“Caso Master” racha STF e alerta para embate com o Senado Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil STF

“Caso Master” racha STF e alerta para embate com o Senado

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Entre a autocrítica institucional e o avanço de pautas polêmicas, ministros divergem sobre como blindar a Corte contra investigações internas e o fantasma do impeachment em 2027.

O Supremo Tribunal Federal (STF) atravessa um de seus momentos mais delicados, marcado por uma paralisia estratégica e uma profunda desconfiança interna. O chamado “Caso Master”, que coloca sob investigação contratos e operações ligadas aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, não apenas fragilizou a imagem da Corte, mas dividiu o colegiado em duas frentes opostas sobre como sobreviver à crise.

No canal Recondo e Os Onze, o jornalista Felipe Recondo explica que a falta de um denominador comum sobre como reagir às investigações, relatadas pelo ministro André Mendonça, criou dois grupos distintos dentro do tribunal:

  1. A Via da Autocrítica (Grupo Fachin): O presidente da Corte, Edson Fachin, defende que o STF precisa admitir erros e sinalizar mudanças. Para isso, designou a ministra Cármen Lúcia para relatar um novo Código de Conduta. A ideia é oferecer uma resposta ética à sociedade. Todavia, a proposta sofre resistência: alas do tribunal veem o gesto como “sinal de fraqueza” e uma tentativa de Fachin de impor uma agenda pessoal sobre o constrangimento dos colegas.

  2. A Via da Ofensiva (Grupo do “Não Recuo”): Outros ministros acreditam que qualquer passo atrás será lido como admissão de culpa, alimentando novos ataques. A estratégia desse grupo é a “normalidade institucional forçada”: pautar temas de alto impacto para demonstrar que o STF continua operando. Exemplo disso são as movimentações do ministro Flávio Dino contra penduricalhos de juízes e a liberação de pautas sensíveis, como o aborto.

O fator Senado: o fantasma de 2027

O maior temor dos ministros, contudo, não é apenas o inquérito interno, mas o calendário eleitoral. Fontes internas indicam que o STF se sente vulnerável diante da renovação do Senado. A expectativa é de que as eleições deste ano consolidem um Senado mais conservador e abertamente crítico ao Supremo. No tribunal, a aposta é que, já no próximo ano, a nova composição da Casa Legislativa tente levar adiante processos de impeachment contra magistrados.

Por fim, sem um ponto de convergência, o STF flutua entre a tentativa de reforma moral e a demonstração de força jurídica. O problema é que nenhuma das duas saídas parece garantir imunidade contra o que está por vir. Se o tribunal não encontrar uma coordenação mínima para sanar suas divisões, chegará ao embate com o futuro Senado sem o escudo da unidade institucional, tornando-se um alvo mais fácil para retaliações políticas iminentes.

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