Arquivos bruno cavalcanti - Canal MyNews – Jornalismo Independente https://canalmynews.com.br/tag/bruno-cavalcanti/ Nosso papel como veículo de jornalismo é ampliar o debate, dar contexto e informação de qualidade para você tomar sempre a melhor decisão. MyNews, jornalismo independente. Fri, 10 Jun 2022 11:34:22 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 Elza Soares exala jovialidade em disco póstumo que preserva discurso moderno da artista https://canalmynews.com.br/bruno-cavalcanti/elza-soares-exala-jovialidade-em-disco-postumo-que-preserva-discurso-moderno-da-artista/ Thu, 19 May 2022 13:58:38 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=28530 Gravado dois dias antes da morte da cantora no palco do Theatro Municipal de São Paulo, álbum precede DVD.

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Quando saiu de cena aos 91 anos em janeiro deste ano, Elza da Conceição Soares (1930-2022) já ocupava merecido trono do pódio das grandes intérpretes brasileiras. O mesmo trono que lhe fora negado repetidas vezes ao longo de uma carreira repleta de altos e (muitos) baixos. Entretanto, para a cantora que subiu ao palco do Theatro Municipal de São Paulo entre os dias 17 e 18 de janeiro, os revezes de uma vida sofrida já eram passado.

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Desde que virou a mesa em 2015 com o lançamento de A Mulher do Fim do Mundo, álbum em que mergulhou em estética noise dentro do samba feito por músicos paulistanos, Elza nunca mais deixou apagar a chama da fênix que ressurgiu uma vez mais das cinzas – e dessa vez para sempre. 

Entronizada como uma entidade da música brasileira, a artista experimentou a renovação de seu público e pico de popularidade experimentado com pompa e circunstância apenas em meados das décadas de 1960 e início dos anos 70 antes que um relacionamento abusivo e uma sucessão de tragédias familiares abalasse sua trajetória.

Com a trilogia iniciada por A Mulher do Fim do Mundo e completada por Deus é Mulher e o irregular Planeta Fome, Elza experimentou reposicionamento de imagem frente a uma juventude engajada em pautas sociais, de comportamento, gênero e, claro, em discussões como racismo, sexismo, machismo e homofobia.

E é essa juventude que ao entrar em contato com Elza Ao Vivo no Municipal (Deck) vai ter acesso a uma parcela ínfima da obra construída por esta senhora cantora que lançou discos interessantíssimos desde que despontou no mercado fonográfico em 1960 com o álbum Se Acaso Você Chegasse (Odeon), lançado no embalo do sucesso do single homônimo com a canção composta por Lupicínio Rodrigues (1914-1974) e Felisberto Martins (1904-1980) e gravada originalmente por Cyro Monteiro (1913-1973) 22 anos antes.

Foto do final: Silvia Izquierdo

Este é apenas um dos clássicos sambas que Elza repagina neste disco no qual foge ao saudosismo que costuma pautar projetos do gênero. A artista não se priva de voltar a abordar sucessos do quilate de Malandro (Jorge Aragão/ Jotabê) e Salve a Mocidade (Luiz Reis), mas, do alto de seus 91 anos, sabe que nada será como antes, e busca novos arranjos e interpretações para as obras. 

A crônica de Aragão é vertida numa cantiga (herança do show A Mulher do Fim do Mundo), enquanto o samba exaltação ganha ritmo moldado pelas distorções das guitarras pilotadas por Rovilson Pascoal e Ricardo Prado

Ressignificada, A Carne (Seu Jorge/ Marcelo Yuka/ Ulisses Cappelletti) se mantém em ritmo fervente, enquanto Comportamento Geral (Gonzaguinha) mantém a modernidade eletrônica do registro lançado pela artista há três anos em seu álbum Planeta Fome. Estas são duas das canções que intensificam o discurso social bisado pela artista em toda a sua trajetória.

Do final da década de 1970, a artista pesca O Morro (Mauro Duarte/ Ivone Lara), pérola rara de um baú repleto de preciosidades que ganha lufada de ar fresco nas mãos da banda formada por Felipe Roseno e Mestre da Lua (percussão), Lucky Luque (sintetizadores), Thomas Harres (bateria) e os supracitados Pascoal e Prado sob a direção musical de Rafael Ramos – que assina a produção do álbum.

Embora tenha priorizado sua liberdade artística, Elza sempre foi mais potente sob a produção e a direção musical de grandes músicos. Foi assim quando encontrou Zé Miguel Wisnik em 2000 e virou a mesa da música popular ao mergulhar em estética hip hop com o excelente Do Cóccix até o Pescoço, ou quando se jogou na pista sob a produção de Arthur Joly em baticum eletrônico que deu vazão ao interessante Vivo Feliz (2003).

É de Vivo Feliz, inclusive, que Elza pesca Lata D’Água (Elza Soares), canção autoral na qual remete à lata d’água que carregou na cabeça ao longo da juventude e serviu de veículo para conhecer sua potência vocal. Embora tenha registrado, em gravação definitiva lançada no registro do show Beba-Me (2007), o clássico samba homônimo composto por Luiz Antônio (1921-1996) e Jota Júnior (1923-2009) e lançado pela cantora Marlene (1922-2012) há 70 anos, o samba assinado pela compositora bissexta soa mais contundente frente ao discurso da artista.

Capa do álbum. Foto: Victor Affaro

É esse discurso que intensifica a excelente releitura de Dura na Queda (Chico Buarque) e mantém ativo o grito de sobrevivência de Maria da Vila Matilde (Douglas Germano, 2015). Entretanto, nem só do discurso sobrevive Elza Ao Vivo no Municipal. Elza ainda é a sambista cheia de gingado que revolucionou a música popular ao injetar o jazz no samba sem perder sua brasilidade.

Ecos desta intérprete suingante ressurgem em Lata D’Água, Balanço Zona Sul (Tito Madi) e em Saltei de Banda (Zé Rodrix/ Luiz Carlos Sá), o melhor registro do álbum e a melhor lembrança deste disco repleto de pontos altos. O samba rock Saltei de Banda comprova que a artista se manteve fiel ao sambalanço pelos versos de Rodrix e Sá.

Ainda que escorregue em interpretação protocolar (Banho, de Tulipa Ruiz), Elza Ao Vivo no Municipal chega ao fim com o canto de Elza Soares ainda tinindo aos 92 anos enquanto clama para cantar até o fim ao som de Mulher do Fim do Mundo (Rômulo Fróes/ Alice Coutinho). É sintomático que a artista encerre de forma apoteótica seu registro no palco do Theatro Municipal, um anticlímax à abertura quase camerística ao som de Meu Guri (Chico Buarque) em interpretação dilacerante de voz e do piano de Fábio Leandro.

Meu Guri abre o disco, mas, com a mesma potência, poderia ser a canção derradeira, atestando a potência da voz vitoriosa de Elza Soares, intérprete que, sem os percalços que a vida, o machismo e o racismo estrutural que o Brasil lhe impuseram poderia ter sido há muito mais tempo aquilo que Elza Ao Vivo no Municipal atesta: a maior intérprete da música popular tupiniquim.

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Sweeney Todd brasileiro: proposta excessivamente imersiva prejudica narrativa https://canalmynews.com.br/bruno-cavalcanti/sweeney-todd-brasileiro-proposta-excessivamente-imersiva-prejudica-narrativa/ Mon, 11 Apr 2022 19:54:43 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=27477 Grande espetáculo da obra de Sondheim é valorizado por direção musical e ótimo trabalho de seu ensemble.

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Alguma coisa está fora da ordem em Sweeney Todd – O Cruel Barbeiro da Rua Fleet, musical de Stephen Sondheim (1930-2021) e Hugh Wheeler (1912-1987), que ganha sua primeira montagem brasileira em cartaz no espaço cênico do 033 Rooftop do Teatro Santander, em São Paulo. E, em se tratando de um dos musicais mais perturbadores da (magistral) obra de Sondheim, esse é um elogio.

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O espetáculo é uma das produções mais densas e menos palatáveis da trajetória deste autor que, até sua saída de cena, em 2021 aos 91 anos, seguiu criando obras que desafiavam o teor popular do teatro musical norte americano que se acostumou à opulência das grandes montagens do final do século XX e do intimismo da linguagem do pop rock do início deste século.

Portanto, a falta de ordem é o principal atrativo na narrativa de vingança e falta de redenção de Benjamin Barker, um barbeiro mandado ao exílio pelas mãos de um juiz corrupto que, ao voltar à sua terra natal, descobre a destruição de sua família e encontra um cenário de miséria e pobreza moral.

Algo, entretanto, se perdeu na transposição da obra original para a versão brasileira dirigida por Zé Henrique de Paula, em cartaz desde 18 de março. A encenação propõe uma imersão no cenário e na ação direta do espetáculo, fazendo com que Sweeney Todd encha os olhos pelo apuro estético dividindo seu desenvolvimento em diferentes espaços cênicos, distribuídos entre a plateia. 

A ideia remete a obras anteriores em cartaz no mesmo espaço, entre elas Natasha, Pierre e o Grande Cometa de 1812, incensada montagem do mesmo Zé Henrique de Paula para a obra indicada a 12 prêmios Tony.

Entretanto, o que compunha a sedução de O Grande Cometa é o ponto destoante de Sweeney Todd. A proposta imersiva na encenação interfere na obra original, a ponto de esmaecer a força narrativa do material base, fazendo com que a obra de Wheeler e Sondheim chegue ao Brasil sem a densidade original, o que se reflete nos cortes da direção. A busca por um ritmo dinâmico compromete as pontes de conexão entre as cenas.

Sweeney Todd em montagem brasileira. Foto: Luiz Leão

É verdade que boa parte da força dramática é preservada pela direção musical de Fernanda Maia, responsável ainda por assinar as (fluentes) versões em português de uma das obras mais desafiadoras de Sondheim, letrista de caneta complexa. O trabalho de Maia, contudo, resulta prejudicado pelo som precário do espaço cênico do 033 Rooftop, que, mesmo depois de tanto tempo, não se adaptou às necessidades de grandes musicais.

O problema sonoro de fato afeta o resultado da montagem. Nem mesmo o trabalho hercúleo dos designers de som João Baracho, Fernando Akio Wada e Guilherme Ramos consegue amenizar as perdas de nuances causadas pela acústica precária, afetando o dinâmico jogo da encenação e comprometendo o trabalho do elenco.

É hercúleo também o trabalho do grupo de atores que, no todo, consegue contar a história com fluência, ainda que não tenha desempenho homogêneo. São destaques os trabalhos de Dennis Pinheiro, na pele do herói Anthony, numa construção que dá mergulho rasante no estereótipo do clássico mocinho. Valorizado pela fina estampa, o ator convence bem, ainda que a química com sua companheira de cena, Caru Truzzi, nem sempre renda o que promete. A atriz rende pouco na pele de Johanna, a jovem indefesa mantida em cativeiro.

Destaque também para o desempenho de Amanda Vicente na pele da mendiga Lucy Baker. Atriz de voz tamanha e bons dotes cênicos, Vicente encontra em Sweeney Todd a chance de se comprovar um grande nome do teatro musical moderno. Parecido acontece com Elton Towersey, artista versátil que já se demonstrou um dos principais criadores do mercado contemporâneo, e surge à vontade na pele do canastrão Adolfo Pirelli (personagem que divide com Pedro Navarro em sessões alternadas).

Sweeney Todd tem o trunfo de angariar grandes atores dentro de seu ensemble, fazendo com que o coro seja valorizado não apenas por grandes vozes, mas também por grandes interpretações que engrandecem as intenções de cada nota da composição de Sondheim. E é este um dos grandes pontos altos da direção de Zé Henrique de Paula.

Um dos principais diretores de sua geração, o profissional disseca com esmero e cuidado as intenções de cada fraseado das montagens que assina. Zé Henrique de Paula é também grande encenador e excelente cenógrafo, que entrega uma proposta rica que, neste caso específico, não valoriza a obra original, mas enche os olhos.

Por outro lado, salvo os destaques, o elenco nem sempre se mostra confortável ou à altura de suas personagens. É o caso de Guilherme Sant’anna, um dos principais nomes do teatro paulistano e profissional de peso dentro dos musicais, o ator não parece ainda ter encontrado o tom de seu juiz Turpin. 

Andrezza Massei e Rodrigo Lombardi. Foto: Stephan Solon

Mesmo sua voz tamanha – que já ressoou versátil ao compor o elenco de O Homem de La Mancha e ao percorrer as suntuosas trilhas da obra do compositor carioca Cartola (1908-1980) em recital online – parece pouco à vontade frente a canções como Pretty Woman, e é de se lamentar o corte do principal solo da personagem, Johanna (Mea Culpa).

Mais à vontade na pele do Bedel, Gui Leal, por sua vez, constrói personagem excessivamente histriônico, que destoa não apenas do trabalho de seus colegas, mas também da própria proposta de encenação. O ator, que brilhara na irregular montagem de Charlie e a Fantástica Fábrica de Chocolates, parece ter optado por caminhos mais fáceis em Sweeney Todd, o que prejudica o resultado final não apenas de sua personagem, mas do arco ao qual ele está inserido.

Parecido acontece com Mateus Ribeiro. O ator, que levou para casa um Prêmio Bibi Ferreira em 2021 por seu desempenho como protagonista em “Chaves – Um Tributo Musical” (dirigido também por Zé Henrique de Paula) dá vida ao órfão Tobias Ragg, numa construção que reedita trejeitos e nuances de seu Chaves. 

O ator enfoca um tempo de comédia corporal que enfraquece sua personagem e não estabelece seus conflitos, ou mesmo a relação afetuosa que deveria construir com a Dona Lovett de Andrezza Massei. Ainda falta encontrar o tom da delicadeza que pauta Not While I’m Around, um dos temas mais icônicos da obra.

E, por falar em Andrezza Massei, a atriz, que construiu carreira luminosa dentro do teatro musical paulistano, é o principal destaque de Sweeney Todd. Sua trajetória, baseada em personagens estritamente cômicos em produções como A Bela e a Fera, Mamma Mia! e A Pequena Sereia, vem ganhando outras nuances desde que compôs o elenco Les Miserables e dividiu o protagonismo com Marisa Orth na esmaecida montagem brasileira de Sunset Boulevard.

É verdade que, por problemas de direção, o desempenho da atriz sempre ficou, em papéis dramáticos, aquém do que poderia render. Em Sweeney Todd, Mazzei é finalmente alçada ao posto de grande protagonista graças a sua interpretação luminosa na pele de Dona Lovett, papel desempenhado por nomes como Angela Lansbury (na produção original da obra, em 1979), e Patti LuPone (no último revival do musical na Broadway, em 2006).

Desde sua entrada em cena, dominando uma das canções mais difíceis da obra, The Worst Pies in London, até o desfecho trágico de sua personagem, Mazzei jamais titubeia, resultando em seu melhor momento em cena. 

Seu timing cômico surge mais apurado, e a atriz demonstra uma percepção dramática rica o bastante para não transformar sua Lovett numa alegoria – ainda que um dos momentos mais icônicos da obra original, o fim do primeiro ato ao som de A Little Priest, perca totalmente sua força cômica e sardônica. É, contudo, o trabalho da carreira da atriz.

O mesmo, infelizmente, não se pode dizer de Rodrigo Lombardi. Ator que já se comprovou um dos melhores de sua geração ao brilhar na remontagem brasileira de Um Panorama Visto da Ponte, de Arthur Miller (1915-2005), e conseguir destaque na participação especial que fez em Urinal – o Musical, ambos sob a direção do mesmo Zé Henrique de Paula, Lombardi não reedita em Sweeney Todd o brilhantismo de suas últimas passagens em cena.

Desconfortável em cena, Lombardi não dá conta da extenuante partitura de Sondheim que, verdade seja dita, exige um ator com maior preparo e experiência dentro do teatro musical. Embora seja uma personagem com um arco dramático rico – o que exige também um grande ator -, Sweeney Todd é um dos papéis mais difíceis compostos por Sondheim, que, vocalmente, exige um trabalho exímio de seu intérprete. Não à toa, nomes consagrados do teatro musical norte americano e inglês costumam interpretar a personagem – vivida, inclusive, por grandes nomes da ópera.

Johnny Deep e Helena Boham Carter. Foto: Universal Pictures

O desastroso filme dirigido por Tim Burton em 2007 e estrelado por Johnny Depp e Helena Bonham Carter foi a prova de que um ator com dotes vocais limitados não consegue dar a dimensão necessária para a personagem. 

Embora Lombardi seja ator mais bem preparado e com melhor desempenho que Depp, seu Sweeney Todd ainda carece de melhor domínio musical e dramático para dar conta de todas as nuances que necessita para se mostrar a grande personagem da obra de Sondheim – atrás apenas da shakespeariana Mamma Rose, de Gypsy.

No todo, são muitos os pontos positivos de Sweeney Todd – O Cruel Barbeiro da Rua Fleet, passando por sua cenografia, o desenho de luz (Fran Barros), o visagismo (Dhiego Durso e Feliciano San Roman), o figurinos (João Pimenta) e, claro, o ensemble formado por Diego Luri, Renato Caetano, Sofie Orleans, Pedro Silveira, Edmundo Vitor, Bel Barros, Pamela Machado e Davi Novaes. É um espetáculo que triunfa por uma proposta arrojada e de grande senso estético.

Entretanto, é esse senso estético de uma proposta excessivamente imersiva, que atenua as tensões dramáticas pensadas pela obra original, fazendo com que a montagem tropece em irregularidades que se refletem em seu elenco e na adaptação, resultando numa obra bem menos impactante do que de fato é o trabalho de Stephen Sondheim e Hugh Wheeler, que necessita de uma imersão mais intensa em sua dramaturgia do que a proposta pela encenação.

SERVIÇO:

Data: 18 de março a 05 de junho

Local: 033 Rooftop do Teatro Santander – São Paulo (SP)

Endereço: Complexo do Shopping JK Iguatemi – Av. Juscelino Kubitschek, 2041 – Itaim Bibi

Horário: 21h30 (sexta); 16h e 20h30 (sábados); 18h (domingos)

Preço do ingresso: R$ 90,00 (meia) a R$ 220,00 (inteira)

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De olho na pasta, Centrão movimenta retorno do Ministério da Cultura e pavimenta saída de Mário Frias https://canalmynews.com.br/bruno-cavalcanti/de-olho-na-pasta-centrao-movimenta-retorno-do-ministerio-da-cultura-e-pavimenta-saida-de-mario-frias/ Fri, 18 Feb 2022 19:54:29 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=24125 Nome de Larissa Dutra como possível substituta de Frias surge como tapa buraco para estancar sangria.

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A última semana tem sido agitada para o atual Secretário Especial da Cultura Mário Frias. Após anunciar Instrução Normativa que promoveu alterações substanciais na Lei Rouanet e enfileirar série de postagens em redes sociais em que ironizava a classe artística, o Secretário se envolveu em problemas mais sérios do que uma simples rixa dentro do mercado cultural.

A viagem que fez a Nova York, também na última semana, com gastos ainda não explicados que somam R$ 39 mil, e as nomeações da noiva do deputado bolsonarista Carlos Jordy (PSL), a advogada Laís Sant’Anna Soares para o cargo de Coordenadora de Inovação no departamento de Empreendedorismo Cultural – revelada na coluna Painel, de Fábio Zanin, na Folha de S. Paulo na quinta-feira (17) – e de seu cunhado, Christiano Camatti, para o cargo de coordenador de Infraestrutura da Embratur – como revelou o colunista do Metrópoles Guilherme Amado – têm feito de Frias um dos alvos preferenciais da ala política do governo Bolsonaro.

Formado essencialmente por componentes do centrão – comandado pelo Ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira – o grupo que tem fritado Frias dentro do Ministério do Turismo tem em vista mais do que estancar a sangria de escândalos envolvendo o nome do ator dentro do governo. De acordo com deputados da base, existe o desejo da volta do Ministério da Cultura num possível segundo mandato de Bolsonaro.

Vista como uma pasta com orçamento robusto – ainda que mais magro que o Turismo ao qual foi acoplada logo no primeiro ano de governo -, a Cultura seria um ambiente ideal para agregar possíveis senadores ou deputados chave que não consigam a eleição neste 2022.

Secretário especial da Cultura Mario Frias. Foto: Marcello Casal Jr (Agência Brasil)

Nogueira seria um dos principais articuladores para o retorno da pasta, ainda que não venha encontrando terreno fértil dentro do Planalto. Para Bolsonaro, apenas aventar uma possível volta do Ministério traria mais desgaste com sua base ideológica, com a qual conta para buscar a reeleição. Por hora, é assunto morto, ainda que a saída de Frias não esteja completamente fora de cogitação. Sua substituição por Larissa Dutra soa favorável.

Quem é Larissa Dutra?

O nome da presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Larissa Rodrigues Peixoto, Dutra surge como um dos mais cotados para substituir Frias à frente da Secretaria Especial da Cultura, como revelou a Folha de S. Paulo. Dentro do governo, Dutra é vista como figura discreta e avessa a polêmicas públicas, além de manter o mesmo grau de fidelidade de Frias à figura de Bolsonaro.

Conduzida ao cargo no Iphan em 2020, Dutra foi jogada nos holofotes pelo próprio presidente quando, em dezembro de 2021, ao discursar no Fórum Moderniza Brasil – Ambiente de Negócios, na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Bolsonaro declarou ter demitido funcionários do Iphan que embargaram a construção de uma das lojas da Havan, do empresário Luciano Hang, após serem descobertos, no terreno, artefatos arqueológicos.

Dutra foi afastada do cargo no dia seguinte por determinação da Justiça Federal após pedido do Ministério Público e do ex-ministro da cultura do governo Michel Temer (MDB) Marcelo Calero (Cidadania). Contudo, em uma nova reviravolta, a presidente foi reconduzida ao cargo após determinação do Tribunal Regional Federal do Rio de Janeiro atendendo recurso da Advocacia Geral da União (AGU), que pediu a suspensão imediata da decisão que a afastara do cargo.

Dentro do Iphan, a presidente é conhecida por não “dar problemas” ao governo federal e, mesmo tendo enfrentado seguidos protestos à época de sua nomeação por não ter formação que a qualificasse para assumir a gestão da autarquia federal, se manteve no cargo sem problemas até ser jogada de volta aos holofotes por Bolsonaro.

Dutra é formada em Hotelaria e Turismo e, para assumir a presidência, deveria ter graduação em áreas como história, antropologia, museologia, artes ou arqueologia, áreas ligadas à conservação, enriquecimento e conhecimento do patrimônio histórico.

Secretário especial da Cultura Mario Frias afirmou que tem intenção de concorrer a deputado nas eleições de 2022. Foto: Roberto Castro (MTur)

Mário Frias deve sair deputado

Em matéria publicada na quinta-feira (17) com uma entrevista com o Secretário da Cultura, a CBN Brasília acena para o fato de Mário Frias ter como principal pretensão disputar uma vaga na Câmara dos Deputados e, para isso, deixaria o cargo até o final do mês de março, o que enfraquece a tese de que seria exonerado ainda em fevereiro.

Amigo dos filhos do presidente, o secretário, contudo, vem enfrentando pressão de componentes da área política do governo para deixar o cargo antes do tempo estipulado pelo Tribunal Superior Eleitoral. Na leitura de deputados do centrão aliados a Bolsonaro e de assessores do Palácio, Frias acena para a área ideológica, mas sua influência no grupo de eleitores é quase nula, surtindo efeito de desgaste na figura do presidente sem nenhum tipo de bônus.

Procurada, a assessoria da Secretaria Especial da Cultura não se manifestou até a última atualização desta coluna.

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