Arquivos Ciência Einstein - Canal MyNews – Jornalismo Independente https://canalmynews.com.br/tag/ciencia-einstein/ Nosso papel como veículo de jornalismo é ampliar o debate, dar contexto e informação de qualidade para você tomar sempre a melhor decisão. MyNews, jornalismo independente. Mon, 04 Jul 2022 20:54:18 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 Vacinas do futuro: o que podemos esperar? https://canalmynews.com.br/ciencia-einstein/vacinas-do-futuro-o-que-podemos-esperar/ Tue, 08 Feb 2022 19:48:17 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=23557 Mudança na forma de desenvolver os imunizantes e melhoria na comunicação serão pontos-chave daqui para frente

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Todos os avanços tecnológicos que ocorreram na área médica e de saúde populacional — que em diferentes formas continuam mudando o mundo para melhor e salvando vidas — devem algo às vacinas. Sendo bastante claro e redundante. Isso é inquestionável e fora de discussão. 

Ao longo da história da humanidade, as doenças infecciosas acarretaram desastrosas perdas para as sociedades. Mas o desenvolvimento das vacinas possibilitou um melhor controle, protegendo as pessoas principalmente de infecções virais de rápida progressão e transmissão.

A ideia da vacinação (ou, atualmente, da imunização) foi concebida em 1796 por Edward Jenner, quando o médico franco-inglês conseguiu evitar que um menino adquirisse a varíola inoculando, nos braços da criança, o material contendo o vírus da doença. A prática da inoculação foi só o começo de uma nova era no campo de pesquisa das vacinas. Durante as duas grandes guerras mundiais, por exemplo, os soldados eram protegidos contra tétano e difteria desta forma. 

Mais recentemente, nas décadas de 1950 e 1960, o imunizante contra a poliomielite foi desenvolvido em uma corrida contra o tempo, visto que a paralisia infantil acometia o mundo inteiro com mortes e sequelas. Surge nesse cenário uma das primeiras vacinas orais, a Sabin — popularizando mais ainda a necessidade de vacinação, em um nível indiscriminado e seguro, de todas as crianças, em todos os países. 

Em 2020, tivemos outro exemplo de imunizantes desenvolvidos em um prazo, até então, considerado recorde. Antes de completar um ano da pandemia da Covid-19, as vacinas contra o Sars-CoV-2, vírus causador, começavam a serem aplicadas em alguns países, como a Inglaterra. 

Doses da vacina CoronaVac contra a Covid-19. Foto: Breno Esaki (Agência Saúde)

Etapas de desenvolvimento

Em geral, as vacinas requerem anos de testes e pesquisas antes de chegarem até o uso clínico, ou a aplicação em nível populacional. São várias as etapas que devem ser cumpridas para a nossa segurança, de acordo com a agência regulatória norte-americana Centers for Disease Control and Prevention (CDC, na sigla em inglês): 

  1. Fase exploratória: identificação das moléculas que vão compor o imunizante;
  2. Fase pré-clínica: testes da possível vacina em laboratório e em animais; 
  3. Desenvolvimento clínico: testes do imunizante em seres humanos; 
  4. Revisão regulatória e aprovação;
  5. Manufatura; 
  6. Controle de Qualidade. 

Dentro da etapa de “Desenvolvimento clínico”, se dividem outras três fases: 

  • Fase I: quando a vacina é administrada em um grupo pequeno de pessoas. Em relação aos imunizantes contra a Covid-19, existem novas vacinas em andamento ainda nessa fase. 
  • Fase II: o estudo clínico é expandido para pacientes com características semelhantes, como idade ou presença de comorbidades, para começar a avaliar como será a eficácia da vacina. 
  • Fase III: nesta última fase clínica, a vacina é oferecida para milhares de pessoas. A eficácia e segurança são avaliadas nessa etapa.

Todo esse processo demora, pelo menos, de 18 a 24 meses. 

Até meados de dezembro de 2021, cerca de 110 vacinas ainda estavam sendo testadas em ensaios clínicos randomizados — no qual os pesquisadores não sabem quais participantes receberam a vacina em teste e quais foram aplicados com uma substância placebo, justamente para ter clareza nos resultados. Destes, 43 já se encontravam na última fase, a terceira. Dezesseis imunizantes já receberam a autorização de uso clínico, sendo que nove têm a aprovação final. 

Pesquisa feita por cientista em laboratório. Foto: Marcelo Seabra (Ag. Pará)

Mesmo na vigência de uma pandemia, com diferentes interesses acontecendo ao mesmo tempo, deve-se respeitar o princípio médico de “não causar mais danos que benefícios” ou, em inglês: “First, do no harm”. Em respeito a esse princípio, dez vacinas contra a Covid-19 foram abandonadas na etapa dos ensaios clínicos por não se apresentarem seguras. As razões são várias, entre elas os eventos adversos graves ou a falta de eficácia comprovada. 

Independentemente do momento, seja no presente ou no futuro, há a necessidade de existirem ensaios clínicos randomizados — nos quais não haja interferência do investigador da pesquisa — para qualquer vacina que aparecer no mercado. Afinal, é preciso entender como as vacinas se comportam no mundo real, e isso inclui saber:

Quais pessoas são mais expostas a essas doenças? Idosos ou crianças são capazes de desenvolver uma boa imunidade vacinal? Indivíduos com o sistema imunológico comprometido (imunocomprometidos) serão capazes de evitar a doença, ou de evitar uma gravidade maior? A vacina é segura para gestantes? Ou há poucas, pouquíssimas ou, ainda, nenhuma reação vacinal? E assim por diante. 

O comportamento dos imunizantes no mundo real, até o momento, não falhou quando todos esses passos fundamentais da segurança em pesquisa foram seguidos. Vale lembrar que nenhuma vacina foi idealizada para invadir e modificar nosso material genético.

Vacina de Oxford em preparação para ser aplicada. Foto: Tânia Rêgo (Agência Brasil)

Futuro das vacinas 

Como novidade e para o futuro, observamos nos estudos clínicos disponíveis que as vacinas confeccionadas com RNA mensageiro mostraram resultados superiores às demais, com bastante segurança. Esse é um método novo, e que não estava disponível anteriormente para uma vacinação em massa. 

É possível que esse tipo de imunizante esteja estabelecendo um precedente. Futuras vacinas, ou mesmo imunizantes já existentes (mas com resultados subótimos), poderão ser adequadas a essa nova maneira de formulação. 

O intuito é que as vacinas treinem o sistema imunológico para reconhecer um vírus a fim de combatê-lo. Usando tecnologias por imagem (cristalografia por Raios X, por exemplo), os pesquisadores conseguem predizer os contornos dos vírus, bem como de suas proteínas, e em seguida reproduzir essas estruturas para a criação de vacinas mais eficazes.

Ou seja, para a criação das vacinas do futuro, cada vez mais métodos de imagem serão empregados para recriar os vírus, ou as proteínas que fazem parte desses vírus, até chegar em partículas muito pequenas, em nível de átomos. 

Dessa forma, inúmeras técnicas promissoras de vacinas surgirão cada vez mais, ao melhorar a resolução de imagem das estruturas virais, como as vacinas de RNA mensageiro, ou da cápsula de um vírus com o material genético de outro vírus (por exemplo, o adenovírus contendo a proteína “spike” do Sars-CoV-2), ou partículas proteicas que adentram as células a partir de nanopartículas, que mimetizam o vírus que se pretende combater a infecção – já que são uma realidade atual. 

Outra mudança a ser vista daqui para frente é uma melhora na comunicação sobre as vacinas. Isso poderá levar algum tempo, mas estamos caminhando para um futuro no qual as informações sejam transmitidas de forma mais clara e compreendidas pela população. 

Enquanto isso, continuem vacinando a si e a seus filhos, e não apenas contra a Covid-19, mas para todas as vacinas recomendadas pelo calendário vacinal. De alguma forma ou de outra, continuaremos precisando dos imunizantes, seja agora ou no futuro. Vacinem-se!


Quem são Alexandre Rodrigues Marra e Luis Fernando Aranha Camargo?

Alexandre Rodrigues Marra, pesquisador do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein (IIEP) e docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein (FICSAE).

Luis Fernando Aranha Camargo, professor da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein.

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Como funciona o maior estudo do mundo sobre hipertensão e as maiores descobertas sobre o assunto? https://canalmynews.com.br/ciencia-einstein/como-funciona-o-maior-estudo-do-mundo-sobre-hipertensao-e-as-maiores-descobertas-sobre-o-assunto/ Tue, 01 Feb 2022 17:22:09 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=23342 Resultados de dois estudos brasileiros poderão embasar mudanças nos tratamentos de pacientes hipertensos

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A hipertensão é um importante problema de saúde pública no Brasil e no mundo, sendo o principal fator de risco para a ocorrência de doenças cardiovasculares, como o infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca, doença renal crônica, incapacidade e mortalidade precoce. Dados de uma pesquisa nacional conduzida pelo Ministério da Saúde estimam que cerca de 25% da população brasileira adulta tem um diagnóstico de hipertensão – quando os níveis da pressão arterial permanecem acima de 140 x 90 mmHg de forma recorrente. Níveis menores que 120 x 80 mmHg são considerados ótimos.

Atualmente, as diretrizes médicas recomendam manter a pressão arterial abaixo de 140 x 90 mmHg para ser considerada “controlada”. Porém, sabe-se que o risco de doenças cardiovasculares dobra a cada 20 mmHg de elevação da pressão arterial sistólica e a cada 10 mmHg de elevação da pressão arterial diastólica.

Assim, faz sentido tentarmos trazer os níveis de pressão arterial dos indivíduos hipertensos para níveis ótimos, ao invés de ficarmos satisfeitos com níveis controlados. Tanto estratégias de mudanças do estilo de vida (por exemplo, uma alimentação saudável com pouca ingesta de sal e a prática de exercícios físicos regularmente) quanto o uso de medicamentos anti-hipertensivos devem ser indicados, após o diagnóstico da hipertensão, com o objetivo de controlar os níveis de pressão arterial.

Em 2015, um estudo americano chamado SPRINT trial (Systolic Blood Pressure Intervention Trial) comprovou que manter indivíduos hipertensos com níveis de pressão arterial ótimos (abaixo de 120 x 80 mmHg) reduzia a ocorrência de eventos cardiovasculares em 25%, e o risco de morte em 27%, quando comparados com os indivíduos que tiveram seus níveis de pressão arterial apenas controlados. Os participantes deste estudo eram hipertensos e tinham algum outro fator que contribuía para um alto risco de desenvolver alguma doença cardiovascular. Pessoas com história de diabetes e AVC, no entanto, não foram incluídas, apesar de muitos indivíduos terem hipertensão e diabetes ao mesmo tempo — e também da hipertensão ser o principal fator de risco para o AVC.

Controlar a hipertensão e evitar possíveis casos precoces de AVC é o foco do estudo. Foto: Pixabay

Estudos brasileiros preenchem lacunas do conhecimento médico

Neste contexto, os estudos OPTIMAL-DIABETES e OPTIMAL-STROKE foram idealizados para preenchermos esta lacuna no conhecimento médico em relação ao qual o nível de pressão arterial ideal em indivíduos hipertensos e diabéticos, assim como em pessoas hipertensas e com história de um AVC, respectivamente.

O objetivo dos dois estudos é determinar se há benefícios ao implementarmos uma estratégia com um controle mais intensivo da pressão arterial, mantendo os níveis ótimos (menor que 120 x 80 mmHg), comparado com a abordagem atualmente recomendada de manter a pressão arterial apenas controlada (menor que 140 x 90 mmHg) nestas duas populações de indivíduos hipertensos.

Os estudos OPTIMAL estão sendo liderados pela Academic Research Organization (ARO) do Hospital Israelita Albert Einstein em parceria com o Ministério da Saúde, através do Programa PROADI-SUS. Ambos os estudos já são os dois maiores sobre o tema no mundo:

  • O estudo OPTIMAL-DIABETES finalizou a inclusão de participantes em outubro de 2021, totalizando 9479 pessoas;
  • Já o estudo OPTIMAL-STROKE atingiu mais de 3100 indivíduos incluídos em dezembro de 2021 e segue recrutando voluntários no ano de 2022.

Os participantes dos dois estudos serão acompanhados entre três a quatro anos.

Resultados podem embasar mudanças nos tratamentos

Se os resultados demonstrarem benefícios em manter a pressão arterial em níveis ótimos, haverá um enorme impacto na forma como indivíduos hipertensos serão tratados no futuro. Os médicos e os pacientes terão que ter um maior comprometimento em cooperar para atingir este controle mais intensivo da pressão arterial.

Porém, esta estratégia simples, por si só, será responsável por evitar uma quantidade enorme de mortes prematuras e internações por eventos cardiovasculares, como infarto e AVC. Um melhor controle de pressão em pacientes hipertensos pode salvar vidas, reduzir internações e diminuir os custos relacionados a doenças cardiovasculares.


Quem são Karla Espírito Santo e Gisele Sampaio Silva?

Karla Espírito Santo é Clinical Trialist da Academic Research Organization (ARO) do Hospital Israelita Albert Einstein

Gisele Sampaio Silva é Clinical Trialist da Academic Research Organization (ARO) do Hospital Israelita Albert Einstein

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O impacto do sedentarismo no cérebro em desenvolvimento https://canalmynews.com.br/ciencia-einstein/o-impacto-do-sedentarismo-no-cerebro-em-desenvolvimento/ Tue, 18 Jan 2022 17:47:51 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=23034 A busca pela prática de atividade física não beneficia somente o corpo, como também melhora o funcionamento cerebral

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Estamos enfrentando a era do sedentarismo, infelizmente. Mais da metade da nossa população não atinge a recomendação mínima de atividade física de 150 minutos semanais, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). As sequelas da falta de exercícios físicos regulares se refletem nos dados epidemiológicos de saúde, com o aumento do número de pessoas com obesidade, doenças cardíacas (como a hipertensão arterial), doenças metabólicas (como diabetes e câncer), e com repercussão até mesmo no desempenho cognitivo e na saúde mental.

 

Mais preocupante ainda é o impacto do sedentarismo nos nossos jovens, durante a principal fase de desenvolvimento do nosso cérebro — órgão responsável por comandar nosso raciocínio, pensamento, movimento, sentimentos e todas as nossas funções fisiológicas.

 

O cérebro em desenvolvimento é sensível a todos os tipos de estímulos, que podem desempenhar um papel promotor ou detrator, e a atividade física de forma regular tem uma grande ação sobre os mecanismos fisiológicos do desenvolvimento cerebral. Os benefícios são vistos tanto de forma aguda (imediatamente após a atividade), como de forma crônica (a longo prazo) e são amplamente reportados na literatura científica.

 

De forma aguda, por exemplo, nos beneficiamos da atividade física com o aumento do fluxo sanguíneo cerebral, fornecimento de nutrientes e melhora da atividade de neurotransmissores (substâncias químicas produzidas pelos neurônios que desempenham papel de mensageiros entre as células).

 

Esse benefício se torna ainda mais acentuado quando acumulamos as sessões, dia após dia, gerando adaptações crônicas — que, no sistema nervoso, impactam na adaptação de estruturas cerebrais (melhorando a atividade de todas as estruturas do cérebro), no aumento da neurogênese (formação de novos neurônios) e na plasticidade cerebral, que desenvolvem a capacidade dos neurônios de se recuperarem e de reestruturarem suas funções. Com isso, impactam fortemente no desempenho cognitivo, na velocidade de disparos elétricos dos neurônios e na memória de trabalho.

 

Modelos norte-americanos de ensino-aprendizagem preconizam a prática de atividade física na hora que antecede as aulas escolares justamente porque esses benefícios são tão refletidos no desempenho cognitivo de crianças e jovens! Além da cognição, o estímulo da atividade física no cérebro em desenvolvimento favorece o equilíbrio químico, com a produção de neurotransmissores (como a serotonina, dopamina, endorfina, adrenalina, noradrenalina, entre outros), que estão relacionados às emoções e sentimentos, e favorecem o gerenciamento emocional.

 

Movimentar-se traz vários benefícios ao cérebro. Imagem: Pixabay

 

Quantidade certa

Se para adultos a recomendação mínima de atividade física, segundo a OMS, é de 150 minutos/semana, para as crianças e adolescentes a orientação é de, no mínimo, 300 minutos semanais de atividade física moderada a vigorosa!

 

Quando citamos atividade física, estamos nos referindo a qualquer movimento corporal que tire o indivíduo do repouso! Não se tratam, portanto, somente de atividades estruturadas como esportes.

 

A intensidade, porém, deve ser de moderada a vigorosa. Por exemplo, aquela atividade em que a criança faz, mas não consegue falar o tempo inteiro durante a prática.

 

A grande questão é que estamos cada vez mais distantes de atingir essa recomendação, uma vez que os espaços a serem explorados pelas crianças por meio do movimento estão reduzidos. Há pouco espaço nas residências e mesmo os momentos de lazer ou nas escolas são preenchidos com muito tempo em que as crianças e adolescentes passam sentados, expostos às telas. Exemplos de familiares também faltam, já que mais da metade da população não atinge a recomendação mínima de atividade física. As crianças que possuem pais fisicamente ativos têm maior chance de serem ativas também.

 

Por isso, se você quer impactar positivamente o cérebro em desenvolvimento, estimule o movimento! Favoreça e proporcione às crianças momentos para correr, brincar, pular e rolar! Reduza na rotina o tempo sentado — o ideal é que, a cada hora que a criança passe sentada, ela se movimente por, no mínimo, cinco minutos. O cérebro agradece!

 


Quem é Carla Giuliano de Sá Pinto Montenegro?

Carla Giuliano de Sá Pinto Montenegro é profissional de Educação Física e Coordenadora da Pós-Graduação em Atividade Física do Hospital Israelita Albert Einstein.

 

 

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Futuro da pesquisa clínica: como será recrutar voluntários daqui para frente? https://canalmynews.com.br/ciencia-einstein/futuro-da-pesquisa-clinica-como-sera-recrutar-voluntarios-daqui-para-frente/ Tue, 11 Jan 2022 17:44:22 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=22878 Participantes mais empoderados e pesquisas descentralizadas poderão tornar os estudos clínicos mais ágeis e eficazes

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Todo medicamento, vacina ou novo tratamento de uma doença necessita ser validado por uma pesquisa clínica. Uma vez concluídos os testes pré-clínicos (em laboratório e com animais), além das fases clínicas iniciais 1 e 2, a questão que os pesquisadores devem responder é: a substância é segura e eficaz?

Quando falamos em eficácia, os principais desfechos para o paciente vão da redução da mortalidade e das consequências graves da doença até uma melhora na qualidade de vida, e os testes de eficácia definitivos são os da chamada fase 3. É esta a etapa que abrange os estudos clínicos randomizados, duplos-cego e multicêntricos, com a participação de pesquisadores e voluntários de centros de pesquisa de vários países.

Devido a esses cuidados, esse tipo de pesquisa é considerado padrão-ouro na comunidade científica, pois reduz os riscos de vieses ou de resultados falsos, e aumenta o grau de confiabilidade nos dados. No entanto, nem sempre é possível encontrar rapidamente ou em quantidade/diversidade suficientes os participantes e os estudos para doenças comuns — por exemplo, as cardiovasculares, derrame ou Acidente Vascular Cerebral (AVC), diabetes e mesmo a covid-19 — exigem um número significativo de voluntários.

Pesquisadores responsáveis por liderar esses estudos, como eu, temos notado que as pesquisas levam mais tempo que o necessário, são onerosas e alguns têm dificuldade em recrutar o número mínimo de participantes dentro do prazo estabelecido. Muitos, inclusive, param por baixo recrutamento. O modelo tradicional de realizar a pesquisa clínica tem se mostrado ineficiente, e a capacidade de chamar os participantes de forma rápida se faz necessária.

Outro grave problema que precisa ser corrigido — e isso não acontece apenas em um centro de pesquisa ou país, mas no mundo todo — é a falta de diversidade nos estudos. Além da importância social inequívoca, gera um impacto na epidemiologia da doença. Levantamento recente indica que a maior parte dos voluntários recrutados em pesquisas clínicas são homens caucasianos, ou seja, brancos. Isso não representa a epidemiologia verdadeira de uma série de doenças.

Da mesma forma, vale repensar as pesquisas com critérios extensos de inclusão e exclusão dos participantes (perfil de indivíduos que poderão participar do estudo clínico) ou com uma coleta de dados por vezes muito complexa e nem sempre necessária. É preciso fazer estudos maiores e mais pragmáticos, com critérios mais abrangentes e mais representativos.

Encontrar voluntários para a pesquisa clínica vem sendo o maior desafio atual. Imagem: Pixabay

Retirando o intermediário

Uma das possibilidades para melhorar esse cenário é adaptando o modelo de recrutamento dos participantes. Atualmente, o modelo tradicional funciona da seguinte forma: centros de pesquisa são selecionados por quem coordena o estudo, são qualificados e os respectivos pesquisadores e suas equipes — mesmo atuando sob a égide do centro coordenador — são responsáveis por recrutar os voluntários.

Mas vemos muita heterogeneidade nesse processo. Há centros que desempenham muito acima do esperado, identificam e recrutam muitas pessoas, enquanto outros ficam na média e há um número não desprezível de centros que recrutam muito pouco ou nenhum, apesar dos treinamentos que tiveram.

Algumas pesquisas sugerem que, na prática, há mais participantes que gostariam de se voluntariar do que pesquisadores que desejam incluir os indivíduos nos estudos. Assim, os centros coordenadores, como a Academic Research Organization (ARO), do Hospital Israelita Albert Einstein, ficam na dependência do intermediário para o acesso aos voluntários.

Autonomia do paciente

Se antigamente era preciso ir fisicamente até uma agência bancária para qualquer transação financeira, e agora apenas um clique no celular é suficiente para boa parte das necessidades do usuário, no âmbito da saúde seguimos por um caminho semelhante. Com indivíduos mais conectados, cresce o movimento dos estudos chamados de descentralizados.

Usamos a tecnologia para que o participante se engaje diretamente à pesquisa clínica e não fique tão dependente do convite de um terceiro para participar. Assim, ele poderá procurar sozinho ou ficar sabendo da pesquisa clínica e, via mecanismos da tecnologia digital, ser incluído.

Caso precise de avaliações ou exames médicos, pode descobrir quais locais, na própria cidade, podem recebê-lo para esses cuidados. Há ainda a possibilidade de usar tecnologias de consentimento digital, como a telemedicina, ou a coleta domiciliar dos exames. Algumas startups, por exemplo, levam a medicação testada de forma segura até o indivíduo. Embora nem tudo possa ser feito de forma descentralizada, muitas das ações que a pesquisa clínica exige, especialmente o recrutamento, podem ser feitas pelo próprio participante.

Colocam-no, assim, como o ator principal da pesquisa, promovendo um maior conforto, facilidade, além do cuidado integral garantido pelos pesquisadores. O Hospital Israelita Albert Einstein é pioneiro no Brasil em fazer esse tipo de pesquisa clínica, pois além do ARO, temos a incubadora de startups Eretz.bio e um grupo de Big Data, que trabalham juntos para conduzir esses estudos.

Pesquisa clínica: vale a pena

Mesmo encontrando os possíveis candidatos às pesquisas clínicas, os pacientes podem se perguntar: vale a pena participar? A resposta é sim, sempre. Uma série de estudos já demonstraram que os pacientes que participam das pesquisas clínicas — mesmo se entrarem no grupo controle (que não recebe a medicação/vacina/tratamento em teste, mas outra substância, às vezes placebo, para fins comparativos) têm uma evolução clínica igual ou, em alguns casos, superior às pessoas que estão em uma mesma condição, mas fora do projeto.

A participação também é vantajosa porque o participante é exaustivamente monitorado e orientado e tem a adesão ao tratamento, ainda que não seja aquele em teste, garantida. Como os indivíduos passam por avaliações clínicas e laboratoriais frequentes e são vistos por vários profissionais, o cuidado é mais intenso que o oferecido na prática clínica diária.

Outra questão que precisa ser destacada é que o recrutamento de participantes só acontece depois que o projeto de pesquisa recebeu todas as aprovações necessárias dos Comitês de Ética em Pesquisa (CEPs) das instituições que desenvolvem o estudo, além da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) e das agências regulatórias nacionais que, no caso do Brasil, é a Anvisa. O participante recebe ainda, antes de ser incluído no estudo, todas as informações necessárias sobre os seus direitos, riscos e benefícios, via o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).


Quem é Otavio Berwanger?

Otavio Berwanger é diretor da Academic Research Organization (ARO) do Hospital Israelita Albert Einstein

 

Leia também: 2021: o ano das vacinas

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2021: o ano das vacinas https://canalmynews.com.br/ciencia-einstein/2021-o-ano-das-vacinas/ Thu, 06 Jan 2022 16:40:29 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=22750 Com a imunização de boa parte da população, os brasileiros salvaram milhões de vidas, deram algum alívio à economia e permitiram uma volta das atividades presenciais

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Chegamos ao fim de 2021 com quase 80% da população brasileira vacinada contra a covid-19 e, mais importante ainda, quase 70% com ao menos duas doses. O brasileiro, felizmente, gosta de vacinas.

 

O resultado do mundo é bem pior, com quase 60% com uma dose e menos de 50% com as duas doses. Ao olharmos a taxa de mortalidade por grupo na Inglaterra e Estados Unidos, por exemplo, as pessoas não vacinadas — com sequer uma dose — morrem entre 5 a 12 vezes mais do que as vacinadas com pelo menos duas doses, dependendo do momento da pandemia nos dois países. Quanto maior for a mortalidade, maior será a disparidade entre os grupos e isto é fácil de entender: nos momentos mais críticos, o número de mortos entre indivíduos vulneráveis é diluído.

 

Muito se falou sobre estas vacinas, mas a maior parte veio de quem nada entende de vacinas, vacinação, saúde, história. Aliás, pessoas que não parecem entender de nada, mas que fazem de conta que entendem de tudo. O importante é que as vacinas salvaram milhões de vida, deram algum alívio para a economia e permitiram alguma volta das atividades presencias.

Vacina

Infelizmente, a velocidade de vacinação não foi a mesma em todos os países, seja por problemas de logística, como visto na África, ou a falta de “sei lá o quê” na Europa e nos Estados Unidos, onde sobram vacinas e cerca de 30% a 40% da população se recusa a receber os imunizantes disponíveis. Problemas de logística, e de lógica, estão permitindo que surjam as variantes — agora com a vacina como uma força evolutiva para o vírus. Se não resolvermos logo estas questões, é possível que apareçam variantes mais resistentes às vacinas. A Ômicron, por exemplo, parece ser o início de uma destas estirpes, embora, felizmente, tenha se mostrado mais benigna que as antecessoras.

 

O incrível sobre as vacinas é que elas são vítimas do próprio sucesso porque, ao serem extremamente eficientes contra doenças, como a poliomielite, e terem quase a erradicado, os pais de hoje não veem a importância em vacinar os filhos. Eles não veem pelas ruas crianças caminhando com dificuldade ou, ainda, as alas de hospitais com os “pulmões de aço” (ventilador de pressão negativa que permite a respiração de pessoas com paralisia dos músculos, sequelas da poliomielite). Eles não conseguem entender que foram as vacinas que alcançaram isto. Infelizmente, assim como vemos atualmente, a falta de percepção trará um futuro no qual estes cenários voltarão a ser realidade.

 

O mesmo acontece com o sarampo. O sucesso da vacina tirou da frente o exemplo da doença que induzia os pais à ação, e permitiu que surgisse um outro tipo de grupo: os anti-vaxxers (antivacinas). Muitos deles estão vivos por terem sido vacinados quando crianças, mas elas se apegam à exceção para defender o indefensável, ou por acharem que as vacinas são um “mal”. Por qualquer medida, número de eventos adversos, gravidade ou gravidade versus efetividade, as vacinas são a intervenção médica mais segura que conhecemos (obviamente, se não levarmos em conta os placebos que alguns propõe como intervenções médicas sem qualquer prova de que funcionam).

 

Tomemos por base a vacina de febre amarela: um evento adverso grave a cada 200 mil a dois milhões de doses. No pior número descrito — um problema a cada 200 mil doses —, o imunizante é mais de 20 vezes mais seguro que a aspirina. Essa mesma, a medicação que você toma quando está com dor de cabeça. Enquanto isso, a mortalidade da febre amarela está entre 30% a 90% dos infectados. De forma direta: algo que pode salvar a sua vida é vinte vezes mais seguro que aquilo que você toma quando está de ressaca. Falta inteligência no debate sobre as vacinas.

 

É claro que elas têm efeitos colaterais e podem causar eventos adversos graves, mas é certo também que elas são mais seguras que quase qualquer outra coisa que realmente funciona que você toma ou dá para os seus filhos.


Quem é Luiz Vicente Rizzo?

Luiz Vicente Rizzo é diretor superintendente do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa do Hospital Israelita Albert Einstein, Docente do Programa de Pós-graduação stricto sensu em Ciências da Saúde, da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein e Pesquisador 1A do CNPq.

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Como transformar sua saúde com mudanças no estilo de vida https://canalmynews.com.br/ciencia-einstein/saude-mudanca-estilo-de-vida/ Tue, 21 Dec 2021 20:31:17 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/saude-mudanca-estilo-de-vida/ Cuidar da saúde não precisa começar com mudanças radicais. Caminhar mais no dia a dia pode ser o primeiro passo

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Apesar dos avanços tecnológicos observados nas últimas décadas, doenças como câncer, infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC) continuam muito frequentes. Há inúmeros estudos demonstrando que, se medidas de prevenção mais efetivas fossem adotadas, esse panorama seria diferente.

Hábitos de vida saudáveis têm impacto positivo no bem-estar e na redução das doenças. Mesmo assim, para muitas pessoas, ter um estilo de vida voltado para saúde e adotar medidas que visem o autocuidado são grandes desafios, que ficam para segundo ou terceiro plano em um turbilhão de afazeres que compõe a vida moderna. E as mudanças são adiadas a todo instante — ainda mais se nenhum sintoma estiver presente.

Para a maioria das pessoas, mudar o estilo de vida é bem difícil. Para alguns, pode ser aquela decisão de ano novo baseada em atitudes radicais, como: não comer doce por um ano ou parar de fumar de um dia para outro. Fato é que a equação do bom estilo de vida envolve múltiplos fatores e, por mais que não seja tão complicado termos saúde, o problema está em colocarmos em prática.

A partir dos conceitos da ciência comportamental, podemos usar modelos e teorias que sirvam de ferramentas positivas no engajamento em saúde. Dentre as teorias mais usadas na área, destaca-se o modelo de crença em saúde.

O nome pode não ser tão conhecido, mas está muito presente em nosso dia a dia. Descrita há mais de 50 anos, essa teoria comportamental parte da ideia de que a chance de alguém adotar uma atitude preventiva diante de um risco eminente depende de três fatores:

– Da percepção do risco em si;

– Da expectativa de benefícios a partir da adoção da medida preventiva;

– Das barreiras percebidas e identificadas que se apresentam diante da possibilidade de assumirmos uma atitude preventiva.

Uma fórmula simples do que poderia ser saúde é essa:

Saúde = prática de atividade física adequada + alimentação saudável + sono reparador + posturas adequadas de lazer e trabalho + atividade social + controle da saúde mental.

Em 1946, a Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu saúde como um estado de completo bem-estar físico, mental e social – e não apenas a ausência de uma doença ou enfermidade.  A questão chega a ser até mesmo filosófica, porque o bem-estar físico e mental, para uns, é fazer um exercício como a yoga (que é mais leve) e, para outros, é treinar para correr uma maratona ou jogar beach tennis com um amigo, viajar, entre outras possibilidades. Cada um valoriza um aspecto do que considera mais importante para a própria saúde.

Saúde
Mudar o estilo de vida e começar a praticar exercícios é fundamental para uma saúde completa. Foto: Pixabay

Saúde não é modular”

Embora seja de entendimento público que o sedentarismo aumenta o risco de doenças, particularmente as cardiovasculares, as barreiras para a prática dos exercícios físicos são inúmeras. Desde a falta de tempo e de local apropriado aos compromissos pessoais e profissionais. Esses compromissos são urgentes e os benefícios dos exercícios são colhidos ao longo de anos e, por isso, acabamos adiando o início.

Mas nossa saúde não é “modular” aos 30, 40 e 50 anos. Ela é contínua! O que plantamos hoje, colheremos no futuro. Assim, colocar os exercícios e outras atividades preventivas como prioridades é fundamental.

Artigo publicado no periódico científico Journal of Preventive Cardiology mostrou que os exercícios de rotina, nesse momento de pandemia da covid-19, previnem o aparecimento das doenças cardiovasculares – ainda que sejam realizados de forma on-line, guiados por aplicativos específicos.

Quantidade recomendada

A Associação Norte-americana do Coração preconiza que os adultos façam, pelo menos, 150 minutos de exercícios físicos – moderado a intenso – por semana; ou 75 minutos de atividade vigorosa, se estiver preparado para isso. Recomenda, ainda, que deve incluir exercícios de fortalecimento em, pelo menos, duas vezes na semana – aspecto ainda mais importante em mulheres após a menopausa, para evitar a perda óssea, quedas e fraturas. A associação também sugere que os adultos passem o menor tempo possível sentados.

Para as crianças, as recomendações são diferentes, mas também fundamentais, uma vez que a obesidade infantil está cada vez mais presente. Entre a faixa etária dos três aos cinco anos, a orientação é que as crianças sejam muito ativas e tenham muitas oportunidades de movimento. Pense no impacto do isolamento nessa recomendação, sem poder ir para a escola, brincar com os amigos e estar sujeito à desconfiança dos pais se a criança se encostasse em locais que poderiam trazer a infecção.

Dos seis aos 17 anos, a indicação é manter a saúde cardiovascular com 60 minutos por dia de atividades físicas moderadas a vigorosas, preferencialmente aeróbicas, pelo menos três vezes na semana e associados a exercícios de fortalecimento e alongamento.

Corpo e cabeça em sintonia

Atualmente, inúmeros trabalhos falam em mindfullness, ou atividades que possam combinar a conexão da cabeça ou do pensamento com o corpo. Ter a mente controlada, ainda que tenha alguma doença, pode ajudar a viver e melhorar a saúde. Uma das ações do mindfullness, por exemplo, visa o controle da dor, que está diretamente relacionado com o conceito de saúde.

Às vezes, mudar o estilo de vida em prol da saúde pode estar apenas em uma mudança de postura no trabalho, por exemplo. A sociedade moderna, com o uso abusivo dos computadores e smartphones, trouxe um impacto importante no sistema musculoesquelético, gerando dores e doenças pouco mencionadas antes, como o bruxismo, síndrome dolorosa miofascial e a disfunção de ATM.

Trabalhar em locais que se preocupam com a ergonomia dos funcionários, fazer intervalos constantes e se movimentar a cada uma hora precisam estar na equação da saúde. Embora sejam atitudes simples, podem repercutir de forma importante.

Outra questão é com o sono, que passou a ser foco de muitos estudos científicos há algum tempo, especialmente o impacto do ronco e da apneia. Sabemos atualmente que aqueles que têm qualidade do sono ruim terão mais doença cardiovascular.

Podemos pensar em mudança de estilo de vida como um processo difícil e radical ou podemos iniciar um processo com questões mais simples. Algumas sugestões são:

  • Trocar o colchão e ter um sono e uma postura mais adequados durante a noite;
  • Fazer uma troca de tênis para prática de uma atividade física mais segura;
  • Iniciar uma atividade física como caminhar até o trabalho ou subir as escadas para chegar em casa;
  • Deixar o carro em casa uma ou duas vezes na semana, e caminhar até o trabalho.

Comece, então, amanhã. Planeje a sua vida de maneira a incluir o cuidado em saúde! Conte com familiares e amigos para ajudarem a suplantar as barreiras. Você estará, certamente, semeando um futuro mais saudável.


Quem são Alexandra Gaspar e Marcelo Kats?

Alexandra Gaspar é médica fisiatra do Hospital Israelita Albert Einstein, especialista em patologias neurológicas e ortopédicas. Trabalha com atividade física e prevenção de saúde (formação em Educação Física pela Universidade de São Paulo/USP)

Marcelo Katz é médico cardiologista do Hospital Israelita Albert Einstein e Docente do Programa de Pós-Graduação stricto sensu em Ciências da Saúde, da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein

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Financiar a pesquisa não é responsabilidade apenas dos governos https://canalmynews.com.br/ciencia-einstein/pesquisa-nao-e-responsabilidade-apenas-governo/ Tue, 14 Dec 2021 14:18:15 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/pesquisa-nao-e-responsabilidade-apenas-governo/ Antes de discutir quem paga o que, é premente discutir, em ciência, o papel que ela tem na sociedade e como os indivíduos podem (e devem) se envolver no entendimento desse papel

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Financiar a ciência faz parte das necessidades — e notem que eu não uso a palavra “obrigação” — de qualquer Estado. Muito se fala da importância da ciência na economia moderna, movida por inovações e não por commodities. Eu não entendo nada de economia, mas se me recordo um pouco da história, sei que faz bastante tempo que é assim. Afinal, o que agregava valor às especiarias na Índia era o transporte, já que eram bem baratas na fonte.

Mas a ciência é muito mais que o seu produto e, como demonstrado com vigor na recente pandemia, conhecer como ela funciona salva vidas, promove a economia e diferencia quem contribui de quem atrapalha.

Há, no entanto, sempre o debate sobre de onde deve vir o dinheiro para a pesquisa. Em Estados totalitários, o financiamento só pode vir do governo, e este é apenas mais um dos muitos, e egrégios, erros desses sistemas de (des)governo. Nas grandes sociedades democráticas, uma parte importante da contribuição para o custeio da ciência vem dos indivíduos e das empresas.

Qual parte cabe ao Estado?

A parcela de patrocínio de ciência que os Estados deveriam investir é difícil de acessar. É impossível estabelecer o ideal — até porque há circunstâncias que podem exigir investimentos diferentes. Quando olhamos os exemplos, há dos mais diversos, que variam de 20% a 50% do total investido, a depender de como é feito o cálculo, do país e da circunstância em questão. Obviamente, estou me referindo ao período pré-pandemia.

Parece-me que, antes de discutir quem paga o que, como e quando, é premente discutir, em ciência, o papel que ela tem na sociedade e como os indivíduos podem (e devem) se envolver no entendimento desse papel. Só assim, com a parcela vocalmente ativa da sociedade realmente entendendo o valor da ciência — e não apenas falando em termos abstratos —, será possível se mover para a discussão do financiamento e execução.

Afinal, sim, a execução de pesquisa também deve ser discutida. Em países como o Brasil, com forte estatização da execução da pesquisa, sei que corro o risco de ser apedrejado no próximo encontro com colegas pesquisadores ao sugerir que, assim como em outros setores da sociedade, o governo deve participar, mas não necessariamente no braço executivo. Mas esse é um tópico para outro momento.


Quem é Luiz Vicente Rizzo?

Luiz Vicente Rizzo é diretor superintendente do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa do Hospital Israelita Albert Einstein e Docente do Programa de Pós-graduação stricto sensu em Ciências da Saúde, da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein.


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Depois da imunoterapia, qual é o grande salto no tratamento contra o câncer? https://canalmynews.com.br/ciencia-einstein/depois-da-imunoterapia-qual-e-o-grande-salto-no-tratamento-contra-o-cancer/ Tue, 07 Dec 2021 19:31:49 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/depois-da-imunoterapia-qual-e-o-grande-salto-no-tratamento-contra-o-cancer/ Terapias alvo-dirigidas, sequenciamento genético de tumores e anticorpos conjugados com medicamentos quimioterápicos devem aumentar a sobrevida dos pacientes oncológicos

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A imunoterapia revolucionou o tratamento do câncer nos últimos cinco anos. A técnica possibilita que o próprio sistema imune do paciente seja recrutado para erradicar as células malignas, que utilizam mecanismos para escapar desse mecanismo de defesa. Ao bloquear essa engrenagem, a imunoterapia trouxe chances de cura para alguns tipos de tumores, como o de pulmão e o melanoma, mesmo em estágios avançados.

Daqui para frente, outras novidades vão chamar a atenção nos tratamentos oncológicos. A primeira são as terapias alvo-dirigidas. A partir do sequenciamento genético dos tumores, essa nova classe de medicamentos permite uma ação personalizada para cada particularidade da doença.

O mais moderno dos testes atuais é o Sequenciamento de Próxima Geração (NGS – Next Generation Sequencing, na sigla em inglês), que possibilita a análise de centenas de genes em uma só plataforma, com o prazo de duas a três semanas para obter os resultados.

Por meio desse sequenciamento, os especialistas descobrem alterações moleculares das mais variadas formas – mutações, fusões, amplificações. Em última instância, essas alterações produzem proteínas (que ou são aberrantes ou estão em quantidade anormal) e fazem com que a célula dispare sinais de forma anômala ao seu núcleo com a mensagem de se replicar.

Torna-se, dessa forma, uma célula cancerosa, com poder de crescimento desregulado e perda da capacidade de fazer apoptose – o ato de morte programada –, ganhando uma vida muito mais longa do que uma célula normal. Ao detectar o gene alterado que é o responsável por gerar a proteína aberrante, é possível desenvolver moléculas capazes de inibir a ação dessas proteínas.

Um dos primeiros exemplos de uso dessa terapia foi com o tratamento alvo-dirigido contra a proteína HER-2 — que pode estar amplificada em cerca de 20% dos casos de câncer de mama.

Com a tecnologia NGS, foi possível identificar dezenas alterações em genes e associá-las com o crescimento acelerado do tumor. A partir daí, com maior ou menor complexidade, foram desenvolvidos medicamentos bloqueando cada proteína.

Outro grande exemplo é o câncer de pulmão. Atualmente são conhecidas mais de 10 alterações genéticas que, somadas, podem estar presentes em cerca de 50% a 70% de todos os tumores pulmonares do tipo adenocarcinoma, a depender da população estudada. E cada mutação possui hoje um remédio específico para bloquear sua respectiva proteína.

Como exemplos, temos a mutação mais comum em um gene chamado EGFR, com medicamentos aprovados incluindo erlotinibe, gefitinibe, osimertinibe. Entre outros genes, estão ALK, ROS1, RET, MET, BRAF, NTRK. Muitos genes, como os dois últimos, podem ser encontrados, inclusive, em diversos tipos de tumor, sendo os causadores do crescimento tumoral em diferentes contextos, mas igualmente suscetíveis ao mesmo medicamento.

O remédio larotrectinibe é um exemplo disso. Um inibidor de NTRK, ele foi o primeiro tratamento chamado tumor-agnóstico. Ou seja, foi aprovado para uso em diferentes tipos de câncer (pulmão, tireoide, sarcomas, tumores pediátricos…), desde que carreguem uma alteração conhecida como fusão do NTRK.

Anticorpos com quimioterapia

Outra modalidade que vem ganhando destaque é a dos anticorpos conjugados com drogas quimioterápicas – que atuam como “cavalos de Troia”. O anticorpo se conecta a uma proteína específica da superfície tumoral e, então, insere na célula uma molécula de quimioterapia, que exerce sua atividade. Esse tratamento tem diferentes alvos possíveis e é altamente eficaz, com a toxicidade menor, já que é apenas entregue a um número restrito de células.

Em geral, os estudos se iniciam em casos mais avançados e refratários (quando a doença não responde ao tratamento padrão). Conforme trazem resultados positivos, passam a ser estudados em estágios mais precoces da doença para, então, serem comparados com o tratamento padrão.

É o caso do trastuzumab-deruxtecan, anticorpo conjugado contra a proteína HER-2 que carrega o quimioterápico deruxtecan. Esse medicamento se mostrou amplamente superior ao tratamento de segunda linha padrão no câncer de mama HER-2-positivo metastático e já está sendo estudado como primeira opção. Imunoterapia, tratamentos alvo-dirigidos e os anticorpos conjugados com quimioterápicos devem aumentar de maneira significativa a sobrevida de pacientes com vários tipos de câncer metastático. Possibilitando, inclusive, a cura de casos selecionados.


Quem é Gustavo Schvarstman?

Gustavo Schvarstman é oncologista clínico do Hospital Israelita Albert Einstein e Docente do Programa de Pós-Graduação stricto sensu em Ciências da Saúde, da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein.

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A importância de estimular o jovem a entender a ciência https://canalmynews.com.br/ciencia-einstein/a-importancia-de-estimular-jovem-entender-ciencia/ Tue, 23 Nov 2021 11:42:31 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/a-importancia-de-estimular-jovem-entender-ciencia/ Expor a próxima geração à ciência é fundamental para o entendimento e funcionamento pleno em sociedade

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É claro que, como médico-pesquisador que sou, penso que o ensino de ciência é essencial. Mais que meu desejo e minha paixão, vivemos em um mundo onde os avanços tecnológicos e as implicações das ações dos seres humanos no meio ambiente em seu senso amplo são cada vez mais importantes e presentes.

Nesta nova realidade, é fundamental que o indivíduo tenha um entendimento da ciência e do método científico — tanto suas belezas quanto as limitações — para funcionar em sociedade. Como qualquer outra matéria, a exposição precoce e consistente é o caminho.

Há uma identidade entre os anseios das crianças e dos jovens e os desígnios da atividade de pesquisa. A criança é, acima de tudo, um ser explorador e curioso. Como disse o compositor, ator e escritor australiano Tim Minchin, a ciência é uma palavra que se usa para descrever um método de organizar a curiosidade.

jovem estudante
O aprendizado da ciência deve ser estimulado desde a infância. Crianças são, acima de tudo, exploradoras e curiosas/Foto: Pixabay

Já o jovem é contestador e rebelde, outros atributos importantes para a pesquisa científica. Segundo a antropóloga norte-americana Zora Hurston, “a pesquisa é uma maneira formal de desenvolver a curiosidade. É atiçá-la com um propósito”. O cientista é, acima de tudo, um descontente com o status quo.

No topo de tudo isto, há a importância da ciência para o dia a dia. O entendimento da crise climática, por exemplo, passa inevitavelmente pelo conhecimento científico que temos até o momento. O mesmo vale para as vacinas de RNA, a medicina de precisão, a edição gênica, a clonagem, os alimentos transgênicos — apenas para ficar nos eventos da minha área. Essas são todas “novidades” que farão cada vez mais parte da nossa vida.

Estamos vendo os efeitos desastrosos da falta de entendimento que uma grande porção dos seres humanos tem da ciência biológica. As pessoas sem conhecimento não conseguem lidar com o novo, e nem com a incerteza natural deste campo. Poderia escrever muitas laudas apenas sobre os enganos envolvendo vacinas contra o SARS-CoV-2: desde o tempo que demoraram (ou não) para serem produzidas até a suposta inserção do RNA no nosso genoma, sem me esquecer das falácias sobre a esterilização em massa e a aplicação de “chips”. Estes são apenas indicadores de uma falha global no sistema de ensino e comunicação de ciência.

Não é razoável que sigamos tratando o ensino de ciência como um acessório. O presente já requer, e deu mostras disso, que as pessoas entendam ciência da mesma forma que saibam as quatro operações matemáticas.

Ciência necessita de exposição precoce, especialmente às crianças. Assim como um componente alimentar, o ser humano nunca saberá o gosto de uma fruta que nunca provou. A nossa incapacidade de comunicar ciência tem que ser revista há tempos. Richard Feynman, físico teórico norte-americano, já disse que: “se você não acha a ciência divertida, é porque você está aprendendo com o professor errado”.

As barreiras percebidas para o estudo da ciência no que diz respeito às necessidades materiais são errôneas. Ciência é uma forma de pensar e, portanto, requer imaginação para ser ensinada. A vantagem de repassar esse conhecimento principalmente às crianças é que o destinatário já vem com a imaginação pronta. Ainda assim, parece claro que um conjunto de circunstâncias precisam ser endereçadas. A saber:

  1. Favorecer o desenvolvimento profissional para atrair, preparar e reter professores de alta qualidade;
  2. Aumentar o número de profissionais de ciências e tecnologia que desempenham um papel ativo na preparação dos programas de ensino fundamental e médio;
  3. Rever as disciplinas compartimentadas, ensinadas por professores isolados em departamentos estanques, criados há mais de 50 anos;
  4. Reavaliar o grande número de alunos por turma;
  5. Revisar o currículo intensivo, com alocação de tempo insuficiente para a educação em ciências;
  6. Repensar as aulas informativas, com estudantes em posição passiva (apenas ouvindo e escrevendo).

Veja o Quinta Chamada Ciência, às quintas, a partir das 20h30, com apresentação de Cecília Oliveira e Salvador Nogueira, no Canal MyNews

Quem é Luiz Vicente Rizzo?

Luiz Vicente Rizzo é diretor superintendente do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa do Hospital Israelita Albert Einstein e Docente do Programa de Pós-Graduação stricto sensu em Ciências da Saúde, da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein


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Terapia gênica: simplicidade e precisão no tratamento (e na cura) de doenças genéticas https://canalmynews.com.br/ciencia-einstein/terapia-genica-simplicidade-precisao-tratamento-cura-doencas-geneticas/ Tue, 16 Nov 2021 21:28:43 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/terapia-genica-simplicidade-precisao-tratamento-cura-doencas-geneticas/ Os grandes avanços nas ferramentas de edição gênica da última década têm o potencial de revolucionar o tratamento de doenças consideradas até então incuráveis

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No ano passado, duas cientistas – Emmanuele Charpentier e Jennifer Doudna – receberam a maior honraria científica por suas contribuições no desenvolvimento de um novo método de edição gênica, chamado CRISPR/Cas9. O Nobel de Química de 2020 reconheceu, menos de 10 anos depois dos trabalhos originais, a relevância e o impacto do uso desse sistema para modificar, com incrível simplicidade e precisão, uma sequência de DNA.

Descoberto inicialmente em bactérias como um sistema de defesa contra vírus invasores, o CRISPR/Cas9 foi rapidamente adaptado para servir como uma potente ferramenta para alterar o DNA de plantas, animais e até mesmo de células humanas.

DNA - pesquisas sobre doenças genéticas
Pesquisas envolvendo edição genética podem ajudar a encontrar a cura para algumas doenças/Imagem: Pixabay

O sistema funciona como uma sessão de corte e costura. A Cas9 é a “tesoura” que corta o DNA em locais exatos determinados por guias, compostos de pequenos trechos de RNA (uma molécula similar ao DNA) e feitos sob design em laboratório. Em seguida, é possível “costurar” o DNA de volta, mas alterando sua composição a partir de pequenos moldes feitos de DNA entregues às células.

Essas alterações podem impactar o funcionamento de um trecho de DNA (que chamaremos de gene) de diferentes maneiras, dependendo do objetivo que se quer alcançar. Uma possibilidade é modificar a sequência de um gene para suprimir seu funcionamento. Outra é corrigir um defeito existente para que o gene possa voltar a funcionar normalmente. E ainda é possível inserir trechos diferentes de DNA que dão às células funções completamente novas.

Cada uma dessas possibilidades cria um leque enorme de aplicações na área da saúde, especialmente em condições que eram, até então, consideradas incuráveis ou de difícil tratamento, como câncer e doenças genéticas hereditárias. Há uma estimativa de que existam mais de 10 mil diferentes doenças genéticas causadas por alterações em um único gene — também conhecidas como doenças monogênicas. Juntas, essas enfermidades atingem de 1% a 6% da população. A boa notícia é que, em princípio, todas podem ser alvo de tratamento através de tecnologias de edição gênica.

Impacto na anemia falciforme

Dentre as enfermidades, a anemia falciforme se destaca por ser uma das doenças genéticas de maior prevalência, afetando majoritariamente a população afrodescendente, induzindo altos graus de morbidade e mortalidade precoce.

A condição é causada pela alteração de uma única letra de DNA no gene da betaglobina — um componente da hemoglobina, molécula presente nos glóbulos vermelhos do sangue e responsável pelo transporte de oxigênio dos pulmões para os tecidos. Curiosamente, em praticamente todos os pacientes, a alteração do DNA é exatamente a mesma, fato que não é muito comum em doenças genéticas. Portanto, não é por acaso que a anemia falciforme tem sido um dos principais alvos de pesquisa em terapia gênica.

A empresa Vertex Therapeutics anunciou recentemente que sete pacientes com anemia falciforme tratados com seu produto de terapia gênica deixaram de apresentar crises vaso-oclusivas, um importante marcador de gravidade. Mais importante ainda para essa fase do estudo: nenhum dos pacientes apresentou efeitos colaterais graves relacionados ao tratamento, o que sugere que o tratamento é seguro.

No Brasil, o Hospital Israelita Albert Einstein, em parceria com o Ministério da Saúde através do programa PROADI-SUS, também está buscando a cura para a anemia falciforme por meio da terapia gênica. A estratégia escolhida consiste em transplantar células-tronco hematopoiéticas (células capazes de gerar todos os tipos de células do sangue) do próprio paciente, após corrigir seu DNA no laboratório usando as técnicas de CRISPR/Cas9. Em fases iniciais de desenvolvimento, o protocolo tem se mostrado bastante eficaz em editar o DNA, possibilitando que essas células se transformem em glóbulos vermelhos saudáveis.

Dos laboratórios aos pacientes

O desafio de levar a terapia gênica das bancadas dos laboratórios para os pacientes não é pequeno. Universidades, centros de pesquisa, startups e grandes empresas de diversos países estão reunindo times de especialistas e investindo somas importantes para desenvolver estratégias de tratamento utilizando essa tecnologia.

Os protocolos dos estudos, após o desenvolvimento em laboratórios de pesquisa, precisam ser testados e validados em exaustão em ambientes de manufatura adequados e escala compatível para o uso em humanos. Tudo isso para garantir a segurança do procedimento e sua qualidade. Na sequência, ensaios clínicos precisam ser feitos de forma minuciosa e cuidadosa, a fim de avaliar a eficácia e segurança desse tratamento em seres humanos.

O caminho é árduo e longo, com diversas idas e vindas. Exige resiliência, paciência, dedicação e muito investimento. Nos próximos anos, com o avanço das pesquisas e dos ensaios clínicos em diversas doenças, teremos mais clareza se a terapia gênica entregará, de fato, a revolução que ela hoje promete. O começo desta jornada, no entanto, não poderia ser mais animador!

Assista ao Quinta Chamada Ciência, todas as quintas, a partir das 20h30, no Canal MyNews

Quem é Ricardo Weinlich?

Ricardo Weinlich é biólogo e pesquisador científico. Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa. Hospital Israelita Albert Einstein.


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Como saber se uma pesquisa atende a requisitos éticos e morais? https://canalmynews.com.br/ciencia-einstein/como-saber-se-pesquisa-atende-requisitos-eticos-e-morais/ Mon, 08 Nov 2021 22:37:13 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/como-saber-se-pesquisa-atende-requisitos-eticos-e-morais/ Há regras a serem seguidas, direitos que devem ser respeitados… Tudo para garantir a qualidade dos estudos, a confiança em seus resultados e o bem-estar dos pesquisadores e voluntários

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A pandemia da covid-19 trouxe para o dia a dia do brasileiro a importância da pesquisa científica. Todos os dias os jornais noticiam uma descoberta, pois nunca na História uma única doença foi depositária de tanto investimento e esforço para o desenvolvimento de vacinas e tratamentos. Mas será que está claro o que é a pesquisa?
De forma simplificada, trata-se de uma sistematização para a obtenção de conhecimento sobre um determinado assunto. Para isso, exige métodos e deve seguir regras específicas e rígidas, que garantam que o conhecimento produzido seja válido e aplicável.

Quando o estudo envolve seres humanos, tornam-se necessário alguns cuidados ainda mais especiais. Infelizmente, nem sempre as pesquisas foram feitas de maneira adequada. Muitas delas, como as atrocidades do nazismo, são conhecidas do público e feriram de maneira contundente a moral e a ética.

Moral, vale lembrar, está ligada às atitudes e comportamentos que uma sociedade entende e internaliza como correto. Ética, por sua vez, é um ramo da Filosofia que normatiza, ou transforma em regras expressas, o que esta mesma sociedade julga como moral. Tanto a moral como a ética são vivas e mudam com o passar do tempo e em diferentes lugares.

No campo das pesquisas, não é diferente. É preciso que se respeitem os direitos e a integridade das pessoas que se dispõem a participar dos estudos científicos, levando-se em conta as regras sancionadas naquele momento. Afinal, são esses indivíduos, com sua disposição em se tornar voluntários das pesquisas, que permitem o tão necessário avanço da ciência.

O Brasil é conhecido internacionalmente por ser um país cuidadoso com a proteção de quem aceita fazer parte de pesquisas. Mas, na pandemia, a mídia nos mostrou outro lado dessa moeda, com pessoas usadas como cobaias. Sem ter a sua autonomia respeitada, muitas não puderam escolher se queriam participar de um estudo, sendo involuntariamente envolvidas em projetos que nem sempre tinham o seu melhor interesse como objetivo. O que se viu foi um show de horrores. As vidas dos participantes foram negligenciadas em função de interesses de empresas, governos e pesquisadores que não respeitaram a moral e, muito menos, a ética da nossa sociedade.

O consentimento dos participantes, aliás, é primordial para que um estudo científico possa acontecer. Para tanto, há regras, normas e resoluções emitidas pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS), via Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep). A Conep, inclusive, é a maior comissão do CNS e regulamenta e organiza todo um sistema de avaliação ética de pesquisas sendo feitas em território nacional.

Embora seja um sistema descentralizado e encabeçado pela Conep, a implementação das regras é realizada localmente, por uma rede que conta hoje com mais de 800 Comitês de Ética em Pesquisa (CEP). Esses comitês, presentes nas principais universidades, centros de pesquisa e hospitais, são formados por voluntários que analisam todos os documentos relacionados aos projetos de pesquisa. A aprovação dos CEPs deve ocorrer antes do início de qualquer estudo e toda mudança de curso precisa ser comunicada e receber uma nova avaliação.

Para que uma pessoa possa ser contatada e convidada a fazer parte de um estudo científico, o pesquisador deve apresentar ao voluntário um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Trata-se de um documento no qual são detalhados os aspectos relacionados à pesquisa, como por exemplo: de que forma será feita; quais os riscos e benefícios em participar; quais os direitos e deveres do participante e quais os meios de contato com todos os envolvidos, caso o participante queira se comunicar com os pesquisadores ou com o próprio sistema de avaliação ética.

Além disso, as instituições onde são feitos os estudos devem criar mecanismos de acompanhamento, uma vez que a responsabilidade pelo cuidado com as Boas Práticas em Pesquisa é compartilhada entre pesquisadores, instituições e patrocinadores. Algumas instituições, como é o caso da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, contam com um Escritório de Integridade Científica, que audita e acompanha os estudos, de modo a garantir que sejam feitos de maneira adequada, tanto do ponto de vista ético, quanto científico.

Uma pesquisa, para ser ética, precisa apresentar um balanço entre riscos e benefícios que seja favorável e respeitar a autonomia dos participantes. Deve, ainda, tratá-los com justiça e equidade, buscando sempre fazer o bem e nunca causar danos previsíveis. Independentemente da premência e urgência em se achar resultados para combater pandemias ou responder prontamente às necessidades que se imponham, a vida, o respeito e o cuidado com os seres humanos devem sempre vir em primeiro lugar.

Assista à entrevista com Luiz Vicente Rizzo, diretor superintendente do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, e com o pediatra infectologista e presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri, no Quinta Chamada Ciência, no Canal MyNews

Quem são Anna Davison e Ana Cláudia Machado Urvanegia?

Anna Davison é antropóloga, coordenadora do Escritório de Integridade Científica da SBIBAE e Ana Claudia Machado Urvanegia é biomédica, doutora em Ciências da Saúde, coordenadora administrativa do Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Israelita Albert Einstein

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