Política ambiental de Bolsonaro não mudará, diz ex-presidente do Ibama Operação de apreensão de madeira ilegal, parte do ‘Plano Amazônia’. Foto: Reprodução (Agência Brasil). Emergência climática

Política ambiental de Bolsonaro não mudará, diz ex-presidente do Ibama

Suely Araújo afirma que Governo Federal enxerga as regras ambientais como “problemas a serem afastados”

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  • Mais de 400 servidores de carreira do Ibama assinaram ofício denunciando a paralisação das fiscalizações ambientais após nova regra do ministro Ricardo Salles.
  • A norma, publicada em 14 de abril, exige que sanções ambientais só sejam aprovadas por um supervisor, o que fiscais alegam impedir o combate ao desmatamento.
  • Suely Araújo, ex‑presidente do Ibama e especialista do Observatório do Clima, classificou a medida como “desrespeito” e alertou que o controle passará a ser exercido por indicados políticos.
  • A denúncia foi feita às vésperas da Cúpula do Clima, iniciada em 22 de abril, reunindo chefes de Estado dos 40 maiores emissores globais.

Mais de 400 servidores de carreira do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) assinaram um ofício denunciando a paralisação de todas as atividades de fiscalização de infrações ambientais. Segundo os fiscais, na prática, a nova regra estabelecida pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, inviabiliza o combate ao desmatamento. A determinação foi publicada no dia 14 de abril e define que só sejam autorizadas sanções ambientais, depois que elas passem pela análise de um supervisor. Os fiscais afirmam que essa mudança cria uma figura parecida com a de um censor e que prejudica ações de combate a crimes ambientais.

Operação de apreensão de madeira ilegal, parte do 'Plano Amazônia'.
Operação de apreensão de madeira ilegal, parte do ‘Plano Amazônia’. Foto: Reprodução (Agência Brasil).

Para Suely Araújo, especialista sênior em políticas públicas do Observatório do Clima e ex-presidente do Ibama, essa medida é um “desrespeito” com os fiscais. “Esse controle será feito, provavelmente, por indicados políticos. Eles estão afastando aqueles que sempre fizeram isso, que são concursados e que estão lá, independente do Governo de plantão”.

A ação aconteceu às vésperas da Cúpula do Clima, que começa nesta quinta-feira (22) e conta com a participação dos chefes de Estado e de Governo, dos 40 países mais poluidores do planeta. Suely Araújo está “descrente” sobre a postura do governo brasileiro.

“Espera-se muito pouco em termos de medidas concretas do Governo brasileiro. Tanto o presidente da República quanto o ministro do Meio Ambiente atenuaram nos últimos dias o discurso anti-ambiental que é característico deles. Mas, na prática, sabemos que a política ambiental do governo Bolsonaro não irá mudar porque na percepção deles as regras ambientais, a política ambiental, são problemas a serem afastados. Eles enxergam a parte regulatória da política ambiental, a parte de fiscalização, como um entrave aos interesses da visão de setor produtivo que eles têm na cabeça. Porque, atualmente, nem o setor produtivo que trabalha na legalidade está apoiando este tipo de posicionamento, que vai contra tudo o que se construiu na política ambiental nas últimas quatro décadas”.

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