Foto: Blog do Barreto
Análise de João Bosco Rabello aponta que dependência de velhas fórmulas locais, antipetismo viciado e radicalismo performático travam a expansão de candidaturas fora do eixo principal da disputa
As recentes sabatinas expõem a incapacidade de candidatos da dita terceira via em construir uma alternativa nacional sólida. Segundo o jornalista João Bosco Rabello, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, demonstra que “não consegue dar o salto nacional”. O analista ressalta que todo o conteúdo do goiano se baseia em conquistas estaduais e em “receitas velhas” de segurança pública, fundamentadas puramente na repressão. Como o crime organizado atua de forma sofisticada, a política clássica mantém o problema crônico e impede que o pré-candidato empolgue o eleitorado. Sem conseguir desidratar Flávio Bolsonaro, que lidera o campo da direita nas pesquisas, Caiado surge como um personagem fora de contexto.
Apesar do desempenho tímido de Caiado e de nomes como Romeu Zema — classificado por Rabello como uma alternativa “muito mais medíocre” —, essas candidaturas cumprem um papel tático. Sob o patrocínio do presidente do PSD, Gilberto Kassab, o movimento busca marcar o distanciamento do Centrão em relação ao bolsonarismo. O movimento visa dar trânsito livre a legendas como PSD, PP e União Brasil. O grande obstáculo, contudo, é a fixação no antipetismo. A origem do discurso de Caiado remonta à época da UDR contra a reforma agrária. Ao falar apenas para convertidos, esses nomes deixam de dialogar com os mais de 50% de eleitores indecisos ou reflexivos.
Enquanto a oposição debate internamente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva adota movimentos táticos de maior alcance para faturar fora do seu nicho. Rabello destaca ações pragmáticas do governo, como o telefonema de mais de uma hora para Donald Trump e a articulação de pautas populares no Congresso. Entre as matérias em tramitação estão a PEC da escala 6×1 e a revisão da tributação de compras internacionais. Além disso, Lula tem evitado debates coletivos em favor de sabatinas individuais estratégicas. O presidente busca construir apelo direto junto ao eleitorado que rejeita a polarização rasa entre o bem e o mal.
Por fim, a aposta na agressividade em detrimento de propostas concretas mostra sinais claros de esgotamento na corrida eleitoral. A candidatura de Renan Santos é avaliada como puramente performática, oportunista e desprovida de conteúdo. Na visão dos jornalistas, o pré-candidato confunde uma postura antissistema com atitudes hostis que provocam repulsa no público geral. Tentando se posicionar mais à extrema-direita que o próprio Flávio Bolsonaro, Renan adota um tom agressivo que não surte efeito prático nas pesquisas. A tática confirma que ruídos e ataques vazios não substituem projetos viáveis para o país.