Arquivos agronegocio - Canal MyNews – Jornalismo Independente https://canalmynews.com.br/tag/agronegocio-2/ Nosso papel como veículo de jornalismo é ampliar o debate, dar contexto e informação de qualidade para você tomar sempre a melhor decisão. MyNews, jornalismo independente. Fri, 06 Dec 2024 20:01:17 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 Em menos de 40 anos, área destinada ao plantio de soja cresce nove vezes https://canalmynews.com.br/noticias/em-menos-de-40-anos-area-destinada-ao-plantio-de-soja-cresce-nove-vezes/ Fri, 06 Dec 2024 20:01:17 +0000 https://localhost:8000/?p=49172 Segundo a MapBiomas, em 2023, plantações de soja ocupavam 14% de toda destinada a agropecuária do Brasil, quase 40 milhões de hectares

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A área ocupada por plantação de soja, em 1985, era de 4,4 milhões de hectares e, em 2023, já chegava a quase 40 milhões de hectares, o que correspondem ao tamanho do Paraguai e a 14% de toda a área de agropecuária do Brasil. Nos primeiros anos de análise, de 1985 a 2008, eram 18 milhões de hectares, sendo que um terço (30%) consumiu áreas de vegetação nativa (5,7 milhões de hectares) e 5 milhões de hectares (26%) resultaram de um processo de conversão do solo de pastagem para soja.

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No segundo período de análise, os números referentes à expansão da soja mudaram. De 2009 a 2023, o grão se ampliava por mais 17 milhões de hectares, dos quais 6,1 milhões de hectares (36%) eram provenientes de conversão de pastagem e 2,8 milhões de hectares (15%) eram anteriormente espaços com vegetação nativa.

Os dados constam de um dos recentes levantamentos feitos pela rede MapBiomas, divulgado nesta sexta-feira (6). Os especialistas responsáveis pela interpretação do que foi coletado em mapeamentos apontam que, de 1985 a 2023, a área ocupada por culturas temporárias, como é o caso da soja, além da cana-de-açúcar, do arroz e do algodão, aumentou 3,3 vezes, passando de 18 milhões para 60 milhões de hectares.

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No ano passado, o bioma onde a soja mais avançou foi o Cerrado (19,3 milhões de hectares). Em seguida vêm a Mata Atlântica (10,3 milhões de hectares) e a Amazônia (5,9 milhões de hectares). Os pesquisadores do MapBiomas ressaltam que o Pampa é o bioma que apresentou maior área proporcional em relação ao seu território, com mais de um quinto (21%) preenchido pela monocultura da soja (4 milhões de hectares).

Eliseu Weber, um dos pesquisadores de agricultura do MapBiomas comenta que a soja é preferência, em relação à criação de gado, porque dá resultados mais rapidamente. Nisso reside o elemento econômico que justifica aos empresários a aposta nas commodities. “Além disso, há um componente político, que é a inexistência de ações de conservação dessas fisionomias que são tão raras no Brasil. O Pampa é 2,5% do país e dois terços dele já se foram”, afirma.

O novo relatório do MapBiomas também indica que as pastagens cobrem aproximadamente 164 milhões de hectares, equivalentes a 60% da área de agropecuária do país. A quantidade de hectares de hoje resulta de crescimento de 79% em relação aos 92 milhões de hectares de 1985.

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Como observam os pesquisadores, a pastagem é atualmente o principal uso antrópico do território brasileiro. Antrópico é um termo que serve para designar algo que foi modificado pela ação do ser humano. Um total de 59 milhões de hectares (36%) das pastagens brasileiras ficam na Amazônia, bioma que já perdeu 14% de sua área para esse fim.

No Cerrado, foram contabilizados 51 milhões de hectares (31%), onde as pastagens são 26% do bioma. Somados, a Amazônia e o Cerrado foram os biomas de escolha para instalação de dois terços (67%) das pastagens brasileiras.

Os biomas com maior área proporcional de pastagem são Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica, com 23 milhões de hectares (27% do bioma), 51 milhões de hectares (26% do bioma) e 29 milhões de hectares (26% do bioma), respectivamente. O MapBiomas destaca que a maioria (84%) dos pontos de pastagem da Mata Atlântica existe há mais de 30 anos. No caso do Cerrado, 72% das áreas de pastagem usadas até hoje foram abertas há mais de 20 anos.

Assista abaixo ao Segunda Chamada de quinta-feira (5):

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Capitais do agronegócio no Centro-Oeste acumulam problemas sociais https://canalmynews.com.br/noticias/capitais-do-agronegocio-no-centro-oeste-acumulam-problemas-sociais/ Thu, 24 Oct 2024 22:24:14 +0000 https://localhost:8000/?p=47939 Contrariando expectativas, Campo Grande, Cuiabá e Goiânia apresentam indicadores sociais que contrastam com a pujança econômica do agronegócio

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Na safra 2022/2023 do agronegócio, o Brasil produziu cerca de 323 milhões de toneladas de grãos, volume 18% maior do que no ciclo anterior. O resultado contribuiu para que o Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária registrasse crescimento de 15,1%, bem acima da alta da indústria (1,6%) e do setor de serviços (2,4%).

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a alta na agropecuária decorreu especialmente do crescimento da produção e do ganho de produtividade. A soja (27,1%) e o milho (19,0%) bateram recordes de produção na série histórica. Essas culturas têm entre seus principais produtores os estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

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Contrariando expectativas positivas, as capitais desses três estados apresentam indicadores sociais que contrastam com a pujança econômica capitaneada pelo agronegócio. Campo Grande, Cuiabá e Goiânia têm PIB per capita abaixo do indicador nacional (R$ 50.193,72).

Na terceira década do século 21, nenhuma das três capitais atingiu a universalização do esgotamento sanitário. Todas estão longe de liderar os índices de escolarização e de ter as menores taxas de mortalidade infantil, conforme dados da plataforma Cidades e Estados do Brasil, mantida pelo IBGE.

Indicadores

Campo Grande, a 17ª cidade brasileira mais populosa, ocupa o 3.412º lugar em salário médio entre 5.570 localidades. Há mais de 2.060 cidades brasileiras com melhores percentuais de escolarização entre crianças e adolescentes (6 a 14 anos) do que os da capital sul-mato-grossense e quase 2,9 mil municípios com taxas menores de mortalidade infantil (10,69 em mil nascidos vivos).

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De acordo com o IBGE, 58,7% dos domicílios campo-grandenses têm tratamento de esgoto (dado de 2010). Segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, do Ministério das Cidades, o “atendimento total” dos serviços de esgotamento atinge 86,24% dos domicílios do município (dado de 2022).

Cuiabá, a 31ª cidade com maior população no país, está no 4.692º lugar na escolarização das pessoas da faixa etária correspondente ao ensino fundamental. A capital de Mato Grosso é ultrapassada por mais de 3.380 cidades em taxas de mortalidade infantil (13,63 em mil nascidos vivos). Um quinto dos domicílios não tem tratamento de esgoto.

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Décima cidade mais populosa do Brasil, Goiânia é a 4.281ª localidade na escolarização de crianças e adolescentes de 6 a 14 anos. A sede dos Poderes de Goiás tem cerca de um quarto dos seus domicílios sem esgoto sanitário, e a taxa de mortalidade (10,17 em mil nascidos vivos) é pior do que a de mais de 2,5 mil cidades brasileiras.

Disparidades brasileiras

Para o coordenador-geral do Programa Cidades Sustentáveis, Jorge Abrahão, os indicadores acima assinalam a “disparidade” entre as condições dessas capitais da Região Centro-Oeste para enfrentar seus problemas e adotar políticas públicas efetivas.

“São cidades ricas no sentido de terem recursos e capacidade para estruturarem serviços. Muito maior do que a quase totalidade das cidades brasileiras”, pontua Abrahão.

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Ele avalia que as três cidades “concentraram um grau de desenvolvimento, por conta do agronegócio, bastante elevado nos últimos tempos, mas reproduzem o modelo que acontece no país.”

Em um estudo para as eleições municipais deste ano, o Instituto Cidades Sustentáveis compilou outros indicadores socioeconômicos para mostrar, a eleitores e candidatos a prefeito e vereador, grandes desafios para administrar cidades brasileiras – como violência, violações de direitos humanos e emissão de gás carbônico (dióxido de carbono – CO2).

Mortes de negros e indígenas

Em Campo Grande, Cuiabá e Goiânia, jovens negros e indígenas do sexo masculino (15 a 29 anos) morrem mais assassinados do que rapazes e adultos brancos e amarelos. Em Cuiabá, a taxa de homicídios é de 10,13 jovens pretos, pardos e indígenas por 100 mil habitantes – dez vezes acima da taxa de brancos e amarelos (0,95).

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A diferença das taxas de homicídio dos diferentes grupos populacionais repercute na idade média ao morrer. Em Goiânia, brancos e amarelos morrem em média com 71,3 anos – 7,4 anos a mais que negros e indígenas, que em média morrem com 64,2 anos.

Além das discrepâncias raciais, o Instituto Cidades Sustentáveis também verifica desigualdades de sexo/gênero. Nas três capitais do Centro-Oeste, os homens ganham mais que as mulheres. Em Goiânia, a diferença de rendimentos é de 28,03%. Em Cuiabá, de 22,9% e em Campo Grande, de 18,95%.

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Nas três cidades, também é diminuta a participação de mulheres no comando das secretarias municipais. Em Campo Grande, as mulheres ocupam 38,5% das secretarias municipais. Em Cuiabá, esse percentual é de 29,4%. Em Goiânia, a proporção é ainda menor: 17,7%.

Participação

Um ponto positivo é que as três cidades implantam a maioria das políticas de participação e promoção de direitos humanos com a instalação de conselhos recomendados em lei como os conselhos tutelares e conselhos para a promoção de direitos humanos, dos direitos da criança, dos direitos de pessoa idosa; direitos de pessoa com deficiência; direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais; direitos de igualdade racial ou conselho municipal dos povos e comunidades tradicionais. Cuiabá implantou 85,7% dessas instâncias participativas, enquanto Campo Grande e Goiânia têm 71,4% desses conselhos em funcionamento.

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Por fim, o Instituto Cidades Sustentáveis observa baixa capacidade de gestão de riscos e prevenção aos eventos climáticos nas três capitais do Centro-Oeste. Nenhuma das cidades alcança a metade de estratégias recomendadas para planejamento e gerenciamento de riscos como de desastres decorrentes de enchentes, inundações graduais, enxurradas, inundações bruscas, escorregamentos ou deslizamento de encostas.

Se faltam planejamento e gerenciamento de risco na temporada de chuvas, os municípios podem sofrer com a seca e as queimadas no bioma Cerrado que favorecem a emissão de CO2. Cuiabá e Campo Grande estão entre as quatro cidades brasileiras com maiores emissões líquidas de gás carbônico: 3,81 toneladas por habitante na capital de Mato Grosso e 4 toneladas por habitante em Campo Grande.

Conforme noticiado pela Agência Brasil, o desmatamento no Cerrado gerou a emissão de mais de 135 milhões de toneladas de CO2, de janeiro de 2023 a julho de 2024.

Veja mais:

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IBGE: apesar de estiagem, país teve safra recorde no ano passado https://canalmynews.com.br/economia/ibge-apesar-de-estiagem-pais-teve-safra-recorde-no-ano-passado/ Thu, 14 Sep 2023 16:00:23 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=39647 Produção agrícola chegou a 263,8 milhões de toneladas

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A cidade de Sorriso, em Mato Grosso, pode ser considerada a capital da agricultura no país. No ano passado, o município alcançou o valor de produção agrícola de R$ 11,5 bilhões, um crescimento de 15,2% em relação a 2021. O dado faz parte da pesquisa Produção Agrícola Municipal (PAM), divulgada nesta quinta-feira (14), pelo IBGE.

A pesquisa acompanha a safra de 64 produtos agrícolas no país e traz detalhes sobre área plantada, área efetivamente colhida, quantidade produzida, rendimento médio obtido e valores das culturas temporárias e permanentes.

Em 2022, o Brasil teve novo recorde de valor de produção. Foram R$ 830,1 bilhões. Essa cifra representa um crescimento de 11,8% em relação ao ano anterior. Desde 2019, a alta é de 130%, ou seja, mais que dobrou. A produção de grãos cresceu 3,8% e chegou ao recorde de 263,8 milhões de toneladas.

No ano passado, a área colhida cresceu 5,4% ante 2021 e alcançou 90,4 milhões de hectares. Para efeito de comparação, se essa área fosse contígua, seria do tamanho do estado de Mato Grosso. A produção de cereais, leguminosas e oleaginosas atingiu o patamar de 263,8 milhões de toneladas. Evolução de 3,8% em relação a 2021.

Produtos
O principal produto agrícola do Brasil é a soja, o que torna o país o maior produtor mundial. Por causa dos efeitos de uma estiagem prolongada, a produção dessa cultura teve um decréscimo de 10,5% em 2022. Apesar disso, o valor da produção cresceu 1,3%, chegando a R$ 345,4 bilhões.

A soja representa 41,6% do valor total da produção agrícola. O milho vem em seguida (16,6%). Essa cultura foi a que mais contribuiu para o crescimento do valor de produção agrícola no ano, alcançando a marca de 109,4 milhões de toneladas, gerando R$ 137,7 bilhões em valor bruto, o que representou um acréscimo de 18,6% frente à safra anterior.

A produção de cana-de-açúcar alcançou 724,4 milhões de toneladas, com alta de 1,2%. O valor de produção subiu 24,2% e chegou a R$ 93,5 bilhões. A colheita de café cresceu 6,3% e chegou a 3,2 milhões de toneladas. Já o valor do café subiu 48,8%. Resultado que mantém o Brasil como maior produtor e exportador de café no mundo.

Ainda entre as principais culturas agrícolas, a PAM 2022 destaca o algodão, que teve alta de 12,4% na colheita, chegando a 6,4 milhões de toneladas. O valor da produção atingiu R$ 33,1 bilhões (+25,2% ante 2021).

O trigo manteve o ritmo de ampliação das áreas de cultivo, o que ajudou a garantir uma safra recorde de 10,3 milhões de toneladas, acréscimo de 31,3% em relação ao ano anterior. A ampliação na quantidade produzida e a valorização do preço de mercado permitiram que a cultura alcançasse quase R$ 15,7 bilhões em valor de produção, uma alta de 42,6%.

A falta de chuvas no Rio Grande do Sul no ano passado impactou a produção do arroz, que caiu 7,6% e ficou no patamar de 10,8 milhões de toneladas. A diminuição no valor de produção em comparação ao ano anterior foi ainda maior: 18,9%, gerando R$ 15,5 bilhões.

Estiagem muda ranking
Em 2022, o clima adverso na região Sul fez com que o Paraná e o Rio Grande do Sul perdessem posições no topo do ranking de estados produtores. A liderança é de Mato Grosso. Empurrados pela soja, milho e algodão, os campos mato-grossenses são donos de 21,1% do valor da produção agrícola nacional.

São Paulo, maior produtor nacional de cana-de-açúcar e laranja, ganhou uma posição entre 2021 e 2022 e ocupa o segundo posto (12,4%). Minas Gerais, líder nacional na produção de café, ganhou duas posições e é agora o terceiro colocado, com 10,5% do valor do agro nacional.

Apesar da estiagem que afetou a produtividade da soja, o Paraná permanece no quarto lugar do ranking (10,1%), à frente de Goiás. O Rio Grande do Sul, com a quebra das safras de soja e arroz, apresentou recuo de 28,8% no valor de produção em 2022, caindo da segunda para a sexta posição entre os estados.

Classificando por regiões, o Centro-Oeste é o maior celeiro do país, com valor de produção de R$ 304 bilhões. Em seguida vêm Sudeste, Sul, Nordeste e Norte.

Municípios campeões
Os dez municípios com os maiores valores da produção agrícola geraram juntos R$ 74,7 bilhões, concentrando 9% do valor obtido no país. Desses, seis pertenciam a Mato Grosso, enquanto Bahia e Goiás aparecem com duas cidades cada.

Os três principais municípios do ranking ficam em Mato Grosso. Além, de Sorriso (R$ 11,5 bilhões), maior produtor de milho e soja, se destacam Campo Novo dos Parecis (R$ 8,2 bilhões) e Sapezal (R$ 8 bilhões).

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Produção de grãos atinge recorde e tem alta de 18,4% em 2022/2023 https://canalmynews.com.br/economia/producao-de-graos-atinge-recorde-e-tem-alta-de-184-em-2022-2023/ Wed, 06 Sep 2023 15:28:20 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=39393 Safra chega a 322,8 milhões de toneladas, com aumento da área plantada

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A produção de grãos no Brasil na safra 2022/23 está estimada em 322,8 milhões de toneladas, acréscimo de 50,1 milhões de toneladas quando comparada com o ciclo 2021/22. A alta é de 18,4%. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), os dados consolidam a estimativa recorde de produção no país.

Nesta quarta-feira (6), o órgão divulgou o 12º Levantamento da Safra de Grãos, momento em que a colheita se encerra. O resultado é reflexo tanto de uma maior área plantada, chegando a 78,5 milhões de hectares, quanto de melhor produtividade média nas lavouras, saindo de 3.656 quilos por hectares para 4.111 quilos por hectare.

A soja ainda é o produto com maior volume colhido no país, com produção recorde estimada em 154,6 milhões de toneladas, crescimento de 23,2%. Segundo a companhia, os efeitos do La Niña se concentraram no Rio Grande do Sul, mas ainda assim em menor escala que no ciclo anterior. Nos demais estados, o clima se mostrou bastante favorável, mesmo com alguns atrasos verificados no período do plantio e da colheita.

“Nesta temporada, a soja apresentou recuperação de produtividade em Mato Grosso do Sul, no Paraná e em Santa Catarina. No Rio Grande do Sul, também houve melhora no desempenho das lavouras, porém limitado devido às condições climáticas não favoráveis durante o desenvolvimento da oleaginosa”, explicou a Conab.

As informações sobre os efeitos do clima nas safras são disponibilizadas regularmente pelo órgão no Boletim de Monitoramento Agrícola.

Outras culturas
Para o milho também é esperada a maior colheita já registrada na série histórica. Nas três safras do cereal, a produção deverá chegar a 131,9 milhões de toneladas, incremento de 18,7 milhões de toneladas em relação ao ciclo anterior.

O arroz e feijão apresentam cenários distintos. Segundo a Conab, no caso dos dois produtos, houve redução da área de plantio devido à concorrência com outras culturas mais rentáveis. Para o arroz, a melhora da produtividade não foi suficiente para compensar a menor área, resultando numa queda de produção de 6,9%, chegando a 10 milhões de toneladas. Já para a leguminosa, o bom desempenho das lavouras assegura colheita total de 3,04 milhões de toneladas, 1,7% acima do resultado da safra anterior.

Entre as culturas de inverno, foi confirmado o crescimento de 11,8% na área cultivada de trigo no país, chegando a 3,45 milhões de hectares, e uma produção estimada em 10,82 milhões de toneladas. O resultado é 2,5% acima da obtida na safra anterior.

Comércio
“Os bons resultados da safra brasileira colocam o país como principal exportador de soja e milho na safra 2022/23”, destacou a Conab.

Para a soja, é esperado que o volume exportado chegue a 96,95 milhões de toneladas. Para o milho, a estimativa da companhia indica embarques em torno de 50 milhões de toneladas, ultrapassando as exportações norte-americanas.

“O bom cenário para as vendas ao mercado internacional é verificado também para farelo e óleo de soja, com exportações estimadas em 21,82 milhões de toneladas e 2,6 milhões de toneladas respectivamente”, acrescentou.

Para o algodão, a produção recorde permite recomposição nos estoques finais da ordem de 59%, atingindo 2,1 mil toneladas. As exportações podem atingir 1,7 milhão de toneladas nesta safra.

Citando dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a Conab informou que, em agosto de 2023, foram exportadas 104,3 mil toneladas de algodão, o segundo melhor desempenho para o mês na série histórica, superando em 66,1% o mesmo período do ano passado. Os boletins das safras de grãos estão disponíveis no site da Conab.

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Lula: verdadeiro agronegócio é comprometido com meio ambiente https://canalmynews.com.br/meio-ambiente/lula-verdadeiro-agronegocio-e-comprometido-com-meio-ambiente/ Thu, 17 Nov 2022 18:44:26 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=34670 No Egito para a COP27, presidente eleito fala sobre o papel do agro

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O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, disse hoje (17) que respeita o agronegócio e que os verdadeiros empresários do setor são comprometidos com o meio ambiente. Lula participou de um encontro com representantes da sociedade civil brasileira na 27ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP27), no Egito.

“Dizem, ‘o agronegócio não gosta do Lula’. Eu não quero que goste, eu só quero que me respeitem como eu respeito eles. O verdadeiro empresário do agronegócio sabe onde não pode fazer queimada, onde não pode fazer derrubada de floresta. O verdadeiro empresário do agronegócio tem compromisso porque ele sabe que se paga um preço se a gente for irresponsável”, disse o presidente eleito.

Lula reafirmou que fará um combate intenso contra crimes ambientais, como a exploração de garimpo em terras indígenas e o desmatamento ilegal, e que trabalhará com políticas de incentivo à produtividade. “Se ele quiser [o madeireiro] utilizar madeira, faça seu florestamento, compre uma área de terra e levante as árvores que quer cortar. Por que cortar uma árvore que tem 200 anos de existência, não é necessário”, disse.

“Não precisa derrubar um metro quadrado de árvore para aumentar a produção de soja, de milho ou criar gado, temos milhões de hectares de terra degradada que podem ser recuperadas”, argumentou.

Para Lula, o Estado tem que estar presente no dia a dia da sociedade. Para isso, segundo ele, serão retomadas as conferências nacionais com os diversos setores da sociedade.

“Nós chegamos ao ponto de politizar todas as decisões judiciais, de judicializar todas as decisões políticas, de criar um orçamento secreto em que o Parlamento passa a executar o orçamento que deveria ser feito pelo Executivo”, disse.

“Eu não vejo o Brasil dar certo se não envolver a sociedade nas decisões que temos que tomar. Por isso vamos retomar as conferências nacionais. No meu período de governo fizemos 74 conferências nacionais. Vamos fazer para que o povo decida qual é a política pública que ele entende que seja correta para colocarmos em prática”, completou.

Teto de gastos
Para o presidente eleito, não adianta só pensar em responsabilidade fiscal sem responsabilidade social. “Se não resolvermos as questões sociais não vale a pena governar esse país”, disse. “Se falar isso vai cair a bolsa, vai aumentar o dólar? Paciência, porque o dólar não aumenta e a bolsa não cai por conta as de pessoas sérias, mas por conta dos especuladores que vivem especulando todo santo dia”, acrescentou.

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“O que é o teto de gastos em um país? Se o teto fosse para discutir que não vamos pagar a quantidade de juros para o sistema financeiro que pagamos todo ano, mas continuar mantendo as políticas sociais intactas, tudo bem. Mas não, tudo o que acontece é tirar dinheiro da saúde, da educação, da ciência e tecnologia, da cultura. Ou seja, tenta desmontar tudo aquilo que faz parte do social e você não mexe num centavo do sistema financeiro, você não mexe num centavo daquele juro que os banqueiros têm que receber”, argumentou.

Segundo Lula, além de cumprir as metas de inflação, o país precisa ter metas de crescimento e de geração de emprego. “Temos que garantir que vamos aumentar o salário mínimo acima da inflação”, afirmou.

Mudança na ONU
Em seu pronunciamento, Lula defendeu uma governança global para cumprimento das decisões e compromissos relacionados ao clima. “Os fóruns da ONU não podem continuar sendo fóruns de discussões teóricas intermináveis e que muitas vezes as decisões nunca são levadas a sério ou nunca são cumpridas. As decisões precisam ser cumpridas se tiver uma espécie de governança global que possa decidir o que fazer. Se depender as discussões internas [de cada país], no Congresso Nacional, muitas coisas aprovadas sobre o clima não serão colocadas em praticas”, disse.

Segundo ele, é preciso ainda garantir o financiamento para os países que possuem reservas naturais sejam recompensados. “Muitas vezes o dinheiro que é prometido para os países em desenvolvimento também não sai. Esses US$ 100 bilhões foram prometidos em 2009, em Copenhagen [COP15] e parece que as pessoas esquecem”, disse.

Lula ainda defendeu a reforma do Conselho de Segurança da ONU, com a inclusão de mais países, como africanos e latino-americanos, e mudança no direito de veto.

“Eu tenho uma briga histórica para mudar a governança mundial. A ONU precisa mudar, não pode ficar apenas com os países que ganharam a Segunda Guerra Mundial. Inclusive, que se derrube o direito de veto, porque não é possível que um país possa vetar decisões do conjunto dos outros países. Se não tivermos uma ONU forte, não vamos levar essa questão do clima do jeito que pensamos que tem que levar”, disse.

Ainda hoje, Lula tem encontros com grupos indígenas e com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres. Na conversa, o presidente eleito vai propor que a COP30, em 2025, seja realizada na Amazônia.

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Comida mais cara e produção menor: Cinturão Verde de SP sofre com mudanças climáticas https://canalmynews.com.br/meio-ambiente/comida-mais-cara-e-producao-menor-cinturao-verde-de-sp-sofre-com-mudancas-climaticas/ Sat, 13 Aug 2022 15:05:18 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=32821 Temperatura mais alta combinada com chuvas escassas e eventos extremos impactam produção de agricultores responsáveis boa parte das hortaliças da capital.

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selo agência pública

Nas gôndolas dos mercados, a sazonalidade dos alimentos se reflete no bolso. Frutas como abacaxis e melancias enchem as prateleiras no verão, e se reduzem no inverno, com reflexo no preço. Quando toda a safra da temporada rende mal, a inflação dos alimentos é generalizada. E é exatamente isso que estamos prestes a presenciar nos próximos anos — em todos os anos.

Seu Ivo Bernardo da Silva, 68 anos, produz hortaliças desde 2000 em um pedaço de terra de 7,5 mil metros quadrados em Jundiapeba. Lá, mais de 300 famílias dividem espaço no assentamento que virou um distrito do município de Mogi das Cruzes, parte do cinturão agrícola que abastece a capital São Paulo. Há 20 anos, ele carrega consigo um caderninho onde anota diariamente a relação entre o clima e sua capacidade produtiva.

“Eu tenho marcado no meu caderno. A última vez que caiu uma chuva boa foi em 6 agosto de 2012”, relata. “Foi o ano que a gente mais produziu aqui na chácara.” Na última década, a insegurança climática só fez crescer. O episódio mais dramático é de julho do ano passado, quando os produtores acordaram com seus sítios completamente brancos. Uma geada caiu sobre Jundiapeba e destruiu quase toda a safra de hortaliças — foi a mais forte das quatro que atingiram a região nos últimos 20 anos.

No caso de seu Ivo, a perda foi de aproximadamente 60% da produção. “Ano passado eu parei a construção da minha casa porque eu perdi tudo duas vezes”, diz. Dona Maria José Marques da Silva, agricultora de 46 anos nascida no interior de Pernambuco, também relata o mesmo problema. Assim como Maria Fernanda Vieira, outra moradora do assentamento. “Foi excesso de chuva, excesso de gelo, excesso de calor. Foi excesso de tudo”, desabafa a jovem produtora de 29 anos.

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Ivo Bernardo da Silva e seu caderno. Foto: Fellipe Abreu/Agência Pública

O impacto do gelo chegou à capital. A Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo, popularmente conhecida como Ceagesp, principal distribuidora de alimentos de São Paulo (movimenta 280 mil toneladas por mês), registrou queda de 27 toneladas de hortaliças oriundas de Mogi das Cruzes, entre os meses de maio e junho de 2021, início da onda de frio.

Os preços de diversos alimentos subiram. Em alguns casos, quase dobraram: o engradado da alface lisa, por exemplo, subiu de R$ 14,18 para R$ 26,39 em 20 dias; e da alface-crespa, de R$ 13,57 para R$ 22,89.

Forma-se assim um efeito dominó na cadeia produtiva de alimentos. O preço sobe primeiro devido à lei de demanda e oferta — que cai quando uma safra vira gelo. No médio prazo, para cobrir o prejuízo dos produtores e reduzir a exposição ao risco de novos eventos climáticos extremos.

Na perspectiva de longo prazo, a atividade agrícola se inviabiliza e as novas gerações de agricultores abandonam o campo, e a terra que gera comida e renda ou vira periferia onde vivem trabalhadores urbanos com baixa oferta de infraestrutura ou solo para monocultura onde empresas plantam commodities cujo destino principal é o porto de Santos. Um quadro presente principalmente na região oeste do Cinturão Verde (onde os principais municípios são Ibiúna, Itapetininga, Piedade do Sul e Sorocaba), onde o Instituto Florestal registra uma gradual transição de propriedades familiares para monocultura.

No livro Serviços Ecossistêmicos e bem estar humano na reserva da Biosfera do Cinturão Verde da cidade de São Paulo, publicado em dezembro de 2020, o mesmo Instituto Florestal, órgão da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo que pesquisa a conservação das matas paulistas, afirma que “a crise econômica no mercado de um produto específico causa o não plantio e o desemprego rural”. E conclui que “essas tendências ameaçam a rede social dos agricultores familiares, o modo de vida rural e a preservação da multifuncionalidade da agricultura”.

Cinturão Verde e o abastecimento de comida em São Paulo

Mogi das Cruzes integra a região do alto Tietê, área leste do imenso Cinturão Verde paulista, que ocupa 7,5% do território do estado — sendo metade disso área produtiva. Um território tão grande que é composto de dois biomas (Mata Atlântica e Cerrado), abrange 78 municípios e tem população superior a 16 milhões de pessoas.

Desde 1994, a área é reconhecida pela Unesco como Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA). O órgão das Nações Unidas voltado para a educação, a ciência e a cultura define uma reserva da biosfera como “ecossistemas terrestres, marinhos e costeiros, onde deve-se promover soluções que conciliam a conservação da biodiversidade com seu uso sustentável”.

De seus mais de 2 milhões de hectares, 40% são dominados por vegetação nativa. Cerca de 15% se caracterizam por ocupação urbana e o restante, por produção agrícola.

“É uma região fundamental para o abastecimento da cidade, para a geração de renda local, e é estratégica diante da pressão das mudanças do clima”, resume Manuela Santos, pesquisadora em sistemas alimentares e mestre em ecologia pela Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP).

Todo o conjunto do Cinturão Verde é responsável pela produção de mais de 70% das hortaliças consumidas no município de São Paulo e 30% de tudo o que é produzido no estado, de acordo com o relatório “Cinturão+Verde”, da Fundação Getulio Vargas (FGV), de maio deste ano. São desenvolvidas ao menos 47 diferentes culturas, sendo as hortaliças folhosas, couves, raízes (como cenoura e beterraba) e cogumelos as principais. A alface é, de longe, a mais presente: 51% dos estabelecimentos se dedicam a seu cultivo e comercialização.

Cerca de dois terços dos estabelecimentos produtivos do Cinturão Verde são de agricultura familiar. Esse mesmo levantamento da FGV estima que sejam, ao todo, 5 mil propriedades: 85% delas têm no máximo 20 hectares, mas empregam 75% da mão de obra e são responsáveis por 60% do valor bruto de produção — um faturamento anual superior a R$ 430 milhões.

Esse conjunto de mata nativa com agricultura familiar garante também um tesouro de biodiversidade e uma reserva natural para a manutenção do microclima local a temperaturas adequadas para a vida humana e para a lavoura — um investimento para o conforto térmico das mais de 25 milhões de pessoas que vivem dentro do cinturão. Áreas nativas de florestas, campos, cerrado, restinga e mangue compõem 17,5% de toda a vegetação do estado.

O Instituto Florestal lista 11 serviços ecossistêmicos garantidos pela manutenção do Cinturão Verde — ou seja, benefícios gerados pelos ecossistemas para a recuperação das condições ambientais e melhora da qualidade de vida das pessoas. Entre eles estão:

  • Fornecimento e purificação da água;
  • Controle de erosão, escorregamentos, assoreamentos e inundações;
  • Controle da qualidade do ar;
  • Absorção de carbono e redução de gases de efeito estufa;
  • Regulação do clima.

Bacia do alto Tietê

Mogi das Cruzes é um dos oito municípios que mais colaboram para a produção agrícola da região do alto Tietê, junto de Suzano, Poá, Ferraz de Vasconcelos, Itaquaquecetuba, Biritiba Mirim, Guararema e Salesópolis. Somados, são responsáveis por 275 mil toneladas de hortaliças, mais da metade de tudo que o Cinturão Verde produz.

O Censo Agropecuário de 2017 informa que o município, onde se localiza o distrito de Jundiapeba, é o líder em área cultivada e em quantidade de alimentos. Com foco em hortaliças, são mais de 7.600 mil hectares que geram quase 112 mil toneladas. A venda e a distribuição dos produtos são responsáveis por 94% da receita das famílias que vivem em áreas rurais da cidade.

São números que dão a dimensão do que significa o suor que seu Ivo, dona Maria e tantos outros despejam todo dia sobre a terra onde trabalham. “Sou analfabeta, então acho melhor trabalhar na roça. É o que eu sei fazer”, diz a agricultora.

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Maria José Marques da Silva, agricultora de 46 anos, já perdeu safras de hortaliças por conta das mudanças climáticas. Foto: Fellipe Abreu/Agência Pública

Há mais de uma década, Valdecir Ribeiro, 55 anos, cultiva hortaliças e tira daí o sustento de sua família. Seis anos atrás, no entanto, uma chuva torrencial destruiu tudo: perdeu a colheita e as mudas e teve que dispensar os oito funcionários que mantinha à época.

“O nosso problema aqui é água, porque na seca falta água e na chuva tem excesso de água, né?”, resume Valdecir, que há cerca de dois anos fundou a Cooperativa dos Produtores Agrícolas Solidários do Alto Tietê, da qual é o atual presidente.

A bacia do alto Tietê já sofre de forma inequívoca as consequências das mudanças climáticas, reforça o levantamento feito pelo Instituto Florestal.

No caso das chuvas, a precipitação anual total registra aumentos discretos na região, com maior incidência de eventos de chuva intensa. Por outro lado, a precipitação anual total abaixo de 10 milímetros (ou seja, chuvas moderadas que colaboram para a produção agrícola, aquelas de que seu Ivo sente falta), está em queda consistente na última década. O resultado é o aumento na frequência de dias secos intensos, embora com mais eventos de chuvas intensas.

“Agora mesmo, a gente já está com problema com água”, lamenta Valdecir. E a preocupação é justificada: ele relata que o volume de água de seu poço artesiano já caiu 30% durante o período de inverno e que, por isso, seu maquinário de irrigação hoje demora mais de uma hora para dar conta da lavoura — em condições normais, leva menos de 20 minutos.

“Quer dizer, se continuar desse jeito [sem chuvas], em outubro vamos passar dificuldade com essa seca”, conclui.

A temperatura máxima média também aumentou ao longo da última década, assim como a maior temperatura máxima diária — com aumento crescente em direção ao leste da bacia do alto Tietê. A temperatura mínima diária também aumentou em todos os indicadores analisados, o que significa que dias frios estão ficando menos frios — o número de dias cuja mínima esteve abaixo de 10 oC também está em queda acentuada.

Como consequência de dias mais quentes e menor frequência de chuvas, a análise dos resultados observa o crescimento do déficit hídrico climatológico e “redução significativa” de excedente hídrico, com potencial aumento de risco para o abastecimento da população local.

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Valdecir Ribeiro cultiva hortaliças há mais de uma década. Foto: Fellipe Abreu/Agência Pública

Mudanças climáticas: pressão constante no campo

“Agora a gente tem medo de plantar, medo de perder tudo”, desabafa dona Maria, que cultiva hortaliças em um terreno de 3 mil metros quadrados. O clima de apreensão é total entre os produtores de Jundiapeba — e não há época do ano em que estejam imunes ao novo regime climático.

O plantio e a colheita das hortaliças ocorrem geralmente quatro vezes ao ano, seja na mesma área, seja em sistema rotativo. São vários os fatores que influenciam a tomada de decisão sobre qual será a cultura que receberá mais investimento a cada ciclo.

Tipos de alface e folhas em geral têm predominância no campo devido à facilidade com a qual são distribuídos para intermediários, mercados e feiras na capital. Especialmente durante o verão e toda a época de calor, quando o consumo de saladas aumenta. A mesma lógica se aplica a raízes, como cenoura e beterraba, cujo pico de demanda se dá no calor. No entanto, todas elas são culturas mais bem adaptadas a temperaturas amenas e a chuvas moderadas.

O ciclo das hortaliças tem, portanto, seu ápice no meio do ano — é o momento em que estão mais bonitas e rendem mais. A procura cai, mas a produtividade compensa e garante a manutenção da renda familiar e de reinvestimento dos agricultores.

A intensificação dos eventos climáticos extremos compromete o planejamento produtivo e qualquer chance de previsibilidade para o negócio. O relatório “Mudanças climáticas e eventos extremos no Brasil”, produzido pela Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), informa que há aproximadamente duas décadas a temperatura média no estado de São Paulo durante o mês de setembro (quando há baixa incidência de chuvas) chegou a ficar mais de 4°C acima da média histórica — gerando prejuízos que podem chegar à casa dos centenas de milhões de dólares nas produções agrícola e pecuária.

O outro extremo também assusta os agricultores. Quando ocorrem ondas de frio intenso, sobretudo se acompanhadas de geada, no outono e inverno, hortaliças folhosas incorrem em perda total. A primavera e o verão, quando as temperaturas sobem, são também a época das grandes chuvas e enchentes — novamente, com risco de zerar a produção. “O problema não é um evento extremo específico, mas esse ciclo de chuvas intensas seguidas de período mais seco. Eles [os produtores] não têm tempo para se recuperar de uma perda”, explica a pesquisadora Manuela Santos. De acordo com o Instituto Florestal, a frequência de chuvas intensas na região metropolitana de São Paulo é três vezes maior que no resto do estado.

Ainda em 2007, quando os impactos das mudanças climáticas eram menos evidentes na região, o cientista americano Robert De La Peña e a cientista britânica Jacqueline Hughes publicaram o paper “Improving vegetable productivity in a variable and changing climate”, em que já indicavam que “fenômenos como dias e noites quentes, ocorrência de geadas, secas intensas e duradouras, chuvas intensas, vendavais, entre outros, devem tornar-se mais comuns”. Quando projetam as condições climatológicas para o Brasil em 2100, concluem que a “futura produção de alface deve sofrer grande prejuízo”.

A lista de potenciais danos aos cultivos apontada no artigo é extensa: formação de plântulas (fase embrionária das hortaliças) anormais, morte das sementes, perda de uniformidade nos estandes de lavoura (o que leva à baixa produtividade), queima das bordas das folhas (esta em decorrência da deficiência de cálcio e boro, impossibilitando o consumo), florescimento precoce, acúmulo de látex e produção de folhas amargas, entre outros.

Abandono do campo

Globalmente, são dos pequenos sítios de agricultura familiar que vem grande parte de nossa comida. A ONU estima que sua participação no mercado de alimentos varia entre 40% e 85% no conjunto de países da Ásia, África e América Latina.

O mesmo relatório das Nações Unidas relaciona a importância da produção local e familiar de alimentos com três aspectos fundamentais para o desenvolvimento sustentável: promove maior biodiversidade, tem menos impacto ambiental e é mais resiliente às mudanças climáticas.

No entanto, os pequenos produtores vêm enfrentando mais dificuldades para se manter no campo. O acesso à terra está sendo limitado pela especulação fundiária e/ou pela expansão das áreas urbanas — com efeitos antagônicos: parte se deve ao empobrecimento de um contingente da população que faz avançar o processo de favelização em direção ao interior; parte se deve à valorização de áreas verdes cujos terrenos são comercializados por incorporadoras e viram condomínios fechados.

Somam-se a isso as restrições ao crédito e a serviços financeiros em geral, a dificuldade em operacionalizar a distribuição dos alimentos sem a figura do atravessador e a baixa produtividade em comparação a monoculturas e plantações cujos proprietários investem em sementes geneticamente modificadas e fertilizantes de alto desempenho.

Os riscos provocados pela crise climática são a gota d’água para muitos. “Vem uma chuva e você fica com as dívidas todas”, se queixa Valdecir. A insegurança diante de um clima cada vez mais instável, afirma o presidente da cooperativa, é o principal motivo para que os jovens abandonem o trabalho rural. “Aqui, você vale só a sua produção. Choveu demais, você perde tudo.”

Dona Maria relata que seu filho desistiu de trabalhar no campo depois de ter enfrentado perdas recorrentes na produção. Hoje, aos 25 anos, Ronaldo trabalha em uma atividade urbana no centro da cidade, vizinha de Suzano, ainda que more numa casa construída no mesmo terreno onde a mãe lida com sua lavoura.

A permanência na terra é, também, questão social. A ecóloga Anita Valente da Costa, do Fundo Agroecológico, relata que no extremo sul de São Paulo, nas áreas rurais do bairro de Parelheiros — que também integra o Cinturão Verde —, mais da metade dos agricultores não conseguem sequer acessar um salário mínimo. E ficam à mercê da especulação imobiliária. “Quando vem uma onda de valorização para as terras, para eles vale a pena vender, porque não conseguem viver da agricultura”, afirma.

O caso de Parelheiros é um exemplo do que pode ocorrer em todo o Cinturão Verde. Anita explica que, lá, as pressões causadas pela urbanização descontrolada e pelos empreendimentos privados fazem com que cada vez mais “terras agricultáveis tenham o uso mudado” — sendo um dos usos o problema da ocupação ilegal, com riscos até para a segurança dos moradores.

Favelização da área rural

A propriedade de dona Maria se localiza na área conhecida como “baixada”. O motivo é autoexplicativo: trata-se de uma região mais baixa em relação ao distrito de Jundiapeba, à margem sul do rio Jundiaí.

Quando há precipitação de chuva intensa, é para lá que a água escoa e se acumula. Dentro de sua própria casa se veem nas paredes e armários marcas que vão do chão a até aproximadamente 50 centímetros de altura, resultado da lama que entra durante esses eventos.

“Fica um cheiro muito ruim”, conta a agricultora. “E tem risco até de pegar doença, aquela doença do rato lá que não lembro nome”, diz, referindo-se à leptospirose, doença infecciosa causada por contato com uma bactéria presente na urina de animais, principalmente ratos.

O medo se justifica de vários modos. Primeiro porque, de fato, as tempestades com precipitação de água acima do normal aumentam constantemente. Mas os principais motivos estão relacionados à ação humana direta.

À margem oposta do rio Jundiaí não há um centímetro sequer de terra livre para plantio. Construções ilegais dos mais diversos tipos e materiais — há desde barracos simples de madeira até casas de alvenaria com três andares — se distribuem entre a parte alta e a porção alagada do rio.

A profusão de casas e prédios irregulares entupiu e tornou inócuas as valetas que foram instaladas para drenar o excesso de chuvas e preservar o solo dos agricultores, como dona Maria. E o rio, principal fonte de água para os plantios, passou a ser banheiro público: sem rede de esgoto, os dejetos expelidos pelas novas moradias são despejados em seu curso.

Em 2012, o Banco Mundial publicou um estudo sobre os riscos de desastre em relação à habitação irregular na cidade de São Paulo. O resultado aponta que até o fim do século pouco mais de 10% da população mais pobre da metrópole pode ocupar zonas com risco de deslizamento de terra e inundações. E ainda mais grave: nas comunidades periféricas, já nas próximas décadas, mais de 5% das áreas de favelas estão “extremamente propensas” a eventos extremos destrutivos. A orientação do estudo é expressa: as medidas de adaptação mais urgentes devem ocorrer nas áreas mais vulneráveis.

Os prejuízos ambientais são evidentes, mas as consequências socioeconômicas são tão graves quanto. Menos água de qualidade significa menos capacidade produtiva. Ou seja, menos produção de alimentos, aumento de preços aos compradores e redução de renda aos agricultores. O crescimento demográfico resulta ainda em conflitos sociais: Jundiapeba é conhecida, hoje, como o bairro mais perigoso de Mogi das Cruzes, sendo os furtos a residências o crime mais comum. “Ah, já entraram na minha casa várias vezes. Das vizinhas tudo, aqui. E aí levam o que encontram mesmo, dinheiro, eletrodomésticos… O que der, levam”, relata dona Maria.

A economista Yara Carvalho, que já foi presidente da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde de São Paulo e é efetiva do Instituto de Economia Agrícola da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, explica que, tradicionalmente, em todo o Cinturão Verde a agricultura teve o papel de embarreirar “a ocupação desordenada e a expansão urbana de baixa qualidade”. E exerce a dupla função de ser uma espécie de controle térmico natural na metrópole. As bacias hidrográficas, a vegetação e o solo não impermeabilizado pelo asfalto são essenciais para mitigar eventos climáticos mais extremos. “É um fator de adaptação para o clima”, resume Yara.

E a região do alto Tietê é especialmente importante para o controle da poluição na capital. “Se perdermos essas áreas verdes, o problema será grande aqui em São Paulo”, conclui a economista.

O risco é real: vai faltar comida

Hoje, enquanto você lê esta reportagem, há mais de 800 milhões de pessoas subnutridas no mundo e 2 bilhões de pessoas em situação de insegurança alimentar.

Se é um número grande demais para dimensionar, pense no Brasil. Estima-se que a população brasileira esteja em 216,5 milhões. De acordo com o 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia de Covid-19 no Brasil, mais da metade sofre de algum nível de insegurança alimentar: 59 milhões em situação leve, 31 milhões em moderada e 33 milhões em situação de fome. Somente na capital paulista, 620 mil famílias vivem em situação de extrema pobreza e não podem se alimentar direito.

Isso ocorre no terceiro país que mais produz alimentos no planeta, 9% do total, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). O anuário da FAO informa que a soma de toda comida produzida no mundo seja de 3,8 bilhões de toneladas ao ano. A fome, ainda que suas causas sejam multifatoriais, é resultado de um amplo problema distributivo. Mas estamos caminhando para que seja, também, um problema produtivo.

O mesmo documento da FAO aponta para uma redução de produtividade e qualidade nutricional das safras. O resultado seria uma fome crônica capaz de ampliar as desigualdades sociais e atingir exatamente aqueles que têm menos capacidade de adaptação.

Em um documento publicado em 2021, o Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) alerta que o problema é para agora: pelo menos um terço da produção atual de alimentos já está em risco por causa do aquecimento global. No caso do Brasil, se o aumento da temperatura até o fim do século for de 3 °C, o prejuízo para a produção agrícola do país será de pelo menos 6%. No caso de haver um acréscimo de 4 °C, a produção média de hortaliças e leguminosas pode cair até 30%.

Um cenário de tragédia alimentar, mas também nutricional.

Quem come, come pior

A alface é, de longe, a hortaliça mais produzida no Cinturão Verde, quase um quarto de todos os alimentos cultivados. Tradicionalmente, sempre foi um bom negócio para os agricultores: tem ciclo rápido de aproximadamente 45 dias até a colheita e alta demanda na capital. A mesma lógica se repete em todo o país. No setor de folhosas, a alface é a líder. Cerca de 110 mil estabelecimentos trabalham com o cultivo, o que gera anualmente pelo menos 670 mil toneladas.

Ela é também uma das culturas que mais sofrem o impacto das mudanças climáticas. Se chove muito, apodrece. Se o calor é intenso, queima. Quando se misturam chuva e sol, pode cozinhar por dentro. Sua fragilidade diante do clima é proporcional à sua qualidade nutricional — é basicamente formada de água e fibras alimentares.

Especialistas como Manuela Santos e o geógrafo Arpad Spalding, que já coordenou um projeto municipal de agricultura familiar em Parelheiros, citam que a transição para culturas de mais fácil adaptação e de maior valor nutricional precisa ser acelerada. E, ainda assim, a perda de qualidade nutricional aponta para a irreversibilidade. “Chuvas intensas atrapalham a terra, a planta e a qualidade do solo”, explica Spalding. “E quando tem muita água no solo, a planta não consegue absorver os nutrientes.”

O cardápio de opções para reformular o modelo produtivo é enorme. São cerca de 6 mil espécies de plantas comestíveis, mas a produção global de alimentos se limita a menos de 200, e apenas nove delas respondem por dois terços dos alimentos que vêm do campo.

A concentração de terra para cultivos de monocultura é o motor principal do processo de homogeneização do agro para menos de uma dezena de grãos que integram a cadeia global de suprimentos como commodities. Desse modo, fecha-se o ciclo vicioso no qual as mudanças climáticas acentuam a desigualdade social e econômica no campo. Processo que leva à perda de biodiversidade, compromete o solo e a água (a agricultura responde pelo consumo de 70% da água doce do mundo) e libera muito mais carbono para a atmosfera do que sistemas produtivos mais complexos (sistemas alimentares  respondem por até 35% das emissões de gases do efeito estufa).

Observar a natureza para crescer com ela

A rotina é a mesma todos os dias: depois do café da manhã, seu Ivo calça as botas e vai ao quintal observar o crescimento dos seus cultivos. Na caminhada, tudo vê e tudo ouve. A observação da natureza é a regra número 1 de sua técnica agrícola. Foi assim que aprendeu a ler o movimento migratório das aves e a arquitetura dos formigueiros para prever a chegada ou não de uma tempestade.

Essa mesma observação atenta levou o agricultor a dispensar o uso de venenos, investir “apenas no natural” e promover o uso rotativo do solo. A sabedoria intuitiva de seu Ivo coincide com as técnicas mais eficazes para aumentar a produtividade sem custos adicionais e para proteger a horta dos eventos climáticos extremos.

No entanto, seu Ivo é exceção. Via de regra, explica Spalding, os agricultores têm acesso limitado a técnicas e métodos de baixa complexidade e custo. Ele lista “tecnologias básicas que melhoram a produção e a vida do agricultor”: microtúnel, instalação de estufa pequena, sistema de irrigação e sistema de plantio direto.

“Precisamos urgentemente de um programa de assistência técnica que ensine esse conjunto de ações que são muito importantes para melhorar a nossa resiliência diante da mudança do clima”, afirma Spalding. De acordo com a Política Nacional de Mudanças Climáticas, resiliência climática é um conjunto de iniciativas e estratégias que permitem a adaptação, nos sistemas naturais ou criados pelos homens, a um novo ambiente, em resposta à mudança do clima atual ou esperada.

No caso de Jundiapeba, a FGV tem uma parceria com as cooperativas locais para apresentar soluções. O plantio direto, que consiste em cobrir o solo com vegetação para protegê-lo de chuva e sol intensos, já faz parte do dia a dia de muitos produtores.

Um modelo celebrado por muitos especialistas é o agroflorestal. Nele, cabe ao agricultor replicar em sua terra as características da floresta nativa, com árvores e plantas não necessariamente produtivas. Ao atingir o equilíbrio do microambiente, a resistência a eventos extremos cresce: o solo absorve mais a água da chuva, a copa das árvores protege mais contra altas temperaturas e a barreira natural que se forma limita a ação de ventos e geadas.

Além de assistência técnica, faltam políticas públicas do início ao fim do ciclo produtivo. “Precisa de política pública para melhorar a produtividade e para garantir adaptação ao clima”, afirma Spalding. A começar pelo crédito: sem linhas de financiamento especiais, poucos agricultores familiares se arriscam a trabalhar culturas de ciclo mais longo e a explorar técnicas com resultados de médio e longo prazo.

Do plantio à colheita, os agricultores dormem e acordam apenas torcendo para que não chova demais nem de menos. Bancos e seguradoras não protegem ciclos curtos de hortaliças; portanto, a cada safra perdida, a capacidade de reinvestimento fica praticamente zerada.

Por fim, na venda e distribuição, uma vez expostos a todos os riscos mencionados acima, os agricultores muitas vezes se submetem a atravessadores que pagam valores baixos e assumem a revenda para mercados na capital. Soma-se a isso a falta de serviços bancários e atuariais, privados ou públicos, que ofereçam seguros às safras.

A organização em cooperativas é um modo de reduzir a dependência econômica de intermediários ou grandes redes de mercado. Yara Carvalho e Manuela Santos apontam também a necessidade de políticas públicas para a compra de alimentos produzidos localmente: dá segurança ao agricultor e dá ao Estado a possibilidade de direcionar a produção para atender às necessidades alimentares e nutricionais em escolas, hospitais e quaisquer outros equipamentos públicos.

Ou, como resume seu Ivo em uma frase: “Aí eu perco aqui na roça, você perde aí no mercado e o governo perde porque não arrecada imposto. O mundo exige uma mudança”.

Valor nutricional das hortaliças

* Nutrientes hortaliças verdes (brócolis, alface, rúcula): “As hortaliças verdes apresentam uma série de nutrientes: pró-vitamina A, luteína, vitamina B2, vitamina B5, vitamina B9, vitamina C, vitamina K, cálcio, ferro, magnésio e potássio. No geral, elas auxiliam no crescimento e na manutenção da pele, ossos, cabelos e visão; contribuem para os sistemas digestório, nervoso, imunológico e sexual; e reduzem o colesterol e o risco de doenças cardiovasculares”. (Embrapa Hortaliças — 2012);

* Ricas em vitaminas, minerais, fibras e antioxidantes, todas as hortaliças (com exceção de tubérculos e raízes) são compostas majoritariamente por água. Por isso, além de fornecer compostos úteis para a realização de uma série de reações orgânicas, elas também auxiliam na hidratação do corpo, que é constituído aproximadamente por 70% de água. Devido aos nutrientes que possuem, o consumo diário de hortaliças é extremamente benéfico para a saúde. A única vitamina que as hortaliças não possuem é a B12, que está presente somente em alimentos de origem animal como carne, leite e derivados. (Embrapa Hortaliças — 2012).

Essa reportagem é resultado das Microbolsas Alimentação e Mudanças Climáticas realizada pela Agência Pública, Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) e a Cátedra Josué de Castro. A 14ª edição do concurso selecionou jornalistas para investigar os diferentes aspectos desse tema no Brasil.

 

Reportagem originalmente publicada na Agência Pública

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Software é capaz de prever safras de arroz com precisão no RS, estado com maior produção do país https://canalmynews.com.br/tecnologia/software-e-capaz-de-prever-safras-de-arroz-com-precisao-no-rs-estado-com-maior-producao-do-pais/ Tue, 12 Jul 2022 20:16:53 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=31418 Ao simular a produtividade da plantação de arroz, novo modelo é capaz de prever a colheita, o que tem impacto nos preços do arroz no Brasil.

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É possível prever com boa precisão safras de arroz brasileiras utilizando o software SimulArroz, de acordo com o novo estudo de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Crops Team e Instituto Rio Grandense do Arroz. Publicada na segunda (11) na revista Pesquisa Agropecuária Brasileira, a pesquisa aponta que o software pode ajudar a melhorar a técnica de previsão já realizada no Brasil.

A análise das previsões do SimulArroz foi feita com dados sobre a área plantada de arroz no Rio Grande do Sul (RS), estado onde é produzido 70% do arroz brasileiro. Por conta dessa produção, a previsão de colheita de arroz nesse estado tem impacto sobre os preços do arroz no Brasil inteiro e na América do Sul, de forma que simulações precisas são necessárias e importantes. A análise contemplou as datas de semeadura (1 a 4), número de cultivares e/ou ciclos de desenvolvimento (1 a 3) durante quatro safras (2014/2015 a 2017/2018).

Atualmente, explicam os autores, a metodologia brasileira de previsão de safra inclui análises estatísticas, níveis tecnológicos, área de produção, condições climáticas e entrevistas com agrônomos e extensionistas. A intenção é que o uso do SimulArroz some-se a atual metodologia, conforme explica Michel Rocha da Silva, co-fundador da Crops Team e autor do estudo. “Se a atual metodologia e a proposta por nós tiverem uma sinergia no resultado, isso trará uma segurança muito maior para saber se a safra está sendo acima, baixo ou dentro da média”, afirma da Silva.

Considerando que o Brasil é o maior produtor de arroz fora da Ásia e um dos mais importantes produtores de alimentos do mundo, a geração de informações precisas sobre o desenvolvimento das safras é especialmente necessária. Além disso, acrescentam os pesquisadores, o modelo de simulação SimulArroz é uma ferramenta importante para a produção de conhecimento para produtores e formulação de políticas públicas.

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Vai faltar fertilizante no Brasil? Entenda https://canalmynews.com.br/politica/vai-faltar-fertilizante-no-brasil-entenda-as-relacoes-de-comercio-brasileiro-com-a-russia/ Fri, 04 Mar 2022 15:47:13 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=25398 Por causa do conflito entre Rússia e Ucrânia, governo Bolsonaro fala de desabastecimento e defende mineração em terras indígenas para extração de fertilizantes.

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O Brasil tem estoque suficiente de fertilizantes para manter as safras agrícolas nos próximos meses e há condições para construir autossuficiência desses produtos, afirmou o ex-ministro da Agricultura Francisco Turra. Em entrevista ao Café do MyNews desta sexta (4), Turra reforçou que não vai faltar fertilizante e que o Brasil não depende das vendas que faz para a Rússia.

O principal argumento usado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) para se manter “neutro” em relação à invasão russa na Ucrânia é o de manter as relações comerciais e evitar prejuízos financeiros. Ele e a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, falam especialmente sobre o risco de faltar fertilizante, já que o Brasil importa a grande maioria dessas substâncias para a produção agrícola nacional. Há nove dias, desde que a guerra no Leste Europeu começou, o chefe do Executivo já falou várias vezes sobre desabastecimento por causa do conflito, tanto no Brasil quanto no mundo. 

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Para Francisco Turra, o país não deve deixar de se posicionar contra a invasão pelo temor a possíveis sanções russas às exportações brasileiras. “Nós não temos nenhuma dependência [da Rússia]. Tudo o que no ano passado e nos últimos anos colocamos de proteína lá na Rússia nós colocamos em qualquer dos mercados existentes que a gente não consegue atender hoje”, explicou o ex-ministro. Ele ainda disse que a mesma lógica se aplica às transações com a Ucrânia.

Francisco Turra foi Ministro da Agricultura entre 1998 e 1999, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Também já foi presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Hoje é conselheiro da entidade. Foto: Francisco Turra (Divulgação)

A Rússia é a 12º economia do mundo, mas é muito mais relevante quando falamos da produção de petróleo e gás natural. Em 2021, comprou somente 0,6% de todas as exportações brasileiras, um montante de R$ 1,7 bilhão, segundo dados do Ministério da Economia levantados pelo UOL. De acordo com Turra, a dependência da Rússia dos produtos brasileiros vem diminuindo há alguns anos porque o país buscou a autossuficiência em relação aos alimentos. 

Consequências na logística 

O impacto imediato da guerra para o agronegócio brasileiro está relacionado às sanções econômicas impostas ao país de Vladimir Putin. Entre elas, o bloqueio dos bancos russos no sistema bancário internacional Swift e a suspensão de negócios com empresas russas. Mais de 40 empresas, incluindo gigantes como a Shell, Apple, Spotify e Renault anunciaram algum tipo de suspensão das atividades no país. 

O ex-ministro afirmou que “ontem nós ouvimos de alguns exportadores que têm cargas no mar, no porto, que já não há como reverter, eles estão bem preocupados. As perdas acontecerão. Mas como eu falei: significativa ao ponto de quebrar empresas do Brasil, ainda não temos notícias. Agora, é claro, essa reação do mundo de bloquear bens, de retirar do sistema bancário universal a Rússia, isso é óbvio que tem consequências imprevisíveis”. 

As sanções econômicas internacionais afetam inicialmente os pagamentos e as transações financeiras e o transporte das cargas, que passam por companhias internacionais.

Ex-ministro Francisco Turra em entrevista ao Café do MyNews desta sexta-feira (4). Foto: Reprodução (Youtube)

A questão dos fertilizantes 

A Rússia e a Bielorússia são fornecedoras essenciais de fertilizantes para o Brasil. Apesar do crescimento do agronegócio, não somos autossuficientes em relação aos fertilizantes. Por exemplo, o país importa cerca de 90% do cloreto de potássio – um dos principais fertilizantes utilizados no Brasil. Desse total, 20% vem da Bielorússia e o resto, da Rússia e do Canadá. A Associação Nacional para Difusão de Adubos informou que o Brasil ainda tem fertilizante para os próximos três meses.

Mesmo com a evidente dependência da Rússia nesse aspecto, Turra diz que o Brasil precisa “de mais coragem” para se posicionar contra o conflito, já que a nação europeia já suspendeu as importações brasileiras quando considerou necessário. “Quando veio a Operação Carne Fraca, vários países tomaram uma atitude contra o Brasil, na suspensão das importações [da carne brasileira]. Entre eles, a Rússia”, relembrou o ex-ministro. 

A Operação Carne Fraca foi feita em 2017 pela Polícia Federal para investigar supostas propinas pagas para a venda de carne sem inspeção em dezenas de frigoríficos brasileiros. 

Ministra Tereza Cristina, à direita, ao lado do presidente Jair Bolsonaro (PL). Antes de entrar no ministério, era a líder da bancada ruralista na Câmara dos Deputados e crítica às legislações relacionadas ao meio ambiente. Foto: Reprodução (Facebook)

A autossuficiência em relação aos fertilizantes foi outro assunto que entrou em pauta desde que a invasão à Ucrânia começou. Na quinta (3), na live semanal do presidente Bolsonaro, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, anunciou que o governo deve lançar ainda este mês um programa nacional para estimular a produção brasileira de fertilizantes. Segundo ela, o programa vem sendo estudado desde 2019. 

Desde o começo do conflito na Europa, Bolsonaro defende com mais força a mineração em terras indígenas para a produção de fertilizantes. No seu Twitter, ele enalteceu o PL 191/2020, que fala da criação de “condições” para o extrativismo hídrico e mineral em territórios dos povos nativos. Na live da quinta, Tereza Cristina citou as licenças ambientais como um dos problemas para a produção nacional dos adubos.

O ex-ministro da Agricultura Francisco Turra não acredita numa falta imediata dos adubos, mas concorda com o governo em relação à necessidade de autossuficiência do Brasil e afirmou que o extrativismo sem ferir regras ambientais é importante e pode até contribuir para a Amazônia. 

Para a geóloga e professora da Universidade de Brasília (UnB) Suzi Huff Teodoro, o presidente está usando a crise na Europa para tentar passar o PL. Ela explicou no Almoço do MyNews (assista acima) da quarta-feira (3) que estudos para mineração na Amazônia já foram feitos pela Petrobras, onde foram identificados outros entraves no início da mineração.

“Infelizmente ainda se mantêm problemas, desafios tecnológicos importantes para viabilizar a exploração. Tem problemas de logística e eu destaco como principal a oferta de energia adequada, então teria que construir um ramal a partir de uma das usinas do Norte”, contou a professora. 

O PL 191/200 quer mudar  a proibição constitucional de mineração em terras indígenas. Ainda que a exploração comece imediatamente, Teodoro reforçou na entrevista que qualquer resultado viria a longo prazo, não abasteceria o mercado em caso de uma falta dos fertilizantes causada pela guerra. Para ela, Bolsonaro está usando o conflito para incentivar a aprovação do Projeto de Lei, que aguarda criação de comissão temporária na Câmara dos Deputados.

Confira na íntegra a edição do Café do MyNews desta sexta-feira (4):

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O lado econômico da viagem de Bolsonaro à Rússia https://canalmynews.com.br/economia/o-lado-economico-da-viagem-de-bolsonaro-a-russia/ Wed, 16 Feb 2022 23:14:41 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=24081 Após reunião, presidentes do Brasil e da Rússia fazem menções à relação comercial entre as duas nações. Especialista explica como a importação de fertilizantes russos é fundamental para a economia brasileira.

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Os presidentes do Brasil, Jair Bolsonaro, e da Rússia, Vladimir Putin, fizeram discursos com foco na economia após realizarem uma reunião de cerca de duas horas em Moscou nesta quarta-feira (16). Não houve abertura para perguntas da imprensa e nenhum dos mandatários citaram a crise na fronteira ucraniana.

Putin começou seu discurso agradecendo a visita brasileira, aproveitando a oportunidade, inclusive, para enviar condolências em referência à tragédia provocada pelas chuvas na cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro.

No discorrer da fala, o russo afirmou que “Brasil e Rússia têm amizade e entendimento, além de laços humanitários e econômicos, e cooperamos nas áreas internacionais nos maiores fóruns, como a ONU e o BRICS. Manifestamos a vontade de aprofundar a ligação econômica dos dois países, […] pois o Brasil é o maior parceiro da Rússia na América do Sul e Caribe”.

O presidente russo ressaltou, ainda, a reativação da comissão empresarial Rússia-Brasil, abordando os investimentos, correntes e futuros, das empresas russas no país em diversas áreas, sobretudo nos setores tecnológicos, aeroespacial e de energia nuclear. Putin enfatizou que busca mais cooperação com o Brasil no âmbito do agrupamento denominado BRICS (composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que desempenha um papel importante na economia mundial.

bolsonaro na rússia

Presidente da República Jair Bolsonaro (PL) durante declaração à Imprensa.
Foto: Alan Santos (PR)

Já Bolsonaro agradeceu a Putin pelo convite e reiterou a pauta de costume e valores: “Conversamos por quase duas horas, uma agenda bastante profícua e de amplo interesse para os nossos países. Compartilhamos valores comuns, como a crença em Deus e a defesa da família tradicional. Também somos solidários com quem quer se empenhar pela paz”.

Assim como o russo, o chefe do Executivo brasileiro ressaltou a colaboração intensa nos principais foros internacionais. No entanto, Bolsonaro aproveitou a ocasião para dar uma alfinetada nos Estados Unidos e nos países da União Europeia.

Após agradecer o convite, Bolsonaro disse ser grato pelo apoio russo à soberania nacional do Brasil, enquanto, por outro lado, “alguns países quiseram transformar a Amazônia em patrimônio mundial da humanidade”.

Os presidentes da República do Brasil, Jair Bolsonaro, e da Federação Russa, Vladmir Putin, durante declaração à Imprensa. Foto: Alan Santos (PR)

Necessidade comercial

O advogado Emanuel Pessoa, que atua na área de Direito Econômico Internacional, explicou que, por trás da viagem de Bolsonaro e desse encontro entre líderes, a principal pauta em jogo diz respeito ao comércio internacional de fertilizantes.

“Os principais itens de exportação brasileiro são produtos primários, com grande destaque para produtos agrícolas e commodities minerais… Dentro do ponto de vista das commodities agrícolas, o Brasil importa 80% dos fertilizantes que utiliza; e desse percentual, a Rússia é responsável por 24% – outros 6% é proveniente da Bielorrússia, que é extremamente alinhada ao Kremlin”, elucida Pessoa. “Na prática, dependemos desse eixo Moscou – Minsk importarmos 30% dos fertilizantes que utilizamos”, declarou.

Segundo o advogado, sem essa parceria comercial saudável, o Brasil sofreria um enorme impacto econômico. “Haveria uma queda violentíssima na nossa produtividade agrícola, que impactaria o custo de vida de todos os brasileiros e consequentemente do mundo todo, uma vez que o Brasil é o principal exportador de gêneros alimentícios do planeta. Faria com que o preço da comida disparasse”, afirmou.

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A entrevista completa com o advogado Emanuel Pessoa e mais detalhes sobre o encontro entre Bolsonaro e Putin, você confere no MyNews Investe desta quarta-feira (16):

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