Exportações brasileiras aos EUA caem 9,7% e atingem menor nível desde 2023 Economia

Exportações brasileiras aos EUA caem 9,7% e atingem menor nível desde 2023

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Vendas somaram US$ 24,1 bilhões entre janeiro e agosto de 2026; produtos submetidos às maiores sobretaxas tiveram retração de 29,1% no período

As exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 9,7% entre janeiro e agosto de 2026 e somaram US$ 24,1 bilhões, menor valor registrado para o período desde 2023. A redução representa aproximadamente US$ 2,6 bilhões a menos em vendas na comparação com os oito primeiros meses do ano passado.

Os dados integram a mais recente edição do Monitor do Comércio Brasil–EUA, elaborado pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil, a Amcham Brasil, a partir das informações do Comexstat. As importações brasileiras de produtos norte-americanos também diminuíram no acumulado do ano, com retração de 8,6% e movimentação de US$ 27,3 bilhões.

Com isso, o Brasil acumulou déficit comercial de US$ 3,2 bilhões nas transações com os Estados Unidos entre janeiro e agosto.

“O comércio bilateral permanece em trajetória de retração em 2026, com queda tanto das exportações quanto das importações. Brasil e Estados Unidos comercializaram cerca de US$ 5,2 bilhões a menos no ano, com perdas para ambas as economias”, afirmou Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil. Segundo ele, o cenário amplia a pertinência de medidas destinadas a reduzir barreiras entre os dois mercados e fortalecer o fluxo bilateral.

Exportações crescem em valor em agosto, mas volume cai

Somente em agosto, as vendas brasileiras aos Estados Unidos avançaram 12,1% em valor frente ao mesmo mês de 2025. O desempenho, contudo, ocorreu concomitantemente a uma queda de 17,3% no volume de mercadorias exportadas. A quantidade embarcada atingiu o menor nível para um mês de agosto desde 2021. Segundo o levantamento, o crescimento nominal das vendas foi sustentado principalmente pela elevação dos preços médios.

Alguns produtos também registraram avanço na quantidade exportada durante o mês, entre eles carne bovina, semimanufaturados de ferro ou aço, aeronaves e café. A comparação ocorre sobre uma base que já havia sido atingida pelas tarifas adicionais de 40% e 50% adotadas pelos Estados Unidos a partir de agosto de 2025.

Embora as exportações totais tenham aumentado em valor no mês, os produtos atualmente submetidos a sobretaxas entre 25% e 37,5% apresentaram retração de 10,5%. No acumulado de janeiro a agosto, a discrepância é mais acentuada. As vendas desses produtos caíram 29,1%, de US$ 5,1 bilhões para US$ 3,6 bilhões.

Considerando todas as mercadorias sujeitas a alguma sobretaxa, a redução chegou a 11,4%. Entre os bens sem tributação adicional, o recuo foi de 8,3%.

Nove dos dez principais produtos sobretaxados recuam

Entre os dez principais produtos brasileiros submetidos às tarifas adicionais de 25% a 37,5%, nove registraram redução das exportações aos Estados Unidos nos primeiros oito meses do ano.

As maiores quedas foram registradas em:

  • madeira de coníferas: -55,3%;
  • fumo não manufaturado: -39,9%;
  • sebo bovino: -39,4%;
  • granitos trabalhados: -37,4%.

Do lado das importações, agosto representou o segundo mês consecutivo de avanço depois de sete meses de retração. As compras brasileiras de produtos dos Estados Unidos cresceram 1,1% no mês, mas ainda acumulam queda no ano.

Queda atinge indústria, agropecuária e setor extrativo

A retração das exportações brasileiras ao mercado norte-americano alcançou os três grandes setores da economia entre janeiro e agosto. O movimento ocorre em sentido distinto ao observado nas vendas brasileiras para os demais destinos, que avançaram nos três segmentos.

  • As exportações da indústria de transformação para os Estados Unidos recuaram 4,9%, enquanto as vendas do setor ao restante do mundo aumentaram 6,6%.
  • Na indústria extrativa, a queda no mercado norte-americano chegou a 28,9%. Para os demais países, as exportações do setor cresceram 19,6%.
  • Na agropecuária, os embarques destinados aos Estados Unidos diminuíram 26,7%, ao mesmo tempo em que avançaram 9,5% para os demais mercados.
  • A indústria de transformação responde por 83,3% das exportações brasileiras aos Estados Unidos. A retração de 4,9% registrada em 2026 representa a primeira queda das vendas industriais para o país desde 2020.

Mesmo com o resultado, os Estados Unidos permanecem como principal destino dos produtos industriais brasileiros e concentram 15,5% das exportações do setor.

Entre os dez produtos mais exportados pelo Brasil ao mercado norte-americano no acumulado do ano, seis tiveram queda. Em quatro casos, o recuo ocorreu enquanto as vendas para os demais destinos avançaram.

O petróleo bruto apresentou redução de 31,5% nas vendas aos Estados Unidos. Também houve queda nos embarques de semimanufaturados de ferro ou aço, de 4,3%; ferro-gusa, de 8,1%; e celulose, de 1,9%.

Principais números entre janeiro e agosto de 2026

  • Exportações Brasil → Estados Unidos: US$ 24,1 bilhões | -9,7%
  • Importações Estados Unidos → Brasil: US$ 27,3 bilhões | -8,6%
  • Déficit brasileiro: US$ 3,2 bilhões
  • Bens sem sobretaxa: US$ 13,1 bilhões | -8,3%
  • Bens com sobretaxa: US$ 11 bilhões | -11,4%
  • Produtos sujeitos a sobretaxas de 25% a 37,5%: US$ 3,6 bilhões | -29,1%

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