Arquivos genocídio - Canal MyNews – Jornalismo Independente https://canalmynews.com.br/tag/genocidio/ Nosso papel como veículo de jornalismo é ampliar o debate, dar contexto e informação de qualidade para você tomar sempre a melhor decisão. MyNews, jornalismo independente. Fri, 24 May 2024 14:36:41 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 Lula tira Bolsonaro das manchetes e dá munição ao comício golpista de domingo https://canalmynews.com.br/balaio-do-kotscho/lula-tira-bolsonaro-das-manchetes-e-da-municao-ao-comicio-golpista-de-domingo/ Tue, 20 Feb 2024 17:30:08 +0000 https://localhost:8000/?p=42468 Não seria preciso invocar Adolfo Hitler para defender os palestinos e atacar o governo genocida de Israel

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No momento em que o STF e a Polícia Federal fechavam o cerco a Bolsonaro e sua gangue de golpistas, todos eles convocados a depor nesta quinta-feira gorda em Brasília, Lula lhes fez o favor de tirá-los das manchetes, ocupadas agora pelas desastradas declarações sobre o massacre de Israel contra o povo palestino, comparando-o ao Holocausto que incinerou 6 milhões de judeus nas câmeras de gás.

De quebra, entregou farta munição para o ex-presidente inflamar seu comício marcado para este domingo, na avenida Paulista, em São Paulo, “em defesa da democracia, do Estado Democrático de Direito e da liberdade”, ou seja, tudo o que ele tentou destruir em seus quatro anos de governo.

Agora, esse ato, “sem atacar ninguém”, vai ser também em defesa do Estado de Israel e contra Lula, insuflando os bolsonaristas evangélicos, que ganharam de graça uma bandeira para levar às ruas e um mote para a sua manifestação de protesto contra o cerco ao seu líder deflagrado pela Justiça e pela Polícia Federal.

Claro que Lula se referia ao governo de Benjamim Netanyhau, responsável pela morte de mais de 30 mil palestinos, e não ao povo judeu, espalhado pelo mundo, a quem deveria se dirigir diretamente para explicar melhor o que quis dizer ao fazer essa comparação, sem lastro nos fatos históricos, um grave erro. Comparações são sempre perigosas. Não seria preciso invocar Adolfo Hitler para defender os palestinos e atacar o governo genocida de Israel.

Claro também que a milícia digital bolsonarista, que pegou fogo nos últimos dias, não iria fazer esta distinção. Era tudo que eles queriam para mobilizar os devotos.

Nenhum líder mundial até este momento saiu em defesa de Benjamim Netanyahu nesta batalha de Itararé verbal, mas os prejuízos para Lula e o governo já são grandes aqui dentro, ao ressuscitar e dar um novo embalo à oposição bolsonarista no Congresso e à ala lavajatista na mídia, que caíram matando no presidente. Com tantos problemas ainda para atacar na reconstrução do país, o Brasil não precisava disso agora, bem quando a economia começa a se recuperar.

Lembro-me que Lula respondia com uma pergunta quando algum assessor lhe levava uma ideia de jerico: “E o que nós ganhamos com isso?”.

É o que eu gostaria de perguntar agora a Lula, que arrumou uma grande e desnecessária encrenca multinacional, às vésperas do ato golpista para Bolsonaro se defender, disfarçado de “democrático”, marcado por ele já no desespero, ao se ver cercado por todos os lados, sem defesa, diante de tantas provas dos seus crimes de lesa-pátria, sem discurso e sem bandeiras, e resolveu partir para o tudo ou nada. Agora ninguém sabe o que pode acontecer no domingo. Coisa boa não será, seja qual for o tamanho da manifestação.

Vida que segue.

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Netanyahu reage a fala de Lula sobre holocausto e convoca embaixador https://canalmynews.com.br/noticias/netanyahu-reage-a-fala-de-lula-sobre-holocausto-e-convoca-embaixador/ Tue, 20 Feb 2024 03:15:18 +0000 https://localhost:8000/?p=42448 Presidente brasileiro classificou as mortes em Gaza como genocídio

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Em entrevista coletiva durante viagem oficial à Etiópia, o presidente brasileiro classificou as mortes de civis em Gaza como genocídio, criticou países desenvolvidos por reduzirem ou cortarem a ajuda humanitária na região e disse que “o que está acontecendo na Faixa de Gaza com o povo palestino não existiu em nenhum momento histórico. Aliás, existiu quando Hitler resolveu matar os judeus”.

“Não é uma guerra entre soldados e soldados. É uma guerra entre um Exército altamente preparado e mulheres e crianças”, disse Lula.

Reação

Israel reagiu duramente às declarações de Lula. No domingo (18), o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que a fala do presidente brasileiro equivale a “cruzar uma linha vermelha”.

“As palavras do presidente do Brasil são vergonhosas e graves. Trata-se de banalizar o holocausto e de tentar prejudicar o povo judeu e o direito de Israel se defender.”

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Israel Katz, pelas redes sociais, declarou Lula persona non grata em seu país.

“Nós não perdoaremos e não esqueceremos – em meu nome e em nome dos cidadãos de Israel, informei ao presidente Lula que ele é persona non grata em Israel até que se desculpe e se retrate por suas palavras.”

 

Alckmin diz que posição do presidente Lula é pela paz na Palestina

O vice-presidente, Geraldo Alckmin, disse nesta segunda-feira (19) que a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é pela paz na Palestina. “O que ele defende é a paz. O que ele quer é a paz, que haja aí um cessar-fogo no sentido da busca pela paz”, enfatizou após participar de encontro na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Alckmin comentou as declarações de Lula, que lembrou as mortes dos judeus na Segunda Guerra Mundial ao comentar sobre às mortes de palestinos, sobretudo mulheres e crianças, vítimas de ataques israelenses na Faixa de Gaza. “O que está acontecendo na Faixa de Gaza com o povo palestino não existiu em nenhum momento histórico. Aliás, existiu quando Hitler resolveu matar os judeus”, afirmou o presidente no último fim de semana.

O vice-presidente enfatizou ainda que, por diversas vezes, Lula condenou os ataques do Hamas contra a população civil de Israel em outubro do ano passado.

Em relação à colocação do presidente Lula, eu acho que é clara a sua posição. De um lado, deixou claro que a ação do Hamas foi uma ação terrorista, isso eu ouvi dele em vários pronunciamentos.

 

Governo chama embaixador do Brasil em Israel para consultas

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, chamou para consultas o embaixador brasileiro em Tel Aviv, Frederico Meyer, que embarca para o Brasil nesta terça-feira (20). Também foi convocado o embaixador israelense Daniel Zonshine para que compareça ainda nesta segunda-feira (19) ao Palácio Itamaraty, no Rio de Janeiro. 

Segundo nota divulgada pelo Itamaraty, as medidas foram tomadas “diante da gravidade das declarações desta manhã do governo de Israel”. Mauro Vieira está no Rio de Janeiro para a reunião do G20.

Na manhã desta segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Israel Katz, voltou a criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por suas declarações sobre operações israelenses na Faixa de Gaza e declarou Lula persona non grata no país.

A declaração de “persona non grata” é um instrumento jurídico reconhecido e utilizado nas relações internacionais. É uma prerrogativa que os estados têm para indicar que um representante oficial estrangeiro não é mais bem-vindo como tal em seu território.

Em entrevista coletiva durante viagem oficial à Etiópia, o presidente brasileiro classificou as mortes de civis em Gaza como genocídio e criticou países desenvolvidos por reduzirem ou cortarem a ajuda humanitária na região. “O que está acontecendo na Faixa de Gaza com o povo palestino não existe em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu quando Hitler resolveu matar os judeus”, disse Lula.


No Segunda Chamada desta segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024, Afonso Marangoni e o comentarista político João Bosco Rabello recebem o mestre em relações internacionais Marcos Magalhães e o filósofo Joel Pinheiro para debater a repercussão do assunto. Confira:

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Senadores vão insistir em genocídio em Haia, mesmo sem indiciamento de Bolsonaro https://canalmynews.com.br/juliana-braga/senadores-vao-insistir-genocidio-haia-mesmo-sem-indiciamento-de-bolsonaro/ Thu, 28 Oct 2021 19:58:49 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/senadores-vao-insistir-genocidio-haia-mesmo-sem-indiciamento-de-bolsonaro/ Parte do G7 defende que período da CPI não é suficiente para caracterizar genocídio, mas que há elementos para corroborar outras investigações

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Senadores de oposição na CPI da Pandemia vão insistir com a denúncia de genocídio contra o presidente Jair Bolsonaro no Tribunal Penal Internacional em Haia embora o indiciamento tenha ficado fora do relatório final. Eles acreditam que, de fato, o período compreendido pelas investigações do colegiado seja insuficiente para caracterizar o crime contra os povos indígenas. Os elementos comprobatórios, no entanto, poderiam subsidiar investigações já em andamento na Corte.

Bolsonaro já responde a três denúncias aceitas em Haia por violações aos povos indígenas. A ideia desses parlamentares, portanto, é complementar essas investigações já em andamento na Corte. Acreditam que juntando os elementos comprobatórios apurados, podem se somar aos outros e dar assim um panorama da suposta intencionalidade do presidente. Lá já se apura as alterações nas políticas públicas, o incentivo ao garimpo em terras demarcadas e as declarações consideradas preconceituosas do chefe do Executivo, inclusive as anteriores à assunção do cargo.

Para tanto, o relatório de 1,2 mil páginas do senador Renan Calheiros (MDB-AL) está sendo traduzido por um tradutor juramentado. A ideia é uma comitiva ir entregar pessoalmente o documento em Haia. Também pretendem levar em Genebra ao Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas para os Direitos Humanos e à Costa Rica, protocolar na Corte Interamericana de Direitos Humanos.

Não houve consenso no G7 para indiciar o presidente Jair Bolsonaro pelo crime de genocídio. O relator, Renan Calheiros, era favorável à inclusão mas foi voto vencido. Os contrários argumentaram que sem fundamentar com muita precisão o crime, eles poderiam abrir brechas para todo o material ser questionado, caso a denúncia não fosse aceita.

Até como forma de prolongar os holofotes sobre os trabalhos da comissão parlamentar de inquérito, os senadores planejam uma série de atos para entregar o relatório às mais diversas autoridades. Na última quarta-feira (27), eles se reuniram com o procurador-Geral da República (PGR), Augusto Aras, com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco e com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Relatório CPI da Pandemia - TCU
Senadores entregam relatório da CPI da Covid ao ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal; mesmo sem indiciamento, vão insistir em tese de genocídio em Haia. Foto: Ascom/Gabinete Randolfe Rodrigues

Nesta quinta-feira (28), os parlamentares levaram o material à Procuradoria da República no Distrito Federal, ao Tribubnal de Contas da União, à Procuradoria-Geral do Trabalho (PGT) e voltaram ao STF, desta vez para conversar com o presidente da Casa, ministro Luiz Fuz. 

Está prevista ainda a entrega, em São Paulo, à força-tarefa do Ministério Público de lá que cuida do caso Prevent Senior e à Assembleia Legislativa de São Paulo, onde há um requerimento de instalação de CPI para analisar o assunto. No Rio de Janeiro, pretendem entregar também aos representantes do Ministério Público no estado.

CPI da Pandemia indicia 80 pessoas

O relatório final da CPI foi apreciado na última terça-feira (26). O texto aponta o indiciamento de 80 pessoas e duas empresas.

O presidente Jair Bolsonaro foi citado no relatório por nove crimes: epidemia com resultado morte; infração de medida sanitária preventiva; charlatanismo; incitação ao crime; falsificação de documento particular; emprego irregular de verbas públicas; prevaricação; crimes contra a humanidade nas modalidades extermínio, perseguição e outros atos desumanos do Tratado de Roma; violação de direito social; e incompatibilidade com dignidade, honra e decoro do cargo, ambos crimes de responsabilidade.

A CPI da Pandemia apontou crime de responsabilidade em relação a Jair Bolsonaro e deve apresentar à Câmara dos Deputados um novo pedido de impeachment contra o governante. Os senadores solicitaram através de ação cautelar ao Supremo Tribunal Federal (STF), o banimento de Bolsonaro das redes sociais por divulgação de notícias falsas. Em sua live semanal, o presidente associou vacinas contra o coronavírus ao desenvolvimento de AIDS. 

O relatório solicita a retratação do presidente, com uma nova live, desmentindo as declarações e multa de R$ 50 mil de seus recursos pessoais como reparação pela difusão de mentiras pelas redes sociais.

Bolsonaro já foi denunciado por genocídio três vezes

A última foi protocolada em 9 de agosto deste ano pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), elaborada por advogados indígenas. Sustenta que Bolsonaro adotou uma política “anti-indígena explícita, sistemática e intencional” transformando “os órgãos e as políticas públicas, antes dedicados à proteção dos povos indígenas, em ferramentas de perseguição”.

Em abril de 2020, a Associação  Brasileira de Juristas pela Democracia (ABDJ) já havia protocolado denúncia por conta da atuação de Bolsonaro no combate à pandemia. 

Assista ao Café do MyNews, de segunda a sexta, às 8h30, com apresentação de Juliana Braga, no Canal MyNews

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Grupo incendeia estátua do bandeirante Borba Gato em São Paulo https://canalmynews.com.br/mais/incendio-estatua-borba-gato-sao-paulo/ Sun, 25 Jul 2021 16:16:57 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/incendio-estatua-borba-gato-sao-paulo/ Fogo foi controlado pelos bombeiros. Ação deste sábado (24) é a segunda contra o monumento

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A estátua do bandeirante Borba Gato, localizada no bairro de Santo Amaro, em São Paulo, foi incendiada na tarde deste sábado (24). O corpo de bombeiros controlou o fogo pouco tempo depois sem que ninguém ficasse ferido. Um grupo que se identifica como “Revolução Periférica” assumiu a autoria do ato e postou imagens do incêndio nas redes sociais. Os manifestantes falaram por meio de um vídeo que Borba Gato contribuiu para o genocídio da população indígena.

Não é a primeira vez que o monumento sofre uma ação de protesto. Em 2016, foi atacado com um banho de tinta. Para o historiador Paulo Garcez Marins, professor do Museu Paulista da Universidade de São Paulo, o Museu do Ipiranga, é legítimo que se discuta o simbolismo da estátua, mas é preciso ter cautela. “Ao atacar um monumento público e queimá-lo, perdemos a oportunidade de discutir o passado brasileiro e a própria cidade de São Paulo”, diz.

Segundo Marins, é preciso trazer esse debate inclusive para os locais onde estão essas obras. “Poderíamos colocar placas, cartazes, QR codes ao lado destas estátuas. Organizar visitas guiadas, palestras. Muito ruim que tenhamos nestes monumentos uma ausência de texto que os problematizem, que reflitam sobre os aspectos polêmicos de se enaltecer sujeitos que praticaram a escravização. Eles não podem simplesmente continuar ali passando a mesma mensagem, sobretudo depois de tudo que já se discutiu em relação à construção da memória. Tudo isto deveria estar colocado ali. E não está.”.

O professor lembra que ações como esta do fogo na estátua do Borba Gato são violentas e geram impactos. “Para as pessoas do bairro, aquilo é um marco geográfico, que identifica a entrada de Santo Amaro. É preciso ouvir o que os moradores pensam. Nada impede que a sociedade reveja, tome decisões sobre retirá-lo dali, mas tem de ser feito com debate público.” No Museu do Ipiranga, Marins é curador de pinturas de gênero histórico. Ele trabalha com a preservação do patrimônio cultural. “Não podemos retirar do museu as obras às bandeiras. Elas são tombadas, mas vamos discutir o caráter agressivo delas.”.

Marins lembra do Monumento às Bandeiras, de Victor Brecheret, localizado entre a Assembleia Legislativa e o parque do Ibirapuera, em São Paulo . A obra, conhecida como “empurra-empurra”, hierarquiza brancos, índios e negros, valorizando a visão europeia. “Ele demonstra de maneira muito clara ideias racistas. Ali está uma ferida para que possamos discutir a questão, um suporte para a discussão,” completa.

Monumento às Bandeiras, de Victor Brecheret, valoriza a visão europeia sobre povos indígenas e negros/Foto: Cecília Bastos/Jornal da USP

Em São Paulo, um projeto de lei da vereadora Luana Alves (PSOL) prevê a substituição de “monumentos, estátuas e placas que façam menções a escravocratas e higienistas”. A expectativa é que os monumentos sejam trocados por personalidades históricas negras e indígenas.

O ato deste sábado (24) contra a estátua do Borba Gato coincidiu com os protestos contra Bolsonaro que se espalham por mais de 400 cidades do Brasil e do exterior. Perto do monumento fica a Estação Borba Gato da Linha 5-Lilás, inaugurada em 2017.

Por que Borba Gato é atacado?

Manuel de Borba Gato (1649-1718) foi um bandeirante paulista. No Brasil colonial, os bandeirantes eram contratados para descobrir minas. No entanto, foram violentos e assassinaram negros, índios e mulheres. Além de dizimar povos indígenas, espalharam doenças entres eles. No ano passado, depois de uma ameaça de derrubada da estátua, a subprefeitura de Santo Amaro pediu a instalação de gradis ao redor do monumento, além da vigilância da Guarda Civil Metropolitana.

Protestos contra estátuas em outros países

Atualmente, monumentos históricos estão sob a mira de protestos em diferentes lugares do mundo. Em junho de 2020, a estátua do traficante de escravos do século 17, o britânico Edward Colston, foi jogada nas águas do Avon, um rio que corta a cidade de Bristol (Inglaterra), durante as manifestações do movimento Black Lives Matter.

Os atos aconteceram depois da morte de George Floyd, homem negro cruelmente assassinado por um policial em Minneapolis, nos EUA. O editorialista da Folha S. Paulo, Helio Schwartsman, publicou um artigo em junho de 2020 em que se manifestou sobre os atos contra monumentos: “Meu apoio a esses movimentos, porém, é crítico. Não creio que faça muito sentido se revoltar contra personagens históricos como Cristóvão Colombo e Winston Churchill e quebrar-lhes estátuas. Não dá para interpretar o passado com os olhos de hoje”, escreveu.

Construção da estátua de Borba Gato

A estátua do Borba Gato levou seis anos para ser construída e foi inaugurada em 1963. O escultor Julio Guerra usou trilhos de bonde para compor a estrutura de concreto, depois revestida com pedras coloridas de basalto e revestida com mármore italiano. A estátua tem 13 metros de altura, se for contado o pedestal da base, e pesa 20 toneladas. Ela faz parte do Inventário de Obras de Arte em Logradouros Públicos da Cidade de São Paulo, mantido pelo Departamento do Patrimônio Histórico.

O projeto Demonumenta propõe um debate “sobre a colonialidade embarcada nas instituições e acervos públicos”. Trata-se de uma plataforma virtual desenvolvida por alunos e professores da USP. O embate público com os lugares de memória oficiais não diz respeito apenas aos monumentos, mas também ao patrimônio arquitetônico e a peças-chaves dos acervos históricos do Estado de S. Paulo. O objetivo é contribuir com a elaboração de diretrizes e sugestões de propostas que permitam tensionar crítica e criativamente políticas públicas de memória.

Repercussão nas redes sociais

Nas redes sociais o incêndio na estátua recebeu manifestações de apoio e críticas. “Representa o Brasil escravista, o genocídio negro e indígena, que queimem todos os símbolos que representam o genocídio do nosso povo”, disse um internauta. “Porque de pacífico, já temos o oceano”, completou outro. “Vai voltar restaurado e mais bonito do que antes. Será lembrado daqui a 500 anos. Meia dúzia de vermes que não têm coragem de mostrar nem a cara não vão fazer diferença alguma”, respondeu um terceiro. “Terroristas de esquerda”, afirmou outro.

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