Fim da escala 6×1 pode elevar custos e pressionar o crescimento econômico, avalia Denis Medina Jornal Do MyNews

Fim da escala 6×1 pode elevar custos e pressionar o crescimento econômico, avalia Denis Medina

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Denis Medina analisa no Jornal MyNews os impactos do fim da escala 6×1, os custos para pequenos negócios e os riscos para o crescimento econômico

Em entrevista ao Jornal MyNews nesta quarta-feira (14), Denis Medina, professor de MBA, autor e mentor em finanças empresariais, analisou os possíveis impactos econômicos do fim da escala 6×1. Ao comentar o estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), Potenciais Custos do Fim da Jornada 6×1, de Fernando de Holanda Barbosa Filho, Medina destacou os riscos de aumento dos custos trabalhistas e de desaceleração da economia. Segundo ele, uma eventual retração do PIB não significa necessariamente que a economia encolheria, mas que o país poderia deixar de crescer no ritmo esperado. Nesse cenário, empresas precisariam contratar trabalhadores para cobrir folgas, o que elevaria as despesas com mão de obra e poderia pressionar os preços.

Pequenos negócios podem sentir mais os efeitos da mudança

Medina afirmou que microempreendedores e pequenos negócios podem enfrentar dificuldades para absorver os custos adicionais. Entre os exemplos, citou padarias, pipoqueiros e outros empreendimentos que contam com equipes reduzidas e margens apertadas. Para o professor, a discussão não deve considerar apenas grandes empresas, mas também os pequenos empresários, que representam uma parcela importante da atividade econômica. Nesse sentido, ele questionou comparações entre a redução da jornada e o fim da escravidão, argumentando que os contextos históricos e econômicos são muito diferentes. Na avaliação de Medina, tratar situações distintas como equivalentes pode banalizar a gravidade do trabalho escravo.

Indústria e serviços podem enfrentar desafios de produtividade

Outro ponto levantado por Medina envolve as atividades em que a produtividade depende de máquinas, operações contínuas ou horários fixos. Na indústria e nos aeroportos, por exemplo, reduzir a jornada não significa necessariamente produzir a mesma quantidade em menos tempo. Por isso, algumas empresas poderiam precisar contratar mais funcionários para manter o nível de operação, elevando os custos. Em outros setores, os trabalhadores teriam de executar as mesmas tarefas em um período menor, o que também exigiria mudanças na organização do trabalho.

Por fim, Medina criticou a forma como o governo conduz o debate sobre a redução da jornada. Para ele, a proposta transfere às empresas a responsabilidade de custear um benefício social sem apresentar uma solução que distribua os custos entre outros agentes. O professor também ressaltou o peso dos juros elevados no Brasil, que encarecem o crédito e dificultam investimentos. Assim, em sua avaliação, a discussão sobre o fim da escala 6×1 precisa considerar não apenas os benefícios para os trabalhadores, mas também os custos de implementação, as diferenças entre setores e os efeitos sobre o crescimento econômico.

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