O Centrão fica: Cientista política analisa o poder do Congresso no próximo governo Parlamentares se reúnem no plenário do Congresso Nacional | Foto: MDB Nacional/Flickr - 20.02.2018 Jornal Do MyNews

O Centrão fica: Cientista política analisa o poder do Congresso no próximo governo

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A cientista política Karolina Roeder analisa a influência do Centrão sobre o orçamento e as diferenças na relação do bloco com possíveis governos de Lula e Flávio Bolsonaro.

A dez dias do segundo turno das eleições presidenciais, a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) segue acirrada. Nesse cenário, o Centrão mantém um papel decisivo nas negociações políticas e na definição das pautas do Congresso Nacional. Para a cientista política Karolina Roeder, em entrevista ao Jornal MyNews  nesta quinta (15) independentemente de quem vença a eleição, os partidos desse bloco devem continuar influenciando os rumos do próximo governo.

A pesquisa Quaest divulgada em 14 de outubro mostrou Flávio Bolsonaro com 46% das intenções de voto e Lula com 44%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, os candidatos estão em empate técnico. <Cite refs={[“turn884676news19”]}/>

Em entrevista ao MyNews, Roeder analisou como a mobilização pública nos últimos dias pode alterar o cenário eleitoral. Além disso, destacou o peso do Congresso nas decisões políticas e orçamentárias do país. Para ela, o fortalecimento do Legislativo mudou a relação entre o Executivo e os parlamentares.

O poder do Centrão vai além da eleição presidencial

O Centrão reúne partidos de diferentes orientações, mas que costumam negociar apoio ao governo em troca de espaço político e participação nas decisões. Segundo Roeder, esse perfil ajuda a explicar por que o bloco mantém sua influência mesmo quando o comando do Executivo muda de mãos.

A cientista política destaca que os parlamentares individuais também ganharam poder, especialmente na destinação dos recursos públicos. Com isso, o controle do orçamento deixou de depender exclusivamente das decisões do governo federal e passou a envolver negociações cada vez mais complexas com o Congresso.

Além disso, mudanças no funcionamento do Legislativo alteraram a relação entre os parlamentares e a sociedade. Roeder citou o avanço das votações remotas como um fator que reduziu oportunidades de convivência e socialização entre os congressistas. Essas interações, embora menos visíveis, também ajudam a construir acordos e articular interesses políticos.

Bolsonaro e o avanço do Congresso sobre as pautas do governo

Ao analisar o governo de Jair Bolsonaro, Roeder apontou a decisão de não construir uma coalizão política tradicional como um fator importante para compreender o fortalecimento do Congresso. Na avaliação da cientista política, a ausência de uma articulação estável com os partidos abriu espaço para que os parlamentares assumissem maior protagonismo na definição da agenda nacional.

Nesse contexto, o Legislativo ampliou sua capacidade de determinar quais propostas avançam e como o governo distribui recursos. Assim, a relação entre Executivo e Congresso tornou-se um dos principais desafios para qualquer presidente que pretenda implementar sua agenda.

O que esperar do Centrão em um governo Lula ou Flávio Bolsonaro?

Para Roeder, a atuação do Centrão depende menos de uma identidade ideológica uniforme e mais das oportunidades de negociação com o governo. Embora os partidos que compõem o bloco apresentem posições predominantemente à direita, seus interesses variam conforme as bases eleitorais e os benefícios políticos que conseguem obter.

Em um eventual governo Flávio Bolsonaro, a cientista política considera provável que o Centrão acompanhe a orientação mais à direita do Executivo. Nesse cenário, propostas de redução do gasto público e mudanças em programas sociais poderiam ganhar espaço, a depender das decisões do governo e das negociações com o Congresso.

Roeder também ponderou que as medidas de um eventual governo Bolsonaro precisariam considerar os interesses dos grupos empresariais que apoiam sua agenda econômica. Por isso, a implementação de reformas dependeria tanto das prioridades presidenciais quanto da capacidade de articulação com os parlamentares.

Já em um eventual novo governo Lula, a cientista política avalia que o Centrão tentaria preservar políticas sociais que tenham apoio popular e interesse eleitoral. Ainda assim, ela não espera necessariamente uma gestão tão à esquerda quanto setores da base petista poderiam desejar.

Nesse caso, Lula teria de buscar equilíbrio entre as propostas sociais, as demandas dos partidos aliados e os limites impostos pelo Congresso. Ao mesmo tempo, Roeder vê espaço para negociações que permitam ao governo avançar em medidas sociais, desde que consiga construir acordos com os parlamentares.

Um bloco que se adapta às mudanças políticas

A análise de Roeder aponta para a capacidade de adaptação do Centrão diante das mudanças no comando do Executivo. Embora a composição e o tamanho do bloco possam variar de uma legislatura para outra, seus partidos continuam buscando espaço nas decisões do governo.

Por isso, o resultado da eleição presidencial não deve ser o único fator a definir os rumos da política nacional. A composição do Congresso, o controle do orçamento e a capacidade de negociação serão igualmente importantes para determinar quais propostas sairão do papel.

Para a cientista política, o Centrão continuará ocupando uma posição estratégica na relação entre o Executivo e o Legislativo. Afinal, os governos mudam, mas os interesses e as negociações que sustentam o poder parlamentar permanecem no centro da política brasileira.

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