Mesmo que Maia leve adiante ameaça de impedimento de Bolsonaro, grupo de Lira articula invalidar ato
Rodrigo Maia chega ao final de seu reinado na Câmara dos Deputados enfraquecido, abandonado pelo próprio partido, em um roteiro típico de derrotas: promete cair atirando.
Em uma reunião, exaltado com o desembarque do DEM do bloco de apoio ao seu candidato, Baleia Rossi (MDB-SP), o atual presidente da Câmara ameaçou desengavetar os pedidos de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro. Os mesmos que ignorou de dois anos para cá.

A ameaça, no entanto, parece vazia mesmo para os seus aliados. O dia está apenas começando, mas integrantes do bloco de apoio a Rossi não apostam que Maia concretizará sua ameaça. Sairia apequenado, dado a vinganças passionais.
Já do lado de Arthur Lira (PP-AL), seu oponente e o provável vencedor dessa disputa, as contas são feitas para colocar de volta na gaveta qualquer pedido capaz de incomodar Jair Bolsonaro, fiador da candidatura do alagoano. Alguns caminhos são possíveis.
O primeiro seria questionar na Justiça a abertura de um processo de impeachment neste 1º de fevereiro. Como a sessão desta segunda-feira é destinada à votação, não seria uma Sessão Ordinária, portanto, inválida para quaisquer outras decisões. A briga passaria pelo Supremo Tribunal Federal e ficaria à mercê dos togados.
O segundo caminho seria submeter a abertura do processo à Mesa Diretora que será eleita hoje, ou seja, voltar duas casas no jogo. Nessa análise do grupo de Lira, brechas burocráticas seriam utilizadas para anular o ato de Maia. Também poderia acabar sendo judicializado posteriormente pela oposição, mas já tiraria a pedra do caminho em um primeiro momento.
O terceiro caminho, mais arriscado, seria deixar o processo correr e contar com a maioria do bloco formado por Lira para enterrar de vez um eventual processo aberto. Como presidente da Câmara, Lira teria o controle da formação da comissão que precisa analisar a deposição do presidente e poderia montar as peças de forma a garantir um resultado favorável.
Tudo isso, claro, se Maia for adiante em sua ameaça. Aliados do atual presidente da Casa lembram que o tempo é apertado e que mesmo que decida pela abertura, Maia corre o risco até de não conseguir publicar a decisão no Diário Oficial. “Hoje é o dia de duas presidências”, lembra um deputado. A análise do afastamento do presidente ficaria, assim, para uma improvável vitória de Baleia Rossi.