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Especialista analisa o impacto do cenário eleitoral, a queda nos juros futuros e traz orientações para os investidores
O mercado financeiro viveu uma semana de movimentação e otimismo após os resultados do primeiro turno das eleições. Segundo Augusto Parente, sócio-fundador da AW Capital, o entusiasmo refletiu-se nos principais indicadores. A Bolsa subiu 8%, o dólar cedeu 5% e os juros futuros despencaram 104 pontos, assim, o mercado praticamente não realizou lucros nos dias seguintes. Os ativos continuam em alta devido à consolidação da vantagem de um candidato nas pesquisas.
Para Parente, a política sobressaiu em relação ao cenário econômico global ao longo da semana. Isso aconteceu mesmo diante de pressões externas desfavoráveis. Por exemplo, houve aumento do petróleo e alta dos juros nos Estados Unidos. No entanto, a expectativa por responsabilidade fiscal e pautas liberais no Brasil atenuou os fatores internacionais. Por outro lado, a inflação acima da meta pressiona o Banco Central. Como resultado, o espaço para cortes agressivos na Selic fica restrito no curto prazo.
Apesar da postura conservadora do Banco Central, o sócio da AW Capital destaca que a queda dos juros futuros traz efeitos práticos. A redução das taxas de longo prazo diminui o custo do crédito para empresas e pessoas físicas. Consequentemente, esse movimento estimula a economia real. Vale lembrar que a busca por juros baixos sustentáveis é um desafio histórico no país. Além disso, intervenções do passado geraram distorções severas e inflação alta nos anos seguintes.
No campo dos investimentos, Parente aponta os títulos pré-fixados como os grandes destaques do período. Papéis de longo prazo valorizaram até 20% em um único dia por causa da marcação a mercado. Para os investidores, o especialista recomenda manter uma estratégia diversificada. É importante usar a Selic para reservas de curto prazo. Em contrapartida, vale alocar em pré-fixados para o médio prazo. Por fim, os títulos indexados à inflação (IPCA+) continuam ideais para horizontes acima de cinco anos.
Na renda variável, o especialista avalia que o momento sinaliza oportunidades promissoras na B3. Setores como varejo, construção civil e bancos estão em destaque. Esse otimismo ocorre impulsionado pelo forte fluxo de recursos estrangeiros. Para se ter ideia, cerca de R$ 10 bilhões entraram no mercado local no início da semana. Como os investidores nacionais ainda estão pouco posicionados em ações, a entrada desse capital pode acelerar novas altas na Bolsa.
Entretanto, Augusto Parente alerta que o cenário ainda exige atenção constante à volatilidade. Qualquer mudança nas pesquisas eleitorais pode provocar ajustes rápidos nos preços das ações. Portanto, o investidor deve manter a cautela. Já no câmbio, o recuo do dólar favorece viagens e compras no exterior. Por outro lado, o analista sugere mais prudência para quem deseja investir em ativos internacionais ou criptoativos neste momento.