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Diplomatas avaliam que um eventual governo de Flávio poderá romper com a tradição brasileira de multilateralismo e pragmatismo nas relações internacionais
Além do Judiciário, o Itamaraty acompanha com preocupação a possibilidade de uma vitória de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial. A avaliação entre diplomatas é de que um eventual governo do senador poderá promover mudanças profundas na política externa brasileira, especialmente diante da pressão por um maior alinhamento do país ao governo de Donald Trump e à direita internacional.
Historicamente, o Brasil mantém uma política externa baseada no multilateralismo, no não alinhamento ideológico e no pragmatismo, preservando relações com países de diferentes campos políticos. Essa tradição atravessou inclusive períodos de forte polarização, como a ditadura militar, quando o Brasil restabeleceu relações com a China e manteve negócios com países que enfrentavam oposição dos Estados Unidos. Para setores do Itamaraty, abandonar essa postura poderia reduzir a autonomia brasileira no cenário internacional.
A preocupação aumentou após declarações de integrantes do grupo bolsonarista sobre uma possível “faxina” no Itamaraty e diante da influência exercida pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, sobre a política externa de Trump. Diplomatas temem que uma eventual mudança de governo transforme a relação com os Estados Unidos em um alinhamento político mais direto, substituindo a tradição de negociações multilaterais e pragmáticas por uma estratégia baseada em acordos bilaterais e maior proximidade ideológica com Washington.