Arquivos filosofia - Canal MyNews – Jornalismo Independente https://canalmynews.com.br/tag/filosofia/ Nosso papel como veículo de jornalismo é ampliar o debate, dar contexto e informação de qualidade para você tomar sempre a melhor decisão. MyNews, jornalismo independente. Fri, 16 Dec 2022 19:05:44 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 A dicotomia do cansaço https://canalmynews.com.br/sem-categoria/a-dicotomia-do-cansaco/ Fri, 16 Dec 2022 19:05:44 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=34955 Cansada de fazer tudo, mas também cansada de não fazer nada…

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Você já se sentiu cansado sem ter feito nada? Ou se sentiu inútil mesmo depois de um dia inteiro de trabalho? Essa é uma das reflexões que está no livro “Sociedade do Cansaço”, de Byung Chul Han, filósofo sul-coreano. 

 

Nesta sexta-feira (16), em entrevista ao Almoço do MyNews, o filósofo Lucas Machado, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), fala sobre a necessidade constante de estarmos sempre em movimento, produzindo algo, da necessidade de autoafirmação no trabalho, e da busca pela felicidade plena.

 

“Um dos motivos de estarmos cansados toda hora é essa sensação de que não estamos fazendo o suficiente, que poderíamos estar fazendo mais. Hoje em nossa sociedade, não vemos a validação em mais nada que não seja a autoafirmação enquanto indivíduos, e como se mostra essa ‘capacidade’? Trabalhando.”

 

Lucas Machado também chama a atenção para nosso excesso de autocrítica. Segundo ele, o fato de não nos impormos um limite, não acharmos que o que fizemos é o bastante, faz com que trabalhemos mais, e mais, e mais… “Não encontramos nenhuma outra atividade na qual podemos conferir valor a não ser fazendo algo. Não se encontra valor em ‘fazer nada’, daí essa sensação de que não está sendo o bastante”, ressalta.

 

O filósofo também reflete sobre a hiperatividade que se impôs com a chegada das redes sociais. “A consequência disso é que deixamos de ter uma experiência menos profunda, passamos a ter uma desconexão com o outro. É um clichê, mas é real: quanto mais conectados estamos, mais sozinhos nos sentimos, pois não se é dada a atenção de fato a nada nem a ninguém”.

 

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Filósofo José Arthur Giannotti morre aos 91 anos https://canalmynews.com.br/mais/filosofo-jose-arthur-giannotti-morre/ Tue, 27 Jul 2021 23:31:46 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/filosofo-jose-arthur-giannotti-morre/ Um dos grandes intelectuais brasileiros, Giannotti é um dos fundadores do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap)

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O filósofo e professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), José Arthur Giannotti, morreu nesta terça-feira (27), aos 91 anos, em São Paulo. Giannotti era um dos maiores nomes da filosofia brasileira e dedicou sua carreira aos estudos de autores como Karl Marx, Martin Heidegger e Ludwig Wittgenstein, sendo um dos grandes intelectuais brasileiros.

Giannotti foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), em 1980, mas acabou se afastando da legenda nos anos 1990 e apoiando o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), inclusive com participação na política científica nacional, como membro da Comissão Nacional de Educação, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2003). Nos últimos anos, entretanto, posicionou-se com uma visão crítica diante da política partidária brasileira.

Perseguido pela Ditadura Militar, foi afastado compulsoriamente da USP em 1969 e aposentou-se do Departamento de Filosofia em 1984. Em 1998, tornou-se professor emérito da universidade. Recebeu, em 2001, o Prêmio Anísio Teixeira e era membro da Grã-Cruz da Ordem do Mérito Científico e da Academia Brasileira de Ciências. O Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), entidade da qual foi um dos fundadores e presidente, confirmou a morte do filósofo com uma nota de pesar.

“É com imensa tristeza que o Cebrap recebe a notícia do falecimento de um de seus fundadores, o professor José Arthur Giannotti, um dos maiores intelectuais brasileiros. Aos familiares e amigos que tiveram o privilégio de conviver com ele, prestamos as nossas mais sinceras e fraternas condolências. Em nome de todos os seus pesquisadores, o Cebrap expressa sua gratidão pela contribuição que Giannotti deu ao país, à pesquisa, ao ensino e à democracia”, diz o texto.


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O risco da terceirização de responsabilidades https://canalmynews.com.br/creomar-de-souza/o-risco-da-terceirizacao-de-responsabilidades/ Thu, 15 Apr 2021 13:49:40 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/o-risco-da-terceirizacao-de-responsabilidades/ Em detrimento da postura socrática de responsabilidade, atual gestão brasileira de crise prefere terceirizar a culpa e fugir das consequências

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Sócrates, talvez o filósofo clássico mais citado pelo senso comum, não deixou nada escrito. Suas reflexões, métodos e observações chegaram até os dias atuais pelo trabalho abnegado de seus seguidores. De sua obra, por assim dizer, destacam-se a maiêutica e ironia, como pilares fundamentais de um método filosófico que revolucionou a forma de pensar no Ocidente, mas que valeu a Sócrates a acusação de negar os “deuses do Estado e corromper os jovens”.

Ao repelir as acusações, segundo Xenofonte, o pai da filosofia teria dito: Cidadãos! (…) estou certo que tanto quanto o passado, me renderá o porvir o testemunho de que nunca fiz mal a ninguém, jamais tornei ninguém mais vicioso, mas servia os que comigo privavam ensinando-lhes sem retribuição tudo o que podia de bem”. Diante da impassividade do júri aos seus argumentos, Sócrates viu-se condenado à morte, sem, contudo, renunciar as suas convicções e responsabilidades.

 'A Morte de Socrates', obra de Jacques-Louis David, 1787.
‘A Morte de Sócrates’, obra de Jacques-Louis David, 1787. Foto: Reprodução (Wikicommons).

Agora, imagine se Sócrates, diante da situação em que se encontrava, decidisse de súbito aceitar as acusações postas, renunciar àquilo que pregava e medir-se pelos olhares daqueles que se ofendiam com suas convicções? Fazendo um exercício contrafactual não causaria surpresa dizer que provavelmente seu exemplo e suas lições causariam menos comoção e engajamento e que, possivelmente, nenhum dos seus discípulos se daria ao trabalho de eternizá-lo como um exemplo de crença e responsabilização.

E aqui reside um elemento bastante contrastante entre o exemplo de Sócrates e o atual quadro político e social que vivemos. O ambiente sociopolítico parece povoado de um enorme esforço dos atores, individual e coletivamente, de se furtarem a assumir suas responsabilidades, tanto em âmbito moral, quanto civilizatório. A recusa de compreender a gravidade da situação em que os mais vulneráveis se encontram, o esforço em normalizar a fome, a violência e a falência da governança pública, tem como efeito prático a criação de um horizonte aterrador.

A marcha fúnebre rumo ao meio milhão de brasileiros mortos pela covid-19 não dá sinais de arrefecimento. E mesmo assim, vemos todos os dias uma avalanche de atos que, se já não surpreendem, continuam a chocar pela insensibilidade ou irresponsabilidade de líderes e certos grupos. Da política externa à administração municipal, grassam exemplos que colocam em xeque a nossa própria convicção de que estamos imersos em uma sociedade do século 21.

Ao contrário, ações como o furto de vacinas, opções por tratamentos comprovadamente ineficazes ou soluções xamânicas buscadas no Oriente Médio mostram não apenas um vazio em termos de tecnologia de governo. Demonstram também um enorme esforço de atores importantes, com e sem mandato político, de se furtarem a suas responsabilidades em um momento tão crítico.

O exemplo de Sócrates inspirou Platão, Xenofonte, Aristófanes e tantos outros no caminho da iluminação e busca da verdade intelectualizada. O exemplo atual de quem abre mão de sua responsabilidade, em nome de ganhos pessoais e de seu fervor cego a ideologias exóticas, também tem efeito cascata, mas no sentido contrário ao exemplo socrático. Em vez de irradiar o conhecimento que ilumina, impõe as trevas por meio da terceirização de responsabilidades ou a omissão diante da dor e do sofrimento de milhões de brasileiros espremidos entre a insegurança alimentar e a falta de leitos hospitalares, num efeito cascata devastador sobre uma série de agentes públicos distribuídos ao redor do país.

É fundamental uma reflexão coletiva para pactuar prioridades mínimas para a superação da crise. O mais urgente é uma ação concreta de combate à fome, diante do impacto da pandemia sobre as populações economicamente vulneráveis, a ser implementada com medidas de distanciamento social, apoio contínuo aos pequenos empresários e acesso a vacinas. A lógica de confusão e confronto precisa ser abandonada, sob pena de entrarmos em um espaço irreversível de degradação da própria lógica civilizacional. O risco não está em um inimigo externo ou numa coalizão ideológica inventada nos porões da internet, ele está na incapacidade das esferas decisórias superiores de reconhecerem as prioridades da nação e atacá-las de maneira minimamente eficaz.

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