A dicotomia do cansaço

A dicotomia do cansaço

Cansada de fazer tudo, mas também cansada de não fazer nada…

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  • Na sexta‑feira (16), o professor Lucas Machado, da UFRJ, concedeu entrevista ao “Almoço do MyNews”.
  • Ele analisou “Sociedade do Cansaço”, de Byung‑Chul Han, e vinculou o cansaço crônico à pressão por autoafirmação e produção constante.
  • Machado ressaltou que a ausência de limites e a autocrítica excessiva forçam as pessoas a trabalhar cada vez mais, sem sentir que é suficiente.
  • O debate apontou que, na busca contemporânea por felicidade plena, o valor pessoal ainda é medido apenas pelo que se faz.

Você já se sentiu cansado sem ter feito nada? Ou se sentiu inútil mesmo depois de um dia inteiro de trabalho? Essa é uma das reflexões que está no livro “Sociedade do Cansaço”, de Byung Chul Han, filósofo sul-coreano. 

 

Nesta sexta-feira (16), em entrevista ao Almoço do MyNews, o filósofo Lucas Machado, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), fala sobre a necessidade constante de estarmos sempre em movimento, produzindo algo, da necessidade de autoafirmação no trabalho, e da busca pela felicidade plena.

 

“Um dos motivos de estarmos cansados toda hora é essa sensação de que não estamos fazendo o suficiente, que poderíamos estar fazendo mais. Hoje em nossa sociedade, não vemos a validação em mais nada que não seja a autoafirmação enquanto indivíduos, e como se mostra essa ‘capacidade’? Trabalhando.”

 

Lucas Machado também chama a atenção para nosso excesso de autocrítica. Segundo ele, o fato de não nos impormos um limite, não acharmos que o que fizemos é o bastante, faz com que trabalhemos mais, e mais, e mais… “Não encontramos nenhuma outra atividade na qual podemos conferir valor a não ser fazendo algo. Não se encontra valor em ‘fazer nada’, daí essa sensação de que não está sendo o bastante”, ressalta.

 

O filósofo também reflete sobre a hiperatividade que se impôs com a chegada das redes sociais. “A consequência disso é que deixamos de ter uma experiência menos profunda, passamos a ter uma desconexão com o outro. É um clichê, mas é real: quanto mais conectados estamos, mais sozinhos nos sentimos, pois não se é dada a atenção de fato a nada nem a ninguém”.

 

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