Arquivos Joice Hasselmann - Canal MyNews – Jornalismo Independente https://canalmynews.com.br/tag/joice-hasselmann/ Nosso papel como veículo de jornalismo é ampliar o debate, dar contexto e informação de qualidade para você tomar sempre a melhor decisão. MyNews, jornalismo independente. Thu, 15 Feb 2024 03:23:44 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 Veja o que se sabe sobre operação da PF que tem Carlos Bolsonaro como alvo https://canalmynews.com.br/politica/veja-o-que-se-sabe-sobre-operacao-da-pf-que-tem-carlos-bolsonaro-como-alvo/ Tue, 30 Jan 2024 04:39:32 +0000 https://localhost:8000/?p=42228 Nova etapa da operação da Polícia Federal contra a 'Abin Paralela' foi deflagrada nesta segunda (29) e teve como alvos de busca e apreensão o vereador Carlos Bolsonaro e seus assessores

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A operação deflagrada nesta segunda-feira (29) é fruto do desdobramento de investigações da Polícia Federal sobre esquema ilegal de espionagem durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, contra autoridades, jornalistas e advogados entre 2019 e 2022. As buscas foram autorizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão e um dos alvos da operação é o vereador Carlos Bolsonaro. Os mandatos foram autorizados para a residência e gabinete de Carlos, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Segundo informações da Polícia Federal, o filho do ex-presidente Bolsonaro é “a principal pessoa da família que recebia informações da Abin paralela”. Os investigados podem responder pelos crimes de invasão de dispositivo informático alheio, organização criminosa e interceptação de comunicações telefônicas, de informática ou telemática sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei.

Durante o cumprimento dos mandados contra Carlos Bolsonaro, foram encontrados equipamentos que seriam de propriedade da Abin. Diante disso, a coordenação de comunicação social da agência informou à Agência Brasil que “iniciou imediatamente apuração sobre o caso”.

Segundo informou a coluna do Paulo Cappelli, no Metrópoles, e também em sua participação no Canal MyNews, o presidente Lula decidiu exonerar Alessandro Moretti, diretor-adjunto da Agência Brasileira de Inteligência. A exoneração deve ser publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira (30). Luiz Fernando Corrêa segue na chefia da Abin.

Na última quinta-feira (25), foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão, tendo como primeiro alvo o deputado federal Alexandre Ramagem (PL), ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo de Bolsonaro. A PF investiga a suspeita de que uma organização criminosa teria funcionado dentro da Abin para, além de monitorar ilegalmente os que eram considerados adversários, beneficiar os filhos do então presidente.

No programa Segunda Chamada dos dias 25 e 26 de janeiro, aqui no Canal MyNews, o jornalista político João Bosco Rabello em sua análise lembrou à audiência entrevista do ex-ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, à TV Cultura em março de 2020. Bebianno revelou durante o programa Roda Viva que um belo dia, o Carlos me aparece com o nome de um delegado federal, de três agentes, que seriam uma Abin paralela porque ele não confiava na Abin. O general Heleno foi chamado, ficou preocupado com aquilo, mas ele não é de confrontos e o assunto acabou ali com o general Santos Cruz e comigo. Nós aconselhamos ao presidente que não fizesse aquilo de maneira alguma. (…) eu não sei, depois eu saí, se isso foi instalado ou não”

Em entrevista ao MyNews, a ex-deputada Joice Hasselmann afirmou que a denúncia em CPMI foi feita por ela, porém que as informações tinham vindo de uma conversa que “flagrou”, quando foi líder do governo, entre o general Heleno e o ex-presidente Bolsonaro: “eu peguei uma conversa truncada sobre essa coisa de construção de dossiês e como o pessoal da Abin faria” e completa que houve um constrangimento na ocasião. Por fim, a ex-deputada diz que na época já “trocava figurinhas” sobre o assunto com Bebianno, que ele não podia ainda afirmar que a Abin paralela já estava montada na ocasião da entrevista mencionada acima, mas que “já estava montada, o Bebianno foi monitorado pela Abin paralela, pela paranóia do Carlos que chegou a insinuar que o Bebianno teria alguma coisa a ver com o ataque que aconteceu ao pai dele, o Jair Bolsonaro”

O programa Segunda Chamada de hoje, 29 de janeiro de 2024, sob a condução de Afonso Marangoni e comentários de João Bosco Rabello, recebeu o deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) e o jornalista Paulo Cappelli para falar sobre as atualizações da Operação Vigilância Aproximada e seus desdobramentos. O deputado está em busca de assinaturas para abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar atuação da agência. Assista:

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Moraes diz que Ramagem usou Abin para fazer espionagem ilegal a favor da família de Jair Bolsonaro https://canalmynews.com.br/politica/moraes-diz-que-ramagem-usou-abin-para-fazer-espionagem-ilegal-a-favor-da-familia-de-jair-bolsonaro/ Fri, 26 Jan 2024 05:31:37 +0000 https://localhost:8000/?p=42153 O ministro do STF, Alexandre de Moraes, retirou o sigilo da decisão que autorizou a operação da Polícia Federal para apurar suposta espionagem ilegal da Abin

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Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo Bolsonaro e pré-candidato do PL à prefeitura do Rio, o deputado federal Alexandre Ramagem foi alvo de uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal nesta quinta-feira (25), em sua casa e no gabinete na Câmara dos Deputados.

A operação, intitulada Vigilância Aproximada, faz parte de investigação de esquema criminoso de espionagem política na Abin durante seu comando para monitorar ilegalmente adversários políticos do governo Bolsonaro – entre autoridades, jornalistas e políticos.

Ao todo são 21 mandados de busca e apreensão, incluindo as buscas feitas no gabinete de Ramagem na Câmara dos Deputados e no apartamento funcional em Brasília, além de medidas cautelares, prisão e suspensão imediata do exercício das funções públicas de sete policiais federais supostamente envolvidos.

Foram apreendidos pela Polícia Federal, durante o mandado de busca e apreensão no gabinete e na casa de Ramagem, celulares, um notebook, 20 pen-drives e documentos relacionados ao órgão. Um celular e o notebook pertencem à Abin e não poderiam estar na posse do ex-diretor da agência.

A operação é a segunda fase da Última Milha, deflagrada em outubro de 2023 para apurar o uso do software First Mile, e foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, a pedido da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República, já sob o comando de Paulo Gonet.

Em decisão, Moraes afirma que, sob a direção de Ramagem, “os policiais federais destacados utilizaram das ferramentas e serviços da Abin para serviços de “contrainteligência ilícitos” em tentativa de interferir em investigações para proteger o filho do ex-presidente, Renan Bolsonaro. Moraes também escreveu em decisão que a Abin foi usada para elaborar relatórios de defesa a favor do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no caso das “rachadinhas”.

Flávio Bolsonaro, negou através de nota da assessoria, o uso do órgão de inteligência para sua proteção:

É mentira que a Abin tenha me favorecido de alguma forma, em qualquer situação, durante meus 42 anos de vida. Isso é um completo absurdo e mais uma tentativa de criar falsas narrativas para atacar o sobrenome Bolsonaro

Foto: Wilson Dias/EBC

O ex-presidente Bolsonaro defendeu o deputado Ramagem através de sua lista de transmissão no Whatsapp afirmando que a operação se tratava de uma “perseguição implacável”, como informou o jornalista Igor Gadelha, em sua coluna no Portal Metrópoles.

Segundo a Polícia Federal, Alexandre Ramagem comandou um esquema de espionagem a partir do software israelense First Mile durante seu período no cargo de diretor da Abin, entre 2019 e 2022. O software foi adquirido sem licitação em 2018, no fim do governo Temer por R$ 5,7 milhões de reais e utilizado na gestão Bolsonaro para monitorar de forma ilegal adversários do então presidente.

Entre autoridades espionadas citadas por Moraes estão, por exemplo, a ex-deputada Joice Hasselmann, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia e o atual ministro da Educação, Camilo Santana.

A ex-deputada federal Joice Hasselmann falou sobre a existência da “Abin paralela” durante a CPMI das Fake News, em seu depoimento no dia 4 de dezembro de 2019. No ano passado, em outubro de 2023, Hasselmann publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que ela fez essa denúncia logo no primeiro ano de governo Bolsonaro e que o Ramagem montou uma Abin paralela para “espionar, não somente adversários” mas qualquer pessoa que “passasse na cabeça do maluco do Bolsonaro e que pudesse dar um piu contra ele ou contra o governo” e afirma ter sido ela uma das grampeadas.

Em seu depoimento na CPMI das Fake News, a ex-líder do governo Bolsonaro declara que a informação sobre o esquema de Ramagem foi dada pelo ex-ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, 12 dias antes de sua morte por ataque cardíaco:

 


Já o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia,  falou ao Canal MyNews que não se surpreendeu com a notícia:

Não estou surpreso. Avançando as investigações e chegando a essa conclusão, que parece que é verdade, tomarei as atitudes cabíveis. É preciso acabar com a percepção de que o crime contra a democracia é menor. Me surpreende muito uma pessoa que desrespeitou a democracia, a Constituição, a Casa do Povo e usou o Estado para monitorar as pessoas, hoje é deputado federal e ainda quer ser prefeito do Rio de Janeiro. É a raposa cuidando do galinheiro na Câmara dos Deputados, e é essa mesma pessoa que poderia usar o aparelho de uma prefeitura poderosa como a do Rio de Janeiro contra os seus adversários

O processo eleitoral não ficou de fora do contexto da espionagem ilegal e, na decisão, Alexandre de Moraes afirma que, segundo a PF, foram encontrados diálogos sobre “ações de inteligência” de ataque às urnas eleitorais entre os ex-servidores da Abin, Paulo Maurício e Paulo Magno:

As supostas ‘ações de inteligência’ foram realizadas sob a gestão e responsabilidade de Alexandre Ramagem, conforme se depreende da interlocução (…) tratando do ataque às urnas eletrônicas, elemento essencial da atuação das já conhecidas ‘milícias digitais’. (…) O evento relacionado aos ataques às urnas, portanto, reforça a realização de ações de inteligência sem os artefatos motivadores, bem como acentuado viés político em desatenção aos fins institucionais da Abin

A investigação também revelou o monitoramento da promotora de justiça Simone Sibilio, ex-coordenadora do Gaeco do Ministério Público do Rio, que atuava na investigação dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

Alexandre Ramagem deixou a Abin em março de 2022, para concorrer à Câmara dos Deputados e foi eleito pelo PL com mais de 50 mil votos. Alvo da operação, Ramagem é pré-candidato à prefeitura do Rio de Janeiro e sua campanha é coordenadas por Carlos Bolsonaro.

O programa Segunda Chamada conversou hoje com o deputado federal titular da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência, da qual Ramagem é membro titular, Carlos Zarattini (PT-SP) e os jornalistas Afonso Marangoni, João Bosco Rabello e Igor Gadelha. Confira:

*Foto de destaque da matéria na página principal: Igo Estrela/Metrópoles

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Polícia investiga incidente envolvendo Joice Hasselmann https://canalmynews.com.br/politica/policia-investiga-incidente-joice-hasselmann/ Fri, 23 Jul 2021 23:12:09 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/policia-investiga-incidente-joice-hasselmann/ Deputada acordou com diversas fraturas e diz não se lembrar o que aconteceu

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A Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados investiga o incidente envolvendo a deputada Joice Hasselmann (PSL/SP). A deputada prestou depoimento nesta sexta-feira (23) sobre o caso que aconteceu no último fim de semana. A deputada federal disse que acordou com marcas de sangue no chão, com dentes quebrados e vários machucados. Ela contou que ligou para o marido que dormia no quarto ao lado. Ele, que é médico, prestou os primeiros socorros. No hospital, fraturas no rosto e na costela foram constatadas.

A deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP)
A deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), durante sessão na Câmara. Foto: Maryanna Oliveira (Câmara dos Deputados)

Ela disse não se lembrar o que aconteceu e acionou a polícia. A deputada disse que o marido dormia no quarto ao lado porque ele ronca.

A polícia busca por imagens de câmeras de segurança para determinar em quais circunstâncias as agressões aconteceram.

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Joice Hasselmann: aprendi na prática que existe violência política de gênero no Brasil https://canalmynews.com.br/dialogos/joice-hasselmann-aprendi-na-pratica-que-existe-violencia-politica-de-genero-no-brasil/ Wed, 20 Jan 2021 20:02:44 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/joice-hasselmann-aprendi-na-pratica-que-existe-violencia-politica-de-genero-no-brasil/ Nós enfrentamos batalhas simplesmente porque somos mulheres

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Quando lembro dos ataques sujos que enfrentei — agora — até me dá vontade de rir. Mas, durante mais de um ano de um verdadeiro estupro moral tive mesmo vontade de chorar, reagir, atacar os que atacam sem piedade, revidar. Porca, gorda, traíra, vagabunda e piranha, foram apenas alguns dos ataques que li e ouvi na terra sem lei que virou as redes sociais. As montagens então eram surreais. Muitas chegaram aos telefones de meus filhos. Uma psicose real, num ambiente virtual, criada, coordenada e incentivada por uma milícia digital.

E atenção: essa milícia mata! Ela mata reputações, mata sonhos, mata esperanças, mata desejos, mata inocências…no entanto, mesmo com todo seu poder de fogo, não foi capaz de me matar.

Sim, eu sobrevivi. Passei por tudo, enfrentei sozinha a gangue, enfrentei a máquina mais poderosa do país — o Palácio do Planalto — e uma rede espalhada pelo Brasil composta por gente sem pudor, sem medo da lei, sem respeito a nada. E, para a tristeza e derrota deles, eu segui em frente. Mesmo machucada, com meu útero perdido, com dias de UTI depois da somatização dos ataques no meu corpo, segui em frente. Sigo em frente. E estou aqui, mais forte do que nunca. 

Aprendi na prática que o machismo existe, mas mais do que ele, existe uma violência política de gênero sem precedentes no Brasil. Não importa quem você seja, de onde venha, a violência está aí e quanto mais você conquista, mas intensos são os ataques. Como diria minha avó: “ninguém chuta cachorro morto”, mas os vivos sentem a dor.

Joice Hasselmann (PSL-SP)
A deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), durante sessão na Câmara.
(Foto: Maryanna Oliveira/Câmara dos Deputados)

Muitos podem pensar que minha entrada para a política foi glamourosa, afinal fiz uma campanha bonita e barata, entrei para história como a mulher mais votada de todos os tempos da Câmara dos Deputados; ocupei a liderança do Governo no Congresso, já no primeiro ano de mandato e na sequência a liderança do meu partido. Mas, ao contrário do que muitos pensam, cada degrau que eu subia era enfrentando tiroteio de todos os lados, afinal muitos machões de plantão, a começar pelo Presidente da República e seus filhos néscios, se sentiam incomodados simplesmente por uma mulher fazer a diferença com independência, sem subserviência.

A minha história é só mais uma que se repete nas esferas de poder. Do pequeno poder ao macro poder. Mudam-se os personagens, mas o enredo é o mesmo. Nós enfrentamos batalhas simplesmente porque somos MULHERES. Nós enfrentamos agressões pelo peso que temos, pela roupa que usamos, pela cor e tamanho do cabelo, apenas porque somos MULHERES. Chega a ser ridículo. Na verdade é ridículo, mas é real. 

Tanto como deputada, quanto na carreira de jornalista, sempre fui combativa. Eu me fiz ser ouvida, mas para isso tive que falar mais alto e garantir o meu espaço. Mas por que nós, mulheres, precisamos falar alto para sermos ouvidas? Por que eu preciso primeiro “amedrontar” e mostrar mais força para só então ser respeitada? Há muitos porquês para essa realidade, mas nem um deles é minimamente admissível. 

Atualmente, no Brasil, as mulheres ocupam 13% do total das cadeiras do Senado e 15% na Câmara dos Deputados. Nas eleições de 2020, elegemos apenas 12% de prefeitas. Aliás, eleição recheada de ataques. 

O Instituto AzMina, em parceria com o centro de pesquisa em direito e tecnologia InternetLab e com o Instituto Update, realizou um levantamento para avaliar o fenômeno da violência e do discurso de ódio contra as mulheres no âmbito da disputa política. Foram cerca de 11 mil tuítes ofensivos. Eu ocupei a primeira posição do ranking, fui a mais atacada do país inteiro e por quê?? Simplesmente porque sou uma mulher que enfrentou as estruturas de poder e não se dobrou. 

Apesar do baixo número de mulheres nos cargos públicos, acredito que não é a intervenção do Estado, por meio de determinadas políticas, que resolverá o problema. A questão é muito mais profunda. Precisamos de uma mudança radical em nossa cultura e de mentalidade. Sozinhas, as políticas de estado não resolvem o problema no todo, e vemos isso em nosso dia a dia. As campanhas de difamação e ataques nas redes sociais são exemplos cristalinos. O buraco é muito mais embaixo.

Ao longo dos anos, os partidos e movimentos de esquerda se apropriaram das pautas relacionadas às mulheres. No entanto, quase 15 anos depois, as mulheres continuaram sofrendo com o machismo estúpido que está enraizado na nossa sociedade. Precisamos fazer mais. Precisamos nos unir. Precisamos deixar a ideologia de lado. Não é a esquerda ou a direita que tem que sequestrar a pauta feminina. Por entender que o excesso de ideologias só atrapalha, decidi criar com mulheres que ocupam espaços de poder em todo país, o “Movimento Feminino Brasileiro” onde todas são bem vindas, independente de suas ideologias. Aqui a pauta é a MULHER. 

Muitas podem me perguntar: mas por que a criação de um movimento de mulheres que reúne mulheres que já ocupam espaços de poder na área pública e privada? A resposta é muito simples. Nós que conseguimos ultrapassar tantas barreiras e chegar nesses espaços enfrentando caminhos pedregosos temos a obrigação de aplainar o caminho para aquelas que querem vir, que querem ocupar seus espaços e que não precisam passar por tudo o que passamos. O maior compromisso que temos é pavimentar os caminhos para as que chegarão. Eu dedicarei minha vida a isso. Venham, mulheres!


Quem é Joice Hasselmann

Joice Hasselmann, 42, é deputada federal pelo PSL-SP. Ex-líder do governo federal na Câmara, atualmente é Secretária de Comunicação da Câmara dos Deputados

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Mulheres na política conquistam espaços e desafiam violência de gênero e racismo https://canalmynews.com.br/politica/mulheres-na-politica-conquistam-espacos-e-desafiam-violencia-de-genero-e-racismo/ Mon, 18 Jan 2021 15:41:34 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/mulheres-na-politica-conquistam-espacos-e-desafiam-violencia-de-genero-e-racismo/ Chegada das mulheres aos espaços de poder na política é marcada por uma série de desafios

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mulheres na política
Da esq. para a dir.: Elizabeth Schmidt, Olivia Santana, Joice Hasselmann e Renata Souza.
(Foto: Montagem/Divulgação)

Nos últimos anos a participação de mulheres na política brasileira ganhou força com a conquista de cargos inéditos – da Presidência da República à Prefeitura de grandes municípios – e o avanço de representantes eleitas nas assembleias legislativas e no Congresso Nacional. A chegada delas aos espaços de poder, no entanto, ainda é marcada por muitos desafios.

Representantes de diferentes níveis de governo contaram ao Canal My News que enfrentam assédio, machismo, racismo e recebem pouco de apoio dos partidos.

Em dezembro de 2020, a deputada estadual Isa Penna (PSOL-SP) foi assediada sexualmente pelo parlamentar Fernando Cury (Cidadania), durante sessão na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). O partido afastou Cury, mas o episódio não é um caso isolado. 

Na mesma semana, a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) passou por situação semelhante durante uma confraternização com colegas, após o plenário. “Senti uma mão no meu braço, ele veio por trás encostou o corpo no meu e deu um beijo no meu pescoço”, conta. “Não sabia quem era. Virei a mão no rosto dele e, como estava com anéis altos que sempre uso, o rosto dele começou a sangrar. Ele saiu envergonhado.” Ela recebeu apoio de homens e mulheres no momento, mas não quis denunciar o deputado e nem revelar sua identidade.

Dentro da política brasileira, as mulheres enfrentam violência política de gênero, seja durante a campanha eleitoral ou no exercício de seus mandatos. Elas sofrem discriminação, ataques, desigualdade nas oportunidades e até falta de apoio dos partidos. 

“É uma construção social que ignora a possibilidade de mulheres nesses espaços e tenta inviabilizar a nossa participação a partir de ameaças, opressão e intimidação, seja nas redes sociais ou no próprio plenário”, afirma Renata Souza (PSOL), deputada estadual no Rio de Janeiro. 

A deputada estadual Renata Souza (PSOL-RJ)
A deputada estadual Renata Souza (PSOL-RJ).
(Foto: Divulgação)

A falta de equidade de gênero da política é um problema histórico, explica Olivia Santana (PC do B), deputada estadual na Bahia. “Existe a ideia da sociedade patriarcal de que a política é para os homens. Hoje vemos muitos avanços, mas muitas ideias ainda estão no campo do simbolismo.” 

Mulheres negras e racismo

Olivia se elegeu em 2018 como a primeira deputada estadual negra na Bahia. Apesar da conquista, ela chama atenção para a falta representatividade. 

“É um absurdo eu ser a única mulher negra na Assembleia Legislativa de um dos estados mais negros do Brasil” De acordo com o IBGE, a Bahia é o segundo estado com o maior número de autodeclarados pretos ou pardos (76,3%).

O machismo e o racismo ficam evidentes no dia a dia dela na Assembleia Legislativa. “Tenho que falar mais forte e mais alto para ser escutada e acatarem o que digo. Acontece também de os homens se reunirem e decidirem sobre assuntos que me envolvem sem me consultar, e tenho que brigar para rever [a decisão]”, conta a deputada estadual. “É cansativo, muito cansativo, mas não abro mão. Fui eleita para estar ali.”

Mulheres na política: Olívia Santana, deputada estadual pelo PC do B na Bahia
Olívia Santana, deputada estadual pelo PC do B na Bahia.
(Foto: Amanda Oliveira/Divulgação)

No Rio de Janeiro, Renata Souza também é alvo por causa de gênero e cor. “Temos uma política machista, racista e classista”, diz ela. Eleita em 2018, Renata decidiu ser candidata após o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL), em março daquele ano, sua amiga pessoal e de quem trabalhou como chefe de gabinete. 

“O assassinato da Marielle mudou o ambiente político. As mulheres pretas e de favelas viram a necessidade de ocupar os espaços de poder, mas a violência política contra esse grupo aumento”, explica Renata. 

Pela proximidade com Marielle e por estar à frente da Comissão de Direitos Humanos no Rio, Renata é alvo de ameaças. No mês passado, a deputada do PSOL registrou queixa na delegacia após receber ameaças de morte pelas redes sociais. Ela afirmou também que já teve dados pessoais, como seu endereço residencial, expostos na internet. 

“De fato impacta meu trabalho. É um nível de gasto de energia e de impacto psicológico, eu me cuido para que isso não inviabilize a minha saúde mental. Como deputada tive que abrir mão da minha liberdade, tive que tomar diversas precauções em termos de segurança, diante da elevada política que sofro”, explica ela. 

Desafios desde a campanha eleitoral

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foram eleitas 651 prefeitas, o que representa 12,1% de todos os eleitos à prefeitura do país. Nas câmaras municipais, 9.196 mulheres foram eleitas vereadoras, ocupando 16% das cadeiras. 

Pela primeira vez, Ponta Grossa (PR) elegeu uma mulher como prefeita. A Professora Elizabeth Schmidt (PSD) levou 52,38% dos votos no segundo turno, vencendo a adversária Mabel Canto (PSC). A cidade, aliás, foi a única do país a ter duas mulheres disputando o segundo turno.

Professora Elizabeth Schmidt (PSD)
Professora Elizabeth Schmidt (PSD), atual prefeita de Ponta Grossa (PR).
(Foto: Divulgação)

Agora prefeita, Schmidt tem duas décadas de carreira pública. Já foi secretária de Cultura e Turismo; comandou a pasta de Administração e Recursos Humanos; e em 2016 foi eleita a primeira vice-prefeita de Ponta Grossa, na chapa de Marcelo Rangel (PSDB). 

“Sofri muitos preconceitos por ser mulher, ser professora e por uma pessoa de mais idade. Tenho 69 anos e isso foi usado pejorativamente por adversários que me chamavam de ‘vovó’ durante a campanha”, conta. Apesar dos ataques, ela aderiu ao termo e utilizou em para se aproximar do eleitorado mais velho. “Fui eleita para mostrar que o gênero e a idade não interessam, o que interessa é a competência.”

Em 2020, pela primeira vez o número de candidatos negros, superou o de concorrentes brancos. As mulheres negras, no entanto, representaram 13% das candidaturas pretas e pardas a prefeituras e 34% das que disputaram vagas nas câmaras municipais, de acordo com o TSE. 

Em Salvador, no entanto, Olivia Santana não teve o mesmo sucesso em sua campanha à prefeitura. Em sua primeira disputa, teve apenas com 4,49% dos votos. De acordo com ela, a disputa para as mulheres, sobretudo negras, tem mais obstáculos. 

“Sempre colocam a mulher negra na figura de eleitora e pobre. “Muitas vezes as pessoas vão se identificar com você, mas não te dão o voto porque não acreditam que uma mulher negra vá conseguir. As pessoas acham que ser prefeita é demais para uma mulher negra. É muito doloroso”, diz ela. 

De assédio moral a gordofobia

Durante a campanha à prefeitura, Joice Hasselmann foi a candidata mais atacada nas redes sociais, de acordo com o levantamento MonitorA, projeto da Revista AzMina junto ao InternetLab. O projeto identificou 612 tweets com conteúdo sobre aparência física da candidata, assédio moral, sexual e intelectual, gordofobia, entre outros. 

Ela aponta grupos bolsonaristas como responsáveis pelos ataques virtuais, que começaram há mais de um ano. “Quando deixei de ser líder do governo, sabia que seria alvo do Bolsonaro, dos filhos e dessa gangue… O maior número de ataques que sofri veio de pessoas de direita, sendo que sou de direita. Não é um ataque ideológico, é por eu ser mulher”.

Joice Hasselmann, deputada federal pelo PSL-SP
Joice Hasselmann, deputada federal pelo PSL-SP.
(Foto: Divulgação)

“Sempre fui muito forte e reagia a cada ataque, mas sou um ser humano. Somatizei tanto que o meu corpo deu sinal de falência e fui para o hospital. Isso atinge a gente, seja o seu emocional ou o físico”, afirma Joice. Em fevereiro de 2020, ela passou por duas cirurgias. 

Após os ataques e os aprendizados dentro da política, a deputada trabalha pela criação do Movimento Feminino Brasileiro. Ela afirma que se trata de um grupo não partidário e sem ideologia, que pretende reunir mulheres de diferentes posicionamentos políticos para debater sobre o espaço delas na política. O lançamento deve ocorrer a partir de fevereiro, mas ainda não há uma data específica.

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