquiles Rique Reis

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Um trabalho para se ouvir com o coração https://canalmynews.com.br/coluna-do-aquiles/um-trabalho-para-se-ouvir-com-o-coracao/ Thu, 05 Sep 2024 20:11:25 +0000 https://localhost:8000/?p=46441 Novo álbum de Daniela Neris reúne quinze compositores gaúchos a um só poeta, Alvaro Barcellos; faixas tornam impossível esquecer tragédia que se abateu sobre o RS

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Os Sonhos e os Sons – Daniela Neris interpreta Alvaro Barcellos (clique neste link para ouvir), de produção independente, é o álbum que reúne quinze compositores gaúchos a um só poeta, o também gaúcho Alvaro Barcellos.

A cantora Daniela é afinada e sincera, encaixando-se perfeitamente às melodias dos parceiros de Alvaro. Ela canta luminosamente, amparada que está por arranjos quase minimalistas, em que se destacam, aqui e ali, apenas um piano ou um violino, por exemplo. Segura, ela se entrega aos versos que, mesmo escritos em épocas distintas, têm um fio de força interligando-os à vida. Eis alguns.

Leia mais: Carlos Careqa botou a mãe no meio

Entre fintas e canções (Pery Souza* e Alvaro Barcellos)

“Éramos nós com o tom e a voz/ Éramos nós a tocar violões/ Éramos nós com tantas ideias/ Éramos nós com os sonhos e os sons (…)”.

Barroco (Renato Machado e AB)

“Pra proteger a aldeia/ Arvoredos e paisagens/ Me disfarço entre as areias/ E o rio em suas imagens (…)”.

Nas Águas Desse Rio (Lyber Bermudez e AB)

“Mergulho assim nesse rio/ De suas águas me alimento/ Conheço as suas paisagens/ Imagens sombras e ventos/ (…) Onde minha voz não se cala (…)”.

Prata Lunar (Raul Ellwanger e AB)                                                                                 

“(…) E em nome de um mundo bem melhor/ No tumulto das gentes/ (…) Eu que em tanta ocasião/ Vivo à margem de tudo (…)”.

Outras Viagens (Pedro Munhoz e AB)

“(…) Nessas andanças e sonhos meus/ Vi muita coisa nas longas viagens/ E vi matanças e danças e guerras/ Caminhos cegos desertos miragens/ Miséria e seca que o horizonte encerra (…)”.

Nas Tramas do Mago (Paulo Timm e AB)                                                                       

“Circulo entre as histórias/ Ambientes personagens/ Revisito os lugares/ Experimento viagens (…)”.

Ruína (Helio Ramirez e AB)

“(…) Tu que andas por aí impunemente/ Tu que para triunfar entras na dança/ Tu que pisas as mulheres e suas flores/ Tu que sempre machucaste a esperança/ (…) É bom que saibas/ Teu mundo há de ruir”.

Após final tão belo, é quase impossível esquecer a tragédia que se abateu sobre o Rio Grande do Sul, rincão dos músicos aqui citados; muito menos olvidar a resiliência com que os gaúchos vêm enfrentando o luto, reerguendo suas vidas e cantando à sua terra.

*Quando ainda escrevia este texto, eu soube do falecimento do Pery. Muito triste! Descanse em paz. Minha solidariedade aos seus queridos.

Aquiles Rique Reis

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Carlos Careqa botou a mãe no meio https://canalmynews.com.br/coluna-do-aquiles/carlos-careqa-botou-a-mae-no-meio/ Thu, 29 Aug 2024 18:29:04 +0000 https://localhost:8000/?p=46219 Em catorze músicas, o cantor e compositor Carlos Careqa revela seu sentimento sobre esse ser tão incensado pela humanidade

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No caso, a dos outros. Cês logo notarão que ele não botou a própria mãe no meio, e sim a mãe dos outros (rs). Mas tudo com muito respeito e com tal sinceridade, bom humor e musicalidade, que nenhuma delas ficará magoada. Eu acho.

Bem, hoje vamos de Mãe – Todo Artista Tem (clique neste link para ouvir), produzido pela gravadora Barbearia Espiritual Discos, o novo álbum do cantor e compositor Carlos Careqa. Em catorze músicas, ele revela o seu sentimento sobre esse ser tão incensado pela humanidade: a mãe!

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Eis algumas:

A mãe de Bach: de cara explode a musicalidade sem parti pris de Careqa; fidedigna, ela cativa a letra. Ambas acolhidas pelo cello de Mario Manga: “A mãe de Bach/ Teve oito filhos/ Pra ser feliz/ Elisabetha/ A predileta do caçula/ Era a matriz/ Morreu tão jovem/ Menino Bach/ Foi se virar/ Ele foi pra escola/ Sem o lanche/ da mamãe.”

A mãe de Chopin: o polonês Frédéric Chopin ressurge na intenção melódica e harmônica de Careqa. Sua mãe (de Chopin, não de Careqa) deve estar comovida. Acho. O piano de Tiago Costa faz as honras da casa.

A mãe de Mozart: o tributo a Dona Maria Anna, mãe do compositor austríaco Wolfgang A. Mozart, tem guitarra, baixo e cello de Mario Manga. Mozart está ali vivinho da silva.

A mãe de Noel Rosa: para homenagear Dona Marta de Medeiros Rosa, Careqa e Manga vieram com tudo: violão, percussão, baixo e bandolim. Careqa canta com a voz poética que a sua mãe lhe deu.

A mãe de Pixinguinha: o choro vem doce. O teclado preparado de Manga, mais seu violão de sete cordas, percussão, baixo e bandolim, dão a Careqa o jeito acabado de demonstrar o apreço que tem pelo filho de Dona Raimunda.

A mãe de Tom Jobim: permitam-me acreditar que, a exemplo da mãe de Chopin, Dona Nilza Brasileiro de Almeida se emocionou quando ouviu referências às notas que seu filho dedilhava ao piano. Com Ná Ozzetti embalada por vibrafone, guitarra, baixo e batera a cargo de Manga, o maestro soberano renasceu.

A mãe de Villa-Lobos: o tributo vem incrementado pelo violão de Camilo Carrara e pelo cello de Mario Manga. A composição de Careqa traz na letra a síntese do sonho: “(…) mãe do Villa/ Vida que doeu/ Mãe Noêmia/ Villa que cresceu/ A vida de Noêmia/ A mãe de Villa-Lobos/ Dorme filhinho/ Do meu coração”.

A mãe de Kurt Weill: como em outras faixas, nota-se aqui que Careqa traz à luz traços marcantes do estilo do compositor citado. A mãe deste alemão (o Weill, não o Careqa) pode sentir-se brindada por alguém que, sim, conhece o seu filho! O arranjo tem formação inusitada: tuba, bandolim e batera.

A mãe de Stravinski: Careqa canta para Anna, mãe do compositor russo. Apoiado por piano, cello, fagote e oboé, tocados por Manga, Careqa tem a sabedoria de estabelecer contato imediato com o enredamento da música de Igor Stravinski.

A mãe de Beethoven fecha a tampa de um álbum criado para demolir convenções, vocação primeira de Carlos Careqa – o artista que ousa profanar o usual.

Aquiles Rique Reis

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O viajante avoengo https://canalmynews.com.br/coluna-do-aquiles/o-viajante-avoengo/ Thu, 22 Aug 2024 16:08:16 +0000 https://localhost:8000/?p=46039 Músico Manu Maltez, que é também artista plástico, uniu seus dois talentos para produzir o álbum 'Madrugada Até o Fim', em celebração a seus 25 anos de carreira

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Hoje trago um álbum que me pegou de jeito: Madrugada Até o Fim (clique neste link para ouvir), produzido pela gravadora YB Music, do contrabaixista, compositor, escritor e artista plástico Manu Maltez. Para celebrar seus 25 anos de carreira, ele lançou o trabalho com várias pinturas suas que, como ele diz, “envolvem o período da meia-noite à alvorada”.

Antes de continuar, permitam-me explicar melhor o talento de Manu Maltez para as artes gráficas: Manu é filho de Hélio de Almeida, um artista gráfico e designer importante para o jornalismo brasileiro. Quando de sua morte em 20 de julho deste ano, Hélio, inclusive, foi homenageado por Ruy Castro com um belo texto.

Leia mais: Em nome do Pai

Voltemos a Madrugada até o fim. Produzido por Caê Rolfsen, o projeto do filho do Hélio é desafiante: obras de arte inspiradas, amei-as todas; assim como amei cada música e me deixei levar por seus caprichos, tamanha a beleza entrevista a cada aurora do meu ouvir.

Antes da minha hora (Manu Maltez): o violão chama, Maltez vem. A cantora Alessandra Leão está com ele. A percussão puxa o cavaquinho e o baixo, tocados por Caê Rolfsen. Suingue puro. A batera de Thomas Harres marca o tempo no prato. Maltez lança a voz garganta afora.

Leia mais: Um EP caprichado

Com arranjo rítmico de Caê, Qualquer assombração (Manu Maltez) tem o violão de Manu repetindo um desenho. Baixo, synth bass e a percussão de Caê aceleram a parada. A rabeca de Rafa Barreto dá seu som à música. A gloriosa Assucena se ajunta a Maltez e suas vozes alastram a composição por cima do ouvinte, que gagueja: “O qué qué isso?”

Falseador de mentiras, Maltez faz delas verdades críveis.

Madrugada até o fim (Manu Maltez): Tratando-os com paixão fascinante, Maltez toca violão e piano. Caê ajunta o seu piano ao de Maltez, baralha os sons, que, sampleados, somam-se ao cavaquinho – esse Caê é fera! O cello de Yaniel Matos pontua entre a cantoria. Maltez canta os versos como se fossem os donos de seus sonhos e os oferece à madrugada que molda sua arte.

Reptiliana (Manu Maltez e Lourenço Mutarelli): após recitar um texto inicial, Mutarelli se achega a Manu. Produzida por Caê, com arranjo de Maltez e dele, a canção tem a agilidade da viola de 10 cordas do produtor agregada aos seus baixo e piano, realçados por sua percussão. O piano de Thaís Nicodemo é a cereja do bolo que a todos alimenta.

Fabulando (Manu Maltez) se destaca pelo clarinete de Maria Mange Valencia. Envolta em reverber, a voz de Manu brilha – canta bem o cara!

As canções foram feitas por quem não dormia (Manu Maltez): o tambor inicia. O violão aproxima Maltez e sua voz vem sob o sample que instiga o cavaquinho e dá solidez à música. O piano de Thaís Nicodemo amplia o horizonte sonoro.

Ora, Manu Maltez é um poço de múltiplas opções: das mãos vem o tato para o inimaginável; da voz jorram os ais da vida; da alma desabrocham cores incomuns.

Já a madrugada, que encobre o sol e oferta estrelas ao mundo, ele leva nas costas.

Aquiles Rique Reis

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Música brasileira de qualidade: veja dica de Aquiles Reis

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Em nome do Pai https://canalmynews.com.br/coluna-do-aquiles/em-nome-do-pai/ Thu, 15 Aug 2024 18:23:45 +0000 https://localhost:8000/?p=45890 Na semana em que se comemorou o Dia dos Pais, faço uma avaliação do novo álbum de Carol Saboya, em que a artista recria músicas compostas pelo pai

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Na semana em que se comemorou o Dia dos Pais, escolhi tratar de Outro Tom — Canções de Antonio Adolfo (AAM), o décimo quarto álbum de Carol Saboya. O carinho da filha Carol Saboya por seu pai, Antonio Adolfo, brota da garganta da cantora carioca e proporciona momentos de arrebatamento ao ouvinte.

O repertório é uma sutura de instantes vivenciados com o pai nos palcos e nos estúdios de gravação. Assim, cada música representa um momento que foi escolhido após ressurgir de profundas recordações.

Pianista que é, Carol foi ao instrumento e recriou, ao seu jeito, dez músicas compostas por Antonio entre os anos 1972 e 1980. Obras para as quais seu pai também escreveu as letras, à exceção de uma, Alegria de carnaval, parceria com o saudoso Tibério Gaspar.

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E já que citei Alegria de carnaval, vamos a ela, que fecha o álbum. Graças à tecnologia, Carol resgatou a gravação desta música, realizada em 1979, que tinha Antonio no piano Fender Rhodes, Binho no trompete, Zé Carlos Bigorna no sax e Serginho Trombone no… trombone, aos quais agora se ajuntaram a guitarra de Gabriel Quinto, o baixo de Guto Wirtti (também produtor musical e arranjador do disco) e a batera de Renato Máximo. Já o vocal, que originalmente estava com o grupo Viva Voz, agora está com Amanda e Joana, filhas de Carol. As duas, mais Carol, tão suaves, entregam-se de corpo e alma ao fervor do frevo.

Outro tom: Carol inicia arritmo. O Fender de Antonio se esmera em protegê-la. O baixo de Wirtti e a batera de Massa encaminham a levada suave, que ainda conta com a pandeirola de André Siqueira. Logo o violão assume os compassos em fino improviso. A voz de Carol leva o canto com doçura infinita. Um coro dá seu ar da graça ao arranjo.

Carola / Acalanto: Carol escolheu duas composições instrumentais feitas por Antonio em louvor a ela, que estalam feito beijos de amor paterno. E Carol trata de nos emocionar com seu canto enternecido, graças aos 60 anos de carreira do pai e, também, aos seus próprios 25 anos de ofício. Arritmo, o Fender de Antonio acompanha os vocalises de Carol. Logo vêm as palavras escritas pelo pai, amorosas que só elas, às quais Carol retribui com o cantar que desde criança traz no coração já adulto. Wirtti dedilha notas no teclado. Ela dobra a voz em vocalises, para exclamar, logo que conclui o canto: “Está lindo, pai, vamos ouvir?” É verdade, Carol, está mesmo!

Aonde você vai: Carol canta com participação de Renato Teixeira (ele que vem compondo parcerias com Antonio). Wirtti toca baixo, pandeiro, zabumba e violão de 12 cordas; Gabriel Quinto, violão, e André Siqueira, percussão. O suingue encandece a riqueza da música. A percussão de Siqueira, somada à de Wirtti, dá ao arranjo o resfolego que se amplia com o recurso do reverber. O astral vai lá em cima!

Cantando em nome do pai, Carol Saboya foi além: doou-lhe abraços e beijos musicais e sonoros. Tocantes!

Aquiles Rique Reis

Nossos protetores nunca desistem de nós.

Clique e ouça as faixas:

  1. Alegria de carnaval
  2. Outro tom
  3. Carola / Acalanto
  4. Aonde você vai

Imperdível: Aquiles fala sobre música brasileira, tempos modernos e revolução:

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Um EP caprichado https://canalmynews.com.br/coluna-do-aquiles/um-ep-caprichado/ Thu, 08 Aug 2024 20:00:12 +0000 https://localhost:8000/?p=45739 Novo trabalho de Vânia Bastos, 'Teu Coração', é primoroso e revela a essência da artista, que é desprovida de exageros e não se atém a modismos

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Repito aqui o que já disse em momentos parecidos como este: quando estou diante de um trabalho de algum colega que admiro, eu me derreto. Não tem conversa. Simples assim. Apaixonadamente assim. Não há nada mais prazeroso do que ouvir algo que eu já imaginava ser primoroso e concretizar a expectativa máxima. Gente, tenho aqui no meu som de cada dia o EP de Vânia Bastos, Teu Coração (Mins Música).

Antes, porém, de falar sobre esse trabalho, gravado a partir de canções inéditas compostas por Roberto Menescal (duas) e Cristovão Bastos (duas), com versos de Márcia Tauil e arranjos de Ronaldo Rayol, digo-lhes que acompanho a carreira dessa paulista de Ourinhos desde que ela começou nos anos 1980 como vocalista da banda de Arrigo Barnabé, com atuação marcante no Movimento Cultural Vanguarda Paulista. Lembram?

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A voz de Vânia é única, seu jeito de cantar é original. Desprovidas de exageros, as interpretações de seu eclético repertório são marcadas pela capacidade de não se ater a modismos ou salamaleques, demonstrando sempre que, graças à sua personalidade, a discrição se impõe. E a música agradece.

Vamos às canções.

Teu coração (Cristovão Bastos e Márcia Tauil): com arranjo de Ronaldo Rayol, o piano de Cristovão Bastos abre com efeitos de pads. Vânia canta com delicadeza igual à do piano. As cordas e o teclado (JG Junior) se entregam à beleza. O baixo, nas mãos de Cristovão, conduz a levada discreta. O violão de Rayol emerge num breve intermezzo, amparado pela sóbria percussão de JG Junior. Com atmosfera propícia à sua voz afinada e bela, Vânia reina.

Tamos aí (Roberto Menescal e Márcia Tauil): a partir de flauta e teclados (Ronaldo Rayol), o samba vem balançado. O violão se ajunta aos pianos acústico e elétrico e ao baixo, mais os pads (todos nas mãos de Rayol), e dão a Vânia o jeito de cantar e criar vocalises plenos de suingue. A percussão (JG Junior) incorpora molho ao ritmo.

Entre nós (Roberto Menescal e Márcia Tauil): violão e flautas abrem. A melodia de Menescal soa ainda mais bela na voz de Vânia. O arranjo é pura finura. Um ligeiro reverber amplia a harmonia e incrementa o som de teclado e flauta. O violão improvisa alguns compassos. O baixo e a percussão engordam o balanço. Ficha técnica: pads, arranjos de flautas e cordas, violões e baixo (Ronaldo Rayol); teclados e percussão (JG Junior).

Lágrima (Cristovão Bastos e Márcia Tauil): outra linda canção de Cristovão e Marcia. Vânia segue no show de dicção e respiração absolutamente corretas — uma intérprete irrepreensível —, daquelas de se ouvir para nunca mais esquecer e voltar a ouvir novamente e sempre.

Ouvindo o cantar dela, sente-se uma tal felicidade… quer saber? Vânia Bastos está na luta, de onde, aliás, nunca se afastou, graças a Deus!

Ficha técnica: piano, pads e baixo (Cristovão Bastos); arranjo de cordas, violões e vocais (Ronaldo Rayol); teclados e percussão (JG Junior).

Aquiles Rique Reis

Nossos protetores nunca desistem de nós.

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