Arquivos Iraque - Canal MyNews – Jornalismo Independente https://canalmynews.com.br/tag/iraque/ Nosso papel como veículo de jornalismo é ampliar o debate, dar contexto e informação de qualidade para você tomar sempre a melhor decisão. MyNews, jornalismo independente. Tue, 21 Mar 2023 14:07:06 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 A farsa e a tragédia da guerra https://canalmynews.com.br/colunistas-convidados/a-farsa-e-a-tragedia-da-guerra/ Tue, 21 Mar 2023 14:07:06 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=36484 A farsa, hoje totalmente admitida, foi construída para que parecesse que a guerra era inevitável, mais do que isso, necessária

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O título deste artigo é óbvio. Qual das guerras travadas pela humanidade não foi construída sobre uma farsa? Afinal, trata-se de um evento essencialmente elaborado para que homens matem outros homens, seus semelhantes. Qual das guerras não ajudou a instaurar tragédias? Homens são mortos, às vezes em números inimagináveis. Depois delas o processo de tentativa de reconstrução é, quase sempre, tão doloroso quanto o seu desenrolar.

Entretanto, quero me concentrar na conhecida frase do filósofo alemão Karl Marx (1818-1893): “Hegel observa em uma de suas obras que todos os fatos e personagens de grande importância na história do mundo ocorrem, por assim dizer, duas vezes. E esqueceu-se de acrescentar: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”. Esta frase figura em uma de suas mais importantes obras: O 18 de Brumário de Luís Bonaparte (São Paulo, Boitempo, 2011).
Há 20 anos, no dia 20/03/2003, estava em uma entrevista para o excelente jornalista Roberto Cabrini em uma emissora de TV, discutindo exatamente a possibilidade de uma guerra contra o Iraque. Já era noite avançada.

Quando estava saindo Cabrini me perguntou se acontecesse alguma coisa ele poderia me chamar, mesmo que fosse de madrugada. Eu concordei e me retirei. Quando cheguei em casa fui chamada para retornar: a Guerra do Iraque, com a invasão de seu território começara, mesmo sem o apoio da ONU. Assim, principalmente os EUA e a Inglaterra, através de seus próceres, respectivamente George Walker Bush e Tony Blair, deram início à farsa e à tragédia.

A farsa, hoje totalmente admitida, foi construída para que parecesse que a guerra era inevitável, mais do que isso, necessária. O Iraque, através de Saddam Hussein, possuiria armas de destruição em massa e seria, portanto, um perigo que precisava ser contido.

Os que viveram aqueles tempos hão de se lembrar do Secretário de Estado dos EUA, o respeitado – até aquela data – general reformado Colin Powell, em fevereiro de 2003, em um discurso na ONU, segurando um pequeno frasco em suas mãos – seria do tamanho usado para conter antraz – afirmando que o Iraque enganara os inspetores nucleares e as armas de destruição em massa existiriam. Farsa armada, construção do pretexto para a guerra. A guerra se desenrolou e as tais armas nunca foram encontradas. Não existiam, como cansara de afirmar o governo iraquiano.

O general teve tempo para se arrepender. Abandonou o partido republicano de Bush e, depois, apoiou Barak Obama. De nada adiantou, a tragédia já havia se instaurado.

As tropas estadunidenses só se retiraram do país em 2011 deixando um saldo de aproximadamente 200.000 mortos (cerca de 120.000 civis iraquianos) e muitas denúncias de atrocidades. São bastante conhecidas as denúncias de torturas de prisioneiros. As mais notórias foram as do presídio de Abu Ghraib, envolvendo abuso físico e sexual, tortura, estupro e assassinato.

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Tudo isso em nome da defesa da democracia. Além de proteger o mundo contra as armas de destruição em massa, os invasores também estariam livrando o povo do Iraque de um governo sanguinário e devolvendo o país à liberdade, detendo a opressão.

Depois de uma acirrada procura Saddam Hussein foi encontrado, preso, julgado e morto. Em frente às câmeras. A população mundial pode acompanhar sua morte, enforcado do mesmo modo como acompanhara as imagens de soldados americanos, quando da invasão, derrubando sua estátua em Bagdá.

Para acrescentar mais dramas a essa tragédia o país vivenciou, entre 2006 e 2008 uma guerra civil que opôs os três principais grupos do país: muçulmanos xiitas, muçulmanos sunitas e curdos. Além disso, entre 2014 e 2017, uma parte do território iraquiano foi ocupado pelo grupo do Estado Islâmico, com o corolário de violências conhecidas.
Eleições têm acontecido, mas sem que isso represente pacificação, desenvolvimento e, muito menos, melhoria das condições da população.

O riquíssimo país, um dos maiores produtores de petróleo, convive com a miséria e com o caos diário dos cortes de energia e das falhas no abastecimento.

20 anos depois é necessário que o mundo se debruce sobre essa tragédia sem fim. Ao lembrar essa data que nos afastemos, de uma vez por todas, das interferências externas em problemas internos. Se há uma solução para esses problemas somente a população local pode encontrá-la.

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Papa Francisco tem encontro inédito com clérigo xiita https://canalmynews.com.br/mais/papa-francisco-tem-encontro-inedito-com-clerigo-xiita/ Sat, 06 Mar 2021 17:31:42 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/papa-francisco-tem-encontro-inedito-com-clerigo-xiita/ É a primeira viagem internacional do Sumo Pontífice desde o início da pandemia de covid-19

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O Papa Francisco encontrou neste sábado (6) o aiatolá Ali al-Sistani em Najaf, cidade no sul do Iraque, e defendeu a colaboração entre diversas religiões e comunidades. A reunião histórica ocorre no segundo dia da primeira visita de um líder da Igreja Católica ao país do Oriente Médio.

Sistani, de 90 anos, é uma das principais lideranças do islamismo xiita no Iraque e parte da reunião foi transmitida pela televisão estatal do país. O encontro ocorreu ocorreu na casa de Sistani.

Francisco foi, então, visitar a cidade de Ur, tida como berço do judaísmo, cristianismo e islamismo por ter sido o local de nascimento do profeta Abraão. “Este lugar abençoado faz-nos pensar nas origens, nos primórdios da obra de Deus, no nascimento das nossas religiões. Aqui, onde viveu o nosso pai Abraão, temos a impressão de regressar a casa. Aqui ele ouviu a chamada de Deus, daqui partiu para uma viagem que mudaria a história”, afirmou o Sumo Pontífice.

Em discurso anterior, no Palácio Presidencial, em Badgá, o Papa encontrou o presidente Barham Salih e defendeu “a participação de todos os grupos políticos, sociais e religiosos”. “Calem-se as armas! Limite-se a sua difusão, aqui e em toda a parte! Cessem os interesses de parte, os interesses externos que se desinteressam da população local. Dê-se voz aos construtores, aos artífices da paz; aos humildes, aos pobres, ao povo simples que quer viver, trabalhar, rezar em paz!”, disse Francisco.

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Papa Francisco visita o Iraque em meio à pandemia e ataques militares https://canalmynews.com.br/mais/papa-francisco-visita-o-iraque-em-meio-a-pandemia-e-ataques-militares/ Fri, 05 Mar 2021 16:23:43 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/papa-francisco-visita-o-iraque-em-meio-a-pandemia-e-ataques-militares/ Francisco é o primeiro pontífice na história a pisar em solo iraquiano.

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O Papa Francisco chegou ao Iraque na manhã desta sexta-feira (5), realizando, assim, a 33ª viagem de seu pontificado. O objetivo do líder religioso é comunicar uma mensagem efetiva de conforto e reconciliação na região, impactada profundamente por anos de violência e perseguição religiosa – confinado, o país vive atualmente um surto de covid-19.

Após 15 meses sem sair do Vaticano, o pontífice, ao aterrissar na capital Bagdá, declarou que defende o combate à corrupção e abusos de poder, além de rogar pelo fim de fanatismos e opressões.

Papa Francisco chega em Bagdá para realizar visita ao Iraque.
Papa Francisco chega em Bagdá para realizar visita ao Iraque. Foto: VaticanNews (Domínio Público).

“É preciso construir justiça, fazer crescer a honestidade, a transparência e fortalecer as instituições.” […] “Chega de violência, extremismos, facções, intolerâncias”, afirmou. Francisco disse que, nos próximos três dias, visita a nação árabe como um “peregrino da paz”, e que pretende também levar uma mensagem de harmonia aos muçulmanos xiitas.

“Vou como um peregrino da paz em busca da fraternidade, animado pelo desejo de rezar juntos e caminhar juntos também com irmãos e irmãs de outras religiões.” […] “A vocês, cristãos, muçulmanos; a vocês, povos como os yazidis, que tanto sofreram; a todos vocês. Vou para a vossa terra abençoada e ferida como um peregrino da esperança”, ressaltou.

No sábado, o papa visitará o município de Ur, berço do cristianismo e terra do profeta Abraão, pai das três religiões monoteístas. No mesmo dia, ele se reunirá na cidade sagrada de Najaf, ao Sul, com o Grande Aiatolá Ali Sistani, principal autoridade iraquiana dos xiitas, demonstrando uma abertura a favor do diálogo com todas as vertentes muçulmanas.

O sacerdote percorrerá ainda as ruas de Bagdá e Erbil, duas cidades que recentemente foram cenários de ataques com foguetes contra alvos estadunidenses. Apesar dos riscos, religiosos, geopolíticos e sanitários (o Iraque passa por um novo pico de contágios, com média diária de quatro mil novos casos de covid-19), Francisco, já vacinado contra o coronavírus, foi firme perante a decisão de manter sua agenda, declarando que não se pode decepcionar “pela segunda vez este povo”, referindo-se ao cancelamento da visita em 1999 de João Paulo II.

O primeiro-ministro do Iraque, Mustafa Al-Kadhimi, recebe o Papa Francisco em Bagdá, capital do país.
O primeiro-ministro do Iraque, Mustafa Al-Kadhimi, recebe o Papa Francisco em Bagdá, capital do país. Foto: VaticanNews (Domínio Público).

Cenário de guerra

Pelo menos 10 foguetes atingiram nesta quarta-feira (3) uma base militar que abriga soldados da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos no Iraque. Localizado no deserto de Anbar, o alvo foi a base aérea de Ain Al Asad, a mesma que foi atacada pelo Irã, em retaliação aos EUA, dias depois da morte do general Qasem Soleimani.

O coronel Wayne Marotto, porta-voz estadunidense da aliança combatente, afirmou que as instituições de segurança iraquianas deram início a uma investigação. Em comunicado oficial, militares do Iraque disseram que o ataque não implicou em perdas significativas.

Este foi o primeiro ataque contra tropas norte-americanas desde que os EUA atingiram membros da milícia alinhada ao Irã na fronteira entre o Iraque e a Síria, semana passada, durante a primeira ação militar coordenada pelo governo Joe Biden.

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