Arquivos arte - Canal MyNews – Jornalismo Independente https://canalmynews.com.br/tag/arte/ Nosso papel como veículo de jornalismo é ampliar o debate, dar contexto e informação de qualidade para você tomar sempre a melhor decisão. MyNews, jornalismo independente. Tue, 05 Nov 2024 14:42:43 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 ‘Estava convencido’: Costantini conta como comprou ‘Abaporu’, famosa obra de Tarsila https://canalmynews.com.br/brasil/estava-convencido-constantini-conta-como-comprou-abaporu-famosa-obra-de-tarsila/ Tue, 05 Nov 2024 12:26:32 +0000 https://localhost:8000/?p=48219 Em entrevista à Revista Legado, parceira do MyNews, empresário argentino revela que adquiriu a obra por US$1,35 milhão (R$ 7,7 milhões pela cotação atual)

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Era novembro de 1995 quando o empresário argentino Eduardo Costantini, que fez fortuna no mercado imobiliário, chegou à Nova York para participar de um leilão na renomada Christie’s, empresa especializada em venda de obras de arte e peças de luxo. Naquela noite, assessorado pelo empresário uruguaio Ricardo Esteves, Costantini deixou uma “pequena” fortuna nos cofres da casa de leilão, mas voltou à Argentina com um dos quadros brasileiros mais valiosos do mundo: o Abaporu.

A obra foi anunciada como a Lote 40 do leilão realizado no dia 21 de novembro de 1995. “E, bem, começou a disputa”, contou Costantini à jornalista Sylvia Colombo, em entrevista à Revista Legado, parceira do MyNews.

“Havia outro comprador que era brasileiro e, bem, começamos a disputa. Eu estava convencido da importância da obra porque meu amigo [Ricardo Esteves] tinha me educado sobre isso. No final das contas, consegui comprar o Abaporu”, afirmou.

“E esse comprador brasileiro [que estava acompanhado por um grupo de outros brasileiros], muito amigavelmente, tinha reservado uma suíte de hotel para celebrar a compra do Abaporu, nos convidaram para ir à suíte, de alguma maneira, para celebrar a compra. Nos ofereceram champagne, etc.”, acrescentou.

Leia mais: Eleições nos EUA: às vezes, quem ganha não leva

Costantini adquiriu Abaporu por US$1,35 milhão (R$ 7,7 milhões pela cotação atual), um recorde nacional à época. No dia seguinte ao leilão, afirmou que o fato de ele ser o novo proprietário da obra era “bom para o Brasil”, pois pretendia expor a nova aquisição para todo o mundo.

Alguns anos depois, o quadro então foi doado ao acervo do Museu de Arte Latino-Americana (Malba), fundado por Costantini em 2001 com o objetivo de colecionar, preservar e difundir e arte latino-americana. Anos depois, ele fez uma proposta ao governo brasileiro, à época chefiado pela ex-presidente Dilma Rousseff.

“Eu disse à Dilma: ‘Imagine se o Brasil pudesse persuadir um grupo de empresário a criar um Malba em São Paulo ou no Rio’. Nós [do Malba em Buenos Aires] nos apresentaríamos ou devolveríamos Abaporu e faríamos um programa conjunto. Malba Brasil e Malba Argentina.”

O projeto não reuniu nenhum interessado e, por isso, a obra continua exposta na Argentina.

A história de ‘Apaporu’

A obra de Tarsila do Amaral, pintada durante a fase do modernismo brasileiro, foi dada como presente de aniversário ao então marido da artista, Oswald de Andrade, em janeiro 1928. O nome “Abaporu” surgiu naquele mesmo dia, quando Oswald e seu amigo Raul Bopp disseram que aquela forma enigmática de um homem nu sentando sobre a terra se parecia com um “índio canibal”. Satisfeita com a interpretação, Tarsila pegou um dicionário de tupi-guarani e batizou o quadro de Abaporu, junção das palavras “aba” e “poru”, que juntas significam “homem que come”.

Quase dois anos depois de se presenteado com o que viria a ser tornar um dos quadros brasileiros mais valiosos de todos os tempos, Oswald e Tarsila se separaram. Com a partilha de bens do casal, “Abaporu” ficou nas mãos da pintora, que tinha o sonho de que a obra passasse a compor permanentemente o acervo de um museu.

Nos anos 1960, Tarsila vendeu Abaporu para o colecionador Pietro Maria Bardi, fundador do Museu de Arte de São Paulo (Masp). Mas Bardi preferiu lucrar com a obra e, apenas um mês depois de comprá-la, revendeu o quadro para o colecionador e empresário Érico Stickel.

Quase 24 anos depois, em 1984, o galerista Raul Forbes resolveu adquirir a obra por US$ 250 mil (R$ 1,4 milhão), o valor mais caro já investido em uma pintura brasileira até então. Entretanto, após perder muito dinheiro na bolsa de valores, Forbes passou a enfrentar um período de problemas financeiros e, “com muita dor no coração”, como declarou à Revista VEJA em 2019, decidiu vender o quadro.

Em um primeiro momento, tentou encontrar algum comprador brasileiro, mas ninguém se mostrou interessado. Então, decidiu levar o Abaporu para Nova York e tentar vendê-lo fora do país, mas foi impedido pela Justiça Estadual de São Paulo. Ao saber que a obra estava deixando sua terra de origem para ser leiloada no exterior, o órgão decidiu dar início ao processo de tombamento da obra para impedir a viagem.

A tentativa da Justiça fracassou. Forbes ingressou com uma liminar para conseguir tirar Abaporu do país e teve êxito em seu plano. A autorização foi concedida e a obra embarcou rumo à Nova York faltando menos de 24 horas para o início do leilão.

Chegando aos Estados Unidos, no entanto, encontrou desafios. A batalha judicial pelo tombamento da obra, o que impediria também sua comercialização, afugentou dois dos compradores interessados. De acordo com a VEJA, a diretora da Christie’s perguntou a Forbes se ele gostaria de desistir da venda, mas ele respondeu que não poderia desistir àquela altura. O resto é história.

*Sob supervisão de Sofia Pilagallo

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A união da arte e da IA: uma nova era de criatividade https://canalmynews.com.br/tecnologia/a-uniao-da-arte-e-da-ia-uma-nova-era-de-criatividade/ Thu, 20 Jul 2023 13:49:43 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=38560 À medida que a tecnologia de IA continua a evoluir e desempenhar um papel maior no mundo da arte, considerações éticas devem ser abordadas.

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Arte e inteligência artificial (IA) podem parecer uma combinação improvável, mas sua relação está se fortalecendo a cada dia. Embora a tecnologia de IA possa acelerar o processo criativo, ela não pode substituir a criatividade e a perspectiva únicas dos artistas humanos. Neste artigo, explicarei como os artistas estão utilizando a IA para aprimorar seu processo criativo, as considerações éticas em torno da arte gerada por IA e o impacto que essa tecnologia está tendo no mundo da arte.

Os artistas sempre criaram arte com base em suas experiências e conhecimento. Eles se inspiram em outros artistas e combinam seus conhecimentos para criar algo único. A inteligência artificial (IA) é semelhante nesse sentido. Embora a IA possa analisar dados e gerar ideias rapidamente, ela ainda é baseada em entrada e conhecimento humano. Algoritmos de IA podem ajudar os artistas a superar bloqueios criativos e gerar ideias que eles não teriam pensado de outra forma. A IA também pode analisar o estilo de um artista e ajudá-lo a criar novas obras que são similares, mas únicas.

À medida que a tecnologia de IA continua a evoluir e desempenhar um papel maior no mundo da arte, considerações éticas devem ser abordadas. Uma dessas considerações é quem detém os direitos sobre a obra de arte gerada por IA. Na minha opinião, a pessoa que fornece a entrada para a IA deve ser proprietária dos direitos sobre a obra resultante, pois sem a entrada dela, a imagem não existiria. Além disso, uma vez que a arte é tornada pública, ela se torna parte do conhecimento geral e do patrimônio cultural que deve ser livremente acessível a todos.

Arte e IA

Imagem criada por Allex Ferreira & Midjourney

Vamos dar uma volta pelo passado e imaginar se o Rei do Rock and Roll, Elvis Presley, tivesse que desembolsar dinheiro pelo blues que inspirou sua carreira. É um cenário que faz a mente explodir e levanta algumas questões provocativas sobre o processo artístico. Elvis teria freado sua carreira musical devido ao alto custo dessas influências musicais? Ou ele teria cavado mais fundo em seus bolsos, forçando-o a se apresentar por horas em algum clube sujo apenas para manter as contas em dia?

Mas vamos encarar a realidade, a arte sempre foi inspirada pelo que veio antes dela e é difícil colocar um preço na inspiração. A ideia de pagar pela inspiração criativa pode potencialmente colocar um freio em todo o processo criativo. Afinal, a criatividade não deveria se tratar de enriquecer outra pessoa, mas sim de expressar-se e ultrapassar limites. Ao mesmo tempo, precisamos encontrar um equilíbrio entre proteger os direitos dos artistas e criar um ambiente que promova a criatividade e incentive a inovação.

A IA também está sendo usada como um meio para novas formas de arte. Alguns artistas estão criando instalações interativas que utilizam algoritmos de IA para responder ao ambiente ou às ações das pessoas. Isso cria uma experiência única e dinâmica para os espectadores e abre novas possibilidades para a arte.

“The idea is not to live forever, it is to create something that will”
Andy Warhol

“What is not art?”
Andy Warhol

Apesar dos meus diversos interesses, a fotografia sempre foi minha verdadeira vocação, e constantemente busco novas maneiras de aprimorar minha arte. Por isso, recentemente comecei a experimentar uma incrível ferramenta de IA chamada Midjourney.

Midjourney se tornou minha ferramenta principal para gerar imagens únicas que são criativas e inspiradoras. Com esta ferramenta, posso inserir minhas ideias em prompts e, em questão de segundos, a IA gera uma imagem que se alinha com minha visão. Embora ocorram erros ocasionais, a qualidade geral das imagens é impressionante, e estou constantemente surpreso com os resultados.

Arte e IA

Imagem criada por Allex Ferreira & Midjourney

Como fotógrafo, estou sempre procurando novas maneiras de levar minha criatividade ao limite. Midjourney abriu um mundo de novas possibilidades para mim, permitindo que eu explore novos estilos e técnicas que antes estavam fora de alcance. A capacidade de gerar imagens únicas de maneira rápida e fácil mudou o jogo para meu processo criativo, e estou ansioso para explorar todo o potencial desta incrível ferramenta.

Um dos meus experimentos recentes foi gerar uma imagem com o estilo de Sebastião Salgado como referência, pedindo à IA para produzir uma imagem com sua assinatura de cores. Os resultados foram impressionantes, e aqueles familiarizados com o trabalho de Salgado certamente reconheceriam sua influência na imagem gerada.

Arte e IA

Imagem criada por Allex Ferreira & Midjourney

Sempre fui fascinado pela ideia de capturar a beleza única das tribos africanas. No entanto, devido a vários obstáculos logísticos e financeiros, tem sido um desafio realizar esse sonho. É aí que Midjourney entra em cena. Usando essa incrível ferramenta de IA, posso inserir minhas ideias ou prompts e gerar uma imagem que corresponde de perto ao que eu imaginei. Embora não seja a mesma coisa que estar na África e fotografar as tribos pessoalmente, é o melhor que posso fazer.

Arte e IA

Imagem criada por Allex Ferreira & Midjourney

A arte e a inteligência artificial (IA) ainda estão explorando juntas o seu potencial. As possibilidades são infinitas e empolgantes à medida que mais artistas e pesquisadores experimentam a IA no processo criativo. Embora a IA possa oferecer novas oportunidades aos artistas e ajudá-los a superar bloqueios criativos, a perspectiva única dos artistas humanos sempre será insubstituível. À medida que a tecnologia de IA continua a evoluir e se tornar mais acessível, será interessante ver como os artistas incorporarão isso em suas práticas artísticas e como isso afetará a forma como criamos, visualizamos e entendemos a arte. A IA se tornará uma ferramenta que nos permitirá criar arte além da imaginação humana, ou será apenas uma ferramenta que nos ajuda no processo criativo? Somente o tempo dirá, mas as possibilidades são certamente emocionantes.

 

Allex Ferreira, um artista visionário e fotógrafo, tem sido um pioneiro na intersecção de tecnologia e arte. Desde 2011, Allex tem explorado a tecnologia blockchain, sendo um dos primeiros adeptos do Bitcoin. Recentemente, voltou sua atenção para a inteligência artificial, integrando-a em seu trabalho artístico. Allex também contribui com escritos sobre blockchain, oferecendo uma perspectiva única sobre esta tecnologia revolucionária. Seja através da lente de uma câmera ou das últimas tendências tecnológicas, Allex sempre busca novas maneiras de unir tecnologia e arte.

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Velório de Erasmo Carlos será restrito à família e aos amigos https://canalmynews.com.br/mais/velorio-de-erasmo-carlos-sera-restrito-a-familia-e-aos-amigos/ Wed, 23 Nov 2022 14:14:29 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=34701 Família pede: quem quiser homenageá-lo escute suas músicas

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A família do cantor Erasmo Carlos, que morreu na madrugada de ontem (22), no Rio, informou que o velório será restrito à família e aos amigos íntimos. Não cita o local onde o corpo será velado, nem a hora e o dia do enterro e sugere que quem quiser homenageá-lo, escute suas músicas, suas mensagens. “Nada o faria mais feliz e amado!”.

O texto da família e da equipe e banda Erasmo Esteves diz: “No dia do músico, nosso amado Erasmo Esteves, o Erasmo Carlos, o Gigante Gentil, o Tremendão, o Pai do Rock Nacional, se despediu. Erasmo criou, amou, acompanhou cada um de nós nos momentos importantes das nossas vidas. Além de todas as maravilhas que compôs e cantou durante décadas, nos deixou recados: o futuro pertence à jovem guarda. E é preciso saber viver!”

Em outro trecho a nota diz: “Vamos continuar cuidando das novas gerações, por nós e por ele.

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Roberto Carlos também se manifestou pelo facebook sobre o amigo. “Minha dor é muito grande. Nem sei como dizer tudo o que penso desse meu grande irmão. Meu ídolo por tudo, pela lealdade, inteligência, bondade, por tudo que conheço dele. Um ser humano maravilhoso. É um privilégio ter um amigo, um irmão assim por todos esses anos. Difícil encontrar palavras para falar desse cara: o meu amigo Erasmo Carlos. Ele viverá sempre em meu coração. Que o nosso Deus de bondade o proteja e o abençoe. Amém. Amém. Amém”.

Erasmo Carlos, 81 anos, morreu no Hospital Barra D’Or, vítima de quadro de paniculite, complicada por sepse de origem cutânea. A paniculite é caracterizada por protuberâncias macias e avermelhadas que se originam na camada de gordura profunda sob a pele.

De acordo com o hospital, o cantor voltou a ser internado no dia 2 deste mês, mesma data em que deixou o hospital de manhã. Ele havia sido internado em 16 de outubro para tratar de uma síndrome epidemigênica. Ao deixar o hospital, após 16 dias de internação, escreveu nas redes sociais: “Ressuscitei no Dia de Finados e tive alta do hospital! Obrigado a Deus, a todos que cuidaram de mim e torceram pela minha recuperação”.

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Meu nome é Gal https://canalmynews.com.br/maria-aparecida-de-aquino/meu-nome-e-gal/ Mon, 14 Nov 2022 21:32:16 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=34644 "Ouvindo Gal Costa tenho a sensação de escutar um pássaro"

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Capa do disco Índia, de Gal Costa, foi censurada pela ditadura

Capa do disco Índia, de Gal Costa, foi censurada pela ditadura

O título deste artigo faz referência a uma das músicas mais conhecidas de Gal Costa (1945-2022), cujo nome completo era Maria da Graça Costa Penna Burgos. Nascida em Salvador (BA) e morta em São Paulo (SP). Para nosso orgulho, como paulistanos, Gal Costa resolveu morar em São Paulo nos últimos anos – sim, uma baiana em São Paulo que já foi chamado, preconceituosamente, de “túmulo do samba” – e aqui criar seu filho que adotou aos 2 (dois) anos de idade.

A canção a que se refere o título é de 1969, de autoria de Roberto e Erasmo Carlos que, nela, lhe fazem uma homenagem bastante carinhosa:

Meu nome é Gal
E desejo me corresponder
Com um rapaz que seja o tal
Meu nome é Gal…

Como música quero falar de sua voz. O que mais ouvi a respeito foi “cristalina”. Mas, é mais que isso. Ouvindo Gal Costa tenho a sensação de escutar um pássaro. É tão precisa e preciosa como uma ave rara cantando. E era rara mesmo.

Felizmente, nos incontáveis necrológios que assisti após sua morte, todos ressaltaram seu papel, além da intérprete genial. Quero destacar dois aspectos que a mim falam muito.

O primeiro deles, a coragem. Durante os anos da Ditadura Militar Brasileira (1964-1985), juntamente, com tantos outros, Caetano Veloso e Gilberto Gil, seus amigos de sempre, precisaram se exilar e foram para Londres. Gal Costa permaneceu aqui e, corajosamente, se posicionou contra o regime ditatorial que vivenciávamos. No período cantou a música, Divino maravilhoso, composta por Caetano Veloso e arranjada por Gilberto Gil para o festival de Música Popular Brasileira (MPB) de 1968. A música alertava para os perigos de se viver sob um regime repressivo e para a necessidade de resistir:

É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte (…)
Atenção. Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o refrão
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte…

 

O segundo aspecto a ser destacado é seu papel como mulher. Era bissexual e, desde 1998, vivia com a empresária Wilma Petrillo. Algumas vezes expos o seu corpo naturalmente, o que chocou muitos. Em 1973, ao lançar o disco Índia, a capa apresentava Gal com uma tanga bem pequena e, na contracapa, a cantora com os seios de fora.

Isso motivou – que novidade! – a censura da Ditadura Militar e o disco precisou ser acondicionado em um plástico preto. Em 1994, no show, dirigido por Gerald Thomas, O sorriso do gato de Alice, apareceu com uma camisa semiaberta e, novamente, com os seios nus, já prestes a completar 50 anos. Ela cantava a poderosa e agressiva canção de Cazuza, Brasil:

Não me convidaram
Pra esta festa pobre
Que os homens armaram
Pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer (…)
Brasil
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil
Qual é o teu negócio
O nome do teu sócio
Confia em mim…

Poderia lembrar de muitas canções magníficas interpretadas por Gal Costa. Mas, quando lembro dela, sempre me vem à cabeça a doçura de Chuva de Prata (1984) de autoria de Ed Wilson e Ronaldo Bastos:

Chuva de prata que cai sem parar
Quase me mata de tanto esperar
Um beijo molhado de luz
Sela o nosso amor…

E foi assim. Na “terra da garoa”, na São Paulo que ela escolheu viver, sob uma suave chuva que Gal Costa foi enterrada. Prefiro acreditar que se tratava de uma chuva de prata que ela merecia. Símbolo da cultura brasileira, sempre engajada, nos últimos tempos, se posicionou contra as sandices do governo atual. Estrela de magnífica grandeza, o Brasil “mostra tua cara” empobrecida pela sua ausência.

*Maria Aparecida de Aquino é Profa. Dra. do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciência Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP). Tem mestrado e doutorado pela FFLCH/USP; Pós-doutorado pela UFSCar. É especialista em estudos sobre a Ditadura Militar brasileira (1964-1985).

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Gal Costa: 7 discos para entender a carreira da cantora https://canalmynews.com.br/brasil/gal-costa-7-discos-para-entender-a-carreira-da-cantora/ Wed, 09 Nov 2022 18:52:18 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=34592 Veja uma seleção com 7 álbuns essenciais na discografia da intérprete baiana

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Gal Costa, uma das maiores vozes da música, morreu nesta quarta-feira (9), aos 77 anos. A informação foi confirmada na manhã de hoje (9) pela assessoria de imprensa, que não divulgou detalhes sobre a causa do falecimento.

Na ativa desde a década de 1960, Gal começou a carreira no cerne da Tropicália e, ainda nos anos 60, emplacou sucessos icônicos, como Divino Maravilhoso e Baby, de Caetano Veloso. Depois, a artista passou por uma série de reinvenções e dialogou com diversas vertentes da música brasileira.

Veja uma lista com oito álbuns para entender a versatilidade de Gal Costa:

1) Gal Costa (1969)
No início da carreira, o primeiro clássico de Gal é marcado por uma sonoridade e estética tropicalista. Cinco das doze composições são de um dos maiores parceiros da cantora, Caetano Veloso. “Não identificado”, que já havia sido gravada por Caê, ganha sua versão mais marcante; o mesmo acontece com “Baby” e “Divino Maravilhoso”. O disco tem, ainda, tons de samba-rock, com Que Pena (Ela já não gosta mais de mim), de Jorge Ben.

2) Fa-tal (1971)
“Gal a todo vapor”, como diz o subtítulo do álbum. Trata-se de um dos álbuns ao vivo mais importantes da música brasileira, que reúne registros da cantora em diversas apresentações no ano de 1971. É dividido em duas partes: voz e violão e a apresentação com banda; nesta última, destacamos a versão de “Vapor Barato”, de Jards Macalé e Wally Salomão. Ainda, há versões únicas de músicas populares e de sons contemporâneos ao lançamento do disco, como “Dê um Rolê”, dos Novos Baianos.

3) Cantar (1974)
Parceria com Caetano, produtor, e João Donato, responsável pelos arranjos, Cantar é um mergulho de Gal em um espaço mais musical. Há aqui músicas mais “solares”, como “Barato Total”, composição de Gilberto Gil; mas também há momentos pra baixo, como “Lágrimas Negras”, um dos clássicos da carreira de Gal.

4) Água Viva (1979)
Para ilustrar a fase mais pop de Gal, indicamos Água Viva. Lançado no fim dos anos 1970, o disco traz indícios do que seria a carreira da cantora na década seguinte. Os anos 80 trouxeram uma Gal popular, com hits, aparições em novelas, especiais de TV e duetos marcantes. Água Viva tem “Folhetim”, de Chico Buarque; “Paula e Bebeto”, de Milton Nascimento, entre outras canções marcantes.

5) O sorriso do Gato de Alice (1993)
Um dos registros mais potentes de Gal. Consolida uma transição entre a artista essencialmente pop, responsável por hits estrondosos marcados por sonoridades típicas dos anos 1980, e uma Gal mais introspectiva, reclusa.

6) Recanto (2011)
De 1993, damos um salto para os anos 2010. Aqui, Gal assume uma roupagem moderna, dialogando intensamente com bases eletrônicas (tem até autotune!). Tem a produção de Moreno Veloso e do pai, Caetano, que compôs a maioria das músicas. Esse disco apresenta uma roupagem que Gal assumiria ao longo da década e nos últimos anos da sua carreira.

7) A pele do futuro (2018)
Depois de Estratosférica (2015), Gal volta ao estúdio e lança “A pele do Futuro”, um disco marcado por uma mistura de sonoridades que vão da dance music (na dançante “Sublime”) ao sertanejo moderno de Marília Mendonça, com quem Gal faz um dueto marcante em “Cuidando de Longe”. “Palavras no Corpo”, de Silva e Omar Salomão, também merece destaque; a música compôs, inclusive, o setlist da última turnê de Gal, “As várias pontas de uma estrela”.

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Ator Sérgio Mamberti morre aos 82 anos https://canalmynews.com.br/mais/ator-sergio-mamberti-morre-aos-82-anos/ Fri, 03 Sep 2021 22:00:56 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/ator-sergio-mamberti-morre-aos-82-anos/ Grande ator e diretor, Sérgio Mamberti dedicou a sua vida à arte, atuando em defesa da política cultural brasileira

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Morreu nesta sexta-feira (3), aos 82 anos, o ator e diretor Sérgio Mamberti. Ele estava internado em um hospital de São Paulo com uma infecção pulmonar depois de ter uma pneumonia e teve falência múltipla de órgãos.

Por mais de 60 anos, Mamberti foi ator, diretor, produtor, autor, artista plástico e ocupou vários cargos políticos no Ministério da Cultura. Fundador e militante do Partido dos Trabalhadores (PT), o ator foi um defensor da arte e da cultura brasileiras.

Ator Sérgio Mamberti morreu aos 82 anos após uma infecção pulmonar/Foto: Paulo Pinto/Fotos Públicas

Sérgio Mamberti atuou no teatro, no cinema, em novelas e teve vários papéis de destaque. Um dos principais foi o mordomo Eugênio na novela “Vale Tudo” da TV Globo, em 1988. Entre os personagens mais queridos e marcantes na TV, fez o Doutor Victor do “Castelo Rá-Tim-Bum”.

O corpo do ator foi enterrado na tarde desta sexta-feira (03) no cemitério da Consolação, no Centro da capital paulista.

Artistas lamentaram morte de Sérgio Mamberti nas redes sociais

Vários artistas se manifestaram sobre a morte de Sérgio Mamberti nas redes sociais.

A atriz Fernanda Montenegro também prestou homenagem ao amigo e companheiro de palco. “Mamberti, querido, saudades. Grande abraço de sua prima que te ama”, disse a atriz em seu perfil no Instagram, chamando Mamberti pelo apelido que costumavam se chamar: “primo” e “prima”.

Fernanda Montenegro e Sérgio Mamberti
Fernanda Montenegro homenageou o amigo Sérgio Mamberti em sua conta oficial no Instagram/Foto: Reprodução Redes Sociais @fernandamontenegrooficial

Cássio Scapin, que interpretou o Nino, também homenageou o “Tio Victor”. “Hoje partiu @sergiomamberti! Nosso Tio Vitor! Hoje partiu @sergiomamberti um homem, um artista que lutou pelo progresso e desenvolvimento da nação brasileira, com as armas que tinha, a cultura e a arte! Fará imensa falta a sua força! Nosso coração doido se despede com muita dor e uma grande salva de palmas! Bravo meu querido”.

Cássio Scapin e Sérgio Mamberti
O ator Cássio Scapin também prestou homenagem a Sérgio Mamberti/Foto: Reprodução Redes Sociais @cassioscapin

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou a atuação de Mamberti em defesa da cultura brasileira. “Sérgio Mamberti foi um dos maiores atores da história do Brasil, além de escritor e diretor, um homem de teatro completo e um ser humano de coração e generosidade imensas, sempre disposto a ajudar e lutar pela democracia, pela cultura, pelas causas sociais, a fazer o bem ao próximo. A sua contribuição para a cultura brasileira nos palcos, no cinema, na TV, na Funarte e no Ministério da Cultura, na construção de políticas públicas para as artes nacionais é imensa. Se o povo brasileiro o admirava pelo seu talento, quem o conhecia de perto o admirava pela sua humildade, carinho e inteligência”, diz a nota.

Luciano Amaral, o Pedro no programa Castelo Rá-Tim-Bum, lembrou o bordão “raios e trovões” do Doutor Victor e lembrou de outros artistas da atração que já faleceram.

Em maio de 2021, Sérgio Mamberti lançou uma autobiografia. O livro tem o título “Sérgio Mamberti: senhor do meu tempo”, escrito com Dirceu Alves Jr. Mamberti chegou a realizar live, promovida pelo Sesc Consolação, para promover a obra.


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Futuro da arte? Uma das maiores feiras de arte da América Latina terá NFTs pela 1ª vez https://canalmynews.com.br/mynews-investe/futuro-da-arte-uma-das-maiores-feiras-de-arte-da-america-latina-tera-nfts-pela-1a-vez/ Sun, 22 Aug 2021 14:29:58 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/futuro-da-arte-uma-das-maiores-feiras-de-arte-da-america-latina-tera-nfts-pela-1a-vez/ ArtRio, que acontece em setembro no Rio de Janeiro, terá espaço dedicado à arte digital, com NFTs, tokens não-fungíveis

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Um dos principais eventos de arte da América Latina, o ArtRio terá pela primeira vez em 11 anos um espaço dedicado à arte digital, com obras validadas por NFTs. O estande dedicado à criptoarte é organizado pela Metaverse Agency, primeira galeria brasileira focada em arte digital.

O NFT é a sigla em inglês para token não-fungível. A tecnologia permite a compra e validação da propriedade de arquivos digitais, a partir de um código. Na prática, o NFT funciona como uma chave, um token, que garante a autenticidade e a validade de arquivo virtual. Para isso, o ativo usa a tecnologia blockchain, a mesma que permitiu o nascimento do bitcoin e outras criptomoedas. Este ano, memes que há anos são sucessos na internet foram leiloados por milhões de dólares a partir dos NFTs.

No caso do ArtRio, as obras digitais serão expostas em monitores no evento, com o artistas pioneiros da criptoarte brasileira, como Vamoss, Monica Rizzolli e Rejane Cantoni, referência no trabalho com arte e tecnologia e primeira artista do país a criar uma instalação em NFT.

Artistas internacionais também participam do estande. É o caso de Javier Arrez, criptoartista espanhol ganhador da Bienal de Arte de Londres, e também o alemão Mario Klingemann, com trabalhos que incluem o uso de redes neurais, códigos e algoritmos, entre outros. A feira acontece em setembro, de maneira híbrida na Marina da Glória, no Rio de Janeiro.

Apollo, da Série Tekhne, do artista Vamoss

Obras de arte do futuro?

“Mais do que obras de artes do futuro, o NFT é na verdade o registro de propriedade do futuro. Quando você pensa em uma arte digital ou em um meme, o NFT não é exatamente o asset em si, ele é uma porta, uma chave, que dá acesso àquele asset. Ele é um certificado de posse. O que tem acontecido é que cada vez mais diversas indústrias – de arte, música, meme – tem adotado o NFT como justamente esse protocolo de posse”, explica Daniel Peres, CEO da Tropix, marketplace de obras digitais.

Segundo Peres, o mercado dos NFTs movimentou este ano US$ 2,5 bilhões. No ano passado inteiro, a quantia foi de US$ 250 milhões. Dessa movimentação, 43% foram de negócios envolvendo arte. “O NFT é uma escritura possível para diversas indústrias, produzindo benefícios específicos para cada uma delas”, diz ele.

MyNews Investe é um programa sobre economia, finanças e investimentos. De segunda a sexta, a partir do meio-dia, no Canal MyNews, com apresentação de Mara Luquet e Juliana Causin

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