Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
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Ex-ministro da Justiça e coautor do pedido de impeachment de Dilma Rousseff critica propostas de anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro, alerta para riscos de intervenção estrangeira e vê ameaça de avanço de políticas autoritárias sob eventual governo de Flávio Bolsonaro
O jurista Miguel Reale Júnior, ex-ministro da Justiça e coautor do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, alerta para os riscos do avanço da extrema direita no Brasil. Em entrevista, ele afirmou que Flávio Bolsonaro representa a continuidade do projeto político do pai, Jair Bolsonaro. Segundo o jurista, esse cenário pode trazer novas ameaças às instituições democráticas.
Entre os principais pontos de preocupação está a proposta de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. Para Reale Júnior, a medida poderia apagar a gravidade dos ataques às instituições. Além disso, enfraqueceria a responsabilização dos envolvidos na tentativa de ruptura democrática.
O jurista também criticou a possibilidade de classificar facções criminosas, como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC), como organizações terroristas. Na avaliação dele, essa mudança poderia abrir caminho para intervenções estrangeiras, especialmente dos Estados Unidos. Por isso, Reale Júnior considera a proposta um risco à soberania nacional.
Outro ponto de alerta é a defesa de políticas de segurança inspiradas no modelo de El Salvador. Reale Júnior considera esse caminho excessivamente repressivo e prejudicial à população mais pobre. Em sua avaliação, o combate ao crime exige mais do que o endurecimento das penas. Também depende de prevenção, políticas sociais e presença das instituições de Justiça nas periferias.
Além disso, o jurista vê com preocupação o fortalecimento de grupos de extrema direita no Congresso Nacional. Para ele, as redes sociais ampliam o alcance de discursos radicais e favorecem campanhas baseadas em ressentimentos. Como consequência, o debate político perde espaço para propostas que, segundo ele, ameaçam direitos e instituições democráticas.
Apesar das críticas ao bolsonarismo, o jurista reconhece o desgaste do PT e a necessidade de mudanças na condução do governo. Ainda assim, defende a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva como forma de conter o avanço de propostas que considera autoritárias.
Por outro lado, Reale Júnior cobra maior articulação entre os partidos da base governista. Segundo ele, a participação no governo precisa ir além da distribuição de cargos. É necessário construir compromissos comuns em torno de ideias e políticas públicas.
Ao final, o jurista reforçou a importância da participação dos eleitores. Para ele, a escolha nas urnas terá consequências para o futuro do país. “Quem vai votar em Flávio tem que saber muito bem quais são as consequências do seu voto”, afirmou.